O que é melhor: trabalhar em pé ou sentado?

 

Há quem não acredite quando conto que apresento em pé boa parte das três horas e meia do Jornal da CBN. Quem duvida é convidado a conferir minha postura pelas imagens do estúdio disponíveis no site da rádio. Por mais cansativo que possa parecer, sinto-me mais confortável nessa posição e percebo que consigo me comunicar melhor. O ar flui com mais facilidade, pois não falo com o diafragma pressionado; o movimento das pernas ajuda na circulação do sangue; sinto-me mais ativo, apesar de acordar de madrugada e trabalhar desde cedo; elimino boa parte da pressão sobre as costas que existe quando se está sentado, a medida que divido o peso sobre os dois pés; e, no conjunto da obra, o corpo ajuda a expressar melhor as mensagens. Para manter este costume, o estúdio da CBN tem dois computadores para o âncora, um sobre a bancada central, onde boa parte prefere ficar sentada, e outro em uma mesa elevada, e há um microfone “headset” ou “da Madonna”, como costumamos chamá-lo, que oferece ainda mais liberdade para quem apresenta o programa em pé.

 

Conto isso porque, nesta semana, li reportagem no britânico Financial Times sobre os efeitos de se trabalhar muito tempo sentado. O colunista Charles Wallace escreve que vários leitores identificam que as dores nas costas que sentem estão relacionadas as longas horas sentadas diante de um computador. De acordo com especialistas ouvidos pelo jornalista, trabalhar sentado por longos períodos é o “novo fumar”, pois aumenta o risco de morte e doença, não importando quão ergonômica é sua cadeira ou mesa nem mesmo quão extensa é sua rotina de exercícios semanais. Os músculos das pernas e das costas ficam contraídos ao longo do tempo e o coração sofre com a falta de atividade. De acordo com o Marvin Dainoff, diretor do centro para a ciência comportamental da seguradora Liberty Mutual, ouvido pelo colunista, os trabalhadores que se levantam durante sua jornada de trabalho têm menos queixas sobre sua saúde.

 

Leia aqui a reportagem completa do Financial Times

 

Com base nos estudos apresentados sobre os efeitos negativos de se ficar longos períodos sentados no trabalho, leitores passaram a entender que o ideal então é ficar em pé o tempo todo. Nem tanto ao céu nem tanto a terra ou, adaptando o ditado a situação em debate, nem tanto sentado nem tanto em pé. Afinal, há muitos anos somos alertados pelos médicos sobre os perigos para os trabalhadores que permanecem em pé na maior parte de sua jornada. “Existem riscos para a parte inferior das costas e membros inferior”, lembra Karen Messing, que estudou o tema. Ela mesma apresenta a solução: “a proporção ideal é de aproximadamente 70% em pé e 30% sentado, alternando ao longo do dia”. Nunca calculei o tempo em que fico em pé na apresentação do Jornal da CBN mas imagino que minha proporção é de 90% para 10%, a não ser que esteja muito cansado (sabe aqueles dias em que fico assistindo aos jogos do Grêmio até depois da meia-noite?).

 

Na CBN, como citei no primeiro parágrafo, já temos à disposição mesas em alturas diferentes para atender aqueles que preferem ficar em pé e os que se mantém sentados. Nos Estados Unidos, escreve Wallace, empresas têm se dedicado a fabricar mesas com motores elétricos que elevam a plataforma e se adaptam a sua postura. Uma recomendação importante é que a tela do computador esteja um pouco acima do nível dos olhos e o teclado muito próximo da altura dos cotovelos. Para quem tem pouco tempo para se exercitar, existem empresas que incluem uma esteira diante da mesa que permite que a pessoa se mova em ritmo de caminhada lenta ao longo do dia. Eis aí uma boa sugestão para o nosso estúdio.

 

Protestando contra os protestos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Segunda-feira, no momento em que o Jornal Nacional publicava o editorial sobre a morte cerebral do cinegrafista Santiago Andrade e a Band o homenageava, as demais emissoras, comovidas, externavam pesares e revoltas, ao mesmo tempo em que mostravam no centro do Rio, no mesmo local, a mesma violência que gerou a barbárie então condenada. Sinal evidente de que nada mudou e nada mudará, a não ser que surjam competência e moral novas para romper a anarquia implantada.

