Eu também tive um sonho



Sérgio Vaz
Criador e critaura da Cooperifa

Ninguém canta de galo 

porque na verdade o “galo” somos nós.



Não pensei que estaria vivo para ver, ou se relamente eu vi, mas ontem, em plena quarta-feira, na periferia da zona sul de São Paulo, aconteceu uma das noites mais lindas do ano: a entrega do 4º Prêmio Cooperifa. Para se sincero nem sei se este dia realmente existiu ou se foi coisa da nossa imaginação, e
gente com imaginação era o que não faltava na Cooperifa.

Também não posso garantir que estas pessoas realmente estavam lá, não sei se é possível um lugar que caiba gente da comunidade e de outras quebradas, junto com poetas, homens e mulheres, negros e brancos, gente de todas as dores, de todos odores, músicos de samba, de rap, MPB, cineastas, fotógrafos, escritores, alunos e professores, crianças, idosos, gente daqui, de lá e de outros sabores, num bar , que de centro das mágoas virou centro cultural, o varal onde a gente estende nossa pele.

Acho que tive um sonho. É isso, foi um sonho que tive. Só pode ser. Não é possível que exista um lugar neste país tão desigual que seja capaz de reunir mais de quinhentas pessoas para celebrar a igualdade, e ainda mais, apesar de tudo e de todos, com sorrisos largos estampados na cara, e o coração em chamas, se derretendo feito aço, nos abraços que se jogavam na fogueira dos nossos corpos, enquanto a gente brincava de felicidade.


Lógico que foi um sonho, ou alguém quer que eu acredite que o seu Lourival, dona Edite, o Ícaro, Cocão, Lu, Rose, Márcio, Jairo, Zé batidão, Sales, de Lourdes, Robson Canto, Rodrigo Círiaco, Lobão, sarau da Brasa, do Elo da corrente, da Ademar, Espírito de Zumbi, Eleílson, Ferrez, Sacolinha, Buzo, Camante, Joao Wainer, Du, Lila e Bárbara, Timbó, Rose Eloi, Marcelino Freire, Rapin Hood, Inquérito, A Família, Alan da Rosa, Valmir Vieira, João Santos, Ricarda, Vicente, Roberto Ferreira, Mamba Negra, Samba da vela, Daniel, André, Brau Mendonça, Augusto, Família Trindade, Renato Vital, Andréia, Camila, Eliane Brum, e mais um monte de gente maravilhosa que eu não lembro agora, existem de verdade?



Parecia um sonho. Parecia ser verdade. Nem sei o que pensar. Mas como alguém quer que eu acredite que possa existir um lugar em que as pessoas evoluam coletivamente e revolucionem pessoalmente, sem que haja interferência do discurso fácil da revolução que nunca vem?

Nesta noite, Che, Zumbi, Dandara não estavam estampados no peito de nenhuma camiseta, mas nos corações das pessoas, e todas elas, usavam seus próprios olhos para enxergarem o futuro.

Como posso crer numa noite em que a vida não estava escrita num papel de pão, e sim nas linhas tortas dos olhares das pessoas simples que acreditam sempre, sempre e sempre em dias melhores?



Um lugar assim… em plena quarta-feira… no extremo sul da realidade brasileira, sem dor nem tristeza – pelo menos por algumas horas-, e que as pessoas estava sendo premiadas pelo simples fato de existirem, é quase impossível de acreditar.

Até parece poesia de Solano trindade.

Sei não, mas parece que eu também tive um sonho.



Será que alguém sonhou junto comigo?



Se essa noite não existiu, a gente podia inventá-la, o que você acha?



Suplicy explica voto em favor de mais vereadores

Reproduzo a seguir a mensagem enviada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) na qual fala da votação da emenda parlamentar que criou mais de 7.300 cargos de vereadores no País:

“Em meu pronunciamento durante a discussão da chamada “PEC dos Vereadores”, que trata do quantitativo de vereadores e do limite de despesas das Câmaras Municipais, ponderei que essa matéria só deveria ser votada caso também analisássemos o art. 2º que altera o art. 29-A da Constituição, para, entre outras modificações, reduzir os limites para as despesas das Câmaras Municipais.

O parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, de autoria do Senador César Borges, destacou o art. 2º da PEC para que tramitasse como “PEC Paralela” e aprovou os arts. 1º e 3º.

Assim, a redução dos gastos das Câmaras de Vereadores passou a tramitar em separado e deveria ser apreciada em um segundo momento. Devido a tais fatos deixei de votar a matéria no primeiro turno porque avaliei que se havia sido retirado esse importante dispositivo.

