Osvaldo Stella
Comentarista do CBN SP
Foi enviada a Câmara Municipal a Política Municipal de Mudança do Clima da Cidade de São Paulo. Segundo esta a cidade de São Paulo estabelece uma meta de redução de 30% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) até o ano de 2012, tendo como referência o inventário municipal de emissões de 2005.
Segundo o referido inventário 70% das emissões municipais de GEE decorrem da queima de combustíveis fósseis e outros 25% da disposição de resíduos sólidos. Em outras palavras, transporte e lixo representam praticamente a totalidade das emissões de GEE da cidade.
A iniciativa de elaboração de uma política municipal de mudanças climáticas, por si só, é louvável. Vai contra a política nacional de mudanças climáticas que não admite metas para o Brasil no âmbito das negociações internacionais. O estado da Califórnia fez algo semelhante nos EUA. Enquanto os EUA se recusam a qualquer comprometimento obrigatório em relação a redução de emissão de GEE o estado da Califórnia possui seu próprio programa de redução de emissões.
Porém, as medidas propostas para que as metas sejam atingidas já estão em debate a muito tempo e não saíram do papel por questões que a política municipal não expõe como resolver. Um exemplo é a utilização de ônibus elétricos. Em termos ambientais é inquestionável que os ônibus elétricos são uma ótima alternativa, mas a utilização desta tecnologia em larga escala, esbarra em problemas que precisam ser resolvidos.
O primeiro é a questão da tarifa da energia elétrica, ela é mais cara no horário de
pico, justamente quando o consumo dos veículos é maior. Quando tanto a empresa responsável pela distribuição da energia elétrica, a geradora e a empresa de transporte público eram estatais, a conta fechava de qualquer jeito. No cenário, onde cada uma destas companhias pertence a diferentes grupos de acionistas, a conta é diferente.
Outra questão é a própria dinâmica financeira das concessionárias do transporte público. Sempre que uma operadora compra um ônibus ela conta que o mesmo será vendido após alguns anos para outra operadora do interior que depois vai vender o mesmo ônibus para o transporte de trabalhadores rurais e assim por diante. Com a utilização de ônibus elétricos este ciclo se rompe.
Este é apenas um exemplo, o contexto da adoção de uma política municipal de mudanças climática é por deveras louvável, mas, a sua implantação tem pela frente velhos obstáculos que precisam ser removidos.
Osvaldo Stella vai ao ar toda segunda-feira, no CBN SP.