Por Caio Luizetto

Se Deus ama
e não retira do humano a liberdade,
então a redenção não pode acontecer pela força.
Porque o mundo vence eliminando,
dominando,
impondo.
Mas o amor não vence assim.
Quando Jesus diz que venceu o mundo,
não diz que o destruiu,
nem que o corrigiu,
nem que o colocou sob controle.
Ele diz que não foi absorvido pela sua lógica.
Deus não vence o mundo dominando-o.
Ele o vence permanecendo onde poderia se retirar.
A redenção não é o fim imediato do mal,
mas a recusa em vencê-lo pela violência.
Deus não salva exterminando o problema,
salva sustentando a relação.
Por isso o mal não é punido de imediato,
mas suportado.
Não porque seja aceito,
mas porque não pode ser eliminado
sem destruir aquilo que é amado.
O mundo continua ferido,
continua instável,
continua injusto.
Mas não é absoluto.
Não é soberano.
Não tem a última palavra.
A vitória de Deus não está em fazer o mundo funcionar,
mas em impedir que o mundo determine o que é Deus.
Ele vence recusando-se a amar menos.
Vence atravessando o caos
sem se tornar caótico.
Vence permanecendo fiel
onde tudo tenta romper.
A redenção não acontece contra o mundo,
mas dentro dele.
E acontece toda vez que o amor não cede
à lógica da destruição.
Caio Luizetto é teólogo e cientista da religião, pós-graduado em Missão Integral em contexto urbano. Sua produção aborda as relações entre fé, dor, sentido e maturidade espiritual na vida contemporânea. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.