Avalanche Tricolor: que os deuses nos perdoem

Vasco 1×1 Grêmio
Brasileiro – São Januário, Rio de Janeiro/RJ

Gustavo Martins comemora gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Havia depositado minhas esperanças na interrupção das partidas devido à Copa do Mundo de Futebol da Fifa. Imaginei que seria a oportunidade de o time se reorganizar, recuperar fisicamente seus jogadores e permitir que Mano Menezes descobrisse uma fórmula que fizesse os escalados oferecerem o que tivessem de melhor. Porém, desde que o calendário foi retomado, com exceção daquela vitória na Recopa Gaúcha, estamos em dívida com o futebol.

Goleado na volta do Campeonato Brasileiro e tendo colocado em risco a sequência na Sul-Americana, depois de perder a primeira partida do play-off por 2 a 0, cheguei a imaginar que hoje teríamos alguma felicidade à disposição. Apesar de estarmos jogando fora, tínhamos um adversário também fragilizado e poderíamos tirar vantagem da tensão que vinha das arquibancadas. Ledo engano!

Tivemos de contar com o excelente desempenho de Tiago Volpi — que evitou mais um desastre —, com a visão milimétrica do VAR — que anulou um gol ainda no primeiro tempo —, e com o voluntarismo de Gustavo Martins.

O guri, que está prestes a completar 23 anos (11/08), é zagueiro de origem e tem sido improvisado para resolver a ausência de nossos laterais direitos. Geralmente se destaca dentro da área adversária nas cobranças de escanteio e de falta. Foi dele o gol que nos levou à final do Campeonato Gaúcho, resultado de uma bicicleta já nos acréscimos. Hoje, no início da partida, Martins havia arriscado lance semelhante, mas a bola foi por cima da goleira.

Quando já estávamos perdendo e sob o risco de vermos o placar se ampliar, foi novamente Gustavo Martins quem apareceu para nos salvar (e veja só: uso o verbo “salvar” para um gol de empate). Depois de uma cobrança de falta do lado esquerdo, afastada pela defesa, Pavon ficou com o rebote e cruzou para dentro da área, encontrando nosso zagueiro-lateral entre os marcadores. Gustavo Martins fez de cabeça o gol que evitou a derrota.

André Henrique, que entrou no segundo tempo, quase conseguiu o gol da virada ao aproveitar um lançamento da nossa defesa que acabou batendo no travessão. Para um time que ofereceu tão pouco e foi dominado na maior parte do jogo, seria um prêmio imerecido (apesar de que eu ando aceitando qualquer coisa positiva que venha do campo).

No meio da semana, o torcedor gremista haverá de fazer sua parte enchendo as arquibancadas para comemorar a nova relação do clube com o seu estádio. Quero crer que o time entenderá a relevância deste momento e o que significará iniciar esse capítulo da nossa história com uma vitória capaz de nos levar à próxima fase da Sul-Americana.

Que os deuses do futebol nos perdoem pela escassez de talento e, ainda assim, nos abençoem neste encontro com a “Arena, verdadeiramente, do Grêmio”.

Conte Sua História de São Paulo: transportes são nossas metáforas coletivas

Por Fabio Monastero

Ouvinte da CBN

Photo by Andre Moura on Pexels.com

 

Um táxi ou um caminhão de mudanças; um ônibus, um trem ou mesmo uma pequena motoneta, não parecem ser capazes de nos transmitir ideias muito complexas; entretanto – a aceitar o que me disse um nativo grego, amigo com nome de um deus – são verdadeiras e bem concretas metáforas; isto se dá porque, em sua língua milenar, essa palavra indica – entre outras coisas  e simplesmente – a condução ou o transporte diário de conceitos, coisas ou pessoas de um lado para o outro, um levar além…

Os gregos, portanto, usam metáforas diariamente e, mais, os transportes coletivos são suas metáforas coletivas. Com essa informação na cabeça, torna-se quase impossível entrar num vagão de metrô em São Paulo, por exemplo, sem uma atitude respeitosa, pois, afinal, estamos penetrando parte de uma enorme metáfora das grandes cidades.

