Conte Sua História de São Paulo: no meu imaginário, era a terra da salvação


Jose fabio nobre nobre

Ouvinte da CBN

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No idos da década de 1970, eu, criança, na Cidade de Crato,  interior do Ceará, passava com frequência  em frente a uma empresa de ônibus — não havia rodoviária — e presenciava cenas que me chamavam atenção. Época em que muitas famílias faziam o trajeto para São Paulo na busca de sobrevivência mesmo. Aquelas cenas começaram a me tocar porque eu via pessoas conhecidas, outras, crianças, e até parentes próximos. Aquelas despedidas me sensibilizam, eu chorava junto àquela gente. 

Daí, São Paulo ficou no meu imaginário como sendo a terra da salvação. Garanti a mim mesmo que ao completar 18 anos, eu também iria para a capital paulista para conhecer, visitar parentes e, quem sabe, morar na casa de uma tia ou um tio. Quando completei a maioridade, já trabalhava e apesar de solteiro era o “provedor” da casa —  os irmãos e irmãs mais velhos já haviam casado e fiquei órfão de pai muito cedo. Com o dinheiro que recebia do trabalho em um banco privado,  me organizei para realizar o sonho de viajar a São Paulo, o que ocorreu em dezembro de 1980. 

Quarenta e oito horas num ônibus que, diante das minhas expectativas tão positivas, tirei de boa. Fui recompensado. Adorei tudo que via, uma prima que morava em Vila Nova Cachoeirinha passeava bastante comigo e me mostrava os locais mais importantes. 

O que me marcou naquela primeira viagem foi ir a uma gravação do Programa do Chacrinha — havia uma senhora amiga da minha prima que fazia caravana para o programa, num teatro da Brigadeiro Luiz Antônio. Na época ele estava na rede Bandeirantes, depois retornou para a Globo. Aquilo me fascinou. O inusitado é que de repente a gravação parou, as chacretes se abraçavam e choravam. Os artistas e jurados, também. Nós na plateia não sabíamos o motivo  da demora do intervalo. Até que a notícia chegou a todos: há poucos instantes, havia sido anunciado o assassinato de John Lenon. A despeito disso, a gravação e a vida tinham de continuar.

Hoje sigo amando São Paulo mesmo morando em Recife há 40 anos. Visito a cidade no mínimo três vezes ao ano. Adoro a fervura cultural e vou aos principais eventos artísticos. Amo ficar próximo ao COPAN, que para mim é a cara da cidade, para bater perna por todo o centro e subir a Consolação caminhando até a Paulista, aproveitando para cumprir a minha meta de sete mil passos diários —  ouviu, Márcio Atalla?

José Fábio Nobre personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Conte você também a sua história. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

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