Por Devanir Amâncio
Dia 17 de novembro
9:30 – Crianças correndo de um lado para o outro, saindo de buracos, sendo pegas pela Polícia Militar, juiz e oficiais de Justiça, guardas civis, assistentes sociais ajudando a colocá-las em cinco kombis, levando-as para abrigos, onde serão medicadas. Algumas conseguiram escapar, entraram em um buraco de difícil acesso no Viaduto Jacareí, caso de Papinha e Lagarto.
Esta ação, certamente marca o início para uma importante reflexão em comemoração dos 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). É preciso debatê-lo, sim, com serenidade e rigor. Distante de discursos político-ideológicos.
Permitir que crianças de até sete anos convivam com ratos e baratas pelas ruas e buracos da cidade porque a lei assegura esse direito a elas, é concordar com a falência provocada dos poderes públicos e a decadência humana.
Dia 18 de novembro
12h50 – Prefeitura retira mais quatro crianças da caverna de concreto, na Praça da Bandeira. Mandrová, 11 anos, cor negra. Balduino, 11 anos, cor negra. Gonçalo Tigrinho, 13 anos, cor negra. Cada um saiu do buraco segurando um cachorrinho: Corinthiano, Laila e Laísa. Os menores foram retirados pela Guarda Civil Metropolitana e agentes do Metrô. A operação foi acompanhada por uma socióloga, uma psicóloga e uma assistente social. Duas Kombis com crianças partiram da Ladeira da Memória para av. Tiradentes, 745. Serão medicadas, segundo a Prefeitura.
13h15min – 15 seguranças da empresa Power vigiam o buraco.
Devanir Amâncio é educador da ONG Educa Brasil e denunciou a exploração de espaço na Praça da Bandeira, conhecido como Caverna da Bandeira, centro de São Paulo, como moradia por 30 crianças.
Ouvi parte desta reportagem sobre a Caverna da Praça da Bandeira e fiquei muito tocado. Achei muito interessante e gostaria de ouvir a reportagem inteira. Como faço? Obrigado
O nome correto é ONG Educa São Paulo