Conte Sua História no Rádio de São Paulo: estar em casa era estar com o rádio ligado

Américo de Oliveira Matos 

Ouvinte da CBN

americo.matos@uol.com.br

Photo by Ron Lach on Pexels.com

Tenho 70 anos e sou natural da Vila Guilherme, zona norte de São Paulo. Desde que me conheço por gente sou fascinado pelo rádio. Creio que por influência da minha família. Meu avô, em 1932, foi o primeiro proprietário de um aparelho de rádio da minha rua. Modernidade rara naqueles tempos !!! Ele queria acompanhar melhor os acontecimentos da revolução de 32, os jornais em papel, já não o satisfaziam, ávido por notícias.

Eu desde pequeno ficava ao pé da minha mãe, outra fanática por rádio. Enquanto ela costurava ou fazia outros afazeres, eu brincava. E através de um Philips ou em outro de marca Belmonte, aqueles de válvula e um olho mágico, para auxiliar na sintonia das emissoras, ela ficava ouvindo as novelas da Rádio São Paulo, ou o programa “Parada de Sucessos” da Bandeirantes, notícias na Rádio Piratininga ou Nacional, músicas na Rádio Cultura ou Tupi. Ah… E religiosamente todas as tardes, às 18 horas, reunia os filhos e ouvíamos “A hora da Ave Maria” na rádio 9 de Julho.

Já meu pai, outro fanático por rádio, além de ouvir programas que tocavam fados, afinal era um português saudoso da “terrinha”, costumava ficar com o radinho de pilha ouvindo futebol na Panamericana, Gazeta ou Bandeirantes.

Quando eu já era adolescente, estar em casa era estar com o rádio ligado. Ouvir as estações jovens da época: Difusora, Excelsior e até Mundial do Rio de Janeiro e aproveitar para gravar as músicas preferidas no gravador de fita cassete. Afinal, comprar long-plays ou compactos simples era proibitivo.

À noite, um dos meus maiores passatempos era sintonizar as rádios de outras cidades, tanto em ondas médias como nas curtas. Fazia planilhas listando as rádios e as frequências que eu conseguia sintonizar. Era enorme a emoção de captar em ondas médias rádios de Buenos Aires, Montevideo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e até Salvador. E nas ondas curtas, captar rádios das mais diversas línguas e em plena “Guerra Fria” ouvir a “A Voz da América” ou a ” Radio de Moscou”.

Desde que surgiu a CBN – A rádio que toca notícias, passei a ouvi-la diariamente, tornei-me praticamente um dependente da melhor divulgadora de notícias do país. Até hoje nada me dá mais prazer do que ouvir uma boa música ou saber das últimas, numa boa rádio!!!

Américo de Oliveira Matos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: contagem regressiva para o fim da maldição

Grêmio 2×1 Vasco

Brasileiro B – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Thaciano comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Empurrado pelo torcedor e motivado pelo treinador, o Grêmio venceu um dos adversários diretos pela classificação à Série A. Saiu atrás, com um gol tomado logo nos primeiros minutos, não esmoreceu e virou o placar ainda no primeiro tempo. Bitello fez um gol de “chiripá”, nome de uma indumentária que os gaúchos vestiam antigamente que serviu para batizar esses chutes que saem meio enviesado mas chegam ao seu destino. O outro, de Thaciano, aos moldes “carretão”, aquela máquina movida por tração animal capaz de moer o que havia no caminho. 

Jogou melhor que o adversário e brigou de igual para igual —  o verbo é mais apropriado para o que os dois times apresentaram na disputa pela bola na etapa final. 

Enquanto jogou futebol, o fez com intensidade e velocidade, haja vista o gol da virada: se iniciou com o corte da defesa, a bola foi para Thaciano que encontrou Biel disparando na frente, em uma desabalada correria; o mesmo Thaciano chegou livre na cara do gol, recebeu e marcou. Contra-ataque de carteirinha.

Quando o futebol não se expressava mais,  demonstrou dedicação, esforço e entrega. Teve carrinho com direito a vibração de zagueiro, catimba para conter o desespero do adversário, um goleiro que fez ao menos duas grandes defesas e um ferrolho com três e até quatro volantes de marcação para impedir a pressão no fim da partida.  

