Canto da Cátia: Ponte para a morte

Desfile perigoso no viaduto

O rapaz corre o risco de ser atropelado em troca de chegar mais rapidamente ao seu destino. Seja este qual for. No mesmo lugar, cruzam mães empurrando com velocidade os recém-nascidos prontos para morrer no primeiro descuido de um motorista de carro. As imagens foram registradas pela repórter Cátia Toffoletto no viaduto governador Abreu Sodré, na Mooca. A calçada estreita e o número de pessoas que passam pelo local faz com que os apressadinhos andem pela avenida.

7 comentários sobre “Canto da Cátia: Ponte para a morte

  1. Olha, tem muito pedestre louco por aí. Mas aposto que se as cidades fossem pensadas para eles, o número de pedestres “suicidas” e “apressadinhos” diminuiria bastante. Enquanto andar na faixa não é seguro, isso quando a faixa existe, não culpo quem anda fora dela. Em regiões com viadutos, então, como faz? Além de estreitas, as calçadas, quando existem, são quase um pedido para sofrer um assalto.

  2. É preciso mudar essa visão “automovelcentrista” que nos acostumamos a ter desde crianças na cidade do automóvel. As cidades deveriam ser feitas pelas pessoas, sendo os carros um complemento que as ajude a se deslocarem quando não estiverem a pé.

    o que vale mais? Um monte de metal de 1 tonelada que custa caríssimo, ou a vida de uma pessoa, que não tem preço?

  3. O art. 29, item XII, § 2º, diz que os carros devem zelar pela incolumidade dos pedestres. O art. 214 define como infração gravíssima deixar de dar preferência de passagem a pedestres. Deixar de reduzir a velocidade onde haja intensa movimentação de pedestres também é infração gravíssima (art. 220, item XIV).

    Poderia citar ainda outros itens da lei de trânsito aqui, mas acho que já deu para esclarecer o ponto em questão: o pedestre tem direito de usar a via, quando não há como transitar na calçada ou não há travessia próxima. E é um absurdo fazer o pedestre ter que dar uma volta de 500 metros, que seja até de 200, porque os carros não podem ser “atrapalhados” com sua presença na via.

    Se há tantos pedestres assim usando a via nesse local, alguma coisa está errada. E o próprio texto mostra o que é: calçadas estreitas e que dificultam a circulação.

    (continua abaixo)

  4. Também acho que a cidade deveria ser mais “humana”. Vemos em cidades do interior e algumas do litoral onde os motoristas literalmente PARAM seus carros quando vêem pedestres na calçada, mesmo com farol verde. Fora esse assunto, a locomoção na cidade é sempre priorizada para os carros. Triste até na CBN fazer reportagem sobre transporte e citar carros, ônibus, bicicletas e ATÉ helicópteros e mais, fazer reportagem exclusiva sobre esse “meio” de transporte, que só quem tem acesso? Morador de Heliópolis? Com certeza, não. E nem sequer falaram da motocicleta, que não é só um meio de transporte para arrancar retrovisores, nem usada só por motoboys, mas por muitas pessoas que, como eu, usam-na para chegar mais rápido ao trabalho, afora ser um meio de transporte diferente do carro, onde vemos 95% dos mesmos ocupados por uma pessoa só. Mais uma vez, triste!

  5. Pois é…ou tem grande chance de chegar atrasado no local de trabalho/estudo/lazer ou tem grandes chances de morrer.Prefiro a primeira opção, mas tem gente que prefere a segunda.Fazer o que, né? Tem gente que não dá valor a própria vida.

  6. aquela região é um absurdo rodoviarista

    não há nenhuma conexão digna para os pedestres entre a colina central e os bairros na várzea do tamanduateí: tudo é feito para o automóvel

    e além de tudo, ainda há quem reclame dos coitados pedestres que não têm outra opção

  7. Se não há espaço nas calçadas, as pessoas acabam saindo para a rua, isso é inevitável… O absurdo é não ter espaço para as calçadas. A cidade deveria ser feita para as pessoas e não para os carros. A mãe com o carrinho de bebê tem o DIREITO de chegar do outro lado da ponte. O absurdo é terem projetado uma ponte em que a calçada não comporte carrinhos de bebê e cadeirantes. O que ela deveria fazer para chegar do outro lado da ponte? Pagar por um táxi?

    Some-se a isso o DIREITO do usuário de atravessar a rua em qualquer ponto quando não há faixa de pedestres dentro de uma distância de 50 metros (art. 69 do CTB). Em muitos pontos da cidade, as travessias de pesdestres ficam a distâncias enormes uma da outra, chegando a distar quase 1km (como acontecia na Av. Paulo VI, até a CET colocar uma travessia no ano passado, após repressão policial a uma manifestação de estudantes que clamavam por uma travessia no local).

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