Temos pressa de viver

Por Abigail Costa

Aprendo sempre. Independentemente do professor. Neste caso, ele só tem nove anos.

– Estou pensando em trabalhar!
– Como?
– É, trabalho. Tenho que começar agora, ou você acha que o Bill Gates não começou cedo?

O diálogo é com uma criança que se prepara para ir pra cama. A preocupação não é com a prova de matemática do dia seguinte. Mas com o futuro.

Na maioria das vezes somos assim:

Aos dez anos, imaginamos o namoro dos 15, torcendo pelos 18 e com este a carteira de motorista. Depois a pressa em sair da faculdade, de atropelar o estágio, ter a carteira de trabalho assinada. E depois ?

RG, CPF, cheque especial, compromisso, responsabilidade. E não muito raro, parar e contar para todos como o tempo passou rápido.  Como quase tudo aconteceu de repente. O quase, é um pedido de desculpa pela pressa de virar a página da vida.

Quando percebo nos outros essa vontade de pensar lá adiante, me lembro das palavras da minha mãe.

– Espera, você ainda terá muito tempo para pensar nisso, aproveita agora. A chegada é inevitável, não precisa apressá-la.

Mas temos sonhos, planos e se puder antecipar parte deles, por que não?

Enquanto me preparava para repetir os conselhos da vovó, meu futuro trabalhador pega no sono.

Sou capaz de imaginar  seus pensamentos decolando, um atrás do outro.  Viagens com roteiros conhecidos e percorridos por mim, por você, por eles.

Somos normais e iguais.  Temos pressa de viver.

Abigail Costa é jornalista e toda quinta-feira escreve sem pressa e aproveitando cada palavra, no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Minha camisa 13

Camisa 13

Grêmio 2 x 0 San Martin (Peru)
Libertadores – Olímpico Monumental

Foram 13 anos jogando basquete, boa parte vestindo a camisa 13 do Grêmio. Tempo em que aprendi muitas das coisas que me ajudam hoje a trabalhar em grupo, construir uma família e me relacionar com diferentes pessoas. Guardo com orgulho, a camisa branca com o símbolo do tricolor no lado esquerdo e o número costurado no direito. É a marca de uma época importante na minha vida.

Quando chegou em casa a camisa oficial da campanha do Grêmio na Libertadores com o número 13 nas costas não tive como não me emocionar. Olhei cada detalhe da manga à parte interna da gola. Os símbolos do time e da competição, as informações que lembram as vitórias do Imortal na copa sul-americana gravadas na etiqueta interna. E, claro, vesti a camisa como se estivesse me preparando para entrar em campo e mais uma vez defender as cores do tricolor.

Imagino ter sido a mesma sensação que o ala direita Jadílson teve hoje quando foi chamado pelo Marcelo Rospide para entrar no segundo tempo. Era dele a camisa que ganhei. Havia usado na penúltima rodada da fase de grupos, na vitória por 3 a 0 contra o Universidad, no Chile. O jogador que tem tido poucas chances entre os titulares foi muito bem, aproveitando o espaço que havia para chegar ao ataque. Torci muita para que a camisa 13 fizesse o seu gol, também.

Quem marcou foi a 7 de Jonas – melhor em campo – e a 20 de Herrera – que está de volta. Poderia ter sido a 16 de Maxi – de um talento que satisfaz -, a 8 de Souza – impedido de jogar pela água e pelo pontapé adversário -, a 10 de Tcheco – nosso capitão – até mesmo a 15 de Thiego – zagueiro que apareceu a frente duas ou três vezes. Quando falamos no manto do tricolor o número às costas é o que menos interessa.

Ao vestir esta camisa, nossos jogadores incorporam a história de um time forjado pela crítica ácida dos comentaristas e a desconfiança das demais torcidas mas que impõe respeito e, por isso, faz a melhor campanha desta Libertadores a despeito de considerarem fracos aqueles que derrotamos até aqui. Sim, foram fracos diante da grandeza do Grêmio e sua camisa tricolor.

Campanha pede renovação ampla, geral e irrestrita no Congresso

Ilustração divulgada pela Internet pede renovação ampla, geral e irrestrita no Congresso

Uma campanha contra a reeleição de deputados e senadores, sem dono, começa a circular na internet e tende a ganhar dimensão com a multiplicação da imagem em que parlamentares são defenestrados do Congresso Nacional. Ao  pedir a saída de todos indiscriminadamente abre-se mão de cumprir um dos mais complicados papéis do eleitor: avaliar o trabalho do legislador.

Dizer que todos não prestam pode até ser uma opinião construída a partir dos exemplos lamentáveis que temos assistidos nos últimos meses (seriam anos ?). Justificável. Pouco resultado terá, porém, esta ação se apenas substituirmos os maus pelos piores, se continuarmos usando a mesma falta de critério na seleção do nosso representante entre as centenas de nomes que se candidatam.