Seis pontos à frente do quinto colocado e com 92% de chances de se classificar, faltam agora nove partidas para o fim do campeonato, quatro delas em casa quando teremos o torcedor no cangote para fazer o time resistir ao adversário, e ao futebol precário. Será preciso marcar pontos fora de casa, também, para não corrermos riscos.

A maior motivação está na promessa do treinador de que a meta é subir e o bom futebol a gente vê depois —- suficiente para engajar uma torcida desacreditada no potencial do clube, desde a tragédia do ano passado. Curiosamente, nada diferente do que tínhamos até aqui — até os velhos desafetos do torcedor estiveram todos em campo na tarde deste domingo —, mas o futebol é assim mesmo: a narrativa vale mais do que os fatos. E enquanto a narrativa for vitoriosa, prevalecerá. Que siga sendo ao menos até que a gente se livre dessa maldição. Estamos na contagem regressiva.

Na voz de Lima Duarte, minha homenagem aos operadores de rádio, que completa 100 anos

Nessa semana que se foi, comemoramos os 100 anos de rádio. Cada um a seu jeito, lembrou de histórias marcantes. Dos ouvintes da CBN, vieram lembranças do passado, memórias dos pais que tinham o veiculo como único meio de comunicação. Juntamente a essas memórias, surgiram nomes que construíram o rádio ao longo deste tempo no entretenimento, na música, no jornalismo e no esporte.

Por ouvintes que são, a maioria lembra do que ouve. E no rádio, ouve-se a voz dos locutores, apresentadores e repórteres . Pouco se sabe de quem é capaz de tornar tudo aquilo possível, levando o som até você. São técnicos dos mais variados tipos — hoje, inclusive, técnicos de vídeo, mesmo que o áudio ainda seja a vedete no espaço radiofônico. Uma gente que tem a habilidade de dominar uma sequência de botões, ponteiros, cabos e fios; e fazê-los funcionar de maneira harmônica para que a mensagem chegue até você sem nenhuma intereferência.

Dentre eles, há os que vão além. Interferem e muito no que fazemos diante do microfone. Valorizam a informação, com a sensibilidade dos maestros, sonorizam nossa fala e mexem com a imaginação do ouvinte, trazendo-o para dentro da mensagem. Sem eles nada da magia que dizem o rádio ter se realizaria. Seríamos músicos sem voz. Mensagem sem som.

Em homenagem a todos os radialistas que tornam possível essa magia, reproduzo aqui no blog um depoimento do ator Lima Duarte que conta como a função de operador de som em uma emissora de rádio o resgatou da zona do meretrício, aos 15 anos. Lima pensava ser locutor, mas foi desestimulado pelos donos da emissora diante da “voz de suvaco” com que se apresentou no teste … o resto da história você ouve no depoimento que foi descoberto por Paschoal Júnior — um daqueles maestros que citei no parágrafo acima — na página Operadores de Rádio e Áudio, no Facebook.

Ao Paschoal e ao Claudio Antonio (aquele do Conte Sua História de São Paulo e da Rádio Sucupira) que estão ao meu lado desde o início da minha jornada na CBN; assim como a todos os profissionais que como eles tornam o rádio algo fantástico de se vivenciar, e seria impossivel citá-los nominalmente neste texto; o meu agradecimento pela dedicação e carinho com que fazem rádio.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: o radinho de levar junto

Sylvia Márcia Belinky

Ouvinte da CBN

Photo by Clem Onojeghuo on Pexels.com

Sou viciada em ouvir rádio! Fazendo um monte de outras coisas, adoro ligar o rádio, ouvir notícias, a previsão do tempo, algum cronista que eu curto… Toda vez que ouço no rádio um jornalista dizendo: “Você pode acompanhar nossas imagens pela Internet ou pelo YouTube – e rádio para mim ainda é sem imagem – eu fico me perguntando se quero saber qual a aparência daquela criatura tão simpática e inteligente que eu ouço diariamente naquele horário.

Será que quero mesmo saber se ela é bonita ou feia? Se se veste bem ou se é cafona? Não. Definitivamente não! 

