Tudo acontece no banco de trás (do táxi). A frase do motorista Davi Francisco da Silva, há cinco anos na praça, vem acompanhada de uma série de idéias que surgiram na conversa com os passageiros ou do olhar atento às coisas da cidade. Do ouvido, também. Já que ao ligar o rádio soube que em apenas um dia de funcionamento oito pessoas haviam sido atropeladas no corredor de ônibus da avenida Rebouças, mesmo número de soldados americanos mortos na Guerra do Iraque.
Peguei um projetinho, botei embaixo do braço e fui até a Câmara Municipal, disse Davi que não foi levado a sério nas primeiras visitas que fez ao gabinete dos vereadores. No 156, que considera um dos piores serviços prestados pela prefeitura, não conseguiu ser ouvido. Demorou um pouco, mas uma das propostas que havia sugerido foi adotada pela Companhia de Engenharia de Tráfego: reduzir a velocidade máxima no corredor para 50 km/h.
Para salvar pedestres e tornar o trânsito menos selvagem, Davi sugere que a CET invista em semáforos com temporizador que informam o tempo que falta para fechar. Já tem em cidades do Grande ABC, mas na capital ainda está em teste.
Hoje, calcula que sejam 33 mil motoristas de táxis na cidade que circulam boa parte do tempo com o carro vazio, aumentando a despesa pessoal e o congestionamento. Para Davi, a prefeitura deveria permitir que os taxistas usassem os pontos de parada que estivessem liberados (sem táxis) enquanto aguardassem passageiros: Se vou para zona norte com passageiro, sou obrigado a voltar para meu ponto do outro lado da cidade, mesmo que esteja com o carro vazio.
Uma proposta polêmica entre os taxistas é defendida por Davi. Reduzir a tarifa da bandeirada, tornar a corrida mais barata e vantajosa, capaz de motivar o paulistano a deixar o carro em casa em troca do táxi. O sindicato que representa a categoria, comandada por um presidente que só faz política e está fora da praça há décadas, nem aceita discutir a idéia.
Reeducar os motoristas, não apenas os profissionais, é outro caminho defendido por Davi. Ele ficou envergonhado ao visitar Vitória do Espírito Santo e não entender o sinal que um pedestre fez quando se aproximou da faixa. Será que ele precisa de táxis ?, perguntou à esposa. Você é paulista mesmo, ele só levantou o braço prá atravessar a rua. Você tem de parar o carro, respondeu a moça que era da terra.
Se reclama do que acontece em São Paulo, se propõe projetos para torná-la melhor, se luta contra idéias ultrapassadas, é por um único motivo: Eu amo São Paulo.