Depurar o parlamento assim como os demais poderes é nosso dever e para tal é preciso analisar o deputado que elegemos há três anos, verificar o comportamento dele nos temas que consideramos prioritários no país, e saber se este cumpriu fielmente com suas duas funções: legislar e fiscalizar o Executivo. Ideia que reforça a campanha Adote um Vereador que desenvolvemos em São Paulo e, hoje, já está em outras cidades brasileiras.

A manutenção dos esquemas de corrupção no Congresso Nacional não está relacionada a falta de renovação do legislativo, mostra estudo do cientista político Lúcio Rennó, do Centro de Pesquisas e Pós-Graduação sobre as Américas, da Universidade de Brasília (UnB).

O trabalho dele foi destacado na reportagem “De Olho em Lilliput”, do jornalista Leandro Fortes, na revista CartaCapital desta semana:

“De acordo com o levantamento feito pelo pesquisador, nas eleições de 2006, dos 115 deputados envolvidos diretamente em escândalos de corrupção, 71 concorreram à reeleição. Desses, somente 30 se reelegram. Segundo ele, isso é uma regra: os parlamentares metidos em roubalheira têm, historicamente, um baixo índice de reeleição”, diz a revista.

Na mesma publicação, enquete feita pela internet mostra que a maioria dos votantes (42%) entende que a mudança no comportamento parlamentar  e o fortalecimento do Legislativo passam pela aprovação urgente de uma reforma política ampla e que diminua o fisiologism0 que, segundo Cláudio W. Abramo, da Transparência Brasil, é dos piores males a assolar o País. A Justiça mais veloz na punição aos políticos corruptos também ganha adesão com o apoio de 23% dos participantes até a última olhada que dei no site da revista. Concorrem pau a pau as opções “fechar o parlamento”, 17%, e “promover por meio do voto nas próximas eleições uma profunda renovação dos deputados e senadores”.

Liberdade ainda que tardia

Por Carlos Magno Gibrail

As recentes demonstrações de irresponsabilidade dos políticos brasileiros podem ter origem em inúmeras causas. Entretanto, uma da qual ninguém duvida é a liberdade dada aos mesmos.

A política nacional é um sistema enfermo, cuja cura pode-se copiar dos organismos vivos, quando se combate o veneno com o próprio veneno.

Se a liberdade é a droga, que a usemos  para o saneamento geral . Liberdade no voto e as eleições serão valorizadas, pois o voto facultativo é o voto consciente. Propomos dar a liberdade e tirar o dever. Direito e não obrigação.

Alguém duvida que uma ação realizada por gosto seja superior a mesma ação obrigada?

Não é acaso que dos 232 países existentes, 205 tem voto facultativo, 24 tem voto obrigatório e três não tem eleições. Ou seja, 89% optam pela liberdade do voto e 10% obrigam o cidadão a votar. Quantidade e qualidade se apresentam no mesmo grupo, pois Alemanha, Áustria, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Suíça, Vaticano, dentre outros são membros dos 205 cujos cidadãos votam se quiserem.

O Brasil fica dentro dos 10% que obrigam o voto, junto com Argentina, Bolívia, Chile, Congo, Costa Rica, Equador, Panamá, Paraguai, Peru, Nauru, Singapura, Tailândia, etc.

Situação que se depender da opinião pública deve mudar, pois o resultado de uma pesquisa Vox Populi mostra que, se o voto não fosse obrigatório, 51% dos eleitores iriam às urnas. Uma pesquisa CNT/Sensus de 2007 aponta que 58,9% dos brasileiros demonstram preferência pelo voto facultativo, ou seja, rejeitam o sistema adotado atualmente. O voto obrigatório no Brasil, com seus 77 anos, já resistiu a quase 30 propostas parlamentares para que fosse extinto. O que demonstra a existência de forças contrárias. Econômicas, políticas e algumas até indecifráveis. Como a de Luis Eduardo Matta, escritor: “Temo que o voto facultativo acabe levando o grande contingente de pessoas informadas e desiludidas com a política a não votar”.

Ora, se informadas, estão desiludidas com o sistema atual, certamente estarão propensas a protagonizar a mudança geral que aconteceria com o voto facultativo.

Como crê o presidente do Movimento Voto Livre (MVL), Paulo Bandeira, que instituir o voto facultativo é o primeiro passo para o aperfeiçoamento da democracia no Brasil .  “Quanto menos votos, maior o seu valor, portanto menos compra e venda”.

