Os centauros da Era da Internet



Por Carlos Magno Gibrail

“O futuro pertence às pessoas que vêem possibilidades antes que se tornem óbvias” – BBC

E pela taxa de crescimento, é preciso correr, pois de 2.000 até hoje, de 360 mil internautas passamos para 1,4 bilhão, o que corresponde a 305% de aumento.

Dos 6,4 bilhões da população mundial, 22% são usuários da Internet. Entre a África com 5% de internautas e os EUA com 73%, identificamos um enorme potencial de crescimento.

Dos 192 milhões de brasileiros, 20% utilizam a Internet, o que significa quase 40 milhões. Desse, 11 milhões freqüentam o comércio eletrônico.

Diante do vigoroso avanço virtual, como fica o mundo real?

Concretamente, o influente e premiado jornal americano Christian Science Monitor informa o encerramento da edição impressa e a permanência na Internet.

“Campanha é um termo militar que, na Idade Média, designava o local onde os exércitos combatiam. A atual eleição presidencial norte-americana marca o aparecimento de um novo campo de batalha: o das comunidades digitais. A Web 2.0 é a grande vencedora da eleição” – Marcelo Coutinho, IBOPE.

“O profissional de relações públicas de uma poderosa corporação vai ao seu blog, pede licença para conversar com seus “navegadores” e oferece parceria para interagir com esta comunidade. O gesto inimaginável há alguns anos é bastante comum neste momento. E não se espante se foi posto a correr daquele espaço” – Maristela Mafei, CDN.

Na propaganda, M.McLaren da McCann afirma que o agente fundamental de mudança tem sido a penetração da internet e integração dela à vida das pessoas. E, que o modelo de persuasão não funciona, pois não temos mais a voz da marca, mas a voz das pessoas.

Depois de anos de promessas, os comerciantes de livros e fabricantes de eletrônicos estão mergulhando no mundo dos livros digitais. Os novos “leitores” são mais leves que um best seller de ficção em capa dura, oferecem leitura fácil e permitem que os usuários carreguem 200 títulos em um aparelho que pesa menos de meio quilo – Painel Editorial, Reuters.

Diante de tantas transformações, cabe aqui indagar, são apenas absorção de novas opções ou descarte de velhas utilizações?

Jornais, revistas, livros, bancas, livrarias, lojas deixarão de existir ou coexistirão parceiras das novidades?

Eu aposto na multiplicidade dos canais e na sua interação, como também no consumidor pluralista.

“O consumidor híbrido não é um ciberconsumidor nem um consumidor tradicional, mas uma nova mistura. É o consumidor centauro, meio virtual meio real.

Ainda haverá pessoas que a nove mil metros de altitude vão chamar a comissária para servir um drinque” – Yoram Wind, Convergence Marketing.

E você?

Que já é um internauta, acredita nas mudanças ou nas rupturas?

É um ciberconsumidor, continua tradicional ou é um centauro?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, toda quarta-feira escreve aqui no blog e pode ser definido como um consumidor flex

21 comentários sobre “Os centauros da Era da Internet

  1. Oi Milton!
    estou aqui para parabenizar o seu programa! Escuto todos os dias ao voltar da faculdade, e voce me faz companhia ate chegar em casa!! Me informo e me divirto também ( ontem com o Juca e os comentarios gauchos foram demais!!)
    PArabens!

  2. Carlos,
    pensei, pensei, e cheguei à conclusão que sou um patchwork. Guardei o que considerava importante para mim (adoro folhear um livro!) e assimilei o novo que me atraiu, que é todo o progresso eletrônico, digital, virtual, etc e tal.
    Beijo,
    ml

  3. Julia,

    Obrigado pela companhia no CBN SP. Aqui no blog você encontra outras informações e comentaristas, como o Carlos Magno que está sempre pronto para nos provocar com novos temas para novos tempos.

  4. A Internet mudou o mundo. Principalmente o poder do consumidor, pois envio de emails com opinião sobre produtos, Empresas, políticos e famosos deram um grande poder às pessoas “comuns”. Temos muito o que melhorar ainda, principalmente na organização de informações dado que número de informações estão no terabytes e tendem a aumentar drasticamente. Mas a vida sem Internet já é um desastre (vimos isso comprovado quando o Speedy da Telefonica ficou fora por mais de um dia).
    E respondendo a sua pergunta: sou um “centauro” mas com mais proximidade ao ciber do que tradicional. Aboli várias coisas, como jornal de papel por exemplo.
    Abs

