Os principais financiadores dos partidos políticos no Brasil são as grandes empresas e executivos. O número de pessoas físicas na lista dos doadores é reduzido. A Transparência Brasil defende que se implante no país sistema semelhante ao dos Estados Unidos no qual a lei de financiamento de campanhas leva os partidos a incentivarem a presença dos pequenos doadores. Para cada quantia depositada na conta do partido, o poder público é obrigado a repassar um determinado valor para a campanha.
A falta de transparência dos partidos em relação as contas de campanha ainda é um dos principais problemas na disputa eleitoral. Estes não são obrigados a declarar, antes da eleição, quem financia a campanha e isso retira do eleitor o direito a uma informação importante para decidir quem será seu candidato.
Ouça a entrevista do diretor-executivo da ONG Transparência Brasil Cláudio Weber Abramo ao CBN SP:
Os dois sites divulgados por Cláudio W. Abramo durante a entrevista são os do Excelências e o As Claras.
O CBN SP convidou os candidatos à prefeitura de São Paulo a divulgarem o nome e quantia de cada um dos doadores de sua campanha, através de mensagem eletrônica e telefonema, na terça-feira. Os partidos têm até sexta-feira para encaminharem estas informações.
Leia, também, entrevista com o pessoal do Contas Abertas publicada nessa quarta, dia 24 de setembro, aqui no blog
Milton, fico muito decepcionado em tomar conhecimento do ponto de vista de uma entidade que eu reputava séria. O financiamento misto é o mais perverso de todos: ele oligopoliza o sistema e privilegia os mesmos de sempre. Partidos pequenos e novos -mas relevantes-, como PSOL e PV, acabam. Já os mais ricos (que, aliás, são os que teriam mais condições e tendência de usar eleitores-laranjas) ficariam ainda mais poderosos. Há, ainda, os escâncandalos. Abramo citou Alemanha e EUA como bons exemplos de financiamento. Talvez ele tenha esquecido o escândalo da campanha do ex-chanceler Helmult Kohl. Sem falar nas guerras promovidas pelos EUA, alimentadas (e incentivadas) pela industria bélica e petrolifera. Coincidência ou não, foram as principais financiadoras do então candidato Bush. O pior: todo mundo sabe disso. O fato de haver doações privadas transparentes não evita a corrupção e outras praticas perversas. Se uma sociedade quer uma democracia de qualidade, tem que estar disposta a bancá-la. Democraticamente.
as ONGs poderiam começar dando exemplo. Por que elas não esclarecem as contas publicamente também? Não é verdade?
_
Enrico, no sistema proposto partidos como o PSOL-SP, único que prestou contas com o nome dos doadores, teria aumento de arrecadação, pois sua fonte tem origem em pessoas físicas e pequenos doadores. As principais coligações, veremos após a eleição, foram financiadas por grandes empresas e executivos e, portanto, não receberiam o dinheiro público – têm menos necessidade. De qualquer forma, fiquei em dúvida qual o sistema de financiamento de campanha defendido por você: o público ou o privado, semelhante ao que temos hoje. De minha parte, mais importante é encontrar mecanismos que restrinjam ao máximo o financiamento ilegal, sem a ilusão de que o Caixa Dois será eliminado. Aliás, Abramo falou sobre isto na entrevista. Obrigado pela análise.