O rádio não tem nada a ver com imagem, a não ser aquela mental que a gente faz de acordo com a sua voz, o que ela diz, seus comentários, se as julgamos inteligente ou não, informada ou nem tanto, se sua opinião “bate” com a sua ou se, na verdade, é daquelas “nada a ver” – e aí, desculpe, mas o que você está fazendo ouvindo essa “zebra”?

De onde vem essa mania, mais do que vício? 

Lembrei-me da época em que fui morar com meu pai e minha avó, aos 9 anos. Todas as manhãs, grudada nesse pai que, dia a dia eu descobria ser mais e mais interessante, divertido, engenhoso e que fazia a barba “the old style”, ou seja, molhava o pincel, fazia um mundo de espuma e passava o barbeador com gilete, cuidadosamente para não se cortar.

Eu do lado, encostada na pia do banheiro, olhos fixos no ritual e ele com seu radinho de pilha na janela, ouvindo o noticiário e respondendo, pacientemente, “trocentas” perguntas: quem é esse cara chato, pai? Vicente Leporace, papai gostava muito das opiniões desse jornalista bastante ácido da época.

E quando acabar a pilha do radinho? Na época, radinho de pilha era super moderno, “made in Japan” (e não na China, como hoje) sendo que bem pouca gente tinha um portátil e ele explicava pacientemente que não seria assim tão rápido que elas iriam acabar. 

Um dia vou ganhar um radinho também? “Mas você já tem o que está no seu quarto!” Não, quero um desses de “levar junto” retrucava eu, encantada com a ideia!

Um ano depois, no meu aniversário, ganhei um e me senti a dona do mundo, super importante! Já as minhas pilhas acabavam bem mais depressa, uma vez que, quando eu não estava na escola, estava grudada no “radinho de levar junto”…

E esse mesmo radinho me acompanhou por toda a adolescência: os programas de músicas que podiam ser pedidas, tipo Enzo de Almeida Passos.

 E lá ia eu ficar pendurada no telefone, ligando para as rádios e pedindo os meus sucessos preferidos: Paul Anka, Neil Sedaka, Elvis Presley…

A primeira notícia de quando Kennedy foi assassinado, tive-a pelo rádio…

Ouço até hoje meus radialistas preferidos: Vera Magalhães, Milton Jung, Cássia Godoy, Carolina Morand, Carlos Alberto Sardenberg…

Há muito tempo não acompanho mais meu pai fazendo a barba, mas a curtição do rádio permanece até hoje, durante o dia todo, praticamente 

Sylvia Márcia Belinky é personagem do Conte Sua História de São Paulo em homenagem aos 100 anos do rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. Em outrubro, voltaremos à programação normal. Então, aproveite para escrever agora a sua história da nossa cidade e enviar para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Lilian Bertin recomenda que você não deixe que sua idade o defina

Photo by nappy on Pexels.com

“Desde que a natureza permita tudo é possível e a idade não pode ser um impeditivo na nossa vida pessoal, profissional, corporativa seja qual for”

Lilian Bertin, empresária

Estamos encerrando a semana em que uma senhora de 96 anos morreu em pleno exercício de suas atividades e reverenciada por boa parcela do mundo. Concluiu o ciclo mais longevo para a ocupante do  seu cargo, na atualidade. E quando se fazia referência a sua idade era uma demonstração de valor, jamais depreciação. Claro, falo  da Rainha Elizabeth II que, por rainha que foi, teve privilégios que os “plebeus” nunca terão; e soube usá-los. A despeito das diferentes condições, cada vez mais teremos pessoas com idade avançada —- seja lá quanto isso signifique para você — no mercado de trabalho, ocupando e competindo por espaços com diversas gerações.

A maior longevidade da população, porém, parece que ainda não foi percebida por alguns gestores, líderes e empresas, que teimam em criar barreiras para os profissionais maduros e mais antigos. A prática, baseada em preconceito, tem nome: etarismo. E como todo preconceito precisa ser enfrentado e superado. Falei desse tema com Lilian Bertin, empresária e mentora de profissionais dispostos a se reinventar na carreira e nos negócios, no Mundo Corporativo da CBN:

“Eu vejo muitos jovens que estão iniciando uma carreira corporativa e já estão mortos pra vida. Eles funcionam a base da manivela. E pessoas com mais de 40, 50 anos que têm uma garra, uma vontade .. têm visão, têm experiência. Eu prefiro acreditar que a idade não nos define”.