  5. a internet mudou muitas coisas, aspectos, relato de fatos, costumes.
    A virtualidade, podemos considerar que “tornou-se realidade”
    Mas ainda prefiro comprar um bom livro de papel em livrarias, jornais impressos.
    Porém, sem a net não é possível viver nos dias de hoje diate das inúmeras facilidades que nos proporciona, velocidade, versatilidade, etc.
    Mas ao navegar na internet, receber e enviar emails, frequentar foruns, vale dizer que:
    TODO CUIDADO É POUCO!
    Mais um belo artigo do nosso querido amigo Carlos Gibrail.
    Parabéns
    Arando Italo

  6. Maria Lucia, patchwork é bem moda. O Delfim Neto, dono de uma imensa biblioteca, que teve que levá-la para uma casa térrea porque o prédio que morava iria correr risco, sugere que ao comprar um livro, leia o indice e memorize-o. Quando tiver alguma necessidade saberá onde econtrar, isto porque não se consegue ler todos os livros que convém comprar.
    Na realidade com o progresso eletrônico, dependendo da fonte, basta uma palavra para se localizar.
    A sua ótica é sempre interessante, principalmente quando aborda questões técnicas, pois o olhar é romântico. O problema é que o leitor não pode ser “burrinho” ou “burrinha”, pois não vai concluir nada.
    Abraço

  7. Milton, a entrevista com o Diretor dos CORREIOS é fora de época, no momento que informamos que 20% da população brasileira usa a INTERNET.
    E falamos de São Paulo, cujo indice é certamente bem maior.
    Que tal reconsiderar e usar a internet para os consumidores que quiserem receber suas contas pela internet?
    Simples e barato, não?

  8. Embora muitos falem, não existe guerra entre mídia impressa e internet.
    Segundo pesquisa do IVC pelo terceiro ano consecutivo há um aumento na circulação de jornais no Brasil.
    O meio internet é sim um aliado poderoso dos veículos tradicionais, levando a noticia quase que instantânea ao leitor.
    Na minha opinião a mudança que poderá ocorrer é a internet passar a ser o veículo informativo e mídia impressa o opinativo.

  9. Carlos,

    Mais velho ainda é haver empresa que atua em sistema de monopólio. O problema neste caso é que um homem continuará indo até sua casa para medir a água por que ele não pode lhe entregar a conta se tem equipamento para fizer isto na hora ? Só porque o Correio não quer. Quer, mas o homem tem que ter o crachá dele.

  10. André, tudo indica que a tendencia é aumentar a participação de internautas na população, principalmente porque quem já entrou não sai mais.
    Além disso os recursos e as convergencias com outros meios, tipo tv, celular, ipode ,deverão enriquecer ainda mais a utilização destes meios eletrônicos.
    Ao lado disso, quem mora em grandes cidades terá que crescentemente evitar o trânsito.
    Abraço

  11. Armando Italo, então você é um consumidor semi centauro provávelmente. Utiliza a internet intensamente mas não compra?
    Provávelmente questão de tempo, ou não?
    No caso de livraria ou produtos eletrônicos, a ida as lojas não impede de efetivar compras pela internet. Evitando filas ou aproveitando de ofertas .
    O jornal diário tradicional pode ser complementado pela vista rápida em todos os jornais da cidade, do país e do mundo.
    Conhece o site http://www.indekx.com que dá acesso aos principais jornais do mundo?
    Abraço

  12. Ao comentário 9,
    Acredito no multicanal, que atende ao consumidor onde ele estiver . Neste caso independe do tipo e caracteristica do produto.
    Na minha experiencia como lojista real e virtual, testemunho a incidência de vendas onde há loja real e oferta da virtual. Ou seja, numa cadeia de lojas, a venda da internet acontece mais em praças em que há uma ou mais lojas reais.
    Abraço

  13. Comunidades nos condominios.
    Muito interessante a entrevista do Milton no CONDOMÍNIO LEGAL sobre as comunidades .
    Virou caso de policia , mas se bem controladas são positivas. Na verdade só refletem a questão das dificuldades da convivência real nestes habitats urbanos.
    Eu prefiro as casas tradicionais, em ruas abertas normais.Embora nunca se poderá fugir da convivência, pois vizinhos sempre existirão.
    A educação é essencial. O limite é até o limite do outro.
    O virtual não reacende nada, apenas reflete a boa ou má formação das pessoas.

