Comida judaica, muitas delícias pouco conhecidas

Ailin Aleixo, nossa comentarista do “Época SP na CBN”, prepara um cardápio excepcional nesta terça-feira. Acompanhe:

Adi Soshi DeliShop

O clima é de almoço na casa de amigos. Os clientes vão chegando, cumprimentam os donos como se fossem velhos conhecidos e ocupam seus lugares. Shoshana e Adi Baruch, os proprietários, circulam acelerados pelo salão para dar conta dos pedidos. Há dois menus: um judaico e outro contemporâneo– vá direto ao que interessa e escolha um dos pratos típicos. Há Gelfite fish (bolinho de peixe), vareniques (“raviólis” de batata) e frango ao mel com batata. É um dos poucos restaurantes da cidade que preparam receitas romenas, como o mititei (espécie de cafta com alho) e ikra (patê de ovas de carpa, servido com azeitonas e cebola crua). Os doces são incríveis , O creme de caramelo tem a quantidade exata de açúcar e derrete na boca.

R. Correia de Melo, 206 – Bom Retiro, tel.:3228-4774

Centro de cultura judaica

Para entrar, primeiro a bolsa passa por uma esteira de raio-x, daquelas de aeroporto. A segunda etapa é uma porta de ferro pesadíssima com uma câmera focada no indivíduo. O restaurante fica dentro do Centro de cultura judaica, e quem é da colonia já está acostumado com o esquema. As mesas ficam num salão agradável, com pé-direito alto. O bufê é simples, porém traz receitas bem feitas. As melhores opções são o patê de ovo, o arroz sete grãos e o gefilte fish. Torça para ter quiche– é um dos mais macios da cidade. Aos domingos, monta brunch típico.

Rua Oscar Freire, 2500 – Sumaré, tel.:3065-4344

Ak delicatessen

O restaurante de Andrea Kaufmann é minúsculo e lota em questão de minutos, não importa o dia da semana. O sucesso é mais do que justificado. Com talento incomum, a chef consegue dar cara nova à culinária judaica, ao mesmo tempo em que reverencia ingredientes e modos de preparo tradicionais. Os vareniques, espécie de raviólis de massa bem levinha, são um bom exemplo. Na cozinha de Andrea, eles entram em combinações simplesmente geniais – vale a pena apostar no menu degustação, que traz uma unidade de cada sabor, e pedir repeteco da versão com recheio de batata-doce e molho de hadoque. O cardápio de pratos principais é reduzido e caprichado. A vitela em milanesa de especiarias estava um tanto seca, mas o robalo em crosta de zátar e molho cremoso de limão ficou na memória. Nem pense em sair de lá sem experimentar a sobremesa batizada de pain perdu, que mistura pão challah e frutas assadas em creme inglês. Divina.

R. Mato Grosso, 450 – Higienópolis, tel.: 3231-4497 / 3129-7359

7 comentários sobre “Comida judaica, muitas delícias pouco conhecidas

  1. Mílton. Nasci e fui criada no então cosmopolita bairro do Bom Retiro. Estou revoltada. Não foi mencionado “O Buraco da Sara”.
    Um dos restaurantes mais antigos e de comida “iídiche” (dialeto falado pelos judeus e depois substituído pelo hebraico) do Bom Retiro chama-se “O Buraco da Sara”.
    O Buraco da Sara fica na rua da Graça, 32, Bom Retiro. Não sei se a comida continua boa.
    Já teve tempo que a comida era comparada às das cantinas romanas do “ghetto romano, próximo ao Campo di Fiore.
    Abbraccio. Concetta Carbonária.

  2. Adi e Shoshana – Sou frequentadora assídua, cozinha maravilhosa, judaica, mas se não estiver enganada, as receitas são “búlgaras”, pois a família é da Bulgária. Talvez haja alguma receita romena, mas a maioria é búlgara. Imperdíveis: Mussaka, Férfalle e o divino Pudim de Caramelo. Vale a pena ir ao Bom Retiro, apenas para uma refeição no Delishop.

  3. Esclarecendo, o “Bistrô da Sara”, há muitos anos, foi vendido, pois estava fechando e a atual proprietária, manteve apenas o nome, talvez homenageando a antiga proprietária… mas mudou o cardápio judaico, desde o início de sua administração, para outro, completamente diferente, assim como a decoração. É um local agradabilíssimo, exótico, assim como seus pratos. Atendimento excelente!

  4. De todos, o mais típico judaico, kosher, fica na Rua Correia de Melo, onde fica a panificadora na frente do estabelecimento, chamado “God”. Apesar da pouca variedade de pratos judaicos, o local é frequentado, inclusive por judeus ortodoxos. Não abre aos sábados e o atendimento deixa a desejar na simpatia e nos preços.

  5. Adi e Shoshana – Sou frequentadora assídua, cozinha maravilhosa, judaica, mas se não estiver enganada, as receitas são “búlgaras”, pois a família é da Bulgária. Talvez haja alguma receita romena, mas a maioria é búlgara. Imperdíveis: Mussaka, Férfalle e o divino Pudim de Caramelo. Vale a pena ir ao Bom Retiro, apenas para uma refeição no Delishop. Atendimento excelente, você se sente em casa!

    Simone Mazzoni

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