Atendimento a clientes por telefone: o luxo ainda não chegou aqui

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Telefonar para central de atendimento a clientes. Quem não se arrepia de ter que fazer isso muitas vezes? Seja para tirar dúvidas, solicitar segunda via de fatura de cartão de crédito ou reparos na sua TV a cabo, a tarefa sempre exige tempo e paciência do cliente. Se a necessidade for cancelar um produto ou serviço então… prepare-se para no mínimo meia hora de espera e ainda ter de ouvir todos os argumentos de benefícios que você muitas vezes já conhece, mas mesmo assim deseja o cancelamento do produto.

 

Empresas de telefonia, bancos e administradoras de cartões de crédito são campeãs de reclamações. Uma das principais queixas dos clientes na verdade nem é a solicitação ou a reclamação em si, que a princípio seria o propósito da chamada. O que mais irrita os consumidores é a famosa frase “vou transferir sua ligação para o setor responsável”. E quando o segundo funcionário lhe atende, você informa novamente TODOS os seus dados, e tem que repetir a solicitação a ele. Em muitos casos, este segundo atendente verifica que a chamada foi transferida para o setor indevido, e novamente vai o cliente se explicar a um terceiro. Neste processo todo, o cliente perde tempo, se irrita, e muitas vezes desiste. Mas, onde fica a imagem da empresa? Para o cliente, a imagem ficou extremamente negativa, o que vai provocar com que ele compartilhe toda sua ira sobre esta empresa com seus contatos, principalmente nas redes sociais. Afinal, a cultura estabelecida pelos consumidores, clientes, investidores, e pela sociedade é a imagem ou a percepção da marca.

 

As empresas investem em tecnologia, centrais de atendimento modernas e equipadas. Mas a questão é: por que este tipo de serviço no Brasil ainda é tão ruim? A verdade é que as empresas não investem em pessoas. Esquecem de treiná-las, capacitá-las e motivá-las para a função. Callcenters são repletos de funcionários em geral mal remunerados, muitos deles terceirizados e, é nítido durante a ligação, que não querem atender ao cliente. Muitas vezes são solicitações simples, que o cliente percebe que o atendente desconhece o produto, algo que um treinamento teria um peso importante para ao menos reduzir os problemas de conhecimento do produto e de comportamento.

 

O departamento de Recursos Humanos de algumas empresas ainda está longe se ser estratégico, o que é lastimável. Em um ambiente empresarial mutável, global e tecnologicamente exigente, obter e reter talentos são as “armas” no campo de batalha competitivo. As organizações empresariais no futuro competirão agressivamente pelos melhores talentos. Na verdade, hoje elas já competem. As empresas bem-sucedidas serão aquelas mais experientes em atrair, desenvolver e reter seus talentos com habilidades, perspectiva e experiência suficientes para conduzir um negócio global e atingir a satisfação de seus clientes.

 

Infelizmente, o atendimento a clientes por telefone no Brasil ainda é um artigo raro e inacessível.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Não é crime lutar

Por Nei Alberto Pies
Professor e ativista de direitos humanos.

 

“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”

(Hannah Arendt, filósofa)

 

Há tempo que a criminalização daqueles e daquelas que lutam por melhores condições de dignidade humana vem sendo denunciada no Brasil e no mundo. É inaceitável, numa democracia, que a violência instituída seja aceita como normal e necessária. O Estado, instituído como guardião dos direitos, viola os mesmos quando reprime, violentamente, através das ações policiais, aqueles e aquelas que, pacificamente para buscar educação, terra, trabalho, saúde, segurança, lazer.

 

Ordem, associada ao progresso, parece mover o imaginário daqueles que tem a ilusão de uma democracia ideal. A democracia acontece nas contradições, na dureza da cidadania cotidiana, difícil de ser construída. Nem todos estão convencidos de que a democracia pode conviver com uma “certa desordem”. Como já escreveu Juremir Machado da Silva, “não existe democracia sem caos, confusão, entropia. A democracia é o sistema do dissenso. Na verdade, a democracia é um equilíbrio instável de ordem e desordem. Em alguns momentos, a desordem é mais importante do que a ordem. Tudo, claro, depende do grau de ordem e desordem”.
A criminalização é a face perversa do Estado e da sociedade que não permitem que a cidadania seja exercida na perspectiva dos “sujeitos de direitos”. Quem luta por seus direitos, e pelos direitos dos outros, é ligeiramente taxado, acusado e condenado sumariamente. Os estigmas e preconceitos sociais atribuídos àqueles que lutam anulam a vivência de uma cidadania plena e ativa.