 

Nada contra as manifestações, entretanto quando se evidencia que não se consegue neutralizar a ação de bandidos que usam máscaras e armas nem mesmo as suas origens, é hora de pensar seriamente. O ministro do STF Marco Aurélio Mello, em entrevista à Veja, diz que a culpa é da sociedade, pois é ela quem vota. Segundo ele ao invés de ir para a rua o povo deveria ir para a urna, embora reconheça que há ajustes a fazer. O financiamento das eleições permitindo a doação de empresas, a compostura dos debates políticos focando em ataques pessoais enquanto os reais problemas não são analisados, são alguns itens que precisarão ser ajustados. Eis aí um caminho que poderá ser aperfeiçoado com o voto não obrigatório, que deverá tirar parte dos eleitores que não entendem e/ou não gostam de política. Sistema, aliás, que é usado na maioria dos países mais civilizados do mundo.

 

Para iniciar e completar a receita civilizatória se deveria exigir do Poder Legislativo uma postura mínima de convivência no trabalho que lhes compete, em forma e conteúdo. Obrigando deputados e senadores, a sentar em suas cadeiras, na metáfora e na realidade, e educadamente prestar atenção aos oradores. A semelhança das imagens entre as sessões do Congresso e as manifestações de rua é evidente. Todos de pé, em grupos, uns gritando outros assistindo. Alguns mais afastados mexendo em eletrônicos. Ninguém atento ao principal.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Adote um Vereador: participação intensa no primeiro encontro do ano

 

Parte do grupo que esteve na reunião do Adote um Vereador, em São Paulo

 

A mesa animada e cheia foi o melhor sinal que poderíamos ter recebido dos participantes do Adote um Vereador, no último sábado, quando os encontros mensais foram retomados. O recesso parlamentar havia se encerrado dias antes, o calor era intenso, alguns ainda estavam no ritmo das férias, mas nada disso foi desculpa. Desde cedo, já encontrava voluntários no café do Pateo do Colégio, que tem funcionado como espécie de recanto da cidadania para os adeptos do Adote. Animador, também, foi perceber a boa presença de integrantes do Movimento Voto Consciente, normalmente representado pelo casal Danilo e Sonia, mas que, desta vez, contou com ao menos mais quatro dos seus colaboradores. Digo que é animador, pois uma das missões da rede formada pelo Adote um Vereador é ser indutor das discussões políticas pelo cidadão. Não temos a pretensão de seremos um movimento amplo e organizado institucionalmente, apesar desta ser uma possibilidade, quem sabe. Queremos mesmo é motivar as pessoas a atuar em favor da comunidade em que vivem, abrir os olhos do cidadão para importância do seu papel na sociedade e de sua força para influenciar as políticas públicas. Portanto, saber que nossas reuniões informais se transformam em ponto de encontro desses cidadãos e permitem a troca de histórias e experiências demonstra que estamos no caminho certo. Aos trancos e barrancos, mas no caminho certo.

 

No sábado, por exemplo, soubemos que uma das participantes está no conselho popular da Subprefeitura de Aricanduva/Vila Formosa, motivada e disposta a emplacar ideias para melhorar a região, tanto quanto assustada com a burocracia imposta para o funcionamento do organismo. Há quem planeje aumentar a frequência na Câmara, estendendo a fiscalização hoje feita pela internet, pois entende que assim conseguirá levantar mais informações e compreender melhor a dinâmica do parlamento. Assim como tem gente que não acompanha vereadores, mas assiduamente participa do conselho de segurança da sua região. Existem, ainda, os cidadãos que se satisfazem em estar conosco, compartilhando suas opiniões, interessados em aprender, mesmo que não consigam monitorar o trabalho dos vereadores. Seja como for, muita água se bebeu para hidratar a turma ansiosa em contar as novidades. Aliás, é curioso que apesar de boa parte estar em contato pelas redes sociais sempre há algo a mais a dizer, um fato que foi esquecido ou um momento importante a se destacar. Os assuntos nunca acabam, têm sequência no próximo encontro ou se estendem para as conversas virtuais.

 

Enfim, após duas horas e pouco de água, mais suco, café e alguns quitutes, tão animados como chegaram, todos se foram com a promessa de voltar daqui a um mês. E levam consigo, a recomendação de sempre: controle os políticos, antes que eles controlem você.

A morte de Santiago não pode se resumir às palavras

 

 

O cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, está morto. Foi vítima de um rojão disparado por uma das pessoas que participaram do protesto contra o reajuste das tarifas do ônibus no Rio de Janeiro. Hoje seu nome está na boca de todo brasileiro minimanente informado, é usado para defender e atacar ideologias, é explorado pelos mais diversos e opostos grupos políticos representados no país. Autoridades se pronunciam, entidades de classe criticam com veemência a violência. Inúmeras manifestações de solidariedade foram feitas até agora. Jornais, televisão, as nossas rádios estão tomadas por reportagem que tratam da morte de Santiago. Palavras, por enquanto, apenas palavras. E palavras são substituídas por outras já na próxima notícia que teremos de contar. Portanto, são efêmeras. Se não servirem para contaminar a sociedade brasileira, levar a ações efetivas pela justiça social, à punição daqueles que cometem crimes, à mudança de comportamento dos que receberam a delegação popular para promover as políticas públicas, serão sempre apenas palavras. Você pode não concordar com nada que este jornalista diz, você pode se indignar com as reportagens que assiste, criticar quem pensa diferente de você (ou aparenta pensar diferente de você). Mas se impor pela violência, seja arremessando um rojão contra um profissional, seja estrangulando um garoto com tranca de bicicleta, seja colocando fogo em ônibus, é apostar na barbárie. A morte de Santiago, como disse a companheira dele, Arlita Andrade, não pode ser em vão. Que ao menos sirva para que se repense as atitudes que adotamos e se busque a cultura da paz e da tolerância.

Conte Sua História de SP: a Paulista começava a mudar

 

Por Gustavo Neves da Rocha Filho
Ouvinte da rádio CBN

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte Gustavo Neves da Rocha Filho, de 87 anos. Urbanista, arquiteto, formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, da 2a. turma do curso de Arquitetura, o professor Gustavo testemunha período de transformação da avenida Paulista:

 

1942
Comecinho do mês de abril.
Onze horas da noite.
Avenida Paulista.

 

Calçadas desertas, rua deserta, os trilhos do bonde refletindo a luz das luminárias penduradas bem no centro da via e lá no alto, em fios que a escuridão da noite escondia. De cada lado, sobre os passeios, a massa escura das árvores plantadas muito próximas umas das outras, talvez uns três ou quatro metros.

 

Naquela noite eu não era pedestre. Menino ainda, acabava de chegar de uma viagem de férias e estava ao lado do motorista, meu tio e padrinho. Quando o automóvel, subindo pela Rua Teodoro Sampaio e avançando pela Avenida Doutor Arnaldo, entrou na Avenida Paulista a imagem que eu vi ficou gravada para sempre na minha memória. Daí a instantes eu estaria em casa da avó, modesta casinha com seu jardim e quintal lá na rua Batatais. A Paulista, naquela noite, estava bem diferente daquela avenida que eu percorria durante o dia até a esquina da Rua Augusta, ou até um pouco mais adiante.

 

As férias terminaram e as aulas no Colégio São Luis, na esquina da Rua Augusta, recomeçaram. O mês de julho chegou e com ele o Dia do Sagrado Coração de Jesus. Fardados de branco, como todos os alunos das escolas católicas, desfilavam garbosamente pelas ruas da cidade. O palco do São Luis era a Avenida Paulista, sem nenhum carro, sem nenhum bonde. O guarda de trânsito, que apelidavam de “grilo”pelo seu apito estridente, cuidava do sossego da rua. Mas nem era preciso pois o bonde que vinha da cidade – era como chamavam o atual centro histórico – vinha pela Rua Brigadeiro Luiz Antônio, percorria um pequeno trecho da Avenida Paulista e descia pela Rua Pamplona até o Jardim Paulista. Automóveis, então, eram raros. Durante o desfile poucas pessoas, em geral os pais, ocupavam os espações entre as árvores junto ao meio fio.

 

Anos depois eu andaria pelas calçadas da Avenida Paulista até a Rua da Consolação, ou para pegar o bonde Pinheiros, ou para comprar pão ou doces na Padaria Primavera. Nesse tempo eu ainda não me interessava pela arquitetura e o que me chamava atenção eram as muretas baixas que cercavam os terenos das casas construídas longe do alinhamento, em meio a muitas árvores. Do outro lado da rua a Capela do Colégio São Luiz parecia ter uma altura descomunal, hoje bem pequena junto aos prédios seus vizinhos de mais de trinta andares. Certa vez causou-me surpresa uma enorme placa com os dizeres “Clínica Médica”pregada num daquelas casarões situados entre as ruas Bela Cintra e Haddock Lono. Certamente os médicos da Faculdade de Medicina, ali perto da Avenida Doutor Arnaldo, estavam abrindo seus consultórios e o uso residencial da Avenida Paulista começava a mudar.

 


Gustavo Neves da Rocha Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade, envie um texto para milton@cbn.com.br ou marque uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Avalanche Tricolor: empate no último jogo-treino antes da Libertadores

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Choveu no domingo paulistano, ao menos na parte da cidade em que moro. Pela quantidade de água percebo, porém, que não foi o suficiente para melhorar a situação dos reservatórios, em especial o Cantareira, que atende cerca de 9 milhões de pessoas, quase metade da Região Metropolitana de São Paulo. Segundo os números divulgados, menos de 20% do reservatório têm água à disposição, a menor marca desde sua criação em 1974. Apesar de as autoridades insistirem que não haverá racionamento, vê-se cidades pelo interior com medidas de contenção. Nesta altura do campeonato, admitirem o corte no abastecimento é confessar que não se precaveram para o período de escassez. Sabe-se que políticas de prevenção são fundamentais, é preciso desenhar cenários possíveis e programar as ações para esses momentos mais críticos. Empresas e órgãos públicos têm de trabalhar no sentido de criar condições para que estratégias de redução de consumo, abastecimento e reaproveitamento de água sejam eficazes. Enquanto as pessoas têm de ser mobilizadas em torno da causa, a partir de campanhas permanentes de economia de água, não apenas quando está faltando.

 

O caro e cada vez mais raro leitor deste Blog talvez estranhe o fato de o primeiro parágrafo desta Avalanche ter se dedicado a escassez de água. Peço desculpa se isto lhe incomoda já que a ideia neste espaço é escrever sobre futebol, especialmente o Grêmio. O que eu quero, além de chamar atenção para o momento alarmante que São Paulo está enfrentando, é mostrar que planejamento é importante nas diversas áreas. O Grêmio, por exemplo, voltou aos trabalhos há pouco mais de um mês, identificou suas prioridades, traçou metas, preservou seus principais jogadores neste início de campeonato e os colocou em campo apenas três ou quatro vezes com a intenção de não desgastá-los e ao mesmo tempo mantê-los com ritmo de jogo. Um planejamento que tem como objetivo maior a Libertadores, competição que se inicia na quinta-feira, contra o Nacional, em Montevidéu, no Uruguai. E visando esta disputa é que digo que o Gre-Nal foi um bom jogo-treino, onde pudemos identificar pontos positivos, como a marcação forte e a pressão na saída de jogo, na primeira parte da partida; tivemos a certeza de que alguns jogadores têm lugar no time, outros ainda são incógnitas e há os que talvez só tenham espaço no banco; houve pontos negativos como o descuido da defesa que permitiu o gol adversário e a precipitação na troca de passe que atrapalhou a chegada ao ataque; mas teve a superação dos defeitos e das dores (caso particular de Marcelo Grohe), também.

 

Enfim, depois desse jogo-treino, ainda temos dúvidas em relação ao que nos espera na Libertadores, mas sabemos que há um plano em andamento e somado a isso há a disposição de uma nação inteira – a tricolor – em voltar para a competição sul-americana e conquistá-la. É isso que nos interessa. É isso que queremos

Mundo Corporativo: André Caldeira fala como evitar estresse no trabalho

 

 

“Um pouco de estresse é necessário, é o que chamamos de eutresse, o estresse construtivo que nos faz ficar alerta; o problema é o distresse, que é quando a luz amarela acende e vai para a vermelha, e isso afeta a produtividade do trabalho, a saúde metal e física, e a forma como a gente se relaciona com as outras pessoas”. A afirmação é de André Caldeira, da Propósito – consultora especializada em carreira e talentos, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. De acordo com o consultor, nos Estados Unidos, o custo do estresse no trabalho é de US$ 350 bilhões provocado não apenas por motivos médicos mas também pela absenteísmo e baixa produtividade. Caldeira é autor do livro “Muito estresse, pouco trabalho – conheça Joe Labor e um pouco mais sobre você”, lançado pela editora Évora.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN e as perguntas podem ser enviadas para mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. Você também pode participar dos debates no grupo de discussões Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN.