Em sua carreira, especialmente na função de mentora, Lilian deparou com inúmeras histórias de pessoas que entenderam a necessidade de mudarem suas carreiras para estenderem a jornada profissional. Um dos exemplos é de um engenheiro de sucesso, de perfil sério e apreciador de vinhos que, após os 70 anos, descobriu-se músico e lançou álbum, onde se apresenta com um talento até então desconhecido. Para o cenário ficar ainda mais completo, ganhou a companhia da mulher que o apoia planejando os shows e atuando nos bastidores:

“Eu tenho certeza que em um ano a gente vai colecionar muito mais histórias como essas, inclusive de pessoas que estão saindo do mundo corporativo ou sendo convidadas a sair. Porque isso está sendo muito frequente e pegando toda essa bagagem, imprimindo, empacotando e transformando num produto, num serviço que pode ajudar muitas pessoas”. 

As mudanças na carreira nem sempre são planejadas ou por vontade própria. O profissional é “convidado” a se afastar e isso tem forte potencial para se transformar em  frustração e medo. Uma sensação que se dá especialmente pela crença de que seremos eternos no ambiente corporativo:

“A gente tem que seguir se preparando e cuidando da nossa imagem, da nossa marca, sempre pensando “se isso não der certo, eu vou fazer aquilo”. Ou seja, não é que você vai ter uma uma visão pessimista, mas é que você tem que estar sempre preparado para você se manter. Então, enquanto você tá ali na empresa, você dá o seu melhor, mas você tem que saber que um dia aquilo pode não existir mais”.

O sentimento de estar sendo descartado atrapalha muitos dos planos, por isso em situações como essa é preciso trabalhar a autoestima, explorando seus recursos internos e se reestruturando a partir do que você já sabe:

“Todas as vezes que eu tive um salto, um crescimento na minha vida, foi em momentos de muita dificuldade de muita frustração, mas quando a gente aprende a trabalhar com isso na nossa vida, acredite portas inimagináveis se abrem lá na frente. Enquanto a gente está preso ao que aconteceu de ruim, a gente não vira a página … é importante seguir em frente até para que a gente se libere dessa energia ruim”.

Lilian recorre a história dos dois lobos que convivem dentro de nós para falar do medo de errar, a medida que se tem uma vida mais madura. Ela lembra que medo e coragem estão dentro de nós, sobreviverá aquele (lobo) que nós alimentarmos. Uma das formas de não dar comida para o lobo errado é perceber que a maior parte da nossa insegurança está relacionada a perda de um status profissional que nos põe em situação muito confortável.  Entender que a cadeira da presidência na qual estamos preso, o crachá no peito e o respeito dos colegas do escritório podem ser substituídos por outros prazeres que a nova profissão nos oferecerá. 

“Olha para dentro disso e fala “o que que eu gostaria de fazer?”, “o que eu posso contribuir?”. Porque quando a gente contribui com o planeta quando a gente contribui com as pessoas, quando a gente quer verdadeiramente a felicidade das pessoas, a gente começa a se doar e essa doação se transforma, muitas vezes, num trabalho, num produto. Foi o que aconteceu comigo”.

Assista à entrevista completa com Lilian Bertin, autora do livro “Minha idade não me define”,ao programa Mundo Corporativo da CBN.

Colaboram com o Mundo Corporativo Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: a loja que o rádio anunciou

Salvador B. de Souza

Ouvinte da CBN

Photo by cottonbro on Pexels.com

Nasci no estado da Bahia, em uma pequena cidade chamada Irajuba, no vale do Jiquiriçá, sudoeste baiano. Cheguei em São Paulo por Guarulhos, em primeiro de janeiro de 1988, sempre ouvindo meu rádio. Hábito que aprendi na Bahia, quando meu pai levantava bem cedinho e já ligava o rádio de pilha para ouvir o Zé Bétio. E continuei. 