O moderno Metropolitano paulistano corre, surreal, nas profundezas…

Dentro do casco metálico, a mente viaja para dimensões inesperadas; o trem é realmente uma grande metáfora da vida – as pessoas nele entram e saem sem que as demais tenham a menor ideia se, porque ou quando isto se dará.

Cada vagão, em cada composição, pode ser uma vida ou uma vila, cidade ou país, onde cada um sabe apenas de si.

Cenas que se repetem por toda a cidade.

Nas várias paradas, existem ansiosos quase arrombando as portas, querendo fazer parte da viagem ou dela sair a qualquer custo.

Para entrar, uns vem a passos lentos e seguros, aparentando jogar com o tempo, atentos, entretanto, ao rápido fechamento das portas. Raros bloqueiam ou reabrem – com ou sem ajuda – as portas logo que estas se fecham, ainda com o trem parado e entram à força na vida, quero dizer, no trem. Quando o trem demora a partir, os apressados tornam-se prematuros; pode ocorrer que alguém se sinta desconfortável e saia antes do que previra.

Se alguma gente passa a viagem em paz, umas outras evidenciam algum tipo de sofrimento na alma e por vezes no corpo – aqui tem uma dor de cabeça; ali, cólicas.

Devaneios…

Velhos serenos e jovens angustiados; deficientes corajosos e pessoas normais e covardes; há mesquinhos, heróis, santos, dementes e gênios, de tudo nessa vida.

Lá na frente, um casal se beija como se o trem estivesse vazio e congelado pela eternidade. Prestando mais atenção, poderemos ouvir uma família coreana discutindo um assunto misterioso; talvez, ainda, observar duas meninas surdas-mudas, conversando e rindo animadamente numa alucinante e eloquente dança de gestos.

Um policial barrigudo boceja, calmo e tranquilo, pois, neste momento, sua vida não corre os riscos baratos que corre na vida exterior; um raro padre de batina, incoerente com os chamados novos tempos, parece orar baixinho, feliz com seus sedativos alienantes. Aqui ao lado, um senhor grisalho, com um sugestivo perfil grego, com certeza, nem está pensando nas metáforas da eventual terra ancestral.

As mulheres misturam seus perfumes e suas cores, avaliadas e desejadas em sonhos ou evocando mães, filhas ou amantes distantes; os homens, em geral menos exuberantes, mexem com a imaginação dessas mulheres da mesma forma.

A cada parada, o quadro muda, dinâmico, sem deixar vestígios do fotograma anterior; tudo recomeça a cada momento.

Um súbito tumulto lá longe, na frente do vagão, assusta os que não sabem do que se trata; um jovem tenta puxar a cordinha de emergência, mas só consegue entreabrir a porta, com um pequeno solavanco no trem; logo se vê, no espaço aberto pelas pessoas agitadas, um homem se levantando, constrangido, depois do que pareceu um rápido ataque epiléptico. Na parada, alguém desce com ele, decidindo interromper a própria viagem para ajudá-lo.

Numa percepção extrema, podemos até entender as manoplas das saídas de emergência como alavancas de suicídio, pois uma vez acionadas, deve haver a saída imediata – dessa vida metroviária.

A implacável composição prossegue veloz, indiferente, firme em seus trilhos de aço – completamente fria. Não interessa ao trem quem nele entra ou sai; aparenta conduzido por uma entidade invisível que, periodicamente, projeta sua voz dos céus ou do teto de um salão de Ezequiel – por vezes ininteligível, pelo menos aos não-iniciados. Essa entidade superior, em sua desconhecida sabedoria, determina condições como paradas, tempos e velocidades – desde que o grande computador central o permita. Essa divindade maior está em local desconhecido pelos passageiros e sabe coisas que eles ignoram existir; só a grande máquina conhece o que vai acontecer, o passado, o presente e o futuro, a cada minuto da viagem.

