A noite na Livraria da Travessa do Shopping Iguatemi, no lançamento de Escute, expresse e fale (Rocco)ganhou um significado que não cabe apenas na lombada do livro. A fila que se formava, os abraços que se repetiam, as conversas rápidas que sempre parecem ficar pela metade — tudo isso dizia algo simples e profundo: ninguém celebra nada sozinho.
Ao lado dos colegas da CBN
A cena me levou a lembrar de uma frase que escutei certa vez no estúdio da rádio, dita por um ouvinte que atravessou a vida colecionando histórias e amizades: “A gente se encontra para confirmar que existe”. Naquela noite, cada rosto presente fez exatamente isso. Amigos de longa data, colegas de trabalho que acompanham a sua jornada diária e ouvintes que, mesmo sem conviverem fisicamente, carregam uma intimidade construída pela voz que chega ao amanhecer — todos estavam ali, tecendo, sem perceber, o verdadeiro sentido de se comunicar.
Sacavem, eu, Leny e Thomas
Tenho certeza de que a experiência também foi vivenciada pelos meus colegas (e amigos) de jornada literária: Leny Kyrillos, Thomas Brieu e Antonio Sacavem, com quem convivemos intensamente nos últimos anos, desde que iniciamos as discussões para escrevermos juntos Escute, expresse e fale.
Entre os amigos, José Farina, do Colégio Dante Alighieri
A crônica daquela noite não fala só de um livro apoiado sobre a mesa. Fala da força que nasce quando pessoas que fazem parte da nossa trajetória se dispõem a estar por perto, celebrando o que construímos com esforço e alguma teimosia. Fala da alegria silenciosa que surge ao ver alguém que você não esperava, mas que faz questão de aparecer. Fala do privilégio de perceber que a vida é generosa quando nos permite caminhar acompanhados.
Meu companheiro de muitas lutas: Walter Fanganiello Maierovitch
No fim, Escute, expresse e fale não é apenas um título. É também a prática de quem reconhece que amizades se sustentam assim: ouvindo com atenção, dizendo com honestidade, oferecendo palavras que acolhem e gestos que aproximam. A noite do lançamento terminou como terminam os bons encontros: com a sensação de que, antes de qualquer livro, o que realmente vale é o capítulo que os amigos escrevem na gente.
Comunicação é a ação de tornar comum uma ideia, um pensamento, uma impressão. É resultado da atuação conjunta de três grupos de recursos: verbal, não verbal e vocal ou, na simplificação que os peritos do tema me permitirão fazer, palavra, corpo e voz. É a partir da coerência com que esses três recursos se expressam que a nossa mensagem se fortalece e influencia positivamente o outro. Na vida pessoal e profissional podemos nos considerar bem-sucedidos na nossa comunicação quando conseguimos inspirar e motivar os outros a colaborarem conosco. Algo essencial diante do ambiente polarizado que vivemos e da consciência de que a violência começa sempre que as palavras falham.
Um consórcio de pesquisas de Harvard, em 2006, constatou que pessoas com problemas de comunicação praticam e sofrem mais violência. A conclusão foi fruto da observação do comportamento comunicacional de presos de alta periculosidade e de vítimas de violência. Observou-se que a porcentagem de problemas de comunicação nesses dois grupos era maior do que na população em geral. Quando nos comunicamos mal geramos mais mal-entendidos. O ato da comunicação pressupõe aproximação. Nos sentimos melhores, mais felizes, quando somos capazes de explicitar para o outro o que queremos, o que necessitamos e o que esperamos dele. Quando esse processo é prejudicado, corremos o risco de não ter o retorno desejado, o que aumenta o nível de infelicidade.
Portanto, a boa comunicação nos faz mais felizes e, também, é o antídoto à intolerância que contamina as relações na sociedade atual. Seu aprimoramento permite que nos aproximemos de grupos que não pensam e não agem como nós, chamados de “insuportáveis” pelo psicólogo Luis Meirelles (que infelizmente nos deixou muito cedo), a medida que facilita a identificação de pontos de convergência.