Na mesma linha o conselheiro legislativo do Senado Federal, Paulo Henrique Soares, afirma que os parlamentares que defendem o voto obrigatório receiam perder o “mercado de votos”. E  “A preocupação principal de parlamentar é a reeleição”.

Valeriano  Costa da Unicamp aponta : “Candidatos bons atraem os eleitores. Quando o eleitor sente que o seu voto decide algo importante para ele, ele participa”.

O Prof. Nelson Barrizzelli resume: “Sempre tivemos a esperança de que o voto livre e universal acabaria por escolher os melhores. Infelizmente não é isso que acontece. Tanto no Executivo como no Legislativo, os cargos que dependem de voto, sejam de natureza majoritária ou proporcional, tem uma repetência incompreensível, tendo em vista as irregularidades cometidas por seus ocupantes em período ou períodos anteriores. As mazelas do modelo atual com a compra de votos e o voto de cabresto já foram amplamente comprovadas. A única tentativa que ainda não foi feita é a do voto facultativo, em dia de semana, sem feriado”.

Para quem atua na área de Marketing, é de uma clareza irrepreensível a vantagem do voto livre, pois os candidatos terão que atrair os eleitores como fazem os produtos e serviços oferecidos ao mercado. Vamos inverter os papéis, a mercadoria passa a ser o político e não o eleitor. Que apresentem características e benefícios que nos faça desejar e comprar.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta-feira escreve no Blog do Milton Jung sem esconder o seu voto na liberdade.

Foto-ouvinte: OVNI na Favela da Paz

Carro não identificado Inspeção veicular, licenciamento e seguro obrigatório é coisa de outro mundo, não o do proprietário deste OVNI que apareceu na entrada da Favela da Paz, no Portal do Morumbi, esta semana. O carro faz parte da frota de coletores de material reciclado que transitam na cidade. Cada vez que cruzo por um desses, penso o que faz a fiscalização de trânsito na capital paulista.

*OVNI: Objeto Voador Não Identificado

Campinas e Vinhedo na rota do Adote um Vereador

Símbolo do Adote um VereadorSérgio Benassi (PC do B) foi o escolhido para estrear a lista de vereadores adotados na cidade de Campinas, interior de São Paulo. O blog mantido pelo estudante de ciências da computação Paulo Kinicky está no ar com a lista de ações adotadas pelo parlamentar nesta legislatura.  Em seu primeiro post, ele explica que “acompanharei principalmente pela internet mas pretendo ir em algumas seções na Câmara quando possível”. Na busca pelo nome do vereador no Google, o blog  do Paulo  já é a terceira indicação da lista.  A cidade tem 33 parlamentares.

Em Vinhedo, a ONG Associação pela Cidadania Plena pretende implantar a campanha Adote um Vereador para acompanhar o trabalho dos 10 parlamentares que representam a cidade. O advogado David Debes Neto explica, por e-mail que a organização foi criada recentemente e tem como objetivos  “levar à população local e de outras cidades, o caminho para exigir do poderes Executivo e Legislativo, o mínimo de respeito para com o povo, a coisa pública e o dinheiro público”.

Xixi no banho para economizar água

Não é o Heródoto, é o mascoteA SOS Mata Atlântica lança campanha bem humorada para chamar atenção para o desperdício de água. “Xixi no Banho”, com direito a mascote de carinha engraçada, quer convencer o cidadão a diminuir o número de vezes em que dá a descarga no banheiro. Mario Mantovani, diretor da ONG, diz que a prática gera economia de 12 litros de água por dia, 4 mil 380 por ano.

Depois de entrevistar Mantovi, nosso colega Heródoto Barbeiro deu sinais de que vai aderir a campanha: Ouça entrevista e a adesão do Heródoto

Ibirapuera e Faria Lima sem fio

Postes

Desaparecer com a fiação elétrica pode se transformar em avanço tão significativo para a paisagem urbana como o foi a Lei Cidade Limpa. Um passeio pela avenida Paulista comprova esta sensação de bem estar gerada pelo sumiço dos fios que se transformam em impressionantes emaranhados entre um poste e outro. Acordo entre a prefeitura de São Paulo e a Eletropaulo permitirá o enterramento da fiação na avenida Faria Lima e no Parque do Ibirapuera, a partir do 2º semestre deste ano.

A Oscar Freire passou por processo semelhante com prefeitura e comerciantes dividindo os custos do projeto. Desta vez, parte da dívida de mais de R$ 400 mi da prefeitura com a empresa de energia elétrica será usada na iniciativa. De acordo com o diretor executivo da Eletropaulo Roberto Di Nardo, o investimento também vai trazes eficiência energética para escolas públicas do município e túneis da cidade.