Todos os dias, assim que eu me levanto, já ligo também o meu rádio de pilha, na CBN, para ouvir o Mílton Jung com as melhores notícias. Mas adoro também a Débora Freitas, a Cássia Godoy e o Sardenberg. O rádio pra mim é tudo. 

Os locutores falam as notícias. Fazem as críticas sem rodeios. A informação é mais acurada. 

Sempre que viajo, levo comigo um pequeno rádio de pilha para ouvir as notícias locais. Pois no rádio, tudo é anunciado, desde a farmácia do seu Zé até o pequeno negociante de bijuterias. Assim, fico conhecendo toda a cidade em que eu estou passeando, mesmo ainda sem ter andado por ela. O rádio já me contou. 

Vou vendo as lojas ou quaisquer comércios anunciados pelo rádio e comentando com minha esposa: olha aquela loja que o rádio anunciou, o açougue, a padaria na frente da praça. É muito bacana! 

O meu desejo é que o sinal do rádio seja como o GPS que pega em todos os ermos deste país. Ou quem sabe, tão breve, se torne digital para melhorar ainda mais.

Desejo que os profissionais deste meio de comunicação sejam sempre nossos amigos, nossos companheiros, nossos familiares.

Salvador Borges de Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: onde você busca inspiração para o seu trabalho?

“Eu só vi mais longe porque estava sentado em ombros de gigantes”

Isaac Newton
Ilustração das etapas do Touro de Picasso

Se um dos cientistas mais influentes de todos os tempos fez questão de revelar a sua necessidade de desenvolver o seu conhecimento a partir da visão de outros grandes nomes da história, porque com a gente seria diferente? Infelizmente nem sempre temos humildade suficiente para entender essa necessidade. E, arrogantes, cometemos erros e desperdiçamos oportunidades. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso por mais de uma vez trouxemos as lições de grandes pensadores para inspirar nossos comentários. Desta vez, decidimos reunir alguns desses nomes e identificamos lições que podemos aprender com a experiência que eles compartilharam com a humanidade.

Jaime Troiano, logo na abertura de nossa conversa, depois de lembrar Newton, recorreu a Leonardo da Vinci que tinha abertura e capacidade de navegar por vários campos do conhecimento. Estudou de botânica à matemática, de anatomia à arquitetura. Seu interesse foi comparado por Jaime como o de uma criança obstinada a entender o porquê das coisas. Ia além: quando encontrava a resposta, abria novas janelas e sua curiosidade o fazia ir lá no fundo. Uma vida dedicada a conhecer, sempre mais:

“Acredito demais que para sermos bons profissionais, e aqui não me limito ao branding, precisamos ter essa grande angular ativada, a curiosidade à flor da pele, o desejo do porquê. Criar repertório, explorar, ser curioso, inquieto de saber. Isso nos torna profissionais menos rasos, mais capazes de fazer conexões e não apenas acumulador de dados”

Jaime Troiano

Cecília Russo lembrou de Pablo Picasso, inspiração para os gestores de marcas a partir de experiência que realizou para concluir um de seus trabalhos: o El Toro, de 1945. Esse trabalho é uma série de 11 ilustrações feitas em litografia reproduzindo um touro, nas quais a grande busca era pelas linhas mais simples possíveis. 

“Picasso disseca visualmente a imagem de um touro. Cada imagem representa uma fase sucessiva de um processo tendo em vista encontrar o absoluto “espírito” do animal. É como se ele caminhasse de frente para trás, do acabado para o esboço”

Cecília Russo

Em vários projetos de branding o que se busca é tirar os excessos para chegar à essência da marca, explica Cecília. A intenção é eliminar o que polui, desinforma e confunde a mensagem ao cliente.  Ela destaca que aquilo que é essencial passa a mensagem e tem muito mais chance de ser apreendido pelas pessoas e gerar valor. Porém, diante dessa visão, é preciso admitir a dificuldade de se chegar nesse ponto, de se alcançar as palavras sucintas na comunicação da marca, de descobrir o desenho de identidade visual  ideal ou criar o logotipo que seja simples e comunique muito bem o que se quer. 