Essas são algumas das ideias que defendemos no livro “Escute, expresse e fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso” (Editora Rocco), escrito com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, o doutor em gestão e especialista em comunicação não verbal, o português António Sacavém, e o especialista em escutatória, o franco-brasileiro Thomas Brieu.
A mal-entendida regra 7-38-55
Logo nos primeiros capítulos do livro, fazemos um alerta: cuidado para não ser levado por uma avaliação inconsistente e superficial, que distorce o clássico estudo do professor emérito de psicologia na Universidade da California, em Los Angeles, Albert Mehrabian. Em 1967, ao lado de colegas da UCLA, o professor Mehrabian identificou que quando o significado da palavra contradiz a atitude comunicada, a mensagem é julgada segundo a atitude. Ou seja, o não verbal prevalece sobre o verbal. Foi além no estudo e entendeu que se prestava atenção uma vez e meia mais à expressão facial do que ao tom da voz. No fim das contas, concluiu que as pessoas comunicavam apenas 7% das informações por meio das palavras, 38% pela voz e 55% pelo corpo.
Infelizmente a regra 7-38-55 passou a ser usada de forma distorcida, dando a entender que a palavra tinha pouca importância na comunicação. O próprio Mehrabian se esforçou em alertar que não era essa a intenção dele, mesmo porque estava ciente das condições em que havia realizado sua pesquisa e dizia que havia situações em que, certamente, a palavra se sobrepunha ao corpo e a voz, por exemplo quando se trata de dar instruções para alguém. Veja que curioso, um especialista em comunicação sendo mal entendido a partir da forma como se comunicou!
Tenha consciência do seu comportamento
Daí vem uma outra lição essencial: comunicação não é o que eu digo, é o que o outro entende. Entre o que eu digo e o outro entende — entre emissor e receptor — há uma série de fatores que interferem, tais como vocabulário, tom da voz, gestos, a roupa que uso, o preconceito que tenho e que o outro tem de mim. É isso mesmo, a minha comunicação muitas vezes depende do outro, da disposição que ele tem em receber a mensagem, da confiança que ele tem em mim, por isso esse é sempre um processo complexo.
Um dos erros mais comuns dos executivos ao se comunicar, em especial diante de seus colaboradores, é a falta da consciência de como esse processo da comunicação funciona. Prepotentes ou autossuficientes, acreditam que basta falar, e falar o que bem entendem. Aos outros, cabe entender o que foi dito. E “tenho dito!”.
Falhas deixam funcionários instatisfeitos
Para se ter ideia, após ouvir 1.300 analistas, coordenadores, gestores, supervisores, gerentes e diretores, a consultoria de recursos humanos DMRH encontrou um resultado incrível tanto quanto preocupante: 47,9% dos profissionais brasileiros estavam insatisfeitos com a qualidade da comunicação no trabalho. Metade das pessoas reclamou da falta de clareza dos executivos de sua empresa. Pior: 60% disseram não saber quais eram suas metas. Trabalham sem ter ciência de onde a empresa e seus líderes querem que eles cheguem! Podemos concluir que esses, infelizmente, não são liderados, apenas cumprem ordens.
Essas falhas de comunicação afetam no relacionamento, na produtividade e na saúde mental dos colaboradores. A revista britânica The Economist, a partir de pesquisa com 403 executivos americanos, descobriu que mais da metade deles (52%) entendem que barreiras da comunicação contribuíram para ao aumento do estresse. Instruções pouco claras dos superiores, reuniões inúteis e outras situações de descontrole, impactaram os negócios como atraso ou falha na conclusão de projetos (44%), no baixo moral da equipe (31%), nas metas de desempenho não alcançadas (25%) e nas vendas perdidas (18%) — algumas no valor de centenas de milhares de dólares.
