Fala mais grosso do que é alta. Não faz questão de sorrir. Tem olhos que revelam a falta de esperança e faz gestos com o rosto que reforçam esta impressão. No discurso é coerente com a comunicação não-verbal. Sem ilusão.
Assim se apresenta Anaí Caproni, a não-candidata a prefeito pelo PCO.
O Tribunal Regional Eleitoral ainda não deu a palavra final sobre se ela estará na disputa. Havia dúvidas sobre os compromissos eleitorais que deveriam ter sido cumpridos por ela (votar ou justificar a ausência em eleições anteriores) e sobre a prestação de contas do candidato a vice, Roberto Gerbi. E se o TRE rejeitar definitivamente o registro dele, ela também fica fora da disputa.
Todo este imbróglio apenas reforça o discurso do PCO e sua não-candidata: o jogo eleitoral foi feito para os grandes partidos e a elite brasileira.
Não são estas as justificativas para chamá-la de não-candidata. Anaí Caproni não tem nenhuma esperança – assim como seus olhos – de que o PCO consiga chegar a prefeitura. Nem mesmo uma vaga na Câmara de Vereadores. E nisso é muito mais honesta do que a maioria dos nanicos que participaram até aqui das entrevistas do CBN SP.
Por que disputar a eleição, então ?
Aproveitar o pouco espaço que tem (milésimos de segundos na televisão) para vender o seu peixe: organização operária, poder a partir da base, etc, etc, etc. Se você realmente quiser fisgá-lo ouça a entrevista que está à sua disposição dois posts abaixo.
Pouco se falou sobre propostas para a cidade, mesmo porque seria incoerente uma não-candidata ter programa de governo. Fiz questão, porém, de falar de transporte público, afinal a Causa Operária abandonou o PT no governo Erundina quando o partido decidiu apoiar a extinção da CMTC. Anaí defende a reestatização do sistema, medida que – segundo ela – também não vingará pois há uma máfia (a mesma que matou Celso Daniel) interessada em explorar o trabalhador, etc etc etc. Ah, é contra o pedágio urbano, também.
Fim de papo. Hora das despedidas. Posso estar enganado, mas imagino tê-la flagrado com um sorriso disfarçado no rosto. Um risco de esperança, talvez, ou apenas agradecimento pela primeira entrevista na grande mídia desde que começou na campanha.
Perguntômetro
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