Mudanças na mudança das regras

Por Carlos Magno Gibrail

Por problemas técnicos na migração do blog, este artigo teve de ser publicado novamente. Infelizmente, os comentários que estavam no post original não puderam ser reproduzidos aqui


Nova bola “inteligente” poderá ser o elemento mais esclarecido dentro dos campos de futebol

A frase acima, publicada em Lisboa, logo após o jogo final da Copa Mundial de Clubes em 2007, previa com humor que dificilmente a FIFA permitiria a existência deste estranho elemento “inteligência” no mundo do futebol.

E os portugueses estavam certos. Vôlei, basquete, F1, tênis dentre outros, são esportes, que visando adaptarem-se as mudanças no mundo fizeram múltiplas reformas normativas.

Buscando mais justiça, segurança, emoção e respeitando a evolução dos meios de comunicação, modernizando os antigos e utilizando os novos, estes esportes aboliram duplos saques, criaram “tié-brakes”, evitaram motores possantes em demasia, utilizaram sistemas eletrônicos para identificação de bolas nas linhas, etc.

E o futebol, este esporte mais popular do mundo?

A FIFA avaliou que a bola inteligente retira emoção do futebol. A partir daí voltamos aos portugueses, pois desconsiderar que a emoção é o próprio futebol e não suas injustiças e erros é abandonar definitivamente o elemento inteligência.

Milton Jung esclarece: “Nos anos 60-70 os jogadores de futebol percorriam de seis a sete quilômetros durante os 90 minutos de uma partida. Atualmente, correm até 15 quilômetros (se não me engano eram esses os números). O filósofo Mário Sérgio Cortella que assisti em São Paulo, há dois meses, ilustrou com estes dados a evolução do tempo na vida do ser humano. O mundo sempre se desenvolveu, mas nunca na velocidade com que vemos (ou não!) hoje em dia. Cortella chamou atenção de que a quilometragem percorrida pelo jogador aumentou sem que as regras do esporte tivessem sido modificadas: o campo tem o mesmo tamanho; o número de jogadores é igual; a quantidade de bolas, também; e o objetivo de fazer o gol, mais ainda”.

As transformações vieram dos técnicos, dos fornecedores de roupas, acessórios, equipamentos e sistemas relacionados ao jogo, de médicos, fisioterapeutas, nutricionistas. E de patrocinadores e anunciantes.

Da direção, FIFA e associados, apenas tímidas mudanças, tipo atrasar bola para goleiro, lateral sem impedimento. Embora modestas, tiveram impacto positivo. Podemos imaginar, portanto o resultado se houvesse mudanças mais pertinentes aos tempos modernos.

Chico Anysio, aficionado intenso e extenso , dado o número de times que já torceu, dá sua contribuição em e-mail que me enviou, do qual extraio os seguintes tópicos, agradecendo imensamente a sua atenção.

– A supressão de um jogador de cada time

– Em vez de o jogo ser disputado em dois tempos de 45 minutos, passar a ser disputado em 4 tempos de 20 minutos, só sendo contados os minutos de bola correndo. O tempo do jogo passaria a ser uma atribuição do 4° juiz. O intervalo do primeiro tempo de 20 minutos será de cinco minutos, com os jogadores permanecendo no campo e o técnico tendo o direito de lhes dar instruções. O intervalo entre o segundo e o terceiro tempo será de 12 minutos, com os times indo para os vestiários

– Cada equipe poderá fazer até 5 substituições nos dois primeiros tempos e mais 5 nos dois últimos; jogadores substituídos podem retornar ao campo quantas vezes forem necessárias.

– A bola só sai quando toca no chão (a exemplo do que acontece no vôlei).

– Serão criados dois outros cartões: o branco – que expulsa o jogador por 10 minutos e o azul que obriga o técnico a retirar aquele jogador que recebeu o cartão e colocar outro no seu lugar; este jogador que sair estará eliminado da partida.

Milton Jung complementa: “Jamais os árbitros serão capazes de evoluir da mesma forma que o jogo, portanto precisam do apoio tecnológico para que suas funções sejam exercidas com justiça. E em nome desta justiça entendo que a revisão de lances específicos deve ser permitida. Para mim, a regra do tênis que limita o número de pedidos de revisão é dos melhores exemplos a se seguir”.

Acredito que a questão fundamental é relativa a manutenção do poder. Na medida em que recursos tecnológicos deixam de ser usados, a dominância dos árbitros permanece excessiva e consequentemente a dos dirigentes também.

Antevejo que a solução deverá vir do próprio poder, mas o poder econômico, através dos patrocinadores, tipo Nike, Adidas, Reebok, TVs. Assim como de empresas que venham a ter interesse de fornecimento de tecnologias novas e estejam dispostas a arcar com pedágio inicial.

“O futebol não é questão de vida ou morte. É muito mais que isso”. Bill Shankly, saudoso técnico do Liverpool.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira escreve aqui no blog. Já cansou de ver seu time prejudicado pelos árbitros que não enxergam o que a tecnologia revela. Eu, também.

Um comentário sobre “Mudanças na mudança das regras

  1. Que bom se mudace as regras mas não assim tão radical e sim aos poucos por que o povo brasileiro não estão a costumados com mudançsa radicas tem que ser emplatadas passo a passo ok

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