A pitada da Ailin: Duas novidades na cidade

Acompanhar a renovação gastronômica de São Paulo não deve ser fácil nesta cidade que muda a todo momento. A Ailin Aleixo, nesta quarta, traz algumas novidades paulistanas no “Época SP na CBN”:

Anita

A região colada ao Cemitério da Consolação não pára de ganhar restaurantes bacanas. O mais novo deles, inaugurado no finzinho de setembro, ocupa um lindo sobradinho dos anos 30, com bar no porão e salão pequenino. Da cozinha envidraçada chefiada por Fabiana Caffaro saem pratos bem simples, muitos declaradamente inspirados na dita baixa gastronomia, aquela dos botecos, mas com algumas gostosas frescurinhas. Tem filé oswaldo aranha (feito com prime rib), frango com creme de milho (empanado com panko, uma farinha de rosca japonesa) e deliciosos bolinhos de arroz (que levam creme de queijos na mistura). A entrela da casa, porém, é a máquina de assar galetos, a típica televisão de cachorro, estacionada na calçada inclusive à noite. As aves, bem torradinhas e douradas, chegam à mesa já cortadas, acompanhadas de farofa, batata bolinha ao alecrim e vinagrete de tomates verdes. Na sobremesa, não deixe de provar a ótima panqueca de doce de leite com sorvete de nata. No almoço executivo, vale o sistema de prato do dia: quarta-feira, por exemplo, é dia de mignon de porco com couve e quibebe de mandioca.
R.Mato Grosso, 154, Higienópolis,tel.: 2628-3584

Amazônia

Tucupi, tambaqui e as frutas típicas da região amazônica caíram nas graças de chefs badalados e marcam presença nas mesas de alguns restaurantes bacanas da cidade, como o D.O.M. e o Maní. Mas ainda faltava uma casa típica, autêntica, com receitas de raiz, sem parcimônia no uso dos ingredientes ou adaptações modernas. O Amazônia, aberto em agosto, preencheu essa lacuna. O paraense Paulo Leite, principal difusor dessa culinária em São Paulo (eram dele os restaurantes Tucupi e Carimbó, que funcionaram entre 1995 e 2004), se instalou no Bexiga, em salão despojado, e reproduz com fidelidade os sabores da sua terra. Servido em cuia, o tacacá (caldo de tucupi com camarão seco, goma de mandioca, jambu, ervas e pimenta) veio intenso em acidez do tucupi e anestésico por conta do jambu (erva que causa leve dormência na boca). O camarão tinha sabor forte e sal demais. Outra comida de sustância é a maniçoba, espécie de feijoada do Norte, preparada com folha de mandioca-brava (a maniva), carne de porco, dobradinha e mocotó. Farinha d’água crocante, amarela, colore o prato e umas gotinhas de pimenta-de-cheiro deixam a receita ainda melhor. Os peixes da Bacia Amazônica aparecem em pratos como filhote e pescada-amarela mergulhados no caldo do tucupi. Na hora da sobremesa, frutas como cupuaçu, açaí, teperabá e bacuri chegam à mesa na forma dos imperdíveis sorvetes. No almoço há bufê variado – mas não perca tempo e faça as escolhas à la carte.
R. Rui Barbosa, 206, Bela Vista, 3142-9264

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