Por que somos tão duros conosco? A resposta pode surpreender

Muitas vezes, somos os nossos maiores juízes, impondo padrões rígidos e cobrando de nós mesmos uma perfeição inatingível. Mas será que essa postura nos leva a uma vida mais equilibrada? Esse foi o tema central da conversa entre a jornalista e psicóloga Abigail Costa e a psicanalista e pesquisadora de relacionamentos Carol Tilkian no canal “Dez Por Cento Mais”. Durante a entrevista, Carol discutiu como a autocompaixão pode transformar nossa relação com as dificuldades e contribuir para uma vida mais leve e equilibrada.

O início de um novo ano costuma ser marcado por listas de resoluções e metas, muitas vezes carregadas de cobranças e pressão social. Carol destacou que antes de se perguntar “o que eu quero fazer?”, muitas pessoas se questionam “o que eu devo fazer?”. Esse senso de obrigação está diretamente ligado ao superego, uma instância da mente que age como um juiz interno, baseando-se nas expectativas externas e na moral social.

O resultado desse processo pode ser um acúmulo de cobranças que tornam as metas mais angustiante do que motivadoras. “Ao nos perguntarmos ‘por que eu quero isso?’, conseguimos perceber o quanto nossas escolhas podem estar sendo influenciadas por padrões externos e não por nossos reais desejos”, explicou a psicanalista.

Durante a conversa, foi abordado o conceito do “Quitter’s Day” (Dia dos Desistentes), observado nos Estados Unidos na segunda sexta-feira de janeiro. Essa data marca o momento em que um grande número de pessoas abandona as metas traçadas para o ano. Para Carol, essa desistência não deve ser vista como um fracasso, mas como uma oportunidade de reavaliação. “Desistir também pode ser um convite à reflexão: por que ainda quero isso? Essa meta ainda faz sentido para mim?”, questionou.

Um dos pontos centrais da discussão foi a tendência humana de tentar controlar todas as variáveis da vida. Carol explicou que muitas vezes nos culpamos por situações além do nosso controle como uma forma de evitar a angústia da imprevisibilidade. “Nosso desejo de controle é uma ilusão que nos aprisiona em um ciclo de ansiedade e frustração”, afirmou.

Autocompaixão e a relação com a autoestima

Para exercitar a autocompaixão, a psicanalista sugeriu um exercício simples: anotar as autocríticas que fazemos ao longo do dia e imaginar como falaríamos com um amigo que estivesse passando pela mesma situação. “Muitas vezes somos duros conosco de uma forma que jamais seríamos com alguém que amamos”, destacou.

Uma das diferenças fundamentais entre autocompaixão e autoestima está na forma como enxergamos nossas emoções. Enquanto a autoestima se baseia na ideia de “se valorizar”, muitas vezes comparando-se a padrões externos, a autocompaixão convida à “validação” do que sentimos, sem juízo de valor.

“Quando validamos nossas emoções, paramos de pedir permissão para sentir”, afirmou Carol. Isso significa que, em vez de se questionar “eu deveria sentir isso?”, a abordagem mais saudável é reconhecer e investigar a origem desse sentimento.

Ao tratar da influência das redes sociais na forma como nos percebemos, Carol disse que “seguimos pessoas que projetam vidas perfeitas e, sem perceber, nos comparamos e nos sentimos insuficientes”. Uma estratégia sugerida para reduzir essa influência negativa é revisar os perfis seguidos, priorizando conteúdos mais realistas e condizentes com a própria realidade.

Além disso, a psicanalista reforçou a importância de cercar-se de pessoas que compartilhem um olhar mais humano e acolhedor. “A autocompaixão não se desenvolve no isolamento. Precisamos de relações que nos validem e nos ajudem a enxergar nossa própria humanidade”, concluiu.

Pratique a autocompaixão no dia a dia

Para quem deseja exercitar a autocompaixão, Carol Tilkian sugeriu três práticas simples:

  1. Revisar o diálogo interno: Observar como falamos conosco mesmos e substituir autocríticas severas por frases mais acolhedoras.
  2. Aceitar a imperfeição: Compreender que errar e falhar fazem parte da experiência humana e não definem nosso valor.
  3. Buscar apoio: Conversar com amigos e profissionais de saúde mental para compartilhar emoções e reduzir a autocrítica.

Assista ao Dez Por Cento Mais

Esse episódio do “Dez Por Cento Mais” trouxe reflexões valiosas sobre a necessidade de tratarmos a nós mesmos com a mesma gentileza que oferecemos aos outros. Em uma sociedade que frequentemente exige produtividade e perfeição, a autocompaixão se mostra uma ferramenta essencial para lidar com desafios, acolher medos e viver de maneira mais leve e autêntica.

O “Dez Por Cento Mais” é apresentado, ao vivo, quinzenalmente, às quartas-feiras, a partir das 12h, no YouTube.

Avalanche Tricolor: um time que jamais se renderá!

Juventude (2) 2×1 (3) Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul, RS

Volpi comemora classificação à final. Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

A ausência de um futebol mais envolvente obrigou o Grêmio a ser mais guerreiro do que nunca nesta temporada. Sem espaço para o talento brilhar, a classificação veio na base da insistência e da resiliência. O time recém-formado, ainda sem pleno entrosamento, superou suas falhas com valentia e manteve viva a esperança do Octacampeonato Gaúcho.

Saímos de Caxias do Sul cientes de que será preciso mais equilíbrio para sustentar um futebol de alto nível nos 180 minutos decisivos. Alguns jogadores, especialmente na defesa, precisam se posicionar com mais segurança. No ataque, será essencial diversificar as jogadas, explorando melhor os dois lados do campo e movimentando-se com mais sintonia entre os marcadores para criar oportunidades de gol.

Não há ilusão. Há orgulho, porém, pela postura do time diante da adversidade. Com um jogador a menos na maior parte do jogo e sofrendo dois gols que nos desclassificariam, conseguir voltar à disputa com um gol de bicicleta nos acréscimos é feito para poucos.

O zagueiro Gustavo Martins, mesmo sob a desconfiança de parte da torcida, já havia arriscado um cabeceio, sem muito perigo. Usar o recurso do malabarismo para alcançar uma bola que escapava e colocá-la na rede, naquelas circunstâncias, foi coisa de quem nunca se entregará enquanto vestir a camisa gremista.

Impossível não lembrar que, no instante do gol salvador, quem estava na área adversária, porque também não aceita a rendição, era o nosso novo goleiro, Tiago Volpi. Foi ele, aliás, quem mais uma vez revelou coragem e talento quando mais precisamos. No tempo normal, já havia feito ótimas intervenções. Na decisão por pênaltis, voltou a brilhar com duas defesas e ainda marcou seu gol com uma cobrança precisa.

Estamos em mais uma final do Campeonato Gaúcho — pelo oitavo ano seguido. Mesmo com um futebol inconstante, de altos e baixos, levamos para esta decisão uma certeza: o Grêmio jamais desistirá!