Santos 1×1 Grêmio Brasileiro – Vila Belmiro, Santos/SP
Edenílson fez o gol do Grêmio. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
O que é, afinal, acidental? No dicionário, acidente é aquilo que acontece por acaso, sem intenção. No futebol, porém, o acaso é muitas vezes interpretado pela ótica da conveniência.
O Grêmio saiu na frente com Edenilson e resistiu até os 44 minutos do segundo tempo a um bombardeio que parecia não ter fim. Gabriel Grando não contou com o acaso: foram mãos firmes, pés atentos, reflexos treinados para enfrentar as intempéries de um jogo assim. Quando não era ele, surgiam a trave, o travessão ou a linha de cal, todos cúmplices da resistência gremista. No fim, a bola entrou — acidental ou não, inevitável.
No primeiro tempo, porém, o “acidental” virou sentença contra nós. Alysson marcou um golaço daqueles que mudam o rumo de uma partida. O árbitro, no entanto, enxergou irregularidade no toque de mão de Edenilson segundos antes. Especialistas em arbitragem foram claros: a bola bateu de forma acidental, sem qualquer intenção de vantagem. A regra é simples — se não houve intenção, não há falta. Mas no futebol, o que está escrito nem sempre vale tanto quanto o que é interpretado.
O empate na Vila deixa a pergunta suspensa no ar: quantas vezes, dentro e fora de campo, transformamos o acidental em culpa, e a intenção em desculpa? Talvez o futebol sirva de metáfora para a vida. Há quem use a palavra “acidente” como fuga, há quem a use como condenação. O Grêmio, mais uma vez, conheceu o peso dessa escolha.
Viver mais e viver melhor depende de escolhas que começam cedo e seguem por toda a vida: cuidar do corpo, da cabeça, das relações e do bolso. Essa é a defesa de Mariza Tavares, jornalista e escritora, autora de A Vida Depois dos 60 – Prepare-se para criar a sua melhor versão (Best Seller), que propõe olhar para a longevidade como projeto contínuo, sem romantização e sem fatalismo. Em conversa com Abigail Costa, jornalista e psicóloga, no programa Dez Por Cento Mais, no YouTube, Mariza lembra que “a longevidade é uma construção da vida inteira.”
A autora propõe que a longevidade seja encarada como a soma de diferentes “reservas” acumuladas ao longo da vida. A financeira, alimentada por pequenos aportes feitos desde cedo, quando “o tempo conspira a nosso favor”. A física, cultivada por meio do movimento contínuo e da manutenção da força muscular. A mental e a social, fortalecidas pelas conexões que sustentam o ânimo e estimulam o autocuidado. Mariza destaca que estudos de décadas apontam a qualidade das relações como fator decisivo para envelhecer melhor e sintetiza a ideia com uma imagem pessoal: “Dentro de mim eu tenho todas as idades.”
O alerta é direto: adiar decisões tem seu custo, mas começar tarde não impede ganhos. “Mesmo pessoas com um estado fragilizado se recuperam em força muscular com o devido treino.” O verdadeiro risco, segundo Mariza, está em se render aos estigmas: “O mais triste é a gente introjetar aquela coisa de que ‘eu tô muito velho para isso’.”
Trabalho, aposentadoria e combate ao etarismo
A transição do trabalho pago para outras formas de atuação pede preparo, não improviso. Mariza critica a pouca atenção das empresas ao tema e defende políticas que retenham e adaptem funções para profissionais mais velhos. “Nós temos que ser militantes da velhice”, diz, ao apontar microagressões e estereótipos que afastam pessoas 60+ de oportunidades — especialmente mulheres, alvo precoce do idadismo.
A aposentadoria sem projeto pessoal tende a abrir espaço para vazio e isolamento. A saída, segundo ela, está em redes de convivência, mentoria intergeracional e flexibilidade: “Eu posso usar o meu repertório para ensinar.”
Afeto, sexualidade e novas combinações de vida
Mariza propõe tratar sexualidade na maturidade sem tabu, inclusive nas consultas médicas. O foco é ampliar repertório e comunicação entre parceiros, não reduzir a vida íntima a desempenho. “Sexualidade nos acompanha até o final da existência.” Também reconhece arranjos de vida em que muitas mulheres 60+ escolhem autonomia, amizade e viagens em grupo, sem abrir mão de bem-estar para “ter alguém” a qualquer custo.
No fechamento, ela oferece um pequeno ajuste de rota: “10% a mais de confiança em si mesmo.” Pode virar bússola prática: “Vou me divertir 10% mais, vou namorar 10% mais, vou celebrar a vida 10% mais.”
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