De bastidor: Tapa na coxa e trabalho para a imprensa

Dois fotógrafos, dois cinegrafistas e dois assessor de comunicação acompanharam a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy na entrevista à rádio CBN, ao vivo, na manhã desta terça-feira. Trajando preto e branco e visivelmente mais magra do que na época em que havia deixado a prefeitura, há quatro anos, a candidata do PT se incomodou com o desconforto da cadeira que estava à disposição dela no estúdio. Tinha razão. Era um pouco alta, os pés ficavam balançado. Levantou, reclamou, sentou novamente, não gostou e uma nova cadeira apareceu já adaptada à altura da candidata por um dos cinegrafistas da campanha.

Confortável, logo de cara teve de falar sobre a herança que a prefeitura lhe deixou: o apelido de Martaxa. A do lixo já era e não volta. A da luz continua. Assunto que mobilizou a assessoria de imprensa da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. Antes de a entrevista se encerrar já havia nota pronta, escrita em uma só linha, avisando que a prefeitura acabou com a taxa de luz. Acabou ? Para aqueles que não tem luz. Ah, bom !

Sobre trânsito colocou mais um ponto na coluna dos contra-pedágio. Tem um ouvinte-internauta que acompanha a entrevista pelo Twitter e registra, dia a dia, o placar do pedágio urbano. Até aqui, dos sete entrevistados, sete disseram que não vão implantar o sistema. Por enquanto. Preferiu criticar o sucateamento da CET. Mais trabalho para a imprensa da prefeitura. Antes dela deixar o estúdio já havia resposta à crítica da candidata do PT. Esta mais longa: 33 linhas.

A caixa de correio estava cheia, e o blog bombando. Foi de lá que tirei a crítica de um ouvinte-internauta que se identificou por siglas. Reclamava de 100 promessas feitas na gestão dela, muitas não cumpridas. Citou três. Ela fez questão de responder diretamente ao ouvinte-internauta: “Flávio, você é injusto”. A voz estridente e desafinada pelo tom mais alto quase foi encoberta pelo barulho dos dois tapas simultâneos sobre as próprias coxas. E a imprensa da prefeitura volta a se agitar e digitar o mais breve possível uma resposta em defesa da administração Kassab por causa das críticas ao Planetário do Carmo. Nesta, a ação oficial competiu com as mensagens de ouvintes-internautas que reagiram por não gostar do que jeito que a ex-prefeita se referiu ao cidadão.

Marta falou por 25 minutos e “reclamou” que a entrevista foi muito rápida. Queria falar mais. Acabou concordando que o tempo é o ideal para passar a mensagem ao eleitor e não cansar o ouvinte. O trabalho agora era da imprensa da campanha: enviar as várias fotos feitas no estúdio, pelo computador, para serem publicadas no site oficial. E sair correndo atrás da candidata que tinha mais uma série de compromissos no dia.

Por coincidência, em um deles voltei a encontrá-la. Era um evento que reunia empresas de call-center no qual fui para mediar debate sobre as regras que pretendem restringir o trabalho do setor. Ela esteve lá, recebeu homenagem pela instalação dos telecentros durante a gestão, ouviu quatro ou cinco pessoas vaiá-la, enquanto a maioria a aplaudia, discursou e foi embora, rapidamente. Desta vez, sem dar muito trabalho aos jornalistas.


Perguntômetro

Blog e e-mail dividiram a preferência do ouvinte-internauta durante e depois da entrevista com Marta Suplicy. Foram 36 mensagens na caixa de correio dirigidas à candidata e 19 comentários no blog, entre perguntas, críticas e elogios. O Twitter foi uma frustração: duas mensagens apenas.

Um comentário sobre “De bastidor: Tapa na coxa e trabalho para a imprensa

  1. Lamentável as entrevistas dos candidatos. Uma grosseira, um preguiçoso que só irá fazer o planejamento se ganhar a eleição, e assim vão essas figuras. Ouço diariamente e penso se é pior ouvi-los e ter que escolher dentre eles ou fazer como nós pobres Guarulhenses, que não temos jornal local (assistimos ao bom dia sp, lemos os jornais de sp, ouvimos o cbn sp…..). Assim raramente fala-se de debate ou qualquer ou entrevista com os candidatos à nossa prefeitura.

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