Por Roberto Galassi Amaral
Ouvinte-internauta do CBN SP
“Estimulado pela fala do Márcio Rachkorsky, nesta manhã (28/05), sobre ser mais justo cobrar o consumo de água individualmente, envio esta mensagem com algumas considerações.
Parece que o objetivo de buscar justiça com tal ação é inquestionável e, portanto, não merece reflexão, pois encerra a verdade. Entretanto desejo colocar luz nas possíveis razões que levam todos os condomínios a buscarem tal ação.
É sabido que a vida em coletivo ( em prédios e condomínios) predomina na cidade;
É sabido, também, que esta característica exige dos cidadãos que vivem esta realidade uma postura mais colaborativa, o que não acontece na prática.
Nossa sociedade parece que ainda não desenvolveu a habilidade de tomar decisões coletivas e por esta razão ignora e até abomina a reunião de condomínio, onde as decisões de um coletividade são tomadas.
Este espaço deveria ser a escola diária desse desenvolvimento e o que se observa é que abdicamos do processo de aprendizagem e continuamos escolhendo, num ambiente coletivo, por saídas individualistas.
Que síndico, quando assume, apresenta seu plano de trabalho com vistas a gerar naquela comunidade específica um comportamento mais consciente quanto à diversos itens – em especial o consumo de água ?
É visivelmente mais barato atuar de forma educativa, promovendo a consciência dos moradores, quanto a estas questões, em lugar de impor custos elevadíssimos em obras de engenharia para adequar o imóvel à condição de nossa sociedade de não saber ouvir, não saber ser colaborativa e de impor a vontade individual ao coletivo.
Com tal postura damos justiça na cobrança da água e perdemos a chance de, como sociedade, avançar na postura de desperdício que impera.
Ao cobrar de forma individual, ajustamos nosso sentimento de justiça e avançamos no comportamento social de injustiça, pois o problema do consumo da água, antes de tudo, é um problema da humanidade.
Até quando o pragmatismo imporá seu razão? Até quando deixaremos de avançar na tomada de consciência?
Portanto, desafio síndicos e condôminos a trabalharem em favor do comportamento colaborativo e da competência de tomar decisões coletivamente. Resistam ao individualismo.”