Assim como erramos nas mais diversas línguas — nos casos que citei, em português e inglês —, percebe-se nos dois estudos, a despeito de terem focos e metodologias diferentes, que estamos evoluindo muito lentamente no tema da comunicação nas empresas. A primeira é de 2007 e a segunda de 2017. Atente-se: ambas, antes da pandemia, que, certamente, impactou ainda mais a forma de nos comunicarmos na empresa.
É preciso ter atenção com a voz
Se não temos consciência sobre o processo de comunicação e, por isso, erramos, também não nos atentamos a como nossa voz é produzida e como impacta os outros. E, portanto, muitas vezes incomodamos. Ou corremos o risco de incomodar. O tempo, a melodia, a pausa, o ritmo e o volume da nossa voz, entre outros fatores, influenciam as nossas relações e constróem a nossa imagem, ensina a Dra Leny Kyrillos. Por exemplo, quando direcionamos o trabalho de projeção da voz para a garganta, geramos uma sobrecarga, enrijecemos a musculatura dessa região do corpo, a laringe fica mais elevada e a voz agudizada. Não bastasse o risco de transmitirmos uma imagem infantil, ainda tendemos a elevar o pescoço e gerarmos uma expressão de prepotência. A turma na empresa diz que o chefe tem o “nariz em pé” e se afasta. Tudo se resolveria com um ajuste vocal.
Não somos bons ouvintes
Há um erro bastante comum entre os executivos que é a dificuldade em escutar o outro. Thomas Brieu, que se dedica a linguagem colaborativa, costuma dizer que se nascemos humanos, não somos bons ouvintes. Pode ser chocante, mas é verdade. Durante bilhões de anos, nossa escuta foi orientada apenas para a nossa sobrevivência, para discernir o que é risco e o que é oportunidade. A escuta de ideias complexas por meio da linguagem é algo muito recente para o nosso cérebro. Se não escutamos, não sabemos qual é a necessidade do outro, o interesse dele naquela conversa ou se ele está aberto para receber a nossa mensagem. Temos o triste hábito de ouvir para responder e não para aprender.
A aplicação de um programa educacional de escutatória em uma empresa de callcenter, aqui no Brasil, redesenhou o planejamento da conversa dos atendentes com os clientes. Deixou de ser sobre o que a empresa queria falar e passou a ser sobre o que a empresa queria ouvir do cliente. Ganhou-se qualidade e bem-estar entre os funcionários, porque as conversas ficaram menos estressantes, e ganhou-se tempo. Com o uso de perguntas abertas e provas de escuta, um dos principais indicadores de desempenho do setor, o TMA (Tempo Médio de Atendimento) diminuiu ou ficou igual.
Use a palavra certa
Como escutamos pouco, aprendemos pouco. E por pouco que aprendemos temos um vocabulário limitado que atrapalha a comunicação. Sem repertório torna-se mais difícil precisar o que pensamos e desejamos. Como liderar pessoas se temos dificuldade em expressar com as palavras para onde eles devem caminhar? Aumenta a possibilidade de usarmos as palavras de maneira imprópria, causando desentendimento, e nos impede de termos versatilidade no vocabulário, prejudicando a conversa com os diversos públicos com os quais interagimos. Jargões do setor em que atuo podem fazer sentido no diálogo com os meus liderados, que estão na mesma área, e serem completamente inúteis e desastrosos quando me relaciono com os meus clientes.
Líderes também erram
Falta de consciência sobre como funciona o processo de comunicação. Falta de atenção com o padrão vocal e como influencia o outro. Incapacidade de escutar o seu interlocutor, e vocabulário restrito. Essas são falhas comuns entre executivos. Porque executivos, líderes e gestores também erram! Como erramos todos. E aqui vai um erro final e fatal: os líderes têm medo de errar e de admitir seus erros. Com isso mantém distância dos liderados e não oferecem espaço para que eles ajudem, sugiram mudanças e façam correção de rota em projetos. Prejudicam assim a comunicação. Por isso, António Sacavém, que ensina inteligência não verbal e emocional a executivos, defende a presença de líderes nas empresas que se permitam algum grau de vulnerabilidade. Líderes que não queiram ser vistos como robôs ou como exemplos de perfeição, mas como seres humanos, que têm pontos fortes, que o levaram até aquela função, e fracos, que exigem a colaboração da equipe.
Lançamento do livro
Você é convidado a participar do bate-papo e sessão de autógrafos, com a presença dos quatro autores do livro “Escute, expresse e fale!”(Editora Rocco), que se realizará nesta quinta-feira, dia 9 de fevereiro, às 19h, na Livraria da Travessa, do Shopping Iguatemi, de São Paulo. O livro já está à venda nas principais livrarias e nas plataformas eletrônicas, no formato impresso e digital.
Em entrevista ao jornal SC no Ar, na TV Record de Santa Catarina, nossa colega e fonoaudióloga Leny Kyrillos falou do lançamento de “Escute, expresse e fale!” (Editora Rocco). Na conversa com a âncora Márcia Dutra, Leny destacou a importância da harmonia nos três grupos de recursos da comunicação: o verbal, o não verbal e o vocal. E, também, apresentou sugestões importantes para quem tem de encarar as reuniões virtuais na empresa.
Assista à entrevista completa:
O lançamento de “Escute, expresse e fale!” será nesta quinta-feira, dia 9 de fevereiro, às 19 horas, na Livraria da Travessa, no Shopping Iguatemi de São Paulo. Na primeira meia hora do encontro, os quatro autores — Leny, António Sacavém, Thomas Brieu e eu — compartilharemos com os leitores alguns dos temas em destaque no livro que trata de comunicação e liderança.
Com direito a Júnior no sobrenome, o que muito me orgulha, o lançamento do livro Expresse, escute e fale! ganhou destaque, nesta semana, no Coletiva.net, portal de notícias e revista digital, dedicado a assuntos relacionados a carreiras e negócios nas áreas de Marketing e Comunicação, no Rio Grande do Sul:
A seguir, reproduzo alguns trechos da entrevista:
Comunicar-se de forma efetiva, seja pessoalmente ou virtualmente: essa é a proposta do novo livro do jornalista gaúcho Mílton Jung Jr.
“O livro pretende ajudar as pessoas a terem uma comunicação poderosa nas relações pessoais e profissionais”, explica Mílton.
Ainda de acordo com ele, os quatro autores são unidos pelo “sonho de fazer da habilidade, a competência que nos capacite a sermos humanos evoluídos em um mundo melhor”. Vocabulário, escuta, abertura para o outro, identificação de emoções e o uso da voz são algumas ferramentas exploradas pela obra.
Embora a estreia da produção esteja marcada primeiramente para a capital paulista, o objetivo é poder lançar, também, em Porto Alegre.
Junto com o gaúcho, estão os escritores António Sacavém, doutor em Gestão e especializado em comunicação não verbal, e Leny Kyrillos, fonoaudióloga da TV Globo de São Paulo, da rádio CBN e pesquisadora da voz. Além deles, assina a obra, também, o prático em escutatória, comunicação verbal e padrões de linguagem colaborativos, Thomas Brieu.
“Segui-las não garante o sucesso, fazer o oposto é a certeza do fracasso”
Jaime Troiano
Com o fim das férias de janeiro e o Carnaval se aproximando, muitos pequenos e médios empresários começam a pensar nas novidades que pretendem apresentar para a temporada que se inicia. A tentação em renovar sua marca com a intenção de expressar um novo tempo é tão grande quanto perigosa. Portanto, antes de qualquer mudança, é importante considerar seis lições fundamentais em gestão de marcas, que foram apresentadas por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.
Vamos a elas:
Marca não é tapume: não mostre o que não é, não prometa o que não pode entregar, especialmente nesse cenário digital em que todo mundo parece saber de quase tudo.
Noiva não se escolhe no altar: não esperem que o consumidor se apaixone pela sua marca apenas no ponto de venda, comece o namora antes. Crie canais de contato com os seus clientes potenciais e espere que o noivado venha
Quem não entende de gente, não entende de marca: se você não gosta de fuçar na vida alheia, de entender os outros, deixe que outra pessoa da empresa cuide de planejar o conceito, o posicionamento da marca, seu estilo gráfico etc
Consumidor diz o que pensa, mas faz o que sente: não caia na tentação de acreditar na primeira resposta que o seu público lhe oferece
“Você quer saber porque ele comprou aquele terno e logo ouve: ‘Ah, eu comprei este terno porque o tecido é de qualidade, e a costura é bem feita’, além de outras explicações bem racionais. Lá dentro do provador, o cara experimentando o terno, fala consigo mesmo: putz, caiu muito bem em mim, acho que vou agradar na festa”.
Cecília Russo
Evite mudanças bruscas: ou não jogue fora o bebê junto com a água do banho. Cuidado para as mudanças radicais na representação gráfica da sua marca, nas promessas que faz, no jeito de se comunicar com o mercado. Foi pode se tornar irreconhecível e perder o que demorou tanto tempo para construir.
Marca forte não resiste a produto ruim: de nada servirá uma marca muito bem planejada se o produtor e o serviço que você entrega não atende a expectativa do seu público-alvo.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo que foi ao ar no Jornal da CBN:
Após dois estudos realizados por empresas que atuam no setor de recursos humanos e de educação corporativa indicarem a comunicação como a principal competência a ser desenvolvida em 2023, o jornalista Jacílio Saraiva, do jornal Valor Econômico quis saber como devemos agir para estarmos mais bem preparados para essa demanda do mercado corporativo. A reportagem completa você lê no site do jornal:
Como aperfeiçoar a comunicação, principal competência de 2023
Segundo pesquisas, saber se comunicar é uma das habilidades mais valorizadas este ano cinco dicas para se destacar
Por Jacílio Saraiva, Para O Valor
A boa comunicação com pares e liderados é considerada a competência mais importante deste ano, segundo estudos de marcas de recrutamento de executivos. A ZipRecruiter, por exemplo, listou as habilidades mais requisitadas em sua plataforma, englobando os empregos disponíveis no site que solicitam essa competência. Saber se comunicar bem está presente em 6,1 milhões de empregos. A Robert Half, em parceria com a escola de educação corporativa The School of Life Brasil, também aponta a habilidade como essencial, aparecendo em quase 100% das vagas.
Na visão do comunicador Milton Jung, âncora da rádio CBN e coautor – com Antônio Sacavém, Leny Kyrillos e Thomas Brieu – do livro “Escute, expresse e fale!” (Editora Rocco), que acaba de ser lançado, profissionais interessados em uma melhor interação devem saber que a comunicação vai além da fala.
“Ela é o resultado da atuação conjunta de três grupos de recursos: verbal, não verbal e vocal ou, simplificando, a palavra, o corpo e a voz”, explica o jornalista ao Valor. A partir da combinação desses ativos, as mensagens se fortalecem e influenciam positivamente os outros, diz.
Nessa linha, Jung cita um estudo do professor emérito de psicologia da Universidade da Califórnia (EUA), Albert Mehrabian, que identificou, ainda nos anos 1960, que quando o significado da palavra contradiz a atitude comunicada, a mensagem será julgada segundo a postura de quem fala. Ou seja, o não verbal prevalece sobre o verbal e as pessoas prestam mais atenção à expressão facial do que ao tom da voz, explica Jung. O trabalho de Mehrabian conclui que as pessoas comunicavam apenas 7% das informações por meio de palavras, 38° pela voz e 55% com a ajuda do corpo.
Diante desses números, continua Jung, vem mais uma lição sobre o tema: a comunicação não é o que eu digo, é o que o outro entende. “Entre o que eu falo e o que você escuta, há muitos fatores que interferem no diálogo, como o vocabulário, o tom da voz, os gestos e, até, a roupa que uso na ocasião”, afirma. Segundo ele, muitas vezes, a comunicação dependerá da disposição que a pessoa que ouve apresenta ao receber a mensagem e da confiança que tem em você.
Jung lembra também do peso da comunicação na costura de relações mais saudáveis e empáticas. “A empatia define o tipo de conexão que estabelecemos e é fundamental para construirmos, nas empresas, equipes cada vez mais diversas e inclusivas”, destaca. De acordo com ele, tem a ver com a forma como ‘embalamos’ as informações que damos, com a maneira como as transmitimos e, principalmente, com o exercício da escuta ativa.
Jung lista cinco orientações para quem deseja se comunicar melhor:
1. Invista no autoconhecimento
É importante entender como nos comunicamos. Tente perceber a maneira como projeta a sua voz e impacta as pessoas ao entorno.
2. Escute
Exercite a “escutatória” ou a preocupação de ouvir mais e melhor. Isso inclui identificar os interesses do outro, deixar o celular ou o computador de lado quando está diante de um interlocutor, prestar atenção às palavras e argumentos, além de manter uma postura “aberta”, de curiosidade e atenção.
3. Identifique o seu público
Saiba com quem vai falar. Assim, poderá escolher qual vocabulário usar durante o diálogo, as abordagens mais apropriadas e o que esperar, de possíveis respostas, da audiência.
4. Planeje a mensagem
Identifique as informações que pretende transmitir e as separe, no discurso, por ordem de importância. É possível ilustrar a fala com histórias, metáforas, números e pesquisas. Busque também saber o tempo que terá disponível para que a conversa tenha início, meio e fim.
5. Fale claramente
Seja simples e direto. Adote expressões que as pessoas dominam, prefira frases mais curtas e seja claro sobre os objetivos da conversa.
Parque do Ibirapuera em foto aérea de Renata Carvalho, feita do helicóptero da rádio CBN
Passei minha infância no bairro do Paraíso. Estudava no Grupo Escolar Rodrigues Alves, na avenida Paulista. Minha mãe exercia o magistério na escola e alfabetizava os filhos de emigrantes chineses, húngaros, japoneses e todos que chegavam ao Brasil fugindo da guerra na Europa.
Naquele tempo, era um guarda municipal que apitava fazendo os carros pararem para os alunos atravessassem a avenida. Além do pipoqueiro, sempre esperando a saída dos alunos, havia o algodão doce e o homem da “machadinha” — um doce que de tão duro era cortado com a dita machada.
Morávamos na rua Sampaio Viana num conjunto de casas construídas para funcionários de bancos (antigo IAPB) e todos se conheciam. Éramos uma família.
O privilégio de ter minha infância no Paraíso foi a proximidade do parque do Ibirapuera onde fazíamos piquenique pelo menos uma vez por mês.
Nos anos 1940 só a vegetação nativa e os eucaliptos faziam sombra para nossas brincadeiras.
Nas noites de verão, juntávamos a turma e subíamos até a rua Cubatão para ir tomar sorvete no Alaska. Na rua Tutoia, uma padaria fazia pizza, que naquele tempo só poderia ser de aliche ou mussarela.
Lembranças de uma São Paulo onde nasci e a vi crescer vertiginosamente. Tenho orgulho da força dos que nela viveram e vivem.
Maria Elisabete Fonseca Marun é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outras histórias no podcast do Conte Sua História de São Paulo.
“Se eu tento buscar a felicidade diretamente, eu corro o grave risco de me sentir ainda mais ansioso e angustiado”
Gustavo Arns, empreendedor
Tem uma parte da felicidade que é humana, portanto vale para todos os seres humanos do planeta. Tem uma parte que é cultural e por assim ser dependerá de fatores como a região e o meio em que você vive. Uma pequena parcela é individual ou seja subjetiva e vai se diferenciar de uma pessoa para outra. Quer um exemplo? Ao fazer atividade física você vai produzir hormônios como a dopamina e a endorfina que oferecem uma sensação de satisfação. Isso é humano! É do coletivo! Agora, se a atividade que vai lhe oferecer felicidade é a musculação na academia, o futebol com os colegas, a sessão de alongamento ou o yoga em casa, dependerá de uma escolha individual, daquilo que atenderá melhor suas expectativas.
Compreender as diferentes camadas que nos levam à felicidade é um dos papeis da psicologia positiva, tema para o qual se dedica Gustavo Arns, idealizador do Congresso Internacional da Felicidade. Na entrevista que fiz com ele no Mundo Corporativo da CBN, olhamos para dentro das organizações para entender se é possível ser feliz no trabalho. Antes de chegar a essa resposta, Gustavo recorre a definição de felicidade descrita por Tal Ben-Shahar, professor de Harvard e uma das maiores referências internacionais no tema. Para ele, a felicidade é a combinação de cinco elementos: o bem-estar físico, emocional, intelectual, relacional e espiritual.
“A gente pode levar esses mesmos conceitos para dentro das organizações e nós podemos, também, olhar com um pouco mais de calma para essa questão, também importante, do sentido do significado, do propósito, das realizações que são uma parte bastante tangível no trabalho”.
O professor de pós-graduação de psicologia positiva da PUC do Rio Grande do Sul, com base em pesquisas científicas, diz que o investimento no bem-estar do colaborador tem relação direta com dois aspectos: a produtividade e a satisfação do cliente, que são fundamentais para o sucesso da empresa. Além disso, há redução do absenteísmo, maior retenção de talentos, cresce o engajamento e diminui o gasto com plano de saúde. entre muitas outras vantagens. O desafio é alcançar esse estágio conjugando vida pessoal e profissional diante da aceleração dos processos, da pressão por resultados e da comunicação instantânea que não respeita mais hora de expediente.
É difícil ser feliz em um cenário desses? Sem dúvida! A tendência é depararmos com o estresse, a ansiedade e as angústias. Nessas situações, vale ressaltar que a ciência da felicidade não surge para encobrir esses problemas:
“Muitas pessoas acreditam que uma vida mais feliz seria uma vida livre de tristeza ou livre de estresse ou livre de ansiedade. Isso é humanamente impossível. Todas essas emoções fazem parte da vida humana e vão nos acompanhar a vida toda. O que a ciência da felicidade nos mostra é que o bem-estar emocional está na forma como nós lidamos com cada uma dessas emoções”.
Para tanto, Gustavo sugere que sejamos educados emocionalmente porque apenas assim saberemos lidar com essas situações complexas, caso contrário estaremos fadados a trocar de emprego diante de cada frustração na ilusão de que a felicidade está sempre na outra empresa. Ou no salário maior. Eis aqui outro aspecto que precisa ser mais bem entendido: reajuste salarial é bom mas não é a razão de ser da felicidade.
“Aquelas pessoas que vão mudando de trabalho esperando encontrar menos ansiedade e menos estresse é pouco provável que isso aconteça, porque este é um trabalho que deve ser feito interno. Isso é um trabalho de autoconhecimento. Isso é um trabalho de autodesenvolvimento e que as empresas de alguma forma podem auxiliar os seus colaboradores”.
O papel dos líderes é fundamental para que se crie um ambiente saudável dentro das organizações, refletindo no bem-estar dos profissionais. No entanto, percebe-se que lideranças tóxicas persistem no comando de muitas empresas. Uma das opções seria trocar de chefe, possibilidade que não está à disposição de todos os profissionais. Nesses casos, Gustavo sugere que as pessoas se fortaleçam internamente de forma que a toxicidade do líder cause doença e desequilíbrio emocional:
“Você vai cuidando das condições básicas, físicas, sono, alimentação, exercícios que vão te dando disposição, vitalidade, energia pra gerir melhor essas emoções”.
Para entender outros aspectos da busca pela felicidade na vida —- incluindo a profissional — assista ao programa completo do Mundo Corporativo da CBN, com Gustavo Arns:
Colaboram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Rafael Furugen, Bruno Teixeira e Renato Barcellos.
“A vida privada e a pública se mesclam, seja a favor ou contra as marcas”.
