Por uma Câmara Municipal transparente em 2009

Esses são os votos do Movimento Voto Consciente que acompanha o trabalho dos legislativos municipal e estadual, em São Paulo. De acordo com a coordenadora da ONG Sônia Barboza, a Câmara Municipal restringe o acesso a informações públicas seja no site seja nos gabinetes.

Por outro lado, Sônia aponta alguns avanços que ocorreram em 2008 como a aprovação de duas leis de iniciativa popular e o aumento no número de debates públicos sobre o Orçamento da prefeitura de São Paulo.

Acompanhe a entrevista de Sônia Barboza ao CBN São Paulo:

Secovi quer plano diretor com “goaibada e queijo”

Descontente com os efeitos do Plano Diretor Estratégico, o Secovi quer aproveitar a revisão que estará em discussão na Câmara Municipal, em 2009, para aprovar mudanças que permitam mais investimentos imobiliários na capital paulista. O presidente do sindicato das empresas que atuam no setor João Crestana alega que o impedimento de novas construções nas regiões centrais de São Paulo foi responsável pela pior qualidade de vida do paulistano.

Em entrevista ao CBN São Paulo, Crestana pede que o debate no ano que vem não seja contaminado por “ideologias e dogmas” que ele comparou com “goiabada e queijo”:

Promessas não cumpridas de Kassab

Dois dos principais jornais de São Paulo circularam nesta quarta-feira com manchetes e reportagens muito parecidas. Leiam:

“Kassab não cumpriu metade do que prometeu” – Folha de São Paulo

José Serra (PSDB) fez 161 promessas na eleição de 2004. Está documentado em seu programa de governo. Elegeu-se prefeito. Gilberto Kassab (DEM) conclui hoje o mandato herdado após a renúncia do tucano em 2006 para ser candidato a governador do Estado.

Após um ano e três meses de Serra e dois anos e nove meses de Kassab, 87 promessas não foram cumpridas – 54,04% do total. Só 28 (17,4%) foram integralmente cumpridas outras 46 (28,57%), parcialmente. (Leia mais AQUI)

“Kassab deixa obras de R$ 5bi sem concluir” – Estadão

Após quase três anos á frente da gestão iniciada em 2005 por José Serra (PSDB), o prefeito Gilberto Kassab (DEM), de 48 anos, assume amanhã a Prefeitura de São Paulo com o desafio de apresentar à sociedade um político além da Lei Cidade Limpa. Mas terá de cumprir primeiramente um passivo: as obras prometidas por sua gestão e inacabadas totalizam mais de R$ 5 bilhões. Esse déficit está 70% concentrado em transportes, habitação e revitalização do centro. (Leia mais AQUI)

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) ao se reeleger perdeu o direito a “lua de mel”, período de aproximadamente 100 dias que o eleitor e os jornalistas concedem à autoridade pública para que mostrem sua capacidade de gerenciar. Perdeu também o discurso da “herança maldita”, comum quando o poder troca de partido. Ainda neste fim de semana, Kassab usou o argumento para justificar os problemas não resolvidos das enchentes em São Paulo, em entrevista à Folha. A partir de amanhã, o passado que costuma pautar o presente já é de autoria de Kassab. E, portanto, não basta mais reclamar, se queixar, lamentar o descaso com a cidade. Será preciso governar, concluir as obras inacabadas, cumprir as promessas de campanha. Ou arrumar uma outra desculpa.

História de São Paulo encontrada no lixo

“Vamos ter enchentes este ano e por muitos outros anos … a população não deve aguardar a curto prazo resultados concretos contra as enchentes”

Era 1971 quando o prefeito da capital paulista Figueiredo Ferraz fez esta afirmação reproduzida pelo jornal Folha de São Paulo, no dia 29 de setembro. Sabias palavras de quem antevia o drama que a cidade enfrentaria para o resto de sua história – ou, pelo menos, até que algum prefeito tenha coragem de encarar esta situação e mudar o rumo que o desenvolvimento urbano tem adotado.

Sábia também foi a visão do gari Izídio de Oliveira Souza, de 44 anos, que encontrou esta edição em uma lixeira na Praça da Sé, em 15 de dezembro. O que chamou atenção dele foi a foto de um acidente envolvendo dois ônibus na estrada de São Miguel Paulista, com quatro mortos e 17 feridos. Ficou sensibilizado, também, com a notícia de que Gerson, com muita dor no joelho, quase jogou a força por imposição dos cartolas da época.

Na página 19, Izídio leu sobre a morte do romancissta e crítico pernambucano José Condé. O editoral fala sobre a paz: “Enquanto a ONU não se dispuser a cuidar desses dois aspectos da paz – o político e o econômico – dificilmente deixará de continuar a ser um fórum de debates mais ou menos acadêmicos, em que nas horas decisivas prevalecem de fato apenas os interesses das chamadas superpotências às quais se agrega agora a China”.