 

O diálogo, em busca dos consensos possíveis, constitui a ordem democrática, muito antes das leis e das imposições arbitrárias. Quando perdemos a capacidade de escutar, de sentar à mesa para negociar, não chegamos a consensos e acordos que, mesmo que provisórios, são sempre necessários para qualquer perspectiva de avanço dos direitos em questão.

 

A democracia nasce das palavras, da retórica e da persuasão. Por isso mesmo, manifestar-se não pode significar só gritaria, de um lado, e repressão, de outro. Sempre é preciso colocar os pleitos à mesa, estar aberto para ouvir e dialogar. Quem responde pelo Estado, bem como quem marcha nas ruas, precisa colocar-se em movimento, para construir soluções e encaminhamentos provisórios. Ninguém sai de uma manifestação com os direitos já conquistados, mas toda manifestação pode indicar avanços para a materialização dos mesmos. Nesta perspectiva, temos todos muito que aprender. Como escreve Marcos Rolim, “a democracia que temos já não tem política. Nela, o futuro se ausentou porque as palavras não autorizam expectativas. Será preciso reinventá-la, entretanto, antes de desesperar. Porque o desespero é só silêncio e o melhor do humano é a palavra”.

Esporte nos extremos e atletas no comando

 

Carlos Magno Gibrail

 


A semana de tênis do Rio Open 500 que terminou domingo acentuou o problema do calor submetido aos atletas. Muitos deles, participantes da extenuante campanha de Melbourne, no mês de janeiro, com temperaturas acima de 42ºC, que deixaram sequelas preocupantes. O canadense Frank Dancevic desmaiou, o americano John Isner, 13º do mundo, passou mal e abandonou a quadra, o argentino Del Potro, suspirou: “Había que buscar la forma de sobrevivir”. Enquanto Djokovic agradeceu aos fanáticos do tênis por participar de um torneio que se pode fritar ovo na quadra.

 

Menos mal que no Rio não tivesse ocorrido casos graves, e muitas partidas apresentassem técnica e emoção de alto nível. Ainda assim, ficou evidente o acentuado desgaste físico em decorrência das condições ambientais. Se não chegamos aos 42ºda Austrália, os 38,8º que Nadal enfrentou na final às 17hs, depois da batalha de 3hs na véspera, só não foi mais complicado porque sua partida ficou no segundo set.

 

Em Melbourne foram criadas regras para o “calor extremo” que abrandaram o problema ao autorizar paralisação das partidas e suprimentos para reduzir os efeitos do calor. Os dois estádios definitivos e com ar condicionado ajudaram bastante.

 

O Rio com quadras provisórias e sem cobertura para o público se ateve a toalhas geladas, banheiras de gelo e equipes de fisioterapeutas e massagistas. Muito pouco para validar a sugestão de Rafael Nadal, de transformar o Rio 500 para Rio 1000, categoria só abaixo do Grand Slam. Será preciso aumentar o número de quadras e cobrir arquibancadas, evitando jogos no pico do calor.

 

O tênis, que é dirigido pela ATP e WTA, associações de tenistas profissionais masculinos e femininos, tem por isso mesmo as condições de propor e impor a melhoria para os jogadores aos organizadores e patrocinadores de torneios. É uma força considerável que deve ser usada e ampliada a outros esportes que não são dirigidos pelos próprios atletas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: Dá-lhe, Luan! Dá-lhe, Grêmio!

 

Grêmio 3 x 0 Nacional COL
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Escrever não consigo, mas compartilhar com você minha alegria, é tudo que eu quero nesta noite. Quando estiver em condições, volto e deixo minhas impressões. Se é que você não sabe no que estou sonhando agora. Por enquanto, fica o nosso grito: DÁ-LHE, GRÊMIO!

