A periferia invade o céu de São Paulo

Na Cooperifa tem Poesia no Ar

Balões de gás hélio espalharam-se pela noite de São Paulo transportando a criatividade e poesia de artistas, atores e autores da periferia. Esta foi a terceira edição do Poesia no Ar, promovido pelo movimento literário da Cooperifa, que às quartas-feiras se reúne no Bar do Zé do Batidão, na Chácara Santana, zona sul da capital paulista.

Nosso colaborador Marcos Paulo Dias esteve por lá, nesta semana, e ficou impressionado com aquela turma viciada em cultura. Ele conversou com o Sérgio Vaz, idealizador do movimento e registrou o forte abraço que envie para todos. Eles merecem.

As fotos são do Marcos e a poesia que transcrevo é do Sérgio que assina o Blog Colecionador de Pedras:

Uns querem bala perdida
nós poesia
quem cala a ferida,
anemia.

A pólvora
que risca o beco
sai dos lábios
que nem tiro sêco.

Poema traçante
que rasga o peito da noite,
um levante,
levando declaração de guerra
camuflada de alegria.

Avante,
nosso exército
marcha nas sombras
sem pisar nas flores
das primaveras
que plantaram bombas.

O Poema que voa
não é pássaro nem avião
muito menos
projétil de metralhadora.

O perigo da poesia
Não está no balão que baila no ar,
mas nas mãos duras
que cavam o pão amargo
do dia a dia
nas trincheiras
do trigo
e da erva daninha.

Sim,
gás Sarin
contra nossa letra torta.
Mas
o que não mata
engorda.

Em tempo
da tua paz
Verás
que nem tudo era
palavra, em ar comprimido,
e quando o gás do teu riso cabar
é nossa vez de chegar
com o Urânio enriquecido.

O voo da vida

Maria Lucia Solla compartilha com a gente seu olhar do outono de São Paulo

Texto de Armando Italo que extraio dos comentários do post “O tempo passa diferente para algumas pessoas”, de  Abigail Costa; e imagem assinada pela nossa comentarista dominical Maria Lucia Solla que compartilha com a gente seu olhar do outono paulistano:

O tempo a vida.

Consegue, consegue, não consegue

Consegue, consegue, não consegue.

Nascemos e depois de preparados, acionamos os motores, taxiamos dentro das regras, alinhamos na cabeceira da pista a nossa aeronave da vida.

Muitas oportunidades, em um dia lindo, com céu totalmente azul, cavok como dizemos na aviação, ventos calmos.

No início da rolagem da nossa aeronave da vida, damos potência nos motores, manetes todas a frente, no batente, rolamos vamos ganhando velocidade, V1, V2, V3 rotate!

Saímos do chão!

Vamos subindo, ganhando altura inicialmente numa razão de subida acentuada, manetes full, potência nos motores.

A medida que vamos ganhando altitude, o “ar” vai se tornando mais rarefeito, causando menos sustentação aerodinâmica na aeronave da vida, como consequência, temos então que começar a diminuir a nossa razão de subida gradativamente em uma parábola, ajustando e configurando a nossa aeronave da vida, potência dos motores, etc.

Por vezes, durante a subida, vamos nos deparar com “surpresas” como turbulências, correntes ascendentes e descendentes, chuva, vento, granizo, nuvens negras pela proa, os temíveis e terríveis CBs, cumulus nimbus. Até nivelar a nossa aeronave da vida no nível de vôo “programado” nos sistemas gerenciadores de vôo.

Para aquele “piloto” determinado, persistente, que estudou tudo o que podia, treinou, este estará em condições de enfrentar “as adversidades” que provavelmente surgirão, pela proa e durante toda as etapas do voo da aeronave da vida.

Lá em cima, já nivelado, voando acima dos dez quilômetros de altitude, acima dos trinta mil pés, no silêncio da imensidão, no ar totalmente rarefeito em velocidade mach vamos então apreciando o que é de mais lindo e agradecemos a Deus, a natureza, o quanto nos custou até conseguir colocar uma aeronave voando onde está.

