Mundo Corporativo: Bertier Ribeiro-Neto, da UME, explica como empreender com tecnologia e supervisão humana

Bastidores da entrevista online com CTO da UME Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A minha visão é sempre muita tecnologia com supervisão do humano.”
Bertier Ribeiro-Neto

Empreender começa menos pelo plano de negócios e mais por um incômodo real: “O que que te incomoda? Qual o problema que você gostaria de resolver? Por que que você gostaria de resolver esse problema?” A partir dessa provocação, Bertier Ribeiro-Neto, CTO da UME, conecta a prática do empreendedorismo ao uso criterioso de tecnologia para resolver dores concretas de clientes. Esse foi um dos temas sobre os quais conversamos no Mundo Corporativo.

Tecnologia que resolve problemas (com gente no circuito)

Para Bertier, automatizar decisões é útil, mas não basta: “O resultado não é verídico, o resultado não é final, o processo precisa de supervisão.” Ele descreve a operação da UME no varejo — concessão de crédito no ponto de venda em minutos — como um arranjo que combina dados públicos, relacionamento do cliente com o lojista, informações de renda e um “motor de crédito”, isto é, “um núcleo de inteligência artificial que combina todos esses sinais e toma uma decisão de forma automatizada”.

Mesmo assim, o critério é manter controle humano sobre o que o modelo decide: “A gente treina o modelo, coloca o modelo no ar, faz uma série de testes e a gente pergunta: ‘O modelo tá tomando decisão boa ou não?’ Quando o modelo toma decisão ruim, como é que a gente para o modelo e passa a decisão para um agente humano?”

Essa postura, diz ele, vale para qualquer empreendimento que adote IA: não aplicar tecnologia “de forma cega”, mas medir impacto e qualidade continuamente. “O propósito não é usar a tecnologia. O propósito é resolver um problema que aflige o seu cliente.”

Siga o cliente, o resto é consequência

A bússola de produto segue uma regra simples aprendida nos tempos de Google: “Follow the user. All else is a consequence.” Em português: “Siga o usuário, o resto é consequência.” No contexto da UME, isso significa observar necessidades diferentes por segmento (da “super compra” de uma geladeira ao crédito atrelado a um celular com garantia via bloqueio remoto) e desenvolver produtos que façam sentido no momento da decisão.

Ao falar com quem quer empreender, Bertier volta ao princípio: antes de crescer, encontre a solução que melhora a experiência de quem usa. “Você vai criar uma solução para aquele caso de uso, se a solução for boa, as pessoas vão adotar a solução, o resto é consequência.”

Escala com estabilidade e métricas

Os desafios atuais combinam crescimento e qualidade. “Estabilidade é muito importante… o sistema não pode cair.” Em paralelo, medir resultado passa a ser obrigatório: produtividade, capacidade de atendimento “com o mesmo time” e, sobretudo, a experiência do cliente e do varejista. Se a qualidade piora, “tem um problema”.

Ao olhar adiante, a aposta é que “o futuro do crédito não está mais nos bancos… está nas empresas que têm relacionamento direto com o consumidor”. Daí iniciativas como ferramentas de CRM para que o varejista “se comunique com o cliente do crédito” e refine sua visão sobre recorrência e preferências de compra.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: os craques do areião de Pinheiros

Newton Herrera Feitoza

Ouvinte da CBN

Em Pinheiros, havia o Cine Brasil

Tenho 82 anos de idade e de Pinheiros. Nas minhas mais antigas lembranças, o bonde rolava pela rua Teodoro Sampaio que tinha mão dupla.

Onde hoje está o Shopping Eldorado havia o famoso “areião”, por onde passaram astros do nosso futebol, como o goleiro Aldo e o ponta direita Roberto Bataglia, ambos do Corinthians, entre tantos outros.

A  Avenida Rebouças era calçada até a Av. Brigadeiro Faria Lima, antiga Rua dos Pinheiros. Dali para frente o piso era de terra e a ponte era de madeira.

