Por Maria Lucia Solla
Olá,
Os indivíduos da nossa espécie levam cerca de nove meses, sem contar os acidentes de percurso, para chegarem até esta ilha planetária. Passamos a viagem toda, a bordo, confinados num compartimento muito menor do que poltrona de avião em classe turística e ainda tem vezes que precisamos ser arrancados à força de lá de dentro. Mistério…
Aterrissamos amassados, assustados, xucros e reclamando; e partimos não muito diferentes. Às vezes chegamos como presente e noutras como provação. Mistério…
No desembarque, aparentemente sem bagagem nenhuma, na primeira puxada de ar, no primeiro contato com a atmosfera daqui, sofremos uma espécie de amnésia, dispositivo não opcional da nossa configuração. Alguns chegam com esse dispositivo desbloqueado e acabam sendo venerados por desvendarem o desconhecido, mas a maioria vem formatada assim, com memória insuficiente ou, propositadamente, com dispositivo de segurança; quem sabe. Esquecemos quem somos e por que viemos, mas não tenho idéia do porquê. Quem sabe é para exercitarmos a imaginação e para criarmos, cada um de nós, o que desejamos ser e o que queremos fazer durante nossa estadia aqui.
Chegamos muito parecidos uns com os outros, e isso me faz acreditar que viemos do mesmo lugar. Indícios de que tenhamos o mesmo objetivo durante a estadia e o mesmo destino ao final dela existem, mas provas não há. O bilhete é de ida e volta. Gostando ou não daqui, você volta. Compulsoriamente. Vai embora. Por vezes o indivíduo é embarcado às pressas, sem tempo para se preparar, mas eu não entendo mesmo a razão de chegarmos nus e voltarmos vestidos. Hábito adquiridos, quem sabe.
Os que chegaram aqui antes, e principalmente os que solicitaram o nosso embarque, começam a acreditar que você é mesmo um presente, que pertence literalmente a eles, e fazem de você gato e sapato. Treinam você, educam você, alegam promover o seu desenvolvimento moral, intelectual, emocional e físico, e não se conformam se você não se enquadra. Ligam você na tomada deles. Se você quer ou não, se isso faz você feliz ou não, poucos se importam. Querem construir seres a partir dos seus moldes. Querem que você faça e seja o que eles não conseguiram, apesar de já estarem aqui há mais tempo. Vibram através das suas conquistas e daquelas de outros parceiros de viagem, mas nem pensam em perseguir as próprias. E aí a gente acha que é tudo assim mesmo, que a viagem é o que contam e o que mostram dela.
Uns se conformam e colocam sua viagem no piloto automático, mas para aqueles que gostam de dirigir, sempre há tempo. Sempre há esperança, uma vez que não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Portanto acredito que devamos nos desconstruir, de tempos em tempos. É saudável que mexamos os esqueletos, que saiamos da área pretensamente de conforto e que experimentemos alternativas, procurando descobrir do que é que precisa a nossa alma. Vou dar uma dica: se dói, o caminho está errado.
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro De bem com a vida mesmo que doa, lançado pela editora Libratrês, e todo domingo está aqui no blog.
Ola M. Lucia
O piloto automatico, o GPS, o FMC (Flight Manger Control) realmente facilitam muito a vida de pilotos, o que torna uma etapa de um vôo extremamente confortável a todos.
Mas todo cuidado é pouco!
No espaço aéreo, existem também aerovias de mão dupla e se os pilotos de uma aeronave não estiverem atentos a tudo que ocorre em suas voltas, no sistema de gerenciamento de voo, no TCAS, não ficarem atentos a fonia dos controladores de voo (quando funciona em determinados setores) “não vestirem o avião literalmente” durante todas as estapas de um vôo poderão ser pegos de surpresa e terem na sua proa uma outra aeronave em sentido contrário, no mesmo nivel de vôo.
Ai meus caros
Sem chance.
Bom domingo e exelente semana
Armando Italo
Tem que estar ali inteiro, não é, meu caro? Vamos para a pista. Equipados por fora e por dentro. Boa semana.
ml
auto-ajuda? É, nem os aviônicos mais modernos resistiriam…
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“Tem que estar ali inteiro, não é, meu caro?”
Com certeza M.Lucia
Não basta somente, posicionar as manetes no batente, dar potencia nos motores e decolar.
Abçs
Armando Italo
Olá, Júnior, já estava sentindo falta das suas observações. Como você vê, você lê meus textos e eu leio os seus. Bom final de domingo,
ml
seus textos são ótimos Maria, de verdade ! Eu é que sou o chato mesmo; to sempre querendo fazer a outra ponta…
Obrigado; boa semana! de coração…
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Você me faz pensar e isso é ouro puro!
ml
Nem sempre conseguimos andar nos caminhos monos espinhosos e nem sempre estamos com o piloto automático ligado.
Tem sempre pressões dizendo que se faça assim e outras pressões dizendo não.
Só dá prá arrancar as rédeas quando ouvimos nosso coração.
Mas, às vezes me pergunto, será que só os caminhos que não doem são os melhores? Será que viemos apenas para trilhar nossos desejos?
Será que também não viemos prá completar alguém e assim, indiretamente, usar o caminho melhor?
Parabéns!!
Ótimas observações, você surpreende toda semana. Nos colocar no mesmo “pacote” do início ao fim, é ter uma visão simples e direta de que aqui, ninguém é mais ou menos que ninguém. Merecemos as mesmas coisas desde o início, mas fazemos por merecer ao longo do nosso tempo?
Alguns conseguem e sobressaem, outros desaparecem. Mais uma vez agradeço por suas expressões, continue atenta !! Grato. Mario Baccarelli.