Voando calmamente, “silenciosamente” sobre as nuvens, e tudo lá embaixo.

Só que em um momento, “a algumas milhas” do nosso aeroporto de destino, teremos então que iniciar a descida e o processo é inverso e de certa forma complexo.

Toda cautela, destreza, proficiência, cálculos matemáticos e da física, serão realizados com ou sem auxílio dos sistemas da nossa aeronave da vida, opção de cada um.

Da mesma forma que aprendemos a subir com a nossa aeronave da vida, voar nivelado gerenciando, pilotando, temos que agir no início de descida até o pouso seguro.

Armando Italo é ouvinte-internauta do CBN SP, frequentador assíduo do Blog do Milton Jung e apaixonado por aviação.

Tá na moda


“Pouco se fala dos feitos desta Casa. A mídia tem sido um pouco ingrata com os que muito trabalham por esta cidade. Estou aqui para defender os cidadãos e acho que a vida pública fica comprometida pelo excesso de críticas e poucos elogios para aqueles que trabalham pelo bem do município.”

Marco Aurélio Cunha (DEM), um dos vereadores que mais faltaram as sessões das comissões permanentes da Câmara Municipal de São Paulo.

Entenda as irregularidades na merenda escolar

Clique nas imagens e veja outros documentos que fazem parte da investigação

Documento do Proced

O Ministério Público de São Paulo descobriu novas irregularidades cometidas por 10 empresas que fornecem merenda em escolas municipais, na capital paulista e outras cidades brasileiras. Além disso, foram levantados documentos que comprovam que as empresas pertenciam aos mesmos donos.

De acordo com reportagem de Adamo Bazani que foi ao ar na CBN, o MP tem informações de que ao menos 111 contratos de prestação de serviços foram feitos sem licitação, entre 2006 e 2007. Há indício de que pelo menos 400 itens não foram cumpridos, mesmo assim as empresas não foram punidas pelo poder público. Haveria contratos que sequer foram formalizadas, de acordo com o promotor Sílvio Marques.

Quase como se tivessem assinado com o “fio do bigode”. Na confiança, se você me entende.

A maracutaia na concorrência foi identificada, também pelo Proced, órgão disciplinar da prefeitura de São Paulo: “havia pregões maculados para as empresas ganharem as concorrências”, está escrito em um dos documentos assinados pela procuradora do município Fernanda Dutra Drigo de Almeida.

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“Os indícios descobertos pelo Ministério Público, por documentos e gravações telefônicas, demonstram claramente e ,sem sombra de dúvida, que houve conluio entre as empresas participantes e provável vazamento de informações sigilosas”, constatou a procuradora.

Mais adiante ela afirma que “causou estranheza o fato de as responsáveis pela fiscalização dos contratos, Joana D’arc Pereira Mura e Rosmari da Silva serem da ABERC – Associação das Empresas de Refeições Coletivas”.

A promiscuidade foi identificada por Fernanda de Almeida como “irregularidade gravíssima”.

A então responsável pelas merendas no período investigado, entre 2006 e 2007, Beatriz Aparecida Tenuta, e as responsáveis pelas fiscalizações de contrato, Joana D’arc Pereira Mura e Rosmari da Silva, foram afastadas dos cargos.

A reportagem da CBN teve acesso aos documentos que fazem parte das investigações do Ministério Público de São Paulo. Alguns deles publicados neste post.

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Mais dinheiro para TV Câmara, em São Paulo

Adote um VereadorA compra de câmeras robotizadas e equipamentos que permitiriam a transmissão de sessões e audiência que ocorrem fora do plenário seria a justificativa para a Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo aumentar o dinheiro disponível para TV Câmara em R$ 3,5 milhões, além dos cerca de R$ 14 milhões previstos no início do ano.

A informação publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, nesta sexta 17.04, causou incomodação ao vice-presidente da Câmara, vereador Dalton Silvano (PSDB), único que aceitou falar sobre a medida.

Confesso que lendo o jornal e ouvindo o vereador, no fim das contas todos falavam a mesma casa: a Câmara terá para investir neste ano quase 60% a mais do que em 2008, na área de comunicação.

Dalton Silvano diz que o dinheiro é apenas uma reserva técnica para projeto de modernização da TV Câmara, que está em discussão, mas que ainda não está decidido se será implantado.

Ouça a entrevista com o vereador Dalton Silvano (PSDB)

Para tentar esclarecer esta diferença, ouvimos o consultor da FGV e especialista em contas públicas Amir Khair que entende ser a falta de transparência no Orçamento do Legislativo a causa desta discussão:

Ouça o consultor da FGV Amir Khair

Foto-ouvinte: A mais feia de São Paulo

Brigadeiro Luis Antonio

Antes mesmo de fechar as contas da preferência dos leitores do blog em relação as sensações provocadas por São Paulo, sou provocado a olhar para o outro lado da cidade. O ouvinte-internauta Eduardo Mucillo recentemente foi trabalhar na avenida Brigadeiro Luís Antônio. Ele está espantado com a quantidade de casarões abandonados que parecem prestes a desabar. Contou pelo menos quatro dessas construções antigas com péssimo aspecto, entre as ruas Pedroso e Humaitá.

Eduardo, autor da imagem acima, comenta: “A avenida Brigadeiro Luís Antônio, junto com a Santo Amaro e a Ricardo Jaffet, concorrem ao triste título de avenidas mais feias de São Paulo”.

Que outras avenidas e locais entrariam nesta lista, na sua opinião ?

Moto vai ser proibida de andar entre carros, vai encarar !?

Motos no corredor

Proibir motos de circular entre os carros é dos desafios mais complicados no trânsito brasileiro, depois que o presidente  Fernando Henrique perdeu a oportunidade de manter a regra no Código Brasileiro, aprovado em 1997. O veto a determinação que havia passado no Congresso Nacional abriu espaço para a construção de um hábito perigoso que tem causado uma série de acidentes com mortos e flagelados. No ano passado, mais de 6 mil e 700 perderam a vida sobre motos, no País.

A frota de motocicletas cresceu imensamente nos últimos anos. De 2004 a 2008, enquanto o número de carros aumentou 35%, o de motos chegou a 82%, no Brasil. A falta de investimento em transporte público empurrou muitos passageiros para fora dos ônibus e para cima das motos. A maioria sem o menor preparo. Além disso, o excesso de congestionamento fez dos motoboys função primordial para o funcionamento da cidade.

Em meio a este cenário, o Congresso Nacional volta a carga e tenta impedir a circulação das motocicletas entre os carros. O primeiro passo foi dado com a aprovação de projeto de lei na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e agora vai para o Senado. A proposta divide opiniões.

Para o professor, especialista em segurança no trânsito, José Almeida Sobrinho, o Brasil terá de encarar este desafio, pois tem de se ter como prioridade a vida das pessoas.

Ouça o professor José Almeida Sobrinho

A criação de faixas exclusivas para motos é outra proposta em debate. São Paulo tem uma única experiência até hoje, na avenida Sumaré, com resultados extremamente positivos. Nenhuma morte foi registrada em acidentes na via, na zona oeste de São Paulo. Agora, estuda criar nova pista segregada pela avenida Liberdade e rua Vergueiro, corredor que seria criado para proibir a circulação das motos na avenida 23 de Maio.

A ideia é defendida pelo urbanista Cândido Malta que chama atenção para outra ação necessária: o pedágio urbano. Seria uma forma de restringir a circulação de carros, investir no transporte público, reduzir o fluxo de veículos e diminuir a quantidade de mortes no trânsito.

Ouça a entrevista do urbanista Cândido Malta

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Motociclistas Empregados de São Paulo Aldemir martins de Freitas, o Alemão, contesta a proibição de circulação de motos entre os automóveis e na avenida 23 de Maio, como estuda a prefeitura.