Devanir Amancio, da ONG Educa São Paulo, conta que o gari é cearense de Catréus, semi-analfabeto, homem falante, curioso e detalhista a ponto de ser capaz de identificar a importância histórica do achado no lixo. A visão apurada de Izídio de Oliveira Souza recuperou o exemplar da Folha agora doado à Biblioteca dos Garis.

Urbanista alerta para perigos com mudanças no Plano Diretor

A crise financeira internacional não é desculpa para que as diretrizes do Plano Diretor Estratégico da cidade de São Paulo sejam modificadas. A opinião é do professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Nabil Bonduki que foi vereador pelo PT e liderou o debate sobre o PDE em 2002, na Câmara Municipal. Ele comentou a pressão que pode haver para beneficiar os investimentos do setor imobiliário na capital paulista prejudicando o planejamento urbano da cidade:

Prefeitura usa operação urbana contra a crise

O investimento na implantação de três operações urbanas na cidade de São Paulo será uma das formas usadas pela prefeitura, no segundo mandato de Gilberto Kassab, para combater os efeitos da crise econômica no município. A afirmação é do futuro secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Miguel Bucalem que comentou a possibilidade de a administração municipal propor mudanças no plano diretor estratégico.

De acordo com reportagem publicada no jornal Valor, o prefeito Kassab estaria sugerindo mudanças no Plano Diretor para permitir mais investimentos imobiliários na capital. O setor teria se sentido prejudicado com as diretrizes do plano aprovado em 2002. Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio, a capital paulista era responsável por 80% dos lançamentos imobiliários na região metropolitana, índice que caiu para 50%.

Miguel Bucalem concedeu entrevista ainda na função de chefe da assessoria técnica da Secretaria Municipal de Planejamento e se mostrou muito cuidadoso ao dar opiniões sobre o tema. Ele não confirma a fuga de investimentos nem que haja estudos para tornar o Plano Diretor Estratégico mais próximo das demandas dos empreendedores do setor imobiliários. Fala apenas em implantação de três das operações urbanas já previstas em lei:

Portador de deficiência não quis esmola, quis trabalho!

Por Adamo Bazani

Marcus é fiscal de ônibus
Marcus é hoje fiscal de ônibus, em Santo André

O transporte público tem um fim social. Não apenas de levar pessoas pra lá e pra cá. Por isso ainda precisa desenvolver ações de inclusão. Por enquanto, boa parte das histórias envolvendo pessoas portadoras de necessidades especiais é construída pelo esforço individual e a consciência de algumas poucas empresas.

O fiscal de tráfego Marcus Moreira da Silva, de 36 anos, fosse se guiar por palavras negativas ou pelas barreiras físicas e financeiras não teria conquistado o emprego que lhe dá orgulho e condições de manter a família com três filhos, que é a maior recompensa dos desafios que ele nunca se negou a enfrentar.

Nascido no Estado do Ceará, com um ano de idade, devido a um procedimento médico errado na aplicação de uma vacina, Marcus teve os nervos inferiores afetados. Paralisia irreversível. De família muito pobre, já na escola encarou o preconceito. “Ninguém acreditava em mim. Até mesmo quando eu fazia o curso na escola Técnica Federal Agropecuária do Ceará, tinha gente que perguntava porque eu estudava, insinuando que, com minhas pernas não desenvolvidas, eu não teria futuro”

Marcus não desanimou. Mesmo com todas as limitações, andando literalmente com as mãos e se apoiando apenas nos joelhos, ele viu que a família estava necessitada financeiramente. Não teve dúvidas, partiu para São Paulo. “Pessoas que se diziam amigas minhas chegaram a falar com todas essas letras: o que esse aleijado vai fazer em São Paulo?” ” conta Marcos que diz que a pior deficiência não é a falta de perna ou braços, mas a de garra e vontade. E foi nesse espírito que, em 1994, Marcus veio para São Paulo. Ele prometeu aos parentes, quando se despediu, que nunca pediria esmola, só ajuda para trabalhar.

Marcus vendia balas na região central da capital paulista.

“Muita gente me desanimava e o que mais me desanimava não eram palavras negativas, mas o sentimento de compaixão errada que as pessoas demonstravam. Chegaram a me oferecer passagens de ônibus de volta, auxílio mensal sem trabalho, possibilidade de auxílio por invalidez, mas nunca quis isso. Minha cabeça é boa, não seriam as pernas que me atrapalhariam de ter uma vida que chamam de normal”.

