Mundo Corporativo: o novo líder tem de ser uma grande observador, diz a consultora Andrea Deis

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“Hoje, se cobra muito do indivíduo. Mas na minha opinião é uma incoerência muito grande porque ele não pode pensar, ele não tem autonomia para decidir e, detalhe, ele ainda tem que entregar resultado e sorrir”  

Andrea Deis, professora e consultora

O ser humano tem de estar no centro da estratégia. E nada pode ser mais importante do que isso, porque sem ele não existe competência, tanto quanto não se tem resultado nem inovação. Mesmo que se insista em falar em transformação digital e metaverso, as pessoas são a prioridade e a pandemia nos ensinou isso — ao menos deveria ter ensinado. Para Andrea Deis, professora de gestão de desenvolvimento humano e empresarial, uma das lições que ficaram foi a de que se o indivíduo não estiver bem, não existe competência:

“Em gente adoecida não existe competência, com morte não existe competência e desenvolvimento do pensar, se as pessoas não estão com a sua saúde mental em equilíbrio”.

Especialista em neuroliderança, Andrea foi entrevistada no Mundo Corporativo da CBN e lamentou que muitas empresas ao retomar as atividades tenham regredido dois anos em sua forma de atuar, pois decidiram manter os mesmos padrões, apesar das lições que a pandemia ensinou. Um dos exemplos é em relação ao trabalho híbrido, quando se provou que era possível manter-se a produtividade e as atividades mesmo à distância, com uma série de benefícios como a de se eliminar o tempo perdido no deslocamento da casa para o trabalho e do trabalho para a casa. No entanto, certificando a tese de que “se age no caos, mas esse caos não nos ensina”, as organizações tentam impor aos seus colaboradores a mesma dinâmica do passado:

“Um valor para ser mudado precisa no mínimo de uma década ou seja mais de duas gerações fazendo com que realmente se reafirme aquele novo modelo mental. O que que aconteceu com a pandemia? Aconteceu todo o caos. Existiu uma adaptação para que as empresas pudessem persistir àquele cenário, porém a grande maioria não voltou com essa habilidade construída”.

Para acelerar esse aprendizado, Andrea recomenda que as empresas abram mão do sistema de controle, gerem pontes com seus colaboradores, exercitem a  humildade e se habilitem a ouvir as pessoas. Não ouvir é desperdiçar 30% da sua receita — dizem pesquisas na área de gestão, segunda a consultora.

Para ela, o problema é que um pequeno grupo dentro das empresas toma as decisões e as transformam em estratégia empresarial, entregando-as para as bases sem que estas se sintam proprietárias dessas ações. Ou seja, são apensa cumpridoras de tarefas e não protagonistas. Isso explica, em parte, porque pesquisas mostram que cerca de 75% das pessoas estão insatisfeitas com seu trabalho. De acordo com Andrea, o primeiro motivo é porque os colaboradores não têm senso de pertencimento; o segundo é porque os relacionamentos não são saudáveis; e apenas em terceiro lugar, decido aos salários. 

“Tem muita gente escutando e falando, pouca gente se comunicando e ouvindo. Ouvir é você parar para sentir o que o outro estava sentindo; você entender a necessidade do outro e não, simplesmente, entrar no processo de luta e de defensividade, porque isso só distancia. Então, a escuta empática aproxima através do atendimento dessas interesses em comum”

Andrea lembra que interesse é palavra que nos remete a “inter seres” ou “entre os seres”. A neurociência ensina que não existe desenvolvimento da humanidade com total inconsciência, portanto para que o interesse se realize é preciso ter consciência do outro. Uma das formas é evitar a fala instintiva, sem reflexão, o que leva Andrea a propor o uso de uma ferramenta batizada STOP, sigla em inglês para quatro passos necessários para que a comunicação se realize de forma efetiva: parar, pensar, observar e falar. Instrumento que deveria pautar o comportamento dos líderes:

“Antes a gente falava que o líder é aquele que influencia. Hoje, o líder é o grande observador. Mais do que liderar, ele precisará observar talentos e através dessa observação interpretar e facilitar caminhos. Eu falei observar, eu não falei nem guiar nem influenciar. O papel do líder é aquele que para, observa, entende e interpreta para facilitar resultados. Esse é o papel do líder pós-pandemia. Ele vai observar o que você tem de melhor, entender e interpretar para facilitar o seu processo. E, principalmente, como líder ter a tomada de decisão de alocar você na melhor posição”.

Você pode assistir aqui à entrevista completa com Andrea Deis, no Mundo Corporativo, da CBN:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

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