Por Ricardo Gomez Filho
A globalização econômica é o mais novo fenômeno comum a todos de que se tem notícia. Atinge de uma só tacada as classes abastada, média e a pobre. Antes dela, somente a morte e o respeito ao seres humanos, segundo a Declaração dos Direitos Humanos, cobririam a todos. A Declaração, infelizmente, não comove mais as pessoas e menos ainda os dirigentes mundiais.
A globalização, que é recém-chegada no pedaço, já assimilou que existem diferenças entre pessoas e países. Por isso o fenômeno econômico afeta mais dramaticamente os pobres de países subdesenvolvidos do que aqueles que vivem em países altamente industrializados.
Um exemplo recente da distinção operada pela globalização foi visto durante a corrida pelo desenvolvimento de combustíveis ambientamente sustentáveis, os chamados biocombustíveis. Quando a maior economia do mundo comprou a idéia de diversificar sua matriz energética anunciou que iniciaria a produção de etanol a partir do milho. Houve uma disparada da inflação global. Com a possibilidade de obter maior rentabilidade transformando milho em etanol em vez de destinar à alimentação, o produtor não teve dúvida: brecou a ida da mercadoria para os supermercados. O movimento fez os preços subirem e decretou escassez do produto. O milho é largamente utilizado na alimentação de pessoas e um dos seus derivados, a ração, é fonte de alimento para aves e gados. Assim, a redução da oferta do milho resultou em elevação dos preços de diversos produtos.
A inflação, é verdade, atingiu a todos os países do globo. Mas foi mais severa em regiões carentes da América Central, Ásia e principalmente África. Os países industrializados puderam lançar mão de mais recursos para obtenção do produto, enquanto nos países pobres houve aumento das insurgências civis causada pelo desespero de milhares de famintos atualmente um exército de 850 milhões de pessoas com potencial de chegar a 1,2 bilhão de pessoas. A imprensa registrou fartamente as rebeliões, os saques ao comércio e o aumento da inanição ao redor do mundo. As Nações Unidas convocaram reuniões para discutir o tamanho da ajuda humanitária necessária para debelar a fome. E… parou nisso. Mais tarde, os esforços para discutir a fome foram silenciados por uma nova pauta vinda dos EUA: a crise hipotecária que se estende e contamina o sistema financeiro. Essa crise não é bem uma novidade, trata-se de uma bomba-relógio acionada no início desta década e que se agravou em 2007.
Enquanto a imprensa se limita a mostrar as perdas porcentuais das bolsas de valores mais badaladas, o estado de miséria é agravado nos países periféricos de forma global, cruel, inexorável. Com a crise, a escassez de alimentos ganhou um triste aliado: o freio na economia. Nos próximos anos testemunharemos o aumento da fome, das doenças e guerras, especialmente nos países do centro e leste africano. O dinheiro usado para salvar bancos poderia debelar a fome global e criar novos centros de consumo e desenvolvimento. Mas a preferência dos bancos centrais é pelo investidor. O pretexto da hora é para não deixar o mundo quebrar; Mais tarde será porque é preciso expandir os negócios globais.
Anos atrás, uma campanha publicitária contra a inanição no Brasil trazia o slogan a fome tem pressa. E tem mesmo. Mais até do que as ações mercadológicas, porque o bem envolvido é a vida. Ou esse bem se desvalorizou com os papéis da bolsa? Se nos global players a recessão que se anuncia para 2009 será uma pisada no freio da economia, nos países carentes a fome terá o impacto de um soco no estômago. Um golpe certeiro e mortal.
Pobreza X Globalização = os ricos e poderosos cadavez mais ricos e poderosos e os pobres cada vez mais pobres.
Vide a extinta classe media
Bom dia