“A mesma dissecação que Picasso fez, em El Toro, é muitas vezes o que precisamos fazer em gestão de marcas, ir atrás do que é básico, filtrar, selecionar, ser preciso”

Cecília Russo

Muitos outros autores e pensadores já inspiraram os gestores de marcas e  ilustraram nossas conversas por aqui. Seja de Newton, de Picasso, de Da Vinci ou qualquer outra referência que você tenha no seu cotidiano, o importante é saber que, mesmo estando longe de sermos gênios como eles, saber traduzir suas lições e adaptá-las a nossa forma de agir e pensar ajudará sua marca a ser um sucesso.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, às 7h50 da manhã.

Conte Sua História no Rádio de São Paulo: uma herança de pai para filho

Jairo Brandão

Ouvinte da CBN

Photo by Anthony on Pexels.com

O rádio é um meio de comunicação incrível, pois embora de origem antiga, acredito ser de 1896, venceu e seu deu bem com todas as novas tecnologias que surgiram. Não foi engolido pela internet, streaming, celulares, nem pelo grande avanço dos canais de televisão. Habilmente , o rádio funciona integrado com todas essas plataformas e cresceu em audiência. Eu até pensei que com a entrada de tevês digitais e a popularização da internet e dos celulares, o rádio perderia prestígio. Que nada! É tão forte na vida das pessoas que venceu todas essas tecnologias. 

Na minha vida, o rádio começou por volta de 1970. Eu tinha oito anos, quando meu pai, o Senhor Geremias, ouvia o rádio durante seus trabalhos domésticos. Lembro também de minha saudosa mãe, Judite, que ouvia o rádio durante seu trabalho de costura e bordados. Com isso, cresci ouvindo rádio durante o trabalho de meus pais no lar. 

O rádio é uma herança de pai para filho. Depois de aprender com o Seu Geremias, influenciei o meu filho, Gustavo, de 22 anos. Ou seja, passou de geração em geração.

Agora escutamos rádio enquanto trabalhamos com o computador, durante as viagens de carro, nas atividades físicas …  

O rádio resume toda a informação que está nos sites, tevês, jornais e shows ao vivo. Antes tínhamos que ter um aparelho, que chamávamos de rádio para ouvir as transmissões. Hoje, usamos computador, celular e até a TV  para escutar a rádio.     

Um hábito desde jovem é ouvir o rádio enquanto tomo banho: é um momento de relaxar e ao mesmo tempo ficar atualizado. Porém, o melhor momento para eu ouvir rádio é na cama, na hora de dormir. Escuto cerca de uma hora, até que o sono toma conta. Dai, no dia seguinte ele me desperta já com as notícias do dia. 

Das grandes vozes que marcaram minha vida e de meus pais, lembro de  Zé Béttio, Gil Gomes, Afanásio, José Paulo de Andrade, Enia , Eli Corrêa,  e o grande nomes atuais, como Mílton Jung e equipes CBN

Parabéns a todos vocês que fazem da rádio nosso maior e melhor meio de comunicação.

Jairo Brandão  é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br 

Conte Sua História do Rádio em São Paulo: a disputa entre Roberto Carlos e Paulo Sérgio no rádio

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

Photo by Lukas on Pexels.com

Em 1959, quando nasci na Maternidade de Vila Maria, zona norte, a maioria das pessoas não tinha como comprar uma televisão. As notícias, histórias, músicas eram pelo rádio.

Morávamos em um cortiço na Vista Alegre, onde também viviam minhas tias. Quase todos os dias, elas se reuniam em volta do rádio para ouvir a Nacional. Gostavam do programa “História que o povo conta”, interpretadas por Silvio Santos. Éramos pequenos e morríamos de medo com o programa.

Mantivemos o hábito quando nos mudamos para uma casa na Vila Sabrina. No rádio, também havia uma disputa entre os cantores Roberto Carlos e Paulo Sérgio. O programa levava ao ar a música de um e de outro e os ouvintes escolhiam  a melhor. 