Entretanto, como a maioria dos senadores presentes se comprometeu a analisar e votar a “PEC Paralela dos Vereadores” no início do primeiro semestre de 2009, votei favoravelmente à matéria no segundo turno.

É importante ressaltar que o desmembramento de PECs não é novidade no Senado Federal. Em 2003, quando da votação da Reforma da Previdência, as questões polêmicas foram desmembradas. Na ocasião, as questões consensuais converteram-se na EC 42/2003, sem que retornassem à Câmara dos Deputados. A “PEC paralela da Previdência” tramitou em separado, transformando-se, em 2005, na EC 47.

Também cabe destacar que o STF admite o desmembramento de PECs. Todavia, ressalva a Corte Suprema que o desmembramento não pode descaracterizar a medida. Caso ocorra essa descaracterização, ambas as PECs (a principal e a paralela) devem retornar à Câmara dos Deputados.

É preciso ter claro, porém, que o acordo produzido na Câmara dos Deputados para aprovação dessa Proposta de Emenda Constucional pressupunha o aumento do número de vereadores com a concomitante diminuição dos repasses às Câmaras Municipais.

Aliás, este último aspecto foi o que motivou a própria apresentação da então PEC 333/2004 (no Senado, numerada como PEC 20, de 2008). Tanto é assim que, na proposta original, a diminuição dos repasses às Câmaras Municipais vinha disciplinada pelo art. 1º. Posteriormente, por ocasião da votação do texto na Comissão Especial e no Plenário, os gastos das Câmaras Municipais passaram a figurar no art. 2º da PEC.

Assim, a aprovação de apenas uma parcela da PEC 20, de 2008, poderá implicar em um rompimento do acordo firmado na Câmara dos Deputados. Em outras palavras, a votação apenas dos arts. 1º e 3º pode ser interpretado como alteração da vontade política da Câmara dos Deputados.

Atenciosamente,

Senador Eduardo Matarazzo Suplicy”

Vereadores do Rio dão exemplo … mau exemplo

Em nome de sua candidatura para a presidência da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o vereador Jorge Felippe, do PMDB, apresentou proposta prontamente aprovada pelos colegas que cria 20 novos cargos em comissão para a casa. Com esta medida, o povo do Rio vai desembolsar mais ou menos R$ 1,5 milhão por ano para sustentar os funcionários de confiança. Confiança dos vereadores, não do cidadão.

Na mesma reunião, os vereadores cariocas aprovaram o projeto de Orçamento para o primeiro ano de mandato do prefeito eleito Eduardo Paes. Na discussão, os novos governistas conseguiram, também, garantir que Paes tenha a liberdade de remanejar 30% do orçamento de acordo com a sua boa vontade.

A vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB-RJ) tentou diminuir a margem de remanejamento de 30% para 15%, mas a proposta dela foi rejeitada pela maioria. Apenas Andrea, Stepan Nercessian (PPS), Aspásia Camargo (PV), Lucinha (PSDB), Eliomar Coelho (Psol) e Pedro Porfírio (PDT) votaram por uma margem menor e contra o cheque em branco ao prefeito Eduardo Paes.

Interessante é que aqui em São Paulo o mesmo PSDB fez esforço contrário. E venceu. Serra no Governo e Kassab na cidade têm percentual bastante largo para o ano que vem.

A margem de remanejamento é uma luta constante no parlamento. Quem está no poder tenta aumentar o máximo possível do percentual. Quem está na oposição se esforça para reduzir a margem. O problema da margem de remanejamento é que quanto maior o percentual menor importância tem a participação do parlamento na definição das prioridades de investimento no município.

Governo impõe decisões ao Procon, diz Josué Rios

A escolha do diretor do Procon pelo conselho curador da instituição levou o advogado de defesa do consumidor e consultor do Jornal da Tarde Josué Rios a criticar a forma como a entidade é administrada pelo Governo de São Paulo. No entender dele, falta da transparência nas discussões e há imposição do Estado nas decisões do conselho.

Ouça a entrevista de Josué Rios ao CBN São Paulo:

“Se ele não gosta que vire governador”, diz secretário de Justiça

O secretário estadual de Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, não aceita as críticas à forma como o Governo do Estado administra a Fundação Procon, instituto que tem orçamento de R$ 30 milhões. Em entrevista ao CBN São Paulo disse que o governo vai melhorar a estrutura do órgão para atender às reclamações dos consumidor e atacou o advogado Josué Rios:

Líder de vereadores diz que povo apóia aumento de vagas

A população não teve o direito de opinar sobre a emenda constitucional que aumenta o número de vereadores nas câmaras municipais, segundo o presidente da União dos Vereadores de São Paulo Sebastião Misiara. E para ele se o povo fosse ouvido diria sim à emenda.

