O investimento de candidatos e partidos na internet foi bastante restrito nesta eleição municipal. As regras impostas pelos senhores do Tribunal Superior Eleitoral, provavelmente pouco-letrados no tema, impediram o uso de muitas das ferramentas que estão à disposição do cidadão. Mesmo assim, o papel de redes sociais foi importante na divulgação e debate de idéias apresentadas principalmente pelos candidatos a prefeito. Falei sobre o assunto no CBN São Paulo Digital, programa que apresentei apenas na WEB, durante o horário eleitoral. Em uma das conversas, o entrevistado foi Marcelo Coutinho, diretor de Análise de Mercado do IBOPE Inteligência e professor de mestrado em Comunicação da Fundação Cásper Líbero.
Nesta semana, dois artigos de Marcelo Coutinho trataram da forma como a eleição americana e o candidato democrata Barak Obama, em especial, souberam explorar a WEB 2.0. Uma experiência que provavelmente será vivida pelos eleitores brasileiros dentro de dois anos quando estivermos prestes a voltar às urnas para escolher o sucessor do presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Reproduzo aqui trecho do artigo do Marcelo Coutinho publicado no IDGNOW!:
Campanha é um termo militar, que na Idade Média designava o local onde os exércitos combatiam. A atual eleição presidencial norte-americana marca o aparecimento de um novo campo de batalha: o das comunidades digitais.
A Web 2.0 é a grande vencedora da eleição (escrevo domingo, 48 horas antes da votação). Blogs, sites de comunidades e sites de compartilhamento de vídeo não foram apenas locais de combate, mas também armas importantes para a configuração de novas práticas eleitorais que no longo prazo talvez (na verdade, um enorme TALVEZ) possam revitalizar o governo democrático.
Durante boa parte do século XX, a batalha eleitoral foi lutada de forma que seguia as guerras tradicionais: após um bombardeio arrasador, realizado via artilharia de campo (jornais, rádio e revistas) ou bombardeios aéreos (comerciais na televisão), os candidatos mobilizavam seus cabos eleitorais para ocupar o terreno no corpo-a-corpo com o eleitor, ajudados por armas de pequeno calibre (santinhos, telefonemas, reuniões, etc).
Desde os primórdios da eleição, a equipe de Obama entendeu que a Web 2.0 estava subvertendo as clássicas operações de ocupação de território. Em primeiro lugar, pela própria natureza do campo de combate. De acordo com pesquisa do Pew Internet and American Life Project, um dos mais tradicionais centros de pesquisa sobre a Internet e a Opinião Pública nos EUA, a Internet suplantou todos os outros meios como fonte de informação sobre política, perdendo apenas para a televisão (no caso brasileiro, em 2006, ela já superou as revistas).
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