  14. Bom dia Carlos
    Com certeza, sou um consumidor semi centauro ehehehe.
    Por opção.
    Apesar de todas “as facilidades” que a internet nos proporciona, ainda prefiro ir a lojas para compras.
    Prefiro ver os produtos por mim escolhidos ao vivo e a cores.
    Quanto a leitura de jornais, mesclo a leitura com internet e jornais impressos.
    Ficar horas e horas na frente do monitor não é a minha preferencia.
    Bastam as horas que tenho que ficar na frente do PC trabalhando.
    Então o negocio é variar né?
    Conheço o site por vc indicado.
    Abração

  15. O Milton falou bem sobre o caso Sabesp, porque os Correios não estão se atualizando como qualquer empresa que quer continuar suas atividades o faz.
    Nunca em qualquer atividade, comercial, nós como pessoas, podemos achar que estamos no topo e assim ficaremos. A evolução existe e a concorrência está sempre de olho em quem está no topo. Se vc não reage, cai.
    O monopólio impede o avanço tecnológico e no caso dos Correios impede por legislação que a livre concorrência utilize os recursos tecnológicos.
    Trabalho em uma empresa de jornal e há preocupação constante com a continuidade.
    Ainda há espaço para a informação impressa nos países emergentes, mas é claro que a migração irá ocorrer. É só uma questão de passagem das gerações.

  16. então inauguramos uma sensação antiga e nova ao mesmo tempo. Quem aqui se lembra do início da televisão, por exemplo? Do medo do ‘novo’, porém da necessidade dele. Da mesma forma que muitos ainda são analfabetos há os que preferem ser ‘analfabetos virtuais’. São estes os ‘tradicionais’ que ainda dizem ser independende das relações virtuais, vê, lê, mas não enxerga. Quer que seu ‘voyerismo’ esteja protegido custe o que custar. E tantos outros que precisam ser ajudados a ver a diferença entre ele mesmo e o virtual, porque se não corre o risco de se tornar uma distorção real do que ele mesmo contempla, fazendo confusão entre virtual e real, onde o virtual não reflete nem a boa nem a má formação, esta que é ‘mascarada’ pelo paradigma ” ‘navego’, logo existo”.

    Um abraço,
    _

  17. Armando, acredito que há lógica em ir ao mundo concreto, das livrarias, dos jornais, etc Entretanto considere duas situações.Primeiro ,pessoas sem tempo e que não tenham estrutura para fazer compras de alimentos e demais itens para uma residência . A internet é a solução.
    Segundo,produtos necessários e sem charme na compra, tipo material de limpeza. Por que não comprar pela internet?
    E, mais ainda a facilidade de pesquisa que só a Internet possibilita.
    Quanto aos jornais, é realmente prazeroso folheá-los mas impossivel passar a vista em inúmeros jornais no mesmo dia, o que a internet disponibiliza sem maiores entraves.
    Por último é também uma satisfação comprar pela internet e receber em casa com todo o conforto o produto desejado.
    Abraço

  18. Rafael, ouvi a entrevista do Milton com o diretor dos Correios. Foi algo pré histórico, ancestral .Quando foi dito que o consumidor ficaria prejudicado pela posição dos Correios, se limitou a dizer que era questão de cumprir a lei.
    E isto enquanto falamos sobre o Centauro da Era da Internet .

    Abraço

  19. Junior Produtor,todas as novidades vieram para ficar enquato as antigas também permaneceram. .
    Televisão,carro automático,shopping center,condominio residencial com clube,computador,internet.
    Ocorre que em todos os produtos e serviços novos apenas uma minoria acreditou.Em alguns casos ,como você muito bem lembrou reagiram com medo .
    É o que está acontecendo com relação ao computador, quando ainda há muita gente com medo .
    Como você sabe, não há outro caminho que não seja aquele de compartihar as novidades.

    Grande abraço

  20. Ola Carlos
    Internet, computador, TV, residir em condominios fechados, verdadeiros clubes fechados e exclusivos aos moradores, compras pela internet, visita operações bancarias, cursos dos mais diversos a distancias on line, etc e tal., como disse anteriormente, tudo isso “pode” facilitar a vida de muitos, os considerados “sem tempo”.
    Porém:
    Diante de tantas e tantas facilidades oferecidas pela internet nos dias de hoje, deve-se ficar atento quanto ao aspecto comodismo, sedentarismo, confinamento voluntário.
    Por estas e por outras prefiro manter o devido equilibrio e sair para dar umas voltas, fazer umas compras, pagar algumas contas em bancos, ou seja:
    Devemos movimentar os nossos corpos e mentes, ver pessoas, movimento, etc.
    Abraços e bom final de semana a todos.

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