Eu e meu irmão, adolescentes, tirávamos sarro com as duas filhas de um dos nossos vizinhos. Toda vez que Paulo Sérgio ganhava a disputa. subíamos no muro e gritávamos para elas: “Paulo Sérgio é o melhor”, Tadinha, fãs do Roberto, elas até choravam. O troco vinha no dia seguinte quando Roberto Carlos era o vencedor. Só que a gente não chorava …

Nos anos de 1970, acordávamos com o Zé Béttio, na Rádio Record, que produzia o ruído de uma bacia d’água sendo despejada sobre os dorminhocos.  “Olha à hora, gente, olha à hora”, “joga água nele”, “acorda, gordo!” Entre uma fala e outra, havia burro zurrando, galo cantando e boi mugindo.

Não abandonamos o rádio nem mesmo quando meu pai conseguiu comprar uma televisão preto e branco. 

Depois que casei, em 1978, passei a levantar da cama com o rádio relógio ligado na Excelsior. E mais tarde, nos anos 90, conheci a querida CBN. 

Hoje, aposentado, com dois netos morando em casa, mantenho o hábito. Acordo às seis horas com as notícias do dia. No caminho da escola, levo os dois com o rádio na CBN, que também é minha companhia nas caminhadas diárias de seis quilômetros. Não desligo meu radinho de pilha nem mesmo na hora do banho ou nos fins de semana. Só mesmo quando quero ouvir música busco a Alpha FM, mas volto em seguida para me atualizar na CBN.

O certo é que aqui em casa não sabemos viver sem ouvir os programas de rádio.  

Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br 

Conte Sua História do Rádio em São Paulo: as luzes das válvulas do rádio

Giuseppe Nardelli

Ouvinte CBN

Photo by Ron Lach on Pexels.com

Bom, o rádio sempre fez parte da minha vida. Lembro que ainda pequeno, tinha uns seis anos, morava no Largo do Arouche. Minha avó, no apartamento da frente, eu, meu pai e minha mãe no do lado. 

Todas as manhãs, eu ia dar um beijo e desejar bom dia pra minha avó, e ela estava ouvido o rádio valvulado. Era lindo: tinha a frente toda decorada; o “dial” era redondo e tinha um ponteiro, feito um relógio.

Ela ouvia às seis horas da manhã, o programa do grande Vicente Leporace. Voz firme e trazendo as notícias do dia.

Ainda estava escuro no quarto dela, mas as luzes das válvulas do rádio projetavam uns pontos lindos através da tampa traseira do rádio, cheia de furinhos. Eu ficava encantado com aquela voz que vinha daquele simples aparelho.

E assim foi… anos depois, meu pai sempre fazia a barba ouvindo a concorrente, Jovem Pan. Todas as manhãs, eu acordava com aquele som do “repita”. Era mágico!

E assim fui tendo o gosto e o vício de ouvir rádio. Mas não é só isso.!

O rádio esteve tão presente na minha vida que, quando minha avó ia para a Itália, o único meio de ter notícias dela era falar pelo rádio amador, o PY. Minha avó tinha um sobrinho que usava rádio amador potente na Itália e ele nos indicou um PY aqui de São Paulo. Pronto! Era só ir na casa dele, com poderosas antenas, e fazer contato com a Itália. Falávamos toda a semana com minha avó através das ondas do rádio. Como você pode ver, caro Milton, o rádio nunca saiu da minha vida. Nem o AM, nem o PY.

Pra encerrar, ganhei o primeiro rádio Philco Transglobe, em 1979. Pegava as ondas curtas. Era um deleite ouvir várias línguas e várias notícias naquele chiado das pequenas e potentes ondas. Tenho ele até hoje, intacto e funcionando!

Na década de 1980, fui fazer rádio na Bandeirantes. Tinha um programa sobre eventos artísticos. Entrevistei muitos artistas e cheguei a fazer rádio ao vivo. Quero dizer que amo rádio e desejo um feliz dia do rádio a todos que, como eu, usam e abusam dessas ondas mágicas!

Giuseppe Nardello é personagem do Conte Sua História de São Paulo, especial 100 anos de rádio. A sonorização é do Cláudio Antonio. A partir de outubro, voltamos a nossa programação normal. Então, aproveite e escreva agora mais um capitulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br