É possível cogitar se existe vida em outras linhas, ainda que, por definição suprema e para que não se destruam – paralelas euclidianas, gregas – as linhas, planos e dimensões dos trens nunca poderão se cruzar sob pena de mútua extinção. Tudo correrá de acordo com o planejado, desde que os sacerdotes do templo – os funcionários – continuem seu rígido culto diário.

Surpreendentemente, não existe condutor…

Enfim, a pergunta: Existirá outra vida no além-metáfora?

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fabio Monastero é personagem do Conte Sua História de São Paulo.  A sonorização é do Claudio Antonio. Para ler o texto completo do Fabio, visite agora o meu blog miltonjung.com.br. Você também pode participar: envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Quer conhecer outros capítulos da nossa cidade, coloque entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: César Bochi e Moacir Niehues, do Sicredi, defendem que o cooperativismo de crédito fortalece a economia local

Bastidor da entrevista on-line do Mundo Corporativo

“A cooperativa só existe a partir do associado e para o associado.” — César Bochi

César Bochi, Sicredi

O cooperativismo vem ganhando espaço como alternativa ao sistema financeiro tradicional, reforçando vínculos locais e colocando o associado no centro das decisões. Ao contrário dos bancos convencionais, o foco não está apenas no lucro, mas no desenvolvimento econômico e social das comunidades. Este foi o tema da entrevista com César Bochi, Diretor-Presidente do Banco Cooperativo Sicredi, e Moacir Niehues, Diretor Executivo do Sicredi Vale do Piquiri ABCD PR/SP, no programa Mundo Corporativo.

Bochi destacou que o modelo cooperativista “só existe a partir do associado e para o associado”, ressaltando a importância da participação democrática na gestão. Segundo ele, “o resultado, sim, é importante, mas tem que ser relevante, perene e de longo prazo”. Para o executivo, o papel da cooperativa vai além de oferecer produtos financeiros, servindo como instrumento de fomento ao desenvolvimento local.

Modelo participativo e impacto social

Niehues enfatizou que o engajamento dos associados nasce do vínculo de confiança e da proximidade. “O associado não quer apenas um cartão na carteira; ele quer relacionamento, proximidade e alguém em quem possa confiar”, afirmou. Para ele, a transparência no processo decisório e o foco no bem-estar financeiro dos associados são os principais fatores que alimentam a confiança no modelo cooperativo.

O movimento cooperativista também tem um forte componente social. Bochi explicou que as cooperativas destinam parte do resultado para projetos locais definidos pelos próprios associados, como reformas em escolas e hospitais. “É o associado quem decide para onde vão os recursos. Isso gera pertencimento real e impacto direto na comunidade”, comentou.

Outro ponto central abordado por Bochi foi a modernização das operações sem perder a essência. “Hoje, 96% das transações do Sicredi são digitais, mas as pessoas ainda precisam de atendimento humano nos momentos críticos”, disse. A tecnologia é vista como um meio de ampliar o alcance e não como um fim em si.

Niehues complementou que, mesmo com o uso intensivo de tecnologia, o Sicredi busca manter a essência de proximidade. “Nós somos modernos no tipo societário. Falamos de capitalismo consciente e economia compartilhada, mas sem abrir mão do relacionamento humano”, explicou.

Desafios e futuro do cooperativismo

Sobre os desafios futuros, Bochi apontou a necessidade de manter o foco no relacionamento e na essência do cooperativismo, mesmo com o crescimento acelerado. “Crescemos quase 30% ao ano, mas nosso maior desafio é não perder as raízes”, afirmou. Para ele, a tecnologia será sempre um instrumento importante, mas “a cooperativa está lá para ajudar o associado a refletir sobre a melhor decisão”.

Na visão de Niehues, a principal oportunidade está na expansão contínua do modelo, mantendo o equilíbrio entre crescimento e proximidade. “O modelo de negócio é muito bem recebido, e o maior pedido dos associados é: ‘não mudem o jeito de vocês fazerem negócios'”, destacou.

