Por Ana Valéria Poles
Por volta da década de 1970, ainda estudante do Conservatório de Música de Tatuí, minha cidade natal, vínhamos a São Paulo em ônibus fretado para assistirmos aos concertos de grandes orquestras como as Sinfônicas de Leipig, e de Clevland, no Theatro Municipal.
Em uma das vezes, o professor Coelho, nosso diretor, fretou um ônibus para representar a “torcida organizada” do Conservatório, na participação do concerto de premiação, no Teatro Cultura Artística, dos famosos Concursos Jovens Solistas da OSESP, dos quais fui uma das solistas vencedoras.
Estudei em Viena por 6 anos e ao voltar, em 1988, ingressei no naipe de contrabaixos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a batuta do saudoso maestro Eleazar de Carvalho.
Àquela época, a OSESP ensaiava no Cine Copan, depois no Teatro do Colégio Caetano de Campos, no Teatro da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e, por fim, no Memorial da América Latina. Chegamos a ensaiar no restaurante do Memorial, tal o desprestígio que a orquestra gozava, culminando com a morte do maestro Eleazar.
A OSESP foi reestruturada em 1997 e enquanto a Estação Júlio Prestes era transformada em uma sala de concertos, passamos a ensaiar no recém- reformado e reinaugurado Theatro São Pedro, ali na Barra Funda, na zona Oeste.
Finalmente, em julho de 1999, a nossa querida OSESP ganhou sua sede: a belíssima Sala São Paulo, uma das principais salas de concerto da América Latina!
Minha vida dedicada à música também teve passagens pelo Teatro Alfa Real, em Santo Amaro, os teatros do SESC, do MASP e do Ibirapuera, sem falar nos teatros de bairro, de colégio, faculdades e clubes. Apresentei-me com o Octobass, octeto de contrabaixos que fui uma das idealizadoras, em um antigo lixão transformado em praça: a Victor Civita, em Pinheiros.
Uma das melhores maneiras para se dar vida à cidade é justamente com música.
Ana Valéria Poles é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do nosso maestro: Claudio Antonio. E a narração é de Mílton Jung.