A mudança dos orelhões por totens com telefone público é um dos pedidos de portadores de deficiência. O formato dessas cabines é considerado perigoso pois causa sérios riscos de acidentes principalmente às pessoas com restrição visual. A arquiteta Adriana Almeida Prado, do Cepam (Centro de Estudos e Pesquisas de Atendimento Municipal), criticou o uso desses equipamentos pela Telefonica, em São Paulo, durante entrevista ao CBN SP: “Eles não usam orelhões na Espanha por que usam por aqui ?”.
Nessa semana, ao falar sobre as barreiras que existem nas calçadas paulistanas, comentei da entrevista que havia ido ao ar no dia 1o de janeiro sobre o lançamento do livro “Acessibilidade Nos Municípios – como aplicar o Decreto 5.296/04” e fiz referência as armadilhas que estes orelhões se transformaram no passeio público.
O tema foi parar no Grupo de Atuação Especial de Proteção às Pessoas Portadoras de Deficiência do Ministério Público de São Paulo que apesar do nome pomposo conta com apenas dois promotores na capital. Um deles é Julio Botelho entrevistado nessa quarta-feira que anunciou o início de investigação para verificar a questão envolvendo os riscos geradores pelos orelhões.
“Até já pensei em andar por aí com uma marreta a tiracolo para depredar esses orelhões amaldiçoados, sempre que algum deles me acertasse a testa, o nariz, o ombro… E faria questão de chamar a polícia eu mesmo para que me indiciassem por vandalismo, assim eu aproveitaria para também formalizar denúncia por lesão corporal…”. O recado indignado é do ouvinte-internauta Paulo Romeu, deficiente visual, que afirma ser uma antiga reivindicação a retirada desses equipamentos na cidade. Os pedidos se iniciaram nos tempos em que a Telesp tinha o monopólio do serviço na capital paulista, segundo e-mail enviado ao programa.
A vereadora Mara Gabrilli (PSDB) também escreveu, após ouvir a entrevista com o promotor Júlio Botelho, para reforçar a mensagem sobre o “desenho universal”, conceito considerado importante para derrubar barreiras que impedem a participação do cidadão na sociedade. “Utensílios domésticos, ambientes, vias públicas, veículos, e outros produtos, projetados com desenho universal fornecem igualdade de condições de acesso e uso para toda a diversidade humana: de crianças a adultos muito altos ou baixos, sem esquecer os idosos, gestantes, anões, obesos e pessoas com deficiência”, escreveu.
Ex-secretária da Pessoa Com Deficiência e Mobilidade Reduzida na capital paulista, Mara Gabrilli ensina que “por meio do desenho universal, por exemplo, todos os orelhões seriam sinalizados com piso de alerta para evitar as batidas de cabeça de pessoas cegas ou mesmo das distraídas. Não é preciso mudar todos os orelhões da cidade – tema que você tem, acertadamente, mostrado preocupação – mas sinalizá-los como os que estão nas calçadas da Avenida Paulista”.
Ouça o que disse a arquiteta Adriana Almeida Prado, organizadora do livro “Acessibilidade Nos Municípios – como aplicar o Decreto 5.296/04”, publicado pelo Cepam:
Ouça a entrevista com o promotor de Justiça Júlio César Botelho:
Agora o outro ladoA Telefonica informou que não havia ninguém disponível para falar sobre o tema e enviou nota ao CBN SP na qual se refere a adaptação dos telefones públicos para pessoas com deficiência:
“A instalação de telefones públicos adaptados pela Telefônica para deficientes atende à determinação da Legislação, chegando à 4,35% do total da planta de telefones públicos no Estado, enquanto a Lei obriga que 2% do total da planta seja adaptado. Além disso, todos os 250 mil orelhões do Estado estão adaptados para deficiente visual por meio da tecla de número 5”.