Sebastião Misiara está frustrado com a decisão da Câmara dos Deputados que não promulgou a emenda aprovada pelo Senado e entende que os suplentes de vereadores que poderiam ser beneficiados com a ampliação no número de vagas dificilmente assumirão o mandato. Aliás, é pessimista: o caso vai parar na Justiça e esta mais uma vez irá barrar o que ele entende seria uma vitória da democracia.

Na entrevista ao CBN São Paulo, o presidente da Uvesp e diretor-executivo da União dos Vereadores do Brasil criticou a opinião de cientista político ouvido na CBN:

A entrevista que incomodou o presidente da Uvesp foi feita no Jornal da CBN. Ouça a opinião do professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília, Otaciano Nogueira:

A propósito: O presidente da Uvesp diz que o povo não foi ouvido. Então, se você quiser dar sua opinião, deixe-a gravada aqui embaixo na área dos comentários ou vá até a página da União dos Vereadores de São Paulo clicando AQUI.

Deputados colocaram água no chopp dos vereadores-suplentes

Ao retirar um dos artigos da emenda constitucional que aumenta em mais de 7 mil e 300 vagas nas câmaras municipais, os senadores deram a oportunidade para os deputados federais acabarem, por enquanto, com a alegria dos suplentes que já se preparavam para assumir o cargo.

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) alegou que o projeto foi modificado no Senado e, portanto, teria de voltar a ser discutido pelos deputados. Assim tomou a decisão de não promulgar a emenda, que não entrará mais em vigor antes de janeiro como pretendiam os senadores e os ex-futuros vereadores.

Os senadores alteraram o texto ao não votar o artigo que reduzia os repasses de verbas das prefeituras para o Legislativo.

O Natal dos vereadores-suplentes foi adiado.

23 prefeitos reeleitos respondem processos criminais

A lentidão na justiça permitirá que no dia 1o. de janeiro 23 prefeitos reeleitos assumam o cargo apesar de responderem processos criminais, em São Paulo. De acordo com reportagem de Adamo Bazani, publicada na CBN, são réus de crimes contra o sistema financeiro, investigados por crimes federais e com antecedentes policiais extensos.

“Para se ter uma idéia do fato, dois desses prefeitos reeleitos são réus em oito ações penais. Outro prefeito, sozinho, responde a seis processos por crimes contra o sistema financeiro nacional”, informou a reportagem.

Nelson Mancini Nicolau, prefeito de São João da Boa Vista, está nesta lista. Ele responde a seis processos por crimes contra o sistema financeiro nacional e outra ação que corre sob segredo de justiça, além de ser alvo de três inquéritos policiais.

Os dados chamaram atenção da Procuradoria Regional da República que pede para que os prefeitos-réus sejam julgados em tribunais comuns. Eles contam com foro privilegiado e os processos são analisados em um órgão especial que necessita da opinião de 17 desembargadores para um veredito.

A mudança está sendo proposta pela procuradora regional Maria Iraneide Facchini que responsabiliza a demora nos processos judiciais pelo fato dos prefeitos-réus terem tido o direito de disputar a reeleição e com a vitória tomarem posse no segundo mandato em duas semanas.

Lista dos prefeitos-reús em São Paulo

Prefeitos reeleitos – Ações Penais

José Mauro Barcellos – Patrocínio Paulista
Nelson Nicolau Mancini – São João da Boa Vista

Prefeitos reeleitos – Inquéritos

Alberto de César Caires – Alvares Florense
Antonio Donizete Cicero – Irapuru
Antonio Shicgueyuki Aiacyda – Mairiporã
Aparecido Donizete Martelli – Nova Granada
Cesar Schimacher de Alonso Gil – Americo de Campos
Elcio José Ferreira – Lagoinha
Guedes Marques Cardoso – Pontalinda
Herculano Castilho Passos Jr – Itu
João Carlos de Oliveira – Tapiratiba
José Carlos de Oliveira Martins – Ribeirão do Sul
João Carlos Donato – Vinhedo
João Donizete Theodoro – Adolfo
Jorge Abissamra – Ferraz de Vasconcelos
José Gilberto Saggioro – Itapui
José Milanez Junior – Panorama
José Roberto Rebelato – Bilac
Mário de Souza Lima – Barbosa
Nelson Nicolau Mancini – São João da Boa Vista
Orivaldo Gazoto – Cafelândia
Rubens Furlan] – Barueri
Waldemar Sandoli Casadei – Lins
Wilson Carlos Rodrigues Borini – Birigui