Dez anos depois, mais um “mafioso” é condenado, em SP

Na semana em que o CBN SP discute o combate a corrupção na cidade e lembrou a importância da CPI da Máfia dos Fiscais, somos brindados com a notícia abaixo reproduzida da Agência Estado. Mais um “mafioso”, o ex-vereador José Izar é condenado a prisão:

Depois de dez anos de investigação, o advogado e ex-vereador José Izar, um dos expoentes da chamada Máfia dos Fiscais, escândalo de arrecadação de propina que marcou a gestão de Celso Pitta na Prefeitura de São Paulo, foi condenado a oito anos de prisão por concussão (extorsão praticada por funcionário público). Izar não poderá recorrer em liberdade. Até as 20 horas desta quinta-feira, o mandado de prisão não havia sido expedido.

A sentença, proferida pela juíza Márcia Tessitore, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, condena outras 15 pessoas a penas que variam entre quatro e oito anos, entre elas William José Izar, irmão de José Izar, e Gilberto Trama, ex-administrador regional da Lapa, ambos condenados a oito anos.

“Essa investigação foi um marco na luta contra a corrupção. Foi através dela que aconteceu a primeira prisão de um vereador na história da cidade , o Vicente Viscome, que já cumpriu pena. A sentença é exemplar”, diz Roberto Porto, promotor de justiça do Gaeco (Grupo de Repressão ao Crime Organizado). Ainda segundo Porto, a investigação demorou a ser concluída porque o processo penal para funcionários públicos exige muitas preliminares, o que causa morosidade.

As investigações sobre a Máfia dos Fiscais em São Paulo começaram em dezembro de 1998, com a prisão do engenheiro Marco Antônio Zeppini, fiscal da Administração Regional de Pinheiros, que tentou extorquir dinheiro da dona de uma academia de ginástica. Zeppini foi condenado a cinco anos de prisão e já cumpriu pena.

Foram denunciadas mais de 600 pessoas nos vários processos da máfia, que superou números da Operação Mãos Limpas, da Itália. Cerca de 1.500 testemunhas foram ouvidas, e outros 30 processos seguem em andamento, envolvendo quase todas as administrações regionais da época.

“Estou com a alma lavada”, comemora Rafael Barcha, da estamparia BrasilK, um dos primeiros a denunciar o esquema. Em 1998, ele tentou abrir sua empresa na Lapa, mas não conseguiu alvará. “Eu estava com todos os documentos, mas não conseguia licença. Até que descobri que a regional queria fazer um acordo: se eu contribuísse financeiramente com a campanha de William José Izar, que era um clone do irmão, José Izar, eu conseguiria abrir o meu negócio.”

A Máfia dos Fiscais, segundo os promotores, teria arrecadado R$ 436 milhões de comerciantes e ambulantes paulistanos. Em 1998, quando o escândalo veio a público, os vereadores Vicente Viscome e José Izar choraram, durante depoimento na Câmara e na polícia.

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