O futebol é nosso!

 

Por Carlos Magno Gibrail

Tudo indica que definitivamente o Brasil será o centro mundial do futebol, assim como a França é da perfumaria, a Itália da moda masculina, a Suíça dos relógios, os Estados Unidos do varejo, etc. É uma posição gerada pelo mesmo fator que estabeleceu as hegemonias citadas, ou seja, o poder econômico. E explicada pela tendência de crescimento financeiro exponencial que os principais clubes nacionais têm apresentado.

Nada a ver com a qualificação dos dirigentes de clubes ou de federações. Simplesmente pela pujança do mercado consumidor, estimado hoje em 100 milhões de pessoas e desejado pelas empresas solidamente operadas que oferecem produtos e serviços aos brasileiros emergentes.

Marcos Motta, da RBMF advogados, empresa com expertise na exportação e importação de jogadores no mercado internacional, entrevistado por David Gold apresentou estudo que foi exposto no 13th International Football Arena (IFA), demonstrando que nos últimos oito anos aumentaram em 300% as receitas dos clubes brasileiros (leia reportagem completa aqui). Foram R$ 2,5 bilhões no ano passado, significativo pela evolução e também pela concentração, o que aponta para uma elite que estará em breve competindo com os grandes europeus. Entre 2008 e 2010 o Corinthians expandiu 144%, o São Paulo 83% e o Flamengo 59%. O Corinthians tem hoje a maior receita anual, R$ 227 milhões, o Internacional R$ 215 milhões, o São Paulo R$ 210 milhões. E, o Santos vem aí provavelmente com o maior crescimento de 2011.

São números , segundo Jamil Chade enviado especial do Estado ao IFA em matéria de domingo, que comparados ao R$ 1 bilhão do Real Madrid, ou aos R$ 800 milhões do Manchester United, ainda distam. Entretanto, enquanto o Campeonato Brasileiro se agiganta e afunila em termos de patrocínio pela TV, graças à negociação individual dos grandes, o Corinthians com patrocinadores exclusivamente nacionais, sem considerar Lula, tem a camisa mais patrocinada do mundo.

Marcos Motta, flamenguista, ressalta que apenas 23 jogadores saíram enquanto que em 2008 foram 65. E, mais de 120 foram repatriados.

Neymar, Ganso, Leandro Damião e Lucas em outros tempos já estariam no exterior. Feito significativo para valorizar o Brasileirão, acrescido do retorno de Ronaldinho, Fred, Elano, Deco, Luis Fabiano, Adriano. Na esteira do sucesso anterior de Ronaldo e Roberto Carlos para o marketing do futebol.

Na advertência de Jamil para a dívida de mais de R$ 300 milhões de cada um dos cariocas Botafogo, Fluminense e Flamengo. Na preocupação de Motta com o calendário para facilitar e qualificar a presença dos grandes nacionais em torneios com o exterior. São alertas cujas soluções melhorarão esta evolução.

Contudo, é fácil concordar com David Gold: “O futuro parece brilhante e muito amarelo e azul para o país de maior sucesso internacional no mundo do futebol”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung




2 comentários sobre “O futebol é nosso!

  1. Acho que o nosso futebol brasileiro está se profissionalizando. Deixando de ser amador. Se o mundo inteiro ganha bilhões com o futebol, por que o nosso País Penta Campeão não poderia ganhar? Temos a faca e queijo na mão. Ou melhor, temos a mão de obra (jogadores) e temos Copa Brasil, Campeonatos Estaduais, Campeonato Brasileiro, Sul-americana, e Libertadores. A Série B tbem pega fogo. Isso sem falar da Seleção que faz amistosos e nunca deixou de participar de uma Copa do Mundo. Está na hora do Brasil lucrar com futebol. E para isso todos devem estar envolvidos: Times, televião e toda midia, empresários, publicidade, marketeiros, agentes de jogadores, e até jogadores. Está na hora de valorizar o que é nosso. Chega de ficar de pires na mão mendigando que algum time europeu compre um jogador nosso a preço de bananas e venda depois a preço de ouro. O Presidente do Santos deu um bom exemplo segurando Neymar. Outros times podem fazer igual. Antes viamos C.Ronaldo, David Backmam e astros do basquete americano posando de popstar. Hj Neymar faz isso posando ao lado de Iates e belas mulheres e como não estamos acostumados com isso achamos que é exibicionismo. Isso é marketing. Quanto mais na midia o jogador estiver mais lucros o time terá com ingressos e publicidades. Temos que nos profissionalizar e lucrar com nosso futebol. Só que para isso temos que segurar nossos atletas. Mudar essa mentalidade que só se pode ganhar dinheiro lá fora. Hj é assim: a gente manda os melhores artistas (jogadores) para fora e ficamos com jogadores medianos e sem grandes talentos. Lá fora os times cansam de ganhar dinheiro e aqui a gente pena para encher um estádio. Até quando o Brasil vai ser explorado? Levaram nossas madeiras, ouros, diamantes, querem mandar na nossa Amazônia e levam nossos jogadores. Até quando vamos ficar assistindo pela Tv nossos jogadores dando shows lá fora? Se todos se unirem o Brasil será o futuro do Futebol. Aqui um Rock In Rio coloca 100 mil pessoas por dia nos shows. Total de 700 mil pessoas em 7 dias de evento. O SWU com todo amadorismo em showbussines colocou 100 mil pessoas por dia, foram 3 dias de eventos somando 300 mil pessoas. Formula 1 no Brasil tem ingressos esgotados. Carnaval bomba no Brasil. Feiras e eventos tem lotação máxima. O Turismo vai bem obrigado. Três bancos brasileiros juntos lucraram em um anos R$ 38 bilhões. Fashion Week é um sucesso. Por que só no futebol temos que nos contentar com pouco? Chega de ver a banda passar. Vamos lucrar com a bola. Futebol é o unico esporte que basta um terreno ou rua e uma bola para que brotem grandes artistas da bola. O resto é com os empresários. Afinal, o Mundo é Uma Bola.

  2. Daniel Lescano, desta vez vai. Mesmo porque não dependemos mais dos dirigentes amadores. Para não dizer o mínimo.
    É o mercado e as marcas que passam a comandar.
    Vamos vender produto acabado e não matéria prima. Ou seja, vamos vender os campeonatos e não os jogadores.
    Muito bom o seu comentário.
    Abraço.

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