Ouça a entrevista do presidente do SindMoto Alemão (publicada às 11h54)

Cidade Limpa: Liminar cai e outdoors vão abaixo em Cotia

Reprodução de imagem da Revista Circuito sobre retirada de outdoors em Cotia

Os anúncios externos que ainda resistiam a aprovação da lei Cidade Limpa começaram a ser retirados pela prefeitura de Cotia, região metropolitana de São Paulo. A ação foi possível após a administração municipal ter conseguido derrubar liminar que concedia à empresa Savino Outdoor o direito de manter seus painéis na cidade.

O combate a poluição visual em Cotia se iniciou em 1º de janeiro deste ano e foi inspirado no programa desenvolvido pela prefeitura da capital paulista. De acordo com a versão on-line da Revista Circuito, que circula na região, desde o início do ano foram removidos mais de 600 painéis e aproximadamente 5 mil placas. “No centro de Coria é possível ver que 90% dos estabelecimentos já estão com suas fachadas reformuladas, dentro dos padrões permitidos”, informa a reportagem.

Para quem não mora na região, o impacto provocado pela lei Cidade Limpa pode ser percebido circulando pela rodovia Raposo Tavares de onde os painéis começam a desaparecer. Aliás,  sempre me chama atenção quando deixo a capital em direção a maioria das cidades da região metropolitana o choque provocado pelos gigantescos anúncios.

A lei Cidade Limpa em São Paulo nos deixou mal-acostumados.

Dona Iva, quem diria, é fora-da-lei

A lixeira da Dona Iva e de todos os paulistanos está com os dias contados

Católica, apostólica, romana, e praticante, Dona Iva está com 77 anos bem vividos e exceção a um ou outro
desentendimento com vizinhos é daquelas senhoras que ninguém tem nada contra. Passeia com seu cachorrinho na coleira e jamais esquece de limpar a sujeira deixada por ele. Na padaria, simpática como sempre, pede para o caixa colocar as comprar nos sacos de papel. São mais ecológicos, ensinou o neto mais novo.

 

Cada três dias da semana, sabe que as sete da noite, antes da novela começar, tem de levar o saco de lixo para a rua, duas horas antes do caminhão da coleta passar. Assim que houve o barulho, corre para a janela, cumprimenta os funcionários de macacão laranjan e aproveita para ver se não ficou nenhuma sujeira no caminho.

 

Lembrei dela hoje pela manhã na conversa com o subprefeito de Pinheiros, Nevoral Bucheroni, que informou estarem fora da lei os suportes de ferro instalados nas calçadas que servem para o depósito dos sacos de lixo. Estas armações podem ser encontradas aos montes diante de casas, prédios e empresas, na capital paulista. Muitas bem no meio do caminho, atravancando o passeio. Argumento, aliás, que levou a aprovação da Lei 13.478, de 2002, que proíbe a presença desses equipamentos sobre as calçadas.

 

Como nunca antes nesta cidade houve fiscalização ou pedido de retirada destas lixeiras, a ação da Subprefeitura de Pinheiros, nesta semana, que notificou alguns condomínios no bairro, causou indignação dos moradores. Alegam que não terão onde depositar o lixo enquanto esperam o caminhão da coleta.

 

O subprefeito Bucheroni, na entrevista ao CBN SP, disse que os prédios devem manter locais apropriados dentro do seu terreno que permitam acesso aos coletores ou que os sacos de lixo sejam depositados sobre a calçada apenas duas horas antes do horário previsto para o caminhão passar.

 

Ouça a entrevisa com o subprefeito de Pinheiros, Nevoral Bucheroni

Pobre Dona Iva. Tão certinha, cuidadosa e simpática. Não sabia que o zelo para impedir que os cachorros da vizinhança furassem os sacos e espalhassem o lixo pelo chão fazia parte de um crime contra a cidade. Vai ter de arrancar da calçada aquela lixeira que comprou de um rapaz que passava pela rua se não quiser receber uma multa de R$ 500.

 

Talvez ela até fique triste e enfurecida com o subprefeito, mas amanhã quando for passear pelo bairro encontrará a calçada livre. Das lixeiras, por que os buracos continuarão por lá, assim como as cadeiras e mesas do bar da esquina, o totem do valet, e todas aquelas coisas que nós sabemos bem atrapalham a caminhada da Dona Iva.