Louboutin leva sua bolsas para Harvey Nichols

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Christian Louboutin, uma das marcas mais prestigiosas e reconhecidas por seus icônicos sapatos de luxo, abriu sua primeira concessão para a venda de bolsas e artigos de couro na Harvey Nichols, rede de lojas de departamento de luxo, em Londres. O corner está localizado no piso principal da loja de Knightsbridge e foi projetado em colaboração com Will Russell, do escritório de arquitetura Pentagram.

 

A boutique segue o mesmo refinamento e estilo de decoração usados nas lojas próprias de Louboutin ao redor do mundo e de outros corners em multimarcas como a irlandesa Brown Thomas e a canadense Holt Renfrew. Suas prateleiras são revestidas com couro branco e foram pintadas de vermelho na parte inferior, sendo uma referência sutil às famosas solas vermelhas de Louboutin.

 

A escolha do local para abertura do primeiro ponto para comercializar suas peças de bolsas e artigos de couro em uma loja de departamentos surgiu a partir da história de uma longa parceria entre a marca e a rede Harvey Nichols, que foi a primeira loja no Reino Unido a oferecer Christian Louboutin quando lançado em 1995 e abriu a primeira concessão ali para vendas de sapatos em 2007. Harvey Nichols, vale lembrar, é umas das lojas mais tradicionais do Reino Unido e Irlanda, e reúne marcas renomadas como Emilio Pucci, Fendi, Hermès, MaxMara, Missoni e outras.

 

A estratégia de Louboutin mostra como é possível expandir a marca de forma seletiva, tanto na escolha dos produtos selecionados como principalmente pelo local, pois a distribuição é um dos pontos-chave na gestão de marca de luxo. Ao lado de outras grifes prestigiosas e localizada em uma loja de departamentos tradicional, certamente sua estratégia será bem sucedida.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche (Extra): a noite em que o torcedor venceu

 

 

Aos raros e caros leitores desta coluna, sempre dedicada ao Grêmio, peço licença para falar sobre fatos que não aconteceram na Arena nem com o tricolor gaúcho, mas que têm muito a ver com o momento que estamos vivendo. No post anterior já havia descrito a falta de paciência de alguns torcedores e a necessidade de darmos oportunidade de os times se reestruturarem, de seus técnicos terem tempo para construirem a estratégia que será usada na temporada e dos preparadores físicos programarem os jogadores para resistirem a maratona de jogos. Ou seja, deixar o pensamento imediatista de lado.

 

Volto ao tema, porém, para destacar a vitória que se conquistou nas arquibancadas do lendário estádio do Pacaembu, em São Paulo, na noite de ontem, quando o Corinthians perdeu para o Bragantino por 2 a 0. A vitória que me refiro não tem nada a ver com o placar do jogo ou desempenho dos atletas corintianos que estão visivelmente incomodados com a absurda agressão que sofreram por parte de brutamontes ligados às torcidas organizadas, no Centro de Treinamento Joaquim Grava, no sábado passado. Mas, curiosamente, foi protagonizada por parte dos torcedores do Corinthians.

 

Caso você não tenha acompanhado o noticiário, resumo aqui os fatos. Integrantes de torcidas organizadas decidiram protestar contra o time, foram ao estádio com fitas tapando a boca para demonstrar a desconformidade e se negaram a incentivar a equipe, permanecendo em silêncio. Se a manifestação ficasse por aí, nada a declarar. É direito deles. Porém, as organizadas tinham a pretensão de calar os demais torcedores e, mais uma vez de forma agressiva, tentaram intimidá-los com ameaças. A polícia militar foi obrigada a intervir para impedir agressões físicas, entrou em confronto com os mais exaltados e prendeu algumas pessoas. Torcedores comuns, que vestem a camisa do seu time e não das torcidas organizadas, reagiram com gritos de incentivo demonstrando que esses grupos não são donos do clube como imaginam ser. Gritaram mais alto do que a intolerância e deram exemplo a todos os demais torcedores brasileiros, muitos dos quais já desistiram de ir ao estádio incomodados com a ditadura das organizadas – atitude, ressalto, justificável, pois é cada vez mais arriscado assistir a um jogo na arquibancada.

 

Muito provavelmente as facções continuarão a ocupar seus espaços, a maioria das vezes patrocinados por dirigentes e até jogadores. Mas ao menos ontem à noite o torcedor comum teve voz e venceu.