 

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(Publicado quarta-feira, 10h39)

 

Depois de dormir extasiado com o futebol jogado ontem à noite, como se percebe no parágrafo publicado logo após a partida, já quase à meia-noite, nesta quarta-feira acordei feliz, sem dúvida, mas com uma ponta de preocupação. A caminho da CBN, ouvi o comentário do Juca Kfouri, no Momento do Esporte, no qual meu colega jornalista  fazia rasgados elogios a Luan. Lembrou de conversa que teve, recentemente, com o presidente Fábio Koff, que comparou Luan com Ronaldinho Gaúcho. Juca está entusiasmado com nosso atacante (preferem chamá-lo de meio-atacante, mas, convenhamos, ele é atacante por inteiro), assim como estamos todos nós que o assistimos vestindo a camisa do Grêmio no início desta temporada já no Campeonato Gaúcho. Agora há pouco, antes de começar a escrever este texto, também vi pela internet que o comentarista Wianey Carlet traça paralelo entre Luan e Garrincha devido a tranquilidade com que nosso jogador encara qualquer desafio. É capaz de disputar jogo pelo time principal da mesma forma que se estivesse na equipe de base; entra em campo para enfrentar adversários do interior gaúcho ou da Libertadores mantendo o mesmo comportamento atrevido e elegante de jogar. Ontem à noite, aliás,  durante a transmissão do jogo pela Fox, um dos repórteres já havia informado que os torcedores apelidaram o menino de Luanel Messi, uma brincadeira com o nome dele e do craque argentino. Entendo tudo isso.

 

Com tantas críticas favoráveis, onde mora o perigo? Por que acordar com a tal ponta de preocupação? É que apesar de Luan merecer todos os elogios feitos até agora, prefiro que, por enquanto, ele seja visto apenas como Luan, um garoto de 20 anos que jogava futebol de salão, foi descoberto por um grande clube brasileiro, ganhou a posição de titular, a confiança do técnico e a admiração da torcida. Estamos cansados de ver protótipos de craques surgirem nos mais diferentes clubes do País, e no próprio Grêmio. A maioria se perde pelos caminhos tortuosos do futebol, vai parar em clubes do exterior sem expressão e tem seu nome e futebol esquecidos.Neste momento, o melhor que podemos fazer é deixar Luan jogar sua bola, fazer gols, colocar os companheiros em condições de marcar os seus, driblar os adversários, passar de calcanhar e com talento. Sem taxá-lo ou compará-lo, apenas respeitá-lo como ele.

 

Dito isso, peço permissão para minha tietagem: que baita jogador este Luan! E dá-lhe, Grêmio!

Velhos modelos tiveram sucesso porque foram inovadores em seu tempo

 

 

A primeira entrevista de Satya Nadella como editor executivo da Microsoft me motivou a escrever texto na segunda-feira, que você pode ler baixando um pouco mais a página aqui do Blog ou acessando este link.Gostei tanto do assunto que resolvi voltar ao tema nessa terça-feira sem a preocupação de estar enchendo o saco do caro e raro leitor, mesmo porque você sabe que, diante deste texto, tem total liberdade para desconsiderá-lo, ler os artigos dos colaboradores que estão na coluna à direita ou, espero não ser esta a sua decisão, seguir em frente em busca de coisa melhor na internet. Satya alertou para a necessidade de as empresas reconhecerem a inovação e fomentarem o seu crescimento, sob o risco de ficarem estagnadas. E chamou atenção para armadilhas corporativas que tornam gestores e funcionários reféns dos métodos e soluções que deram certo no passado. Para ele, o segredo é saber como aproveitar toda a experiência e aplicá-la ao contexto atual.

 

