
Um calhamaço de papéis nas mãos, mochila pendurada nas costas. Soninha chega no estúdio acompanhada por dois assessores. Um, além do capacete que denuncia o uso da moto, está com a máquina de fotografia digital. O outro, tem uma câmera de vídeo. O cumprimento dela já vem acompanhado de uma provocação: Você como líder está que ninguém te agüenta ?. E dois beijos. Sem formalidade.
Conheço Soninha há bastante tempo. Não de bar e bate-papo. De redação. Foi na da Rede Tv!, época em que narrei futebol (sim, já fiz isto). Juca Kfouri, colega dela na Folha, foi quem me apresentou. Já havia lido e ouvido aquela moça que se metia a dar palpite em futebol, coisa de homem. Miúda e de fala rápida conquistava a confiança nos primeiros minutos de jogo.
Depois foram entrevistas no CBN SP. Encontros casuais em eventos. Troca de informações. Até se candidatar a vereadora. O cargo serviu apenas para mudar o tema da conversa. Do futebol – do meu Grêmio e do Palmeiras dela – migramos para as coisas da cidade. Idéias que levou para a Câmara, divergências políticas, discussões de bastidor. Sem formalidade.
Como candidata à prefeita parece manter o mesmo jeito apesar do comentário em tom de preocupação, antes de se iniciar a entrevista, de que nesta quarta o TRE decidiria o destino do mandato dela (role para baixo e você verá no que deu esta história). E prá que tanto papel ? Imagina se levam a moto com tudo isso dentro do baú !.
Assim que a bola começou a rolar, entrei no tema que a diferencia dos demais candidatos: pedágio urbano. Até hoje o placar era completamente desfavorável a idéia: 7 candidatos contra, nenhum a favor. Soninha apóia a idéia e justifica com a habilidade de quem explica porque é melhor jogar no ofensivo 4-3-3 quando o restante prefere o 3-5-2.
A fala dela é rápida, não chega a velocidade do narrador esportivo mas o suficiente para provocar mensagem de um ouvinte-internauta: eu e minha mulher concordamos que ela corre muito. Reproduzi o e-mail para ela no fim da entrevista, fora do ar, e Soninha concordou com a crítica. É vontade de dizer tudo de uma vez só, responde.
Logo que se levanta, faz um pedido: Continuem pegando no pé da gente. Um recado para que a imprensa não deixe de cobrir as coisas que acontecem na Câmara. Diz que enquanto estamos lá, as coisas mudam. Você não tem idéia o que eles dizem de vocês. E ela disse, sem formalidade.
Perguntômetro
Foram 34 perguntas e comentários na caixa de correio, 10 pelo Twitter e 9 no blog.
Ouça aqui a entrevista da candidata Sônia Francine, do PPS:
Outra entrevista muito boa, Milton. Pena que o tempo é curto gostaria ouvir ela falando sobre outros assuntos. Muito esclarecida e com bastante agilidade em responder td que foi perguntado. Se as pessoas tivessem oportunidade de acompanhar essas entrevistas quem sabe não sairíamos da mesmice dos candidatos.
abraços,
Mesmo no curto espaço de tempo, a Soninha enobreceu e iluminou a discussão da cidade.
Um grande abraço, Eliane.
A Soninha é muito legal, é uma pena que ela não tenha chance de ser prefeita pelo menos não neste ano, São Paulo merecia um sangue novo, mas quem sabe ela não está melhor assim, não no topo do comando, mas acessível a nós que somos tão carentes de representantes. Quem nos garante também que ela com todo esse gás, não desanimaria, como tanta gente boa que tentou, e se não foi incorporado a este sistema político em que vivemos, totalmente desumano, desistiu, porque como uma andorinha só, não conseguiu fazer verão. Toda força para que a Soninha seja como prefeita ou como política, ou mesmo como uma pessoa que pensa no comum a mesma e nunca mude. Bjs Lenice
como eu gosto e admiro a soninha se eu tivesse poder magico elegia ela no primeiro turno