Ao fim, ambos concordaram que o cooperativismo é para todos, mas exige disposição para estabelecer uma relação de longo prazo, baseada em confiança, educação financeira e apoio mútuo.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Guilherme Marconi, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Tudo é muito coisa

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Reprodução do filme

“Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista”

Cora Coralina

O filme francês O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001) conta a história de uma jovem sonhadora que dedica a vida a consertar pequenas dores de outras pessoas: devolve um brinquedo esquecido, junta casais ou espalha bilhetes anônimos para fazer alguém sorrir. Ela faz tanto pelos outros que, por um bom tempo, esquece de si mesma, deixando sua vida cheia de histórias alheias, mas vazia do próprio cuidado.

Assim como Amélie, muita gente acredita que precisa ser útil, boa e generosa ao extremo para garantir que será aceita, valorizada ou pertencente.

Evidentemente, esse não é um padrão que alguém escolhe ter de maneira consciente.

Em geral, a ideia de que ser amado está associado a ser útil nasce de experiências antigas, de situações nas quais a criança, cedo demais, entendeu que precisava fazer além do que podia para receber amor, atenção ou segurança.

Às vezes é o filho mais velho que, ainda pequeno, assume o cuidado de irmãos menores enquanto os pais trabalham, e aprende, sem se dar conta, que precisa ser “responsável” para ser elogiado ou notado; ou a criança que nota que os pais estão sobrecarregados, doentes ou emocionalmente ausentes, e então tenta não dar trabalho, engole a própria dor, faz tudo para ajudar em casa, acreditando que isso evita brigas e mantém a família unida. Em outros casos, é a criança que recebe afeto apenas quando tira boas notas, faz tudo “certinho”, ajuda em tudo e percebe que não há espaço para ser apenas criança, com erros e limites.

Assim, muito cedo, a mensagem se instala: “Eu só sou amado quando faço algo por alguém”.

E o que era apenas uma forma de sobreviver emocionalmente vira, na vida adulta, um padrão invisível, difícil de perceber, mas que faz a pessoa se doar além da conta, enquanto carrega, lá no fundo, a sensação de nunca ser suficiente.

Ser generoso, amoroso ou disponível não é um defeito. É algo valioso! O risco está em oferecer tudo sem critério. E quem já me conhece sabe que sempre digo: tudo é muita coisa!

Porque quando se faz demais, corre-se o risco de atrair quem só fica enquanto se beneficia. O resultado?  O que era afeto disponível vira recurso de utilidade.

Talvez dentro de você exista uma Amélie: doce, cuidadosa, disposta a juntar pedaços do mundo dos outros. Que bom! Mas, hoje, faça o compromisso de cuidar também do seu próprio mundo, de cuidar de você.

Quero lhe propor um desafio: Pense em alguém importante na sua vida e se pergunte: “Essa pessoa me procuraria se ela não precisasse de nada?”


Se a resposta for não, talvez seja hora de rever esse laço, não com amargura, mas com a leveza de quem entende que vínculos verdadeiros não funcionam como caixas eletrônicos, onde alguém passa, retira o que quer e vai embora. Relações autênticas são presenças vivas em vias de mão dupla.

Penso que o tempo nos ensina… Nos ensina a amar, a não desistir, a recomeçar, a acreditar nos valores humanos e ser otimista!

Há sempre um jeito de seguir sendo generoso, sem se sacrificar, mas com respeito, equilíbrio e limites.

Afinal, afeto saudável não se mede pelo quanto você faz pelos outros, mas pelo quanto você consegue permanecer inteiro depois de se doar.

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Dez Por Cento Mais: “Precisamos integrar o velho e o novo”, diz Fábio Betti sobre o futuro do trabalho e o papel das gerações


“O trabalho é uma das maneiras de mantermos nossa utilidade na vida, mas não a única.”

Fábio Betti, Age-Free.World

O mercado de trabalho não quer mais saber de fidelidade cega, nem valoriza currículos marcados por longas permanências em um mesmo lugar. Enquanto os mais jovens pulam de emprego em emprego em busca de sentido e equilíbrio, líderes experientes questionam se ainda cabe a eles atuar em um modelo que exige energia de super-herói e uma dedicação que sacrifica a vida pessoal. Esse movimento de transformação — que atinge todas as gerações — foi tema da entrevista com Fábio Betti, que está à frente da age-free.world, no programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa.