Retorno ao tema porque percebo na área em que atuo, a comunicação, uma certa insistência em se querer aplicar as fórmulas do passado. No cotidiano das redações não faltam colegas para lembrar como se fazia antigamente e criticar as tentativas de inovação. Esse setor passa por uma revolução incrível a partir da difusão de tecnologias, e a variedade de fontes de informação e de meios para propagá-la. Há muito que o privilégio de desenvolver conteúdo jornalístico, por exemplo, não está mais nas mãos de alguns empresários e profissionais de imprensa. Acho graça quando recebo mensagens denunciando haver uma conspiração para impedir que determinados fatos sejam divulgados. Como se em um mundo no qual cada pessoa tem nas mãos um celular com câmera e acesso à um rede social fosse possível esconder notícia. É comum, também, ouvirmos críticas em relação à audiência que emissoras de televisão, especialmente, mas as de rádio, também, alcançam hoje em dia, bastante inferior aos índices de dez, quinze anos atrás. Como trabalhar com as mesmas métricas quando os canais pelas quais as pessoas se informam se multiplicaram e os próprios veículos tradicionais criaram novos meios para levar seu conteúdo ao público? Veja o caso do programa Mundo Corporativo que antes de ir ao ar, aos sábados, na rádio CBN, é apresentado, ao vivo, pela internet, e divulgado no canal da rádio no YOU TUBE e em podcast. Costumo brincar que é uma espécie de quatro em um. Há alguns anos, seria inimaginável as emissoras permitirem o acesso ao conteúdo antes que este fosse divulgado em sua fonte principal.

 

Gilberto Strunck, autor do livro Compras por impulso – Trade marketing, merchandising e o poder da comunicação e do design no varejo (Editora 2AB) escreve que “para se alcançar a audiência de 50 milhões de pessoas, foram necessários 38 anos pelo rádio, 13 pela TV, quatro pela internet e dois pelo Facebook. Ou seja, o tempo passa exponencialmente e as informações se multiplicam da mesma forma, a ponto de se calcular que, em 2010, se produziu um zettabyte de informações, mais do que tudo que foi produzido nos últimos cinco mil anos, calcula o publicitário. Para um estudante que entra em curso técnico de quatro anos, metade do que aprendeu no seu primeiro ano estará ultrapassada ao completar o terceiro ano. Ele terá de se atualizar dia a dia assim como nós profissionais que estamos nas mais diferentes áreas. Hoje, o desafio é conquistar a confiança e a atenção desse público que vive em ambiente poluído de informações e saber oferecê-las de forma organizada, sistemática e ágil. A experiência dos que construíram esta história até aqui foi fundamental mas reproduzir esses mesmos modelos é esquecer que eles só tiveram sucesso porque inovaram no seu tempo.

Conte Sua História de SP: para onde foi tua garoa fina?

 

Por Neusa Kihara
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Com tanto calor, para onde foi tua garoa fina, suave e suavizante?
Com tantos assaltos, para onde foi a calma das tardes de domingo no Parque da Aclimação, quando jogávamos pão aos peixes do lago, comíamos cachorro quente do carrinho da dona Maria e assistíamos aos jogos de vôlei e futebol?

 

Com tanto trânsito para onde foi a tranquilidade dos trólebus silenciosos, percorrendo as ruas do centro velho…Higienópolis…Perdizes…? Por onde andará o moço bonito das viagens da tarde, que sempre se oferecia para segurar meus livros e pastas, quando o trólebus lotava?

 

Dos teus 460 anos vivenciei apenas os últimos trinta, mas notei tuas mudanças…Já não é possível sentir o frescor da garoa contínua; andar despreocupada pelas ruas e parques, paquerar no trânsito… Talvez tua violência e insegurança sempre estiveram presentes e o calor de nossa paixão por ti nos manteve cegos!

 

Não importa, São Paulo: tu serás sempre a melhor cidade, por quem estaremos sempre, eternamente, enamorados!!

 

Não é assim que costumamos fazer, ainda bem!

 

 

A minha admiração pelos produtos da Apple já foi declarada dezenas de vezes como podem testemunhar os raros e caros leitores deste blog. Estou, porém, distante de ser um xiita incapaz de ver quando os concorrentes apresentam equipamentos de qualidade ou desenvolvem ações inovadoras. Ainda neste domingo, li na revista MacMais, em editorial assinado pelo jornalista Sérgio Miranda, que, pela primeira vez depois de cinco anos visitando a International CES 2014, ele percebeu que o Iphone não era o gadget mais usado por quem foi à feira de tecnologia em Las Vegas. O Galaxy apareceu com destaque nas mãos dos que lá estiveram mostrando que a Samsung encontrou seu espaço entre os aficcionados por novidades. Eu – e tenho certeza que o Sérgio, também – ainda mantenho-me fiel ao celular da Apple, mesmo reconhecendo os avanços da sul coreana.