Havia um cinema, o Cine Brasil que ficava lotando quando reproduzia os filmes da Atlântica, com os gigantes Oscarito e Grande Otelo; os irmãos Farney; e a linda Eliana.

O Mercado de Pinheiros era na junção das ruas Iguatemi e Teodoro Sampaio, tinha piso de paralelepípedos e barracas cobertas com lona. Quando chovia era um transtorno.

Uma época em que fui muito feliz, em São Paulo!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Newton Herrera Feitoza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Ocupação sem fim

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Celular, trabalho, séries, comida, sono, exercício físico, estudos, bebida alcoólica, submissão, silêncio…

O que isso tudo tem em comum?

A gente se enche de coisas pra fazer. Não é difícil achar uma ocupação, até porque as opções na vitrine são várias – sempre tem uma informação nova, uma reunião nova, algo imperdível ou urgente na lista do dia.

A gente entra, se afoga, tenta respirar na superfície, se afoga de novo, nada mais um pouco… E assim a gente vai vivendo – vivendo?

De repente, passou a semana, não fizemos o que era importante, continuamos tristes, irritados, cansados. De repente, tem um tanto de coisa que precisa mudar pra nossa vida melhorar, mas… passou.

Celular, trabalho, séries, comida, sono, exercício físico, estudos, bebida alcoólica, submissão, silêncio…

Quantas fugas.

Quantos jeitos diferentes temos de não parar, não olhar pra dentro, não encarar o que está torto ou o que dói.

Quantas maneiras encontramos de nos ocupar – inclusive, com atividades que, aos olhos da sociedade, parecem banais (celular) ou até muito úteis e admiráveis (trabalhar, conquistar mais e mais, fazer sucesso).

Aqui, vamos pensar além da forma: Por que fazemos o que fazemos? Estamos conectados e envolvidos com nossas escolhas e ações, elas têm um fim – ou seja, um objetivo bom para nós?

Por que fazemos o que fazemos? Estamos nos ocupando de atividades e tarefas que nos mantêm distantes de ter que olhar e sentir e lidar com aquilo que é pesado, sofrido, desafiador?

Natural fugirmos do que assusta; podemos fugir vez ou outra, como uma estratégia para respirar ou suportar. O que prejudica mesmo é essa ocupação sem fim – essa ocupação que afoga, que desconecta, que não tem um fim saudável e desejável, porque é só um “tapa-buraco”.

Que buracos estamos tentando evitar? Que vazios estamos tentando preencher?

Fica o convite… Vamos, sim, nos ocupar – com uma finalidade: o de, verdadeiramente, ser e viver. Ocupação com fim.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que a história da Globo ensina sobre marcas centenárias

reprodução de imagem do acervo da exposição Globo 100 anos

Completar 100 anos é um feito raro para qualquer empresa. Mais do que celebrar a longevidade, trata-se de mostrar como uma marca consegue atravessar décadas mantendo relevância, propósito e conexão com o público. Esse foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN, a partir das comemorações do centenário do Grupo Globo.

Cecília destacou que a figura do fundador é central para entender essa permanência. “Quando o sonho do fundador permanece vivo nas decisões de marca, a presença dele e dos valores que estabeleceu se mantém, e isso é fundamental para construir uma marca que perdura pelo tempo.” Ela lembrou ainda que Roberto Marinho lançou a TV Globo aos 60 anos, um exemplo de que empreender não é exclusividade dos jovens.

Para Jaime, o segredo está na clareza de propósito. “Manter o essencial em busca do novo. Lembrar sempre do que é inegociável para a empresa e aquilo ser o norteador do futuro.” Segundo ele, esse propósito sólido ilumina estratégias, sucessões e grandes mudanças, garantindo relevância e viabilidade financeira ao longo de gerações.

A marca do Sua Marca

A longevidade de uma marca não se sustenta apenas no passado: ela exige equilíbrio entre tradição e renovação, com valores fundadores que continuam a orientar decisões e um propósito capaz de dar direção ao futuro.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo

Avalanche Tricolor: o dia em que Marlon, em nome do Grêmio, disse “basta!”

Bragantino 1×0 Grêmio

Brasileiro – Bragança Paulista/SP

Reprodução da imagem do canal Premiere

É precisa e definitiva a entrevista do lateral e capitão interino Marlon, ao fim da partida contra o Bragantino. Talvez uma das mais importantes que algum representante do Grêmio concedeu nos últimos tempos. Pois causa indignação assistir ao Grêmio ser mais uma vez prejudicado por erros de arbitragem – Kannemann foi expulso injustamente, ainda no primeiro tempo, e o pênalti marcado no último lance da partida não existiu.

Da fala de Marlon faço esta Avalanche:

O Grêmio FBPA está sendo categoricamente roubado desde que começou o campeonato. A gente vive numa liga em que você quer melhorar o calendário, mas não tem nem profissionalização dos árbitros. A gente vem de anos e anos de corrupção numa federação onde você não consegue legalizar as coisas. E isso tem muita influência direta no futebol.

Esse pênalti que foi marcado hoje aqui, o que aconteceu com o Grêmio, foi uma baixaria. Isso é sem tamanho, porque não tem critério nenhum. Eu estou com o braço colado. Se eu faço amplitude, a bola bate e volta para frente. A bola desvia no meu peito e vai para fora.

Esse mesmo árbitro marcou uma falta contra a gente, no jogo com o Mirassol, que originou um gol. E o cara do Mirassol está em impedimento, ele vai no VAR e confirma. Na expulsão do Kannemann, ele marca uma jogada que não existe e expulsa o Kannemann, porque já está bravo com ele pelo jogo passado.

Nós tivemos dois pênaltis marcados no clássico Gre-Nal, onde não existe pênalti. Já começa por aí. Foram três pênaltis no jogo. O último pênalti, a gente não pode falar nada porque realmente é. Agora, a gente foi prejudicado contra o São Paulo, contra o Santos, hoje novamente. Tu pode tirar por baixo uns 16, 17 pontos do Grêmio na competição



Não, eu não tenho receio de ser punido. Eu tenho que brigar pela minha instituição. O que está acontecendo com o Grêmio aqui, eu vou falar categoricamente: o Grêmio está sendo roubado, prejudicado. E não só o Grêmio, são outras equipes também. 

Depois o PC Oliveira, que foi um excelente árbitro, diz categoricamente que não é pênalti para o Grêmio, e ele vai dizer hoje que não é pênalti para o Grêmio, como já aconteceu várias vezes. O problema é que isso se repete, repete, repete

Repórter —Ele já disse que não foi pênalti. 

Ele já disse que não foi pênalti, mas isso não vai voltar atrás. Porque daí depois a pressão é dos jogadores que perderam os pontos, é no treinador que perdeu os pontos e a equipe é prejudicada. 

Eu digo, isso não acontece só com o Grêmio. Acontece com outras equipes também e já aconteceu de forma vergonhosa.

CBF profissionalizem os árbitros, melhore a qualidade do teu produto, porque não tem condição de jogar mais assim“.

Conte Sua História de São Paulo: Orra meu, que saudade do meu sogro!

Izadora Splicido

Ouvinte da CBN

Bixiga a noite
Cena do bairro do Bixiga, em SP Foto: Eli Kazuyuki Hayasaka Flickr

Orra meu!

Aprendi a amar São Paulo assim. Com meu sogro e seu sotaque de um genuíno paulistano. Ele nasceu no Bixiga. Tinha um jipe onde levava a bebida do bloco Esfarrapado. O bloco mais antigo de São Paulo — foi o que ele me contou). 

Aos sábados, vestia a camiseta toda rasgada do bloco. Era um orgulho!

Se dizia palmeirense, mas não gostava de futebol, não. Gostava da bagunça do Palestra.

No carro era proibido usar Waze. Ele dizia:

— Pega a Padre João Manoel e depois a Lorena, vai em frente.

    Eu, olhava confusa, será que ele acha que eu sei onde é a Lorena?

    Me casei onde ele escolheu:  Nossa Senhora Achiropita, e até hoje agradeço a escolha. Que igreja linda!

    Meu sogro faleceu. Mão chorei quando ele morreu: era um homem feliz! Chorei agora, lembrando e agradecendo tudo que me ensinou.

    São Paulo, aprendi a te amar com o Zé, e assim como meu amor por ele, acho que o nosso é para sempre.

    Orra meu, que saudade!

    Ouça o Conte Sua História de São Paulo

    Izadora Splicido é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

    Mundo Corporativo: Ana Fontes explica como transformar habilidades em negócios viáveis

    Ana Fontes dá entrevista no estúdio de podcast da CBN. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

    “Propósito não paga os boletos do mês”

    Ana Fontes, RME

    Começar um negócio a partir do que você já sabe fazer e validar se há gente disposta a pagar por isso é a linha mestra do empreendedorismo defendida por Ana Fontes. Fundadora da Rede Mulher Empreendedora (RME), que conecta diariamente 3 milhões de mulheres em diferentes plataformas, ela descreve um caminho prático: combinar competências pessoais com demandas reais do mercado, criar diferenciais e buscar apoio em comunidade, mentoria e formação contínua. É sobre isso que ela fala na entrevista ao programa Mundo Corporativo.

    Ana recorda sua própria trajetória, da carreira executiva ao blog que deu origem à RME, para reforçar a orientação inicial a quem deseja empreender: “Use as suas habilidades para pensar no seu próximo negócio ou para pensar no seu negócio. É a primeira coisa que eu falo.” A partir daí, vem o teste de realidade: “Procure uma oportunidade de negócio, que é a parte mais dura. […] Você tem que combinar as duas coisas, a sua habilidade que você tem com alguma coisa que as pessoas queiram comprar.”

    Do propósito à validação de demanda

    A combinação entre vocação e problema resolvido no mundo concreto passa, segundo ela, por abandonar romantizações. “A maioria das pessoas fala assim: ‘Ah, empreende com o seu propósito, que vai dar tudo certo’. Nem sempre. […] Propósito não paga os boletos do mês.” Na prática, isso significa investigar necessidades do bairro, da cidade, do setor; observar o que já existe; e decidir como entregar algo diferente — do tempo de atendimento ao formato do serviço.

    A RME, diz Ana, opera em duas frentes: uma empresa com causa e o Instituto RME, organização sem fins lucrativos voltada a mulheres em situação de vulnerabilidade. O desenho dos programas inclui capacitação (liderança, negociação, finanças e gestão), mentoria entre pares, organização em grupos e microdoações diretas. O efeito desse arranjo aparece em histórias como a de uma empreendedora de Belém que, após formação e R$ 2.000 recebidos, comprou um carrinho de sorvete usado e aumentou o faturamento em 60% — aliviando o peso físico do trabalho e abrindo novas frentes de venda em eventos.

    No financiamento, entram parcerias com marcas interessadas no impacto social do S do ESG. Programas incluem, por exemplo, o uso de inteligência artificial para melhorar a gestão dos negócios. Para quem está começando, Ana recomenda aproveitar a oferta de cursos gratuitos (RME, Sebrae e outras organizações) e buscar orientação prática: “Empreender você tem que aprender.” E isso inclui um passo que economiza “tempo, dinheiro e dor de cabeça”: mentoria.

    Diversidade como motor de inovação

    A presença de mulheres em espaços de decisão, afirma, tem relação direta com inovação e desempenho. “Sim, a gente precisa estar nesses espaços, não para ter o poder pelo poder, mas porque a nossa voz precisa ser ouvida, porque as mulheres têm ideias interessantes e porque as pesquisas mostram que espaços mais diversos são espaços mais inovadores.” Hoje, lembra Ana, as mulheres ainda são minoria nas altas lideranças, no Judiciário e na política — cenário que empobrece o debate e limita a capacidade de fazer diferente.

    Quando compara motivações, ela diz observar respostas distintas entre gêneros nas pesquisas da rede: homens tendem a apontar “ganhar dinheiro” como objetivo imediato; mulheres costumam citar a vontade de “mudar o mundo”. O avanço, no entanto, depende de unir as duas coisas: sustentabilidade econômica e transformação social.

    Na ponta, o conselho final volta ao básico: olhar para problemas concretos e estruturar o negócio com método. “Antigamente, tinha uma visão de que empreender é só você abrir um negócio que ia dar certo. Hoje não, empreender você tem que aprender.”

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    Avalanche Tricolor: o acidente e a intenção

    Santos 1×1 Grêmio
    Brasileiro – Vila Belmiro, Santos/SP

    Edenílson fez o gol do Grêmio. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

    O que é, afinal, acidental?
    No dicionário, acidente é aquilo que acontece por acaso, sem intenção. No futebol, porém, o acaso é muitas vezes interpretado pela ótica da conveniência.

    O Grêmio saiu na frente com Edenilson e resistiu até os 44 minutos do segundo tempo a um bombardeio que parecia não ter fim. Gabriel Grando não contou com o acaso: foram mãos firmes, pés atentos, reflexos treinados para enfrentar as intempéries de um jogo assim. Quando não era ele, surgiam a trave, o travessão ou a linha de cal, todos cúmplices da resistência gremista. No fim, a bola entrou — acidental ou não, inevitável.

    No primeiro tempo, porém, o “acidental” virou sentença contra nós. Alysson marcou um golaço daqueles que mudam o rumo de uma partida. O árbitro, no entanto, enxergou irregularidade no toque de mão de Edenilson segundos antes. Especialistas em arbitragem foram claros: a bola bateu de forma acidental, sem qualquer intenção de vantagem. A regra é simples — se não houve intenção, não há falta. Mas no futebol, o que está escrito nem sempre vale tanto quanto o que é interpretado.

    O empate na Vila deixa a pergunta suspensa no ar: quantas vezes, dentro e fora de campo, transformamos o acidental em culpa, e a intenção em desculpa? Talvez o futebol sirva de metáfora para a vida. Há quem use a palavra “acidente” como fuga, há quem a use como condenação. O Grêmio, mais uma vez, conheceu o peso dessa escolha.

    Dez Por Cento Mais: novo livro de Mariza Tavares fala de escolhas que moldam a velhice


    “Os 60 não são os novos 40; são os novos 60.”

    Mariza Tavares, jornalista

    Viver mais e viver melhor depende de escolhas que começam cedo e seguem por toda a vida: cuidar do corpo, da cabeça, das relações e do bolso. Essa é a defesa de Mariza Tavares, jornalista e escritora, autora de A Vida Depois dos 60 –  Prepare-se para criar a sua melhor versão (Best Seller), que propõe olhar para a longevidade como projeto contínuo, sem romantização e sem fatalismo. Em conversa com Abigail Costa, jornalista e psicóloga, no programa Dez Por Cento Mais, no YouTube, Mariza lembra que “a longevidade é uma construção da vida inteira.”

    A autora propõe que a longevidade seja encarada como a soma de diferentes “reservas” acumuladas ao longo da vida. A financeira, alimentada por pequenos aportes feitos desde cedo, quando “o tempo conspira a nosso favor”. A física, cultivada por meio do movimento contínuo e da manutenção da força muscular. A mental e a social, fortalecidas pelas conexões que sustentam o ânimo e estimulam o autocuidado. Mariza destaca que estudos de décadas apontam a qualidade das relações como fator decisivo para envelhecer melhor e sintetiza a ideia com uma imagem pessoal: “Dentro de mim eu tenho todas as idades.”


    O alerta é direto: adiar decisões tem seu custo, mas começar tarde não impede ganhos. “Mesmo pessoas com um estado fragilizado se recuperam em força muscular com o devido treino.” O verdadeiro risco, segundo Mariza, está em se render aos estigmas: “O mais triste é a gente introjetar aquela coisa de que ‘eu tô muito velho para isso’.”

    Trabalho, aposentadoria e combate ao etarismo

    A transição do trabalho pago para outras formas de atuação pede preparo, não improviso. Mariza critica a pouca atenção das empresas ao tema e defende políticas que retenham e adaptem funções para profissionais mais velhos. “Nós temos que ser militantes da velhice”, diz, ao apontar microagressões e estereótipos que afastam pessoas 60+ de oportunidades — especialmente mulheres, alvo precoce do idadismo.

    A aposentadoria sem projeto pessoal tende a abrir espaço para vazio e isolamento. A saída, segundo ela, está em redes de convivência, mentoria intergeracional e flexibilidade: “Eu posso usar o meu repertório para ensinar.”

    Afeto, sexualidade e novas combinações de vida

    Mariza propõe tratar sexualidade na maturidade sem tabu, inclusive nas consultas médicas. O foco é ampliar repertório e comunicação entre parceiros, não reduzir a vida íntima a desempenho. “Sexualidade nos acompanha até o final da existência.” Também reconhece arranjos de vida em que muitas mulheres 60+ escolhem autonomia, amizade e viagens em grupo, sem abrir mão de bem-estar para “ter alguém” a qualquer custo.

    No fechamento, ela oferece um pequeno ajuste de rota: “10% a mais de confiança em si mesmo.” Pode virar bússola prática: “Vou me divertir 10% mais, vou namorar 10% mais, vou celebrar a vida 10% mais.”

    Assista ao Dez Por Cento Mais

    A cada 15 dias, o Dez Por Cento Mais publica um novo episódio, no YouTube. Inscreva-se agora no canal e ative as notificações. Você também pode ouvir o programa no Spotify.

    Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: criatividade, até que ponto

    Photo by Olya Kobruseva on Pexels.com

    A criatividade está entre os maiores ativos e também os maiores riscos de uma marca. Quando bem dosada, ela alimenta inovação, diferenciação e conexão com o público. Mas, quando aplicada sem pertinência ou desalinhada da identidade, pode comprometer a credibilidade e até exigir um recuo doloroso, como já aconteceu com marcas de prestígio mundial. Esse foi o tema analisado por Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

    Cecília Russo destacou que a criatividade não deve ser gratuita, mas sim pertinente à estatura da empresa. Ela citou a fala de Gustavo Viana, diretor de marketing da Fisia, distribuidora oficial da Nike no Brasil: “Se uma ideia ou projeto não atinge essa barra de qualidade, simplesmente não avançamos. Isso garante que apenas o que realmente brilha siga em frente”. Para Cecília, esse princípio vale tanto para grandes organizações quanto para negócios de médio porte: “Marcas não aguentam desaforos”.

    Jaime Troiano lembrou o caso da Jaguar, que em certo momento mudou radicalmente sua comunicação e acabou sendo forçada a voltar atrás. “O limite é aquilo que garante que a marca cresça na direção do que é sua identidade, no que se relaciona ao seu propósito. Fora disso, é pura falta de compromisso”, afirmou. Ele reforçou que ser criativo exige respeito pela empresa, pelas pessoas que nela trabalham e pelo público.

    Lembre-se que os cães ladram

    Para reforçar sua posição, Jaime citou uma frase atribuída a Truman Capote, escritor americano conhecido por obras como A Sangue Frio. A expressão “Os cães ladram e a caravana passa” tem origem árabe e chegou a Capote em uma conversa com o francês André Gide. Diante das críticas que recebia, o autor se mostrava incomodado, até que ouviu do colega a lembrança de que as vozes contrárias sempre existirão, mas não devem desviar o rumo de quem segue firme no seu caminho. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Troiano recuperou a citação para destacar que, no universo das marcas, críticas também fazem parte, mas o essencial é preservar a identidade e o propósito.

    A marca do Sua Marca

    A principal mensagem é clara: a criatividade é essencial para fortalecer as marcas, mas deve ser usada com responsabilidade, alinhada ao propósito e à identidade. Caso contrário, pode se tornar um risco de intoxicação em vez de alimento.

    Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

    O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.