Ouça na entrevista com Roberto Di Nardo, Eletropaulo, como serão os projetos

Vereadores teriam recebido, ilegalmente, R$ 3,1 mi, diz MP

O Ministério Público do Estado de São Paulo explica a representação formalizada contra 29 vereadores paulistanos que receberam mais de R$ 3 milhões da AIB (Associação Imobiliária Brasileira) que, de acordo com o órgão, não teria autorização para doação às campanhas eleitorais:

O Ministério Público do Estado de São Paulo, por seu Promotor de Justiça Eleitoral da 1ª Zona da Capital, ingressou nesta segunda-feira (11) com Representações para o fim de revisão da prestação de contas de 28 vereadores eleitos para a Câmara Municipal de São Paulo nas eleições de 2008. Todas as representações estão fundamentadas no recebimento direto pelos candidatos eleitos de doações feitas por uma única entidade que, segundo entende o Ministério Público, encontra-se impedida de ofertar doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, nos termos da legislação eleitoral (arts. 24, inc. VI e 81, § 2º, da Lei nº. 9504, de 30 de setembro de 1997).

Esse primeiro grupo de representações ofertadas com o objetivo de impedir o abuso do poder econômico nas campanhas eleitorais considerou apenas a doação direta aos candidatos – qualquer que tenha sido o valor da doação – e por uma única entidade.

As doações irregulares correspondem, individualmente, no mínimo a 1,05% do total arrecadado pelo candidato, alcançando o limite de até 62,78% do total arrecadado por outro candidato.

Do total das contas examinadas e agora impugnadas, sete delas correspondem a montante de doação não superior a 10% do total arrecadado pelos candidatos; outras três não ultrapassam 20% do total arrecadado; dez são ainda inferiores a 30% da arrecadação das campanhas; outras duas são inferiores a 40%; outras quatro abaixo de 50% e duas ultrapassam 50% da arrecadação.

O menor valor doado foi de R$ 10 mil e o maior, de R$ 270 mil. Foram observadas ainda duas doações de R$ 30 mil; três de R$ 40 mil; quatro de R$ 50 mil; oito de R$ 100 mil; uma de R$ 130 mil; uma de R$ 145 mil; uma de R$ 150 mil; uma de R$ 180 mil; quatro de R$ 200 mil; e uma de R$ 240 mil.

Isso significa que um único grupo de interesses alocou, apenas em relação aos vereadores eleitos para a Capital, mais de R$ 3,1 milhões.

Como essa entidade declarou ao Ministério Público Eleitoral que fez doações diretas aos candidatos a vereadores no total de R$ 4,9 milhões, tem-se que quase dois terços de suas doações produziram os efeitos desejados.

Maurício Antonio Ribeiro Lopes, Promotor de Justiça Eleitoral da 1ª Zona da Capital

MP oferece representação contra 29 vereadores

O Ministério Público Eleitoral ofereceu representação contra 29 vereadores de São Paulo suspeitos de irregularidades na prestação de contas, durante a campanha eleitoral do ano passado. Eles terão oportunidade agora de explicar as dúvidas que surgiram durante a investigação na 1ª zona eleitoral da capital. A representação ocorre por infração a legislação eleitoral no que se refere a prestação de contas. Eles teriam recebido doações de empresas e instituições que não estavam autorizadas a realizá-las.

Nesta segunda-feira, o MP também denunciou o vereador Arselino Tatto (PT) por crime eleitoral.

Estes são os vereadores contra os quais foi oferecida representação para o fim de revisão da prestação de contas:

Abou Anni (PV), Adilson Amadeu (PTB), Antonio Carlos Rodrigues (PR), Antonio Goulart (PMDB), Adolfo Quintas (PSDB), Arselino Tatto (PT), Floriano Pesaro (PSDB), Carlos Alberto Bezerra Jr. (PSDB), Carlos Apolinario (DEMOCRATAS), Claudinho (PSDB), Dalton Silvano (PSDB), Domingos Dissei (DEMOCRATAS), Eliseu Gabriel (PSB), Gilson Barreto (PSDB), Ítalo Cardoso (PT),Jooji Hato (PMDB), José Américo (PT), José Police Neto (PSDB), Juliana Cardoso (PT), Mara Gabrilli (PSDB), Marta Costa (DEMOCRATAS), Natalini (PSDB), Noemi Nonato (PSB), Paulo Frange (PTB), Quito Formiga (PR), Ricardo Teixeira (PSDB), Toninho Paiva (PR), Ushitaro Kamia (DEMOCRATAS) e Wadih Mutran (PP).

Ainda há investigação das contas de 18 vereadores e do prefeito Gilberto Kassab.

*No decorrer do dia, o MP confirmou mais um nome na lista dos representados, Antonio Goulart (PMDB), subindo para 29 o total de vereadores. Esta nota foi atualizada em 12.05 (9h00)