 

Nesse fim de semana, também, fui fisgado pela opinião de Satya Nadella, novo diretor executivo da Microsoft, eterna concorrente da Apple. Fiquei bastante satisfeito com a visão estratégica apresentada por ele em entrevista para o The New York Times reproduzida no Brasil pelo Estadão (edição de sábado). Nela, esse indiano, que assumiu recentemente o cargo mais importante da empresa para qual trabalha há 22 anos, descreve seu estilo de gestão e destaca algumas lições aprendidas com seus antecessores. Você pode ler a entrevista original neste link, mas trago aqui dois pontos que considero interessantes:

 

Diz que em conversa com Steve Ballmer, a quem agora substitui, quis saber como estava se saindo em relação àqueles que exerceram o cargo que ocupava antes dele. Steve disse: “Quem se importa com isso? O contexto é muito diferente. Para mim, a única coisa que importa é sua maneira de jogar com as cartas que você tem nas mãos agora. Quero que mantenha seu foco nisso, em vez de se preocupar com as comparações”.

 

Perguntado sobre os comentários que o irritam nas reuniões, Satya diz ficar louco quando alguém chega para ele e fala que “costumávamos fazer assim” ou “é assim que fazemos”.

 

Satya tem razão no que aprendeu e no que tenta evitar. Boa parte das vezes queremos usar o passado como referência sem perceber que aquelas soluções se encaixavam em outro cenário. As circunstâncias mudaram completamente. Não podemos mais medir a performance das pessoas pela mesma régua de cinco, dez anos atrás. Aliás as empresas de tecnologia, como a Microsoft e a Apple, são responsáveis por isso. Com o conhecimento circulando mais rapidamente, a troca constante de informação e a velocidade imposta à criação, a chave do sucesso de agora não abrirá mais portas daqui a pouco. A todo instante, as corporações terão de buscar a nova fórmula sob o risco de ficarem ultrapassadas e os gestores terão de fomentar a inovação. Para Satya, a questão é “como fazemos para usar o capital intelectual de 130 mil pessoas e inovar de maneira que nenhuma das definições das categorias do passado continue relevante?”

 

Na próxima reunião, quando você der uma ideia e alguém disser que não é assim que costumamos fazer, lembre-se de Satya e não se acanhe em responder: ainda bem.

De amigos, conhecidos e afins

 

Por Maria Lucia Solla

Vivemos vidas diferentes, mesmo sendo feitos da mesma substância, mas com toda diferença, cada vida merece um olhar generoso, por respeito à vida. Não gostamos de todo mundo, e cada um dá um nome para isso.

 

Eu prefiro comparar pessoas com alimentos. Uns caem bem, outros caem mal, como feijão do dia-a-dia e feijoada com tudo o que é cacareco dentro.

 

Tem gente que você não cansa de gostar e não pode viver sem, como a água. Dá para ver todo dia, combina com tudo, se mistura com facilidade e quando está longe faz uma falta danada!.

 

Outras, dá para degustar uma vez por semana, e já está de bom tamanho. Tem as que pesam, difíceis de digerir, e só descem com muita água. Tem aquelas, feito peru, que só em dia de festa, e nos dias seguintes, até desgostar o paladar,

 

Tem as tão raras e especiais, que são saboreadas feito trufas brancas, ovas de peixe voador, lagosta com molho de manteiga temperada, como preparava minha sogra, a dona Ruth, que é rara e deliciosa como ninguém, e só faz bem.

 

E, é claro, tem as que não dá nem para passar o dedo e lamber, que causam uma alergia de deixar o cidadão de cama, ou levá-lo ao hospital. Isso se não matar. Gente venenosa, de uma forma diferente para cada um, porque alergia é pessoal, e não dá para generalizar.

 

Gosto e alergia não se discutem, mas é importante lembrar que dieta não se faz só na mesa. A principal é a dos salões.

 

E a tua alimentação, como vai?

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Barcos, Luan, Dudu e o backup garantido

 

Grêmio 3 x 0 Novo Hamburgo
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Cheguei em casa minutos antes de a partida se iniciar no início desta noite de sábado. Ainda tive tempo de ver a escalação do time na tela da televisão e perceber que estávamos com uma bela equipe em campo, mesmo que o anúncio oficial fosse de que não jogaríamos com os titulares. Quase me atrasei porque tive de correr até o shopping mais próximo para comprar um substituto para o meu Airport Time Capsule, equipamento da Apple de dupla função: roteador de internet e backup automático. O anterior havia pifado após uma série de cortes de energia elétrica no bairro em que moro, em São Paulo. Por aqui é comum a luz cair quando chove e, apesar de raros neste verão, os rápidos temporais foram suficientes para causar problemas na rede elétrica que com sua fiação aérea está exposta às intempéries como chuva e fortes ventos. Não é o primeiro equipamento eletrônico que perco nesta brincadeira sem graça, recentemente tive de trocar o Sling Box, aquela caixinha mágica que me permite assistir aos jogos do Grêmio mesmo quando estou longe do Brasil. A corrida para comprar o equipamento de backup da Apple, neste sábado, se justifica, pois jamais devemos arriscar o conteúdo que desenvolvemos ao longo do tempo e armazenamos em nossos computadores. São fotos, textos, áudios, vídeos e apresentações de uso pessoal e profissional de valor inestimável. Costumo tratar este tema do armazenamento de dados tendo como inspiração uma máxima do futebol: quem tem dois, tem um; quem tem um, não tem nenhum.

 

Foi ao ver o Grêmio em campo mais uma vez com ótimo desempenho, mesmo tendo parte de seus jogadores principais descansando para a disputa mais importante que será terça-feira à noite, pela Libertadores, que lembrei do providencial ditado. Afinal, o talento de alguns de nossos “reservas” mostra que, ao contrário de todas as previsões, estamos construindo um elenco mais completo do que na temporada passada. Verdade que o maior destaque de hoje foi um titular absoluto: Barcos. O atacante fez gol de pênalti, deu passe para gol e recebeu passe para fazer gol. Ou seja, voltou a executar seu papel: marcar muitos gols, no caso um por partida e já assumiu a artilharia do Campeonato Gaúcho. Ao seu lado, Luan novamente apareceu bem e fez das jogadas mais bonitas da noite ao dar assistência para o terceiro gol. Dudu foi outro que deu gosto de ver jogar, seja pela velocidade que o levou a iniciar e concluir a jogada do segundo gol, seja pelo desejo de chutar a gol ou seja pelo toque refinado que coloca seus colegas em condições de gol. Para se ter ideia de como esta definição de quem tem capacidade ou não de sair jogando como titular é complexa, entraram no segundo tempo Max Rodrigues e Jean Dereti. Alguém colocaria em dúvida a qualidade deles?

 

Sei que não devemos nos iludir com vitórias no Campeonato Gaúcho, os adversários não estão com esta bola toda, mas convenhamos que tem sido um prazer assistir aos jogos do Grêmio. Contra esses adversários, em temporadas anteriores, não pudemos dizer o mesmo. Além da satisfação do jogo bem jogado, hoje à noite tivemos uma prova de que o elenco tem ótimas peças de reposição. O nosso backup está garantido (o meu e o do Grêmio).

Mundo Corporativo: você assume a responsabilidade de seu negócio?

 

“Accountability é pegar a responsabilidade para si; note que é diferente de responsabilidade. Responsabilidade é de fora para dentro do indivíduo, precisa ser lembrada e, às vezes, até escrita. Accountability é uma virtude moral, é de dentro para fora. Não precisa ser lembrada nem escrita”. A definição é do palestrante João Cordeiro entrevistado pelo jornalista Mílton Jung no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. A partir de um jogo de cartas, Cordeiro ajuda a empresa e os próprios empregados a identificarem o nível de accountability de cada um dos colaboradores: Homer Simpson (nível 1), crianças mimadas (nível 2), adultos imaturos (nível 3), pessoas comuns (nível 4), pessoas accountables (nível 5) e super-heróis (nível 6). João Cordeiro é autor do livro “Accountability – A evolução da responsabilidade pessoal, o caminho da execução eficaz” (Editora Évora).

 


Ouça aqui a entrevista completa com João Cordeiro (excepcionalmente, este programa está disponível apenas em áudio)

 

Você assiste em primeira mão o Mundo Corporativo toda quarta-feira, 11 horas, no site da rádio CBN, e participa com perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br ou pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.