Um dia, um jornalista de uma emissora de TV fazia reportagem na região e o entrevistou. O cearense não teve dúvida. Disse que queria trabalhar em um emprego fixo e que, mesmo com a paralisia, mudaria a situação da família dele. O repórter, tino jornalístico e humano, sentiu a força de vontade de Marcus e o apresentou para Marcos Mendonça, presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura de São Paulo, na época. Mendonça ofereceu alguns pequenos trabalhos. Marcus, no mesmo ano, voltou para o Ceará para buscar a família. Mas ele ainda não estava satisfeito. Queria um emprego registrado como qualquer pessoa “normal”. Convenceu Mendonça a apresentá-lo à família Sófio, dona da Transportes Coletivos Parque das Nações ” TCPN – , uma das empresas mais tradicionais de santo André, com mais de 50 anos de existência.

“Quando me falaram da situação do aranha (apelido de Marcus), eu fiquei com medo de contratá-lo, pois temia que ele se machucasse na garagem ou nos ônibus” – revela Carlos Sófio, um dos proprietários da TCPN. A empresa pensava em ter Marcus como fiscal, mas ele queria começar como todos os demais colegas: primeiro como cobrador e depois chegar à fiscalização.

Em fevereiro de 1995, Marcus inicia na linha I 08 (Jardim das Maravailhas / Bairro Paraíso) ” municipal de Santo André. “Ninguém nunca foi preconceituoso comigo na empresa, mas o pessoal não sabia lidar com deficiente de maneira adequada. Hoje a situação na TCPN é diferente, mas vejo muito desse problema nas empresas”.
O motorista do primeiro ônibus que Marcus trabalhou dirigia com cuidado excessivo e toda a hora olhava pelo espelho interno para ver como o rapaz estava. A força e a alegria demonstradas por Marcus transmitia segurança aos colegas: “Eles que se sentiram seguros comigo e não eu com eles”, brinca.

“A agilidade desse rapaz me surpreendeu. O ônibus sacolejava pra lá e pra cá, quando via tava ele lá na catraca, quando chegava a garagem, olhava para o ônibus e onde estava o Marcus? Já prestando conta da féria do dia”, lembra o empresário Carlos Sófio.

O cotidiano de Marcus, antes nos ônibus e agora nos pontos finais, é marcado pela contradição: pessoas solidárias e amigos convivendo com preconceito e restrições.
“Por quantas vezes, eu, agachadinho do lado do ônibus, quieto, só desempenhando meu trabalho, vinha gente e me oferecia esmola….Aí eu falava, não obrigado, eu sou o fiscal da empresa. As pessoas ficavam constrangidas, mas isso não via como preconceito, mas como uma cultura implantada há muitos anos de que o deficiente é carente e dependente”

Em setembro de 2008, como fiscal de linha, Marcus advertiu uma senhora de que não poderia embarcar num determinado veículo com o passe gratuito de idoso, pois o vale só dava direito a ônibus intermunicipal e não municipal. “Quem é você “alejadinho” pra dizer que ônibus eu devo pegar ou não?”, respondeu a senhora. “Ela sim era portadora de deficiência grave: faltava-lhe educação e respeito, a maior deficiência que existe”.

O transporte de passageiro apaixonou Marcus. E foi a relação com as pessoas que o conquistou. O dinamismo do serviço também é outro ponto destacado por ele. “Tem as programações das viagens, mas na rua tudo muda. É trânsito, enchente, quebra de ônibus, adaptação aos horários das linhas concorrentes. Na prática, os transportes são bem diferentes que no papel, por isso, mesmo sem as pernas funcionando, eu tenho de rebolar e dançar muito pra não deixar o passageiro na mão” ” diz, com um sorriso no rosto.

Marcus se orgulha em dizer que nunca se afastou da empresa por doença, nunca chegou atrasado e já trabalhou em todos os horários e funções, menos motorista, o que não significa que ele não dirige. Com um Kadetti adaptado, viaja até o Nordeste para rever parte da família que ficou no Ceará. “E dirijo muito melhor que muita gente por aí. Na minha carta diz que não posso dirigir comercialmente, tipo táxi, o que é um preconceito também. Ora, se eu posso levar minha família pro Nordeste, por que não posso levar uma senhora a um hospital?” .

Se depender de Marcus, aposentadoria só se estiver muito velho mesmo. “Me sinto a mais perfeita das criaturas de Deus e para isso não preciso ir à igreja ou ouvir palavras de auto-ajuda. A minha deficiência é minha bênção”

Marcus já deu várias palestras gratuitas para empresas, hospitais e executivos e mostra que um portador de necessidade especial, muitas vezes, pode ser o funcionário ideal de uma empresa de tramsporte, pois sabe o que é problema, dificuldade, limitação e com isso, sabe respeitar ainda mais passageiro e dar valor à empresa que deu a oportunidade de trabalho

Adamo Bazani é repórter da rádio CBN e busólogo. Toda terça-feira traz mais um capítulo da história do transporte de passageiros aqui no blog

O futebol nosso de cada dia e o diacho da imparcialidade


Por Carlos Magno Gibrail


Ary Barroso, flamenguista declarado; Nelson Rodrigues, fluminense extremista; talvez bastassem através da genialidade reconhecida em suas artes, para servir de paradigma às futuras gerações, ao apresentarem suas paixões quando no exercício do jornalismo esportivo.

Salvo exceções, como Juca Kfouri e Victor Birner, a grande maioria esconde suas preferências.

Nas outras esferas a situação é ainda mais distante, pois ninguém se apresenta. Política, negócios, artes, culinária todos que certamente escolheram as áreas de atuação por admirá-las, escondem juízos de valores e opções pessoais.

Quando não, exageram, ao decidirem explicitar posição em cima de um mesmo tema, como Diogo Mainardi que viveu longo tempo só atacando Lula, a ponto de escrever um livro chamando-o de anta. Desprezando princípio da comunicação que adverte a possível reversão do resultado, como também a lição do mestre Carlos Lacerda neste tipo de jornalismo, que é preciso carisma e linguagem agressiva de alto nível. Tanto que os dois principais algozes deste declinaram da vida (Vargas) e do cargo (Jânio), enquanto o daquele bate recorde de popularidade (Lula).

“A verdade é raramente pura e jamais simples” Oscar Wilde.

Marcos Nobre, sociólogo e filósofo, lembra que o formato notícia fica por conta da modernidade eletrônica, via internet e blogs. O jornal moderno, ou se aplica na pluralidade da informação através da variedade das seções de análise e de opinião, ou organiza as informações diferenciadamente apresentando posições. “Também por isso a ideologia da neutralidade da notícia já não convence mais. Qualquer que seja o formato a informação só faz sentido hoje se explicitar sua tomada de posição”.

Grande parte da imprensa esportiva viveu anos informando que os europeus não davam importância ao campeonato mundial de clubes.

Ronaldinho Gaúcho e Cia. aos prantos desmascararam esta informação, plantada, evidentemente, por jornalistas torcedores de clubes que nunca chegaram até Tóquio.

Há dias, Manchester United ganhou o título e seus jogadores enlouqueceram na comemoração, embora alguns tivessem informado que sua torcida estava contra sua ida ao Japão.

Na política, o jornalismo não identificado de direita, sempre cobrou a independência do Banco Central. Agora estão perguntando quem manda no país, o Lula ou o Meirelles?

Ao mesmo tom que perseguiam o objetivo do grau de investimento, que ao chegar foi minimizado.

A força das expectativas como uma das verdades da economia ao ser aplicada é criticada pelo mesmo jornalismo que antes a reclamava.

Não tenho dúvida quanto à necessidade do posicionamento do jornalista, a questão é a escolha. Enviar um fã da Madonna para cobrir o seu show? Ou outro que não a admire? Pedir para aficcionado da cozinha francesa fazer reportagem da cozinha brasileira? Colocar um jornalista keynesiano para entrevistar um economista liberal? Enviar a Dubai um são paulino para cobrir a vitória do SPFC? Ou a Soninha para tentar secar?

Carlos Magno Gibrail
é doutor em marketing de moda e toda semana está aqui no blog. Para presidente, votou em branco na última eleição. Em São Paulo, escolheu Soninha no primeiro turno e “branqueou” no segundo. No passado, votou em Jânio, no Lula, no Mercadante, no Suplicy, entre outras escolhas. O SPFC é o time eleito.

Inspeção veicular: empresa desmente prefeitura

A empresa responsável pela inspeção veicular na cidade de São Paulo desmente informação divulgada pela prefeitura de que a falta de terrenos para implantação dos centros de atendimento motivou o adiamento do programa. O diretor-executivo da Controlar Eduardo Rosin disse, ao CBN SP, que a empresa e a prefeitura decidiram mudar o cronograma da inspeção devido a baixa adesão no primeiro ano da prestação de serviço. Apenas 30% dos veículos movidos a diesel, licenciados na capital, passaram pelos centros de inspeção, em 2008.

Ouça a entrevista de Eduardo Rosin, ao CBN São Paulo:

O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo Eduardo Jorge, em entrevista ao CBN São Paulo, no sábado, havia afirmado que a prefeitura decidiu mudar o cronograma de implantação do programa porque teria apenas 16 dos 33 centros de inspeção.

Ouça a reportagem de Pétria Chaves com o secretário Eduardo Jorge: