Avalanche Tricolor: Lumumba tinha razão!

Vasco 1×0 Grêmio

Brasileiro – São Januário, RJ/RJ

Paulo Lumumba foi dessas figuras que marcaram sua vida com a camisa do Grêmio, mesmo que tenha passado por outros dois grandes tricolores brasileiros, São Paulo e Fluminense. Nascido no Sergipe, onde começou a jogar pelo Confiança, foi no Rio Grande do Sul que se estabeleceu e fez história. Batizado Paulo Otacílio de Souza ganhou apelido do líder político Patrice Lumumba que libertou o Congo da dominação belga, nos anos de 1960. Morreu em Porto Alegre, em 2010, quando estava com 74 anos.

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Foi atacante de um dos maiores times que o Grêmio já formou, quase campeão da Taça Brasil de 1963 — só o Santos de Pelé foi capaz de nos parar na final — e heptacampeão estadual. Nas lembranças que tenho, conheci Lumumba já como auxiliar técnico de um dos muitos treinadores que passaram pelo Olímpico. Eu era apenas um guri levado pelo pai quase que diariamente ao estádio. 

Um das coisas que me chamavam atenção em Lumumba era a elegância com que ele caminhava pelas calçadas gremistas. Aquele negro retinto quase sempre com roupa esportiva, fazia do passeio pelos arredores do  Monumental um desfile. No gramado, entrava com pompa de majestade, como se revivesse a cada passada suas glórias. Tinha orgulho do que fez e das lutas que venceu em vida — não lhe faltavam motivos para tal. 

Com base na sua trajetória, foi conselheiro e ajudou muitos jovens jogadores e recém-chegados ao clube. Era minucioso ao orientar qual a melhor forma de bater na bola, o movimento para o passe preciso e, principalmente, de como se comportar. O que eu mais admirava era a maneira como Lumumba contava suas histórias e expressava seu conhecimento sobre as mais diversas coisas da vida.

Um dos ensinamentos que guardei — e certamente Lumumba ensinou fatos bem mais relevantes àqueles que puderam conviver com ele dentro do clube —- foi sobre um comportamento dos clubes do interior do Rio Grande do Sul. Dizia que esses times passavam uma temporada inteira se preparando para ganhar da dupla Gre-Nal e se esqueciam que havia outros adversário no meio do caminho. Para ele, geralmente esses times perdiam as competição estaduais não para o Grêmio ou para o Inter, mas naquelas partidas contra os clubes mais frágeis — onde os dois pontos (naquele tempo era apenas dois) deveriam ser garantidos.

O nome de Paulo Lumumba fez parte da conversa que tive com João Antônio, campeão brasileiro e da Copa do Brasil, nos anos de 1990, pelo Grêmio, há duas semanas, ao visitar Porto Alegre. No fim da tarde deste domingo, após ver o Grêmio em São Januário, voltei a relembrar daquele gremista histórico e seu ensinamento sobre o momento em que se costuma perder os campeonatos. Lumumba tinha razão!

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