Jaime Troiano
Steve Jobs na Apple e Luiza Helena Trajano na Magalu. Um exemplo de fora e outro de dentro. Os dois são empresários e líderes que emprestaram sua imagem para construir as marcas que representam. Uso o verbo ‘emprestar’ porque mesmo sendo os ‘donos’ poderiam atuar como tantos outros que o público mal é capaz de lembrar o nome. Jobs e Luiza Helena são a cara das marcas em uma estratégia que pode dar muito certo. Ou não, como lembram Cecília Russo e Jaime Troiano, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.
O envolvimento em escândalos, o exibicionismo em demasia ou às opiniões controversas resultam em perdas para a marca quando o líder está muito identificado com o produto ou serviço entregues:
“Já tivemos líderes brasileiros envolvidos em casos de corrupção que tiveram suas marcas, ao menos temporariamente, machucadas. Envolvimento com política também não é sempre bem-vindo. Não é que não possa se posicionar, mas algumas vezes misturar marca e política nem sempre dá uma boa química”
Cecília Russo
O inverso é verdadeiro:
“O primeiro efeito positivo é a transferência de valores e personalidade do líder para a marca. Se pensarmos no Steve Jobs, todo seu lado criativo, ousado e inovador foi o que contaminou positivamente a marca que ele criou e que persiste até hoje. Seu nome é ainda muito citado, mesmo após mais de 11 anos de sua morte”.
Jaime Troiano
Semelhantes aos casos da Apple e da Magalu, temos Chieko Aoki com os hotéis Bluetree, o Comandante Rolim e a antiga TAM e Antônio Ermírio de Moraes para a Votorantim, apenas para lembrar alguns dos mais expressivos no cenário nacional.
A simbiose entre a imagem do dono e a imagem da marca exige muita sensibilidade, porque mesmo que se pense que a vida privada de alguém não deveria se misturar aos aspectos empresariais, a medida que essa relação está caracterizada um contaminará o outro: positiva ou negativamente:
“Mesmo que uma coisa não necessariamente tenha a ver com a outra, mas quando o principal gestor tem uma vida pública muito tumultuada, expõe-se nas redes sociais em demasia, com shows de exibicionismo, por exemplo, isso pode impactar a reputação da marca”.
Cecília Russo
Ouça aqui o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, edição de sábado, às 7h50 da manhã.
Parque Severo Gomes em foto da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de SP
Tive a sorte de crescer aqui no Jardim Hípico, uma vila de casas que tem este nome por estar colada ao Clube Hípico de Santo Amaro.
Tanto o clube como um parque ao lado, o Severo Gomes formam um grande pedaço de Mata Atlântica preservada. Nem parece que a gente está em uma enorme cidade como São Paulo. Tem até um córrego passando aqui.
Foi neste clube que eu vi pela primeira vez um bicho-preguiça. Além dos movimentos “em câmera lenta”, ele tem uma expressão meio sorridente e unhas muito compridas.
O clube é cheio de alamedas arborizadas. Tem uma grande variedade de árvores, plantas e todo o bairro abriga muitos pássaros.
De julho até novembro, os sabiás-laranjeira nos acordam às quatro da manhã. A partir das seis horas, os pardais não dão mais sossego. Bem-te-vi? Maritaca? João-de-barro? Essa turma toda está aqui.
Nos anos 1980, também começou a surgir na vila um bicho com aparência bem esquisita, o saruê ou o gambá. Ele é um marsupial: cria os filhotes numa bolsa como os cangurus, mas se parece um ratão e invade os quintais atrás de comida, apavorando alguns moradores.
Na segunda metade dos anos 1990 cresceu muito a presença de saguis. Eles se espalharam a partir do clube para outros bairros ao redor. De manhã, costumam descer a rua principal da vila em bandos. Eles vêm sempre pela fiação dos postes e depois somem.
A impressão que tenho é que tanto os saruês como os saguis haviam se afastado nos anos 1960 por conta da presença humana e da criação da vila. Tempos depois acabaram voltando para o lugar — se acostumaram com o bicho homem. Como eles, eu também espero continuar aqui por muito tempo.
Mário Curcio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br