Conte Sua História de SP: minha irmã foi registrada dia 25 de janeiro por amor à cidade

 

Por Mara Rocha
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto que foi ao ar na CBN, sonorizado pelo Cláudio Antônio

 

 

Minha história com São Paulo começa antes mesmo de minha família e eu morarmos aqui. Em 1952, meus pais viviam em Presidente Epitácio e só tinham dois filhos. Meu pai vinha a São Paulo comprar tecidos para minha mãe fazer as roupas da casa, dos filhos … ela costurava pra fora, também. Meu pai adorava São Paulo e voltava pra casa todo feliz contando para os amigos o que tinha visto por aqui: falava dos cartazes de filmes, teatro e shows musicais.

 

Em 16 de fevereiro de 1953, nascia minha irmã. Meu pai esperou um ano só para poder registrá-la com a data de 25 de janeiro. Em 1955, foi minha vez de vir ao mundo e meu nome Mara foi em homenagem a atriz de teatro de revista Mara Rubia. Em 1957, nascia outra irmã e o nome foi (completo) Dalva de Oliveira. Dispensa apresentação. Em 1960 nascia o coitado da turma feminina, porque depois dele vieram mais três meninas e formamos o time de nove, mas essas já são paulistanas.

 

Chegamos em São Paulo em 1961, minha mãe ficou encantada com o tamanho da cidade. Fomos morar no bairro Taboão em São Bernado do Campo e a minha rua chama-se São Paulo. O pai era motorista de ônibus na linha São Bernardo – São Paulo, passando pelo Zoológico, Jardim Botânico e, finalizando, na Praça da Árvore onde tinha o Cine Estrela. Nossos finais de semana eram nesses lugares. Adorava passear no Jardim Botânico onde fazíamos piquenique, jogávamos bola, peteca e nos divertíamos comoutros brinquedos da época. Visitámos com frequência também o Zoológico.

 

Minha irmã mais velha Wandy, trabalhava como modelo dos maiôs Cenimar ou Celimar (não lembro ao certo), as mulheres eram esculpidas pela natureza porque tudo era feito a pé ou de bicicleta. Ela foi a primeira a ter carro em casa e isso demorou um bocado. Ela fazia também as feiras do Ibirapuera. E a que eu mais gostava era o Salão da Criança porque brincava muito, e bebia muito iogurte Paulista, no estande onde ela trabalhava.

 

Nas férias íamos de trem para a casa do meu tio em Santa Fé do Sul. Ficava encantada com a Estação da Luz e a viagem de muitas horas passava rápido porque era divertidíssimo dormir nas camas da cabine com o balanço do trem. E durante o dia passeávamos pelos vagões.

 

Só comecei a frequentar o Cine Estrela quando fiquei adolescente (na época: mocinha). Daí foi um passo pra conhecer outros lugares, como o Cine Ipiranga e o Cine Ópera, esses dois no Centro. Ficava até difícil escolher pra onde ir nos finais de semana. Pedalinhos no Parque do Ibirapuera, tardes deliciosas no Museu do Ipiranga, encontro com a galera no Pilequinho, um bar em Moema que fazia deliciosos sucos e batidas de frutas. Sem deixar de frequentar o Jardim Botânico, meu lugar predileto.

 

 
Nossas compras eram feitas no Mappin e adorava ver o ascensorista descrevendo tudo que tinha nos andares. Minha loja predileta chama-se Piter, próxima do Teatro Municipal e o vestido verde água que comprei no crediário, é inesquecível!

 

Tinha 24 anos (1979) quando nos mudamos para Moema, a 50 metros do Shopping Ibirapuera, inaugurado em 1976. Os trilhos do bonde ainda estavam na Avenida Ibirapuera e minha vida não mudou nada porque desde sempre eu fui paulistana de corpo e alma. Casei, tive filho e neta. Passei pra eles tudo isso, o que ficou, claro! Meu filho e minha neta amam parques, piqueniques, bicicleta, patins e, principalmente, amam São Paulo.

 

Mara Rocha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Este texto foi ao ar, em 2013, no CBN SP, mas ainda não havia sido reproduzido aqui no Blog.

Conte Sua História de São Paulo: os banhos no lago do Villa Lobos

 

Por Claudio Menezes

 

 

Descendente de imigrantes portugueses e italianos, minha família quase toda é do Alto da Lapa, na zona Oeste de São Paulo.

 

Meu bisavô ao lado dos filhos e de funcionários – ou de colaboradores, termo que costumam usar nos dias de hoje – participaram do trabalho de construção da Estrada da Boiada. Dizem que a Estrada era o caminho para ligar Santo Amaro a Pinheiros. Hoje, muitos de nós passamos por lá, sem boi, é claro: é a Avenida Diógenes Ribeiro de Lima.

 

Dentre outras obras importantes que meu avô e sua turma participaram está a Praça Panamericana, aquela enorme e verde rotatória, um marco do Alto de Pinheiros.

 

Na rua em que nossa família morava havia uma feira livre. Isso nos permitia embolsar uns trocados extras. Eu e outros meninos fazíamos carreto para os clientes da feira. Nós também aproveitávamos para pegar os barbantes que serviam para fechar sacos de feijão que eram feitos de estopa. O barbante era usado depois como linha de pipa que soltávamos lá pela região do parque Villa Lobos.

 

O parque ainda não existia. Lá havia lagoas. E, sem saber nadar nem noção do perigo, pegávamos pedaços de isopor para nos refrescar nos dias quentes.

 

Cláudio Menezes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Venha contar a sua história aqui na CBN: escreva seu texto e envie para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: André Barrence diz o que o Google procura nos novos empreendedores e startups

 

 

“Eu costumo dizer que o empreendedor tem de ser um cara apaixonado não por uma solução, mas por um problema. Quando a pessoa chega pra mim e fala: “tem um problema que eu acho que eu consigo solucionar”, aí o meu nível de atenção já sobe muito”. A afirmação é de Andre Barrence, diretor do Campus São Paulo do Google e do Google For Entrepreneurs, em entrevista ao jornalista Milton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN. Barrence é responsável pelo setor do Google que incentiva a criação de empresas e o desenvolvimento de startups. Nesta entrevista, você vai saber como aproveitar a infraestrutura oferecida pelo Google aos jovens empreendedores.

 

No último sábado do mês, o Mundo Corporativo se dedica às novas gerações. A gravação do programa pode ser assistida ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e da página da CBN no Facebook. Colaboraram com este programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Da universidade se espera a busca de soluções para o jornalismo em crise

 

 

Este vídeo é resultado da conversa que a estudante Mahayla Haddad teve comigo durante a participação no 4o BetaJornalismo, promovido pela faculdade de jornalismo, da Escola de Comunicação e Arte da PUC-PR, no ano passado. Falo sobre crise no jornalismo e a expectativa de que soluções surjam da criatividade, inovação e responsabilidade dos jovens jornalistas.

“X-Man” – Apocalipse: se é X-Man, assista!

 

Descobri nos “drafts” do meu blog, este texto da Biba Mello, escrito ano passado, com mais uma boa dica de filmes. Por erro deste blogueiro, não programei a publicação do post e lá ficou pendurado. Aproveito que estamos em férias para trazer esta sugestão da nossa colunista (desculpa aí, Biba!)

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“X-Man : Apocalipse”
Um filme de Brian Singer
Gênero: Ficção
País:USA

 

Apocalipse, o primeiro mutante, retorna após milhares de anos adormecido. Seu poder é estrondoso pois sua habilidade é tomar o poder de outros mutantes, inclusive se mudar para um novo corpo, jovem e poderoso, tornando-o imortal. Ele recruta jovens mutantes para juntos destruirem toda a humanidade. Xavier, por sua vez, com a sua turma do bem, entra em conflito com este enorme mal para salvar o planeta desta destruição completa.

 

Por que ver:

 

“Gentem”, e tem X-Men ruim? Nãaaaaooooo! Não tem! Espetáculo garantido.

 

Até quem não curte muito ficção como eu, curte! Meu marido sempre fala: “amor, é X-Men, não tem como você não gostar”… Ele sempre acerta!

 

O que mais gostei do filme foi ver os X-Mens jovens. Também mostra como a Tempestade virou a tempestade, e entendemos o porquê muitos deles se tornaram o que são hoje…

 

Como ver:

 

Como, quando e onde quiser!

 

Quando não ver:

 

Desculpem os muitos chatos, mas X-mens é fundamental ! Assistam!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Quando proibir vira moda, a vítima é sempre a moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

concurso-miss-size-620

Miss Brasil Sataël Maria Rocha Abelha posa de maiô acompanhada de outras misses no último concurso antes da proibição de Jânio

 

 

Jânio Quadros, em 1961, de Brasília, com o intuito de moralizar, proibiu o uso de biquíni dentre tantas outras medidas.

 

Pery Cartola, em 2017, de São Bernardo do Campo, com a intenção de educar, proibiu decotes num Manual de Etiqueta tão controvertido quanto genérico.

 

Quadros em contencioso com o Congresso renunciou antes da ebulição das pitorescas proibições. Cartola após descuidada entrevista ao SPTV transformou as proibições em sugestões.

 

As mídias sociais e também as convencionais, como a VEJA e o FANTÁSTICO, absorveram o espetáculo e abriram espaço para Pery Cartola e as advindas repercussões.

 

Muito espaço e pouca análise.

 

Isentando o mérito intencional de Jânio e Pery, fica claro que lidar com o tema de moda mesclado com comportamento, etiqueta, elegância, civilidade e moda propriamente dita não é tarefa para leigos.

 

Se a intenção é orientar para que as pessoas estejam mais seguras e felizes com o modo de vestir, adequando o local com o próprio estilo de vida e refletindo o padrão profissional escolhido, é preciso transmitir o conhecimento existente sobre a moda.

 

O “Manual de Cartola” evidencia uma boa intenção totalmente perdida sob o aspecto técnico. Ora é um código de vestimenta profissional, ora é um apanhado de produção de moda, ora um almanaque com dicas como aquela da meia como extensão da calça, ou dos cuidados com babados e rendas.

 

Entretanto, o mais importante deste episódio de São Bernardo pode ser a sinalização da adequação de pessoas ao trabalho em uma Câmara de Vereadores, menos do que a impropriedade das respectivas maneiras delas se vestirem.

 

A Moda é tecnicamente uma forma das pessoas comunicarem seu estilo de vida, seu comportamento. Se há descompasso deste modus vivendi com o seu trabalho, o problema não está nas roupas, mas na escolha da profissão.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de São Paulo 463 anos: minha padaria em Higienópolis

 

Por Paulo Mayr

 

 

Estou em Higienópolis e na minha padaria tem de tudo.

 

O João, homem experiente de uns 70 e poucos anos, já me contou emocionado que mais de uma vez, quando era estudante, havia apenas um ovo na geladeira para o jantar. Formou-se em Direito. Desde sempre, trabalhou. Começou como boy. Quando se formou, já era gerente na área administrativa e não quis voltar à estaca zero no Direito. Aposentou-se como Diretor. Nunca redigiu uma única petição na vida, mas não sai de casa sem o anel vermelho de doutor.

 

O Reinaldo formou-se na Poli. Também se aposentou em alto cargo, mas em empresa pública. Executivo dinâmico de outrora, hoje a primeira, a segunda, a terceira e a milésima impressão que se tem dele é de que vive para polemizar. Seja o assunto que estiver em baila, ele sempre tem uma opinião, a que dê mais margem para discussões intermináveis. Não pense que entro no jogo dele, não: ele diz uma coisa, seja qual for, eu concordo lacônica e monossilabicamente.

 

Os donos da padaria são o pai e dois irmãos. De manhã, o irmão mais velho, um encanto de pessoa, se desdobra em dez. O irmão da tarde chega a ser famoso no bairro: não há um único cliente com quem ele já não tenha se desentendido. O da manhã bate escanteio e corre pra área pra cabecear. A primeira coisa que o da tarde faz ao chegar é tirar uma atendente do balcão e bota ela no Caixa. Ele vai para a calçada acende um cigarro e lá permanece.

 

Com frequência, alguém estaciona ocupando duas vagas. O segurança não tá nem aí. Certamente, imagina que a função dele é evitar um novo 11 de setembro.

 

A Drika, hoje minha amiga, que toda semana janta em casa, é loira, magra, muito bonita, filha de comerciante famoso e rico, bem estabelecido na José Paulino.
Apesar de toda mordomia, prefere ganhar a vida como sacoleira: vende roupas para funcionárias e clientes da padaria, além das balconistas das lojas vizinhas.

 

A figura mais curiosa: um cara que está sempre de óculos escuros e falando ao celular. O assunto, digo, a cifra é sempre a mesma: ou está comprando empresas de alguns milhões de dólares, ou está vendendo empresas de outros milhões de dólares. Eu imaginava que fosse um milionário exótico que, em vez de fechar negócios no escritório, que, certamente, tinha no prédio mais sofisticado da Faria Lima, ficava ali mesmo na padaria tomando decisões de tal envergadura. Pois bem, garantiram-me que nunca há pessoa alguma na outra ponta da linha do celular. Ele está sempre falando sozinho, só para impressionar a plateia.

 

Faça chuva ou faça sol, bato ponto diariamente na padaria. Onde mais me divertiria tanto sem pagar um único centavo de couvert artístico?

 

Paulo Mayr é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar também sua história na cidade: envie o texto para milton@cbn.com.br. 

No aniversário de SP, uma galeria de fotos para destacar a beleza da cidade

 

masp-avenida-paulista-vertical_sao-paulo

 

(texto e foto de divagação)

 

A cidade de São Paulo tem uma galeria só para ela e que fica na loja 22 da área comercial do símbolo da cidade, o histórico edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer.

 

São fotografias do skyline da Avenida Paulista, aéreas do centro, prédios históricos como o Martinelli, o Itália, o Altino Arantes (antigo Banespa), o São Vito (demolido em 2011), o Teatro Municipal, a Catedral da Sé, além de vistas do Copan, que também é retratado pelas lentes do premiado fotógrafo RenattodSousa (dois Nikon Photo International e dois Prêmios Abril de Jornalismo).

 

A foto galeria exibe uma exposição permanente de imagens de São Paulo, impressas e montadas em diferentes materiais como canvas (tela de algodão), metacrilato, molduras tradicionais, echarpes, entre outros.

 

No aniversário de São Paulo a galeria estará aberta. A visitação é gratuita.

 

Serviço

 

RenattodSousa Foto Galeria
Endereço: Avenida Ipiranga, 200, loja 22, edifício Copan.
Telefone: (11) 3237-0056
Funcionamento: de 2ª a sábado, das 11 às 19 horas.
Visitação gratuita.

Conte Sua História de São Paulo 463: as cores dos ônibus que rodam na cidade

 

Por Sérgio Slak

 

 

Nasci na Vila Prudente, há 59 anos, e morei até os sete anos na Vila Ema, tudo na zona Leste. Com o falecimento do meu pai mudamos para a casa dos meus avós em Moema, na zona Oeste. Em frente de casa, tinha o ponto inicial da linha 670 – Moema – Praça da República, da Viação Moema. Eram ônibus nas cores vermelha, verde e branca. Lá perto tinha, também, o ponto inicial da linha 77 Vila Uberabinha-Rodoviária, da Viação Caribe. Eram amarelo, vermelho e branco.

 

Comecei ali meu fascínio pelos ônibus. E o que me encantava é que havia muitas empresas e cada uma com suas cores. Algumas com apenas uma linha. Por exemplo, achava maravilhosos os ônibus da Viação Útil, que faziam a linha Barra Funda – Bosque da Saúde, nas cores azul e cinza. Tinha a imagem de um cachorro atravessando o numero 969.

 

É claro que existiam as empresas com mais linhas de ônibus, como a Bola Branca que tinha as cores branco e vermelho. Não podemos nos esquecer do azul e bege da CMTC. Lá na gestão do prefeito Jânio Quadros, havia os Vermelinhos e os Fofões de dois andares.

 

Adorava olhar aqueles ônibus circulando, numa festa de cores e estilos de pintura.

 

O cenário passou a mudar no fim da década de 1970 quando criaram os consórcios de empresas de ônibus, as menores foram compradas. Na gestão da prefeita Luisa Erundina ocorreu a municipalização e todos os ônibus passaram a ter as cores branca e vermelha. Na de Marta, criaram-se oito consórcios e aí ficaram apenas oito cores em toda a cidade.

 

O transporte público evolui muito. Temos bilhete único, corredores, terminais, veículos articulados, biarticulados, com ar-condicionado e até wi-fi. Mas sinto uma saudade danada daquelas cores rodando por São Paulo.

 

Quando estou em um ponto, fecho os olhos e imagino que o ônibus que está chegando traz a marca da CMTC ou o colorido de algumas das velhas empresas.

 

Sergio Slak é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto para milton@cbn.com.br e conte a sua história da nossa cidade.

Conte Sua História de São Paulo 463: a costureira do Brás

 

Por Meire Theodoro

 

 

Nasci no Jaçanã. Em 22 de março. Tenho 40 anos e sou de família humilde: meus pais vieram do Nordeste muito jovens e moravam na cidade vizinha: Guarulhos.

 

Um dos meus primeiros empregos foi no Brás, na rua Monsenhor de Andrade. Era uma fábrica de confecção de lingerie onde se fazia desde o corte do tecido até a embalagem das peças. Trabalhar no Brás, um dos bairros de comércio mais movimentados de São Paulo, era curioso. Gostava de ver aqueles ônibus enormes com placas de todas as partes do Brasil que estacionavam a espera das sacoleiras.

 

Tinha 18 anos e gostava muito de tudo aquilo. Fui admitida como ajudante de produção e para bater o cartão às 7h10 da manhã, acordava às cinco e pegava o busão. Não tinha ainda a estação Tucuruvi do Metrô. Descia no Terminal Rodoviário do Tietê e embarcava no ônibus Museu do Ipiranga.

 

Com o tempo na confecção, aprendi a costurar. Meus pais, separados. Então, eu, uma das irmãs mais velhas, percebi que a vida era cheia de surpresas e responsabilidades. Aos 21 anos, fiz vestibular e com o salário da costura paguei meu curso de pedagogia. Era difícil conciliar mas eu queria muito … Gostava de falar. Percebi já no 2o Grau. Nas aulas de apresentação tirava boas notas e sonhava ser professora.

 

Era uma rotina difícil. Trabalho e faculdade. Saía às cinco da manhã, chegava às 11 da noite. Namoro nem pensar. O tempo passou rapidamente. Leciono há 20 anos na prefeitura, na Educação Infantil e Pós-graduação, em Educação Inclusiva. Sou casada, mamãe de um casal de filhos adolescentes lindos.

 

Moro em Guarulhos, acesso fácil a São Paulo, para onde vou todos os sábados sempre para descobrir algo interessante.Deixo o carro na região da 25 de Março e faço um “tour” por aí.

 

Meire Theodoro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais uma capitulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.