Entre gerações: rupturas e aprendizados

Para Betti, que também atua na Corall Consultoria, “envelhecer no mercado não deveria ser sinônimo de se tornar descartável”. Ele alerta que muitas empresas continuam presas a parâmetros que exigem velocidade e entrega constante, ignorando a experiência acumulada ao longo dos anos. “Muitos líderes chegam aos 55, 60 anos e dizem: ‘Eu não aguento mais’. Não porque falte energia, mas porque não faz mais sentido atuar em um ambiente desumanizador”, afirma.

A busca por um trabalho com propósito também não é exclusividade da nova geração. Para os mais velhos, surge a necessidade de se reinventar. Segundo Betti, mais de 40% das novas empresas no Brasil em 2019 foram abertas por pessoas com mais de 45 anos, mostrando que empreender também é uma alternativa para quem deseja continuar contribuindo, mas em outro formato. “A sensação de inutilidade adoece. Encontrar novas formas de se sentir útil é fundamental para a saúde mental”, destaca.

As novas gerações, por sua vez, querem clareza. “O jovem quer uma relação mais pragmática: ele quer saber como crescer, quanto vai ganhar e o que precisa fazer para chegar lá. E muitos líderes não sabem conversar sobre isso porque construíram suas carreiras em um modelo que pedia sacrifício absoluto”, pontua Betti.

Essa convivência entre cinco gerações no mesmo ambiente — boomers, X, Y, Z e alfa — intensifica os choques e, ao mesmo tempo, abre espaço para conversas importantes. “Precisamos integrar o velho e o novo, porque ambos têm valor. A evolução não é destruir o modelo anterior, mas entender o que manter e o que transformar”, explica.

O humano versus a máquina

Betti também observa que o avanço da inteligência artificial escancara a crise do trabalho automatizado. “Se o trabalho que fazemos pode ser substituído por uma máquina, o que resta de humano?”, questiona. Ele defende que a reflexão sobre o sentido do trabalho é urgente, já que o modelo atual, centrado em controle e metas incessantes, está “sobrevivendo por aparelhos”.

Para ele, o papel dos líderes deveria incluir cuidar das pessoas de forma integrada, não apenas fora do ambiente corporativo. “Vejo líderes que correm maratonas e falam sobre autocuidado, mas dentro das organizações continuam reproduzindo discursos de cobrança e desconfiança. Como integrar essas duas vidas?”, provoca.

No fim, a mudança depende de disponibilidade para ouvir e de coragem para criar um ambiente em que todos — jovens ou veteranos — possam pertencer e contribuir de maneira autêntica. “O grande desafio é lembrar que ninguém quer estar em um lugar onde a desconfiança é a base”, conclui.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, ao meio-dia, pelo YouTube. Você pode ouvir, também, no Spotify.

Avalanche Tricolor:  a Arena é do Grêmio, verdadeiramente!

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eu vivi as arquibancadas ainda descobertas do Olímpico, em Porto Alegre. Época em que a vibração do torcedor era ritmada por uma corneta impulsionada por ar comprimido. Forjei-me como torcedor quando o alambrado era a barreira que nos impedia de invadir o gramado e levar o time às conquistas impossíveis. 

Quando já éramos Monumental, cantei em coro o grito de “Grêeemioooo, Grêeemioooo, Grêeemioooo…” com suas sílabas esticadas, que mais pareciam um chamado à equipe para que encorpasse nossa imortalidade e superasse suas dificuldades. Foi com este grito que vencemos todos os títulos que estiveram a nosso alcance. 

Experimentei a Avalanche Tricolor que desaguava pelas arquibancadas inferiores em uma sintonia inexplicável, considerando a quantidade de pessoas que participava daquele êxtase. Um movimento desfeito quando tivemos que mudar de endereço, deixando para trás parte de nossa história e levando mala e cuia para o Humaitá. 

O estádio na Azenha era meu vizinho de infância e foi lá dentro que cresci como gente, aprendi com o sofrimento e entendi  o valor de virtudes como coragem, lealdade e fortaleza. Assim como eu, gerações inteiras de torcedores se formaram e lembram com saudade do velho casarão. Uma conexão que nunca se realizou de verdade com a Arena, apesar de, na nova sede, termos reconquistado Copas do Brasil e Libertadores, além de uma sequência de campeonatos gaúchos.

Hoje, 15 de julho de 2025, essa história começa a mudar. Marcelo Marques, um torcedor criado no Olímpico Monumental, assim como eu, você e uma nação inteira de “imortais” — apenas mais rico do que todos nós juntos —,  comprou a gestão da Arena e doou ao Grêmio. Algo que nos parecia inacreditável. Foi um anúncio nada formal, com lágrimas, palavrões, gritos de guerra e aplausos intermináveis. Não me atrevo a explicar a negociação que teria custado cerca de R$ 130 milhões em acordo assinado com a Revee e a Arena Porto-Alegrense, responsáveis até agora pela gestão da Arena. Sou incapaz de endossar as projeções financeiras feitas pelo empresário, maior fabricante de pão francês do mundo. Torcerei muito para que o tempo ratifique o sucesso das contas feitas por ele.

O que importa neste instante, e por isso esta data entra para a história do Grêmio, é que Marcelo Marques, na eloquência de sua paixão, concretizou um sonho que começou a ser sonhado na gestão de Fábio Koff, em 2014, dois anos depois da nossa mudança para o Humaitá. O presidente do Mundial, da Libertadores, do Brasileiro, das Copas e tantos outros títulos anunciara naquela época um acordo com a OAS para a compra dos direitos de exploração da Arena. Foi dele a frase que, somente agora poderá ser gravada nas paredes de nosso estádio: “A Arena é do Grêmio, dos meus filhos, dos meus netos …”.

Havia dificuldades financeiras, imbróglios jurídicos e uma complexa burocracia envolvendo diversos interesses e empresas, algumas de idoneidade questionável. Havia desrespeito ao torcedor, tratado como se a ele não pertencesse aquele espaço, mesmo sendo a razão da existência daquela Arena. Havia entraves, quase intransponíveis. 

Mas o Grêmio foi forjado diante do impossível: foi assim quando calou um Morumbi inteiro para ser Campeão Brasileiro, quando surpreendeu o mundo ao superar os alemães em Tóquio, quando se sobrepôs à violência de La Plata e à garra sul-americana para ganhar suas Libertadores ou quando conquistou a Batalha dos Aflitos.

O Grêmio alcançou hoje uma das vitórias mais importantes de sua história, porque resgata o protagonismo do seu torcedor — que, imediatamente, correspondeu associando-se em grande número e depositando seu entusiasmo em uma era que se inicia. Garante que cada novo gremista possa sentir o significado de ser o dono de sua própria casa. E dará às novas gerações a possibilidade de eternizar na Arena a alma imortal que nasceu no Olímpico — um balé de corpos em avalanche, um sopro agudo e valente da corneta, e um grito que ecoará, eterno, pelos séculos tricolores.

“Eles combinaram de nos matar. A gente combinamos de não morrer.”


Diego Felix Miguel

Foto de Valeria Machado na Unsplash

Às vezes, tudo o que nos resta é silenciar e elaborar melhor a dor provocada pela violência, pela indiferença e, até mesmo, pela banalização do sofrimento — seja de uma pessoa ou de uma comunidade inteira. No silêncio, reunimos forças para seguir lutando por uma sobrevivência minimamente digna.
Não falo aqui de um silêncio mudo. Muito pelo contrário: falo de um silêncio que arranca vozes jamais escutadas, mas que, infelizmente, não ressoam como relevantes para muitos ouvidos.


É no silêncio gritante que me veio a profundidade da frase de Conceição Evaristo que dá título a este texto, em denúncia ao racismo estrutural, e ela tem ressoado nos meus pensamentos nos últimos dias, desde que soube do assassinato de Fernando Vilaça, rapaz de 17 anos que vivia em Manaus e morreu após se defender de ataques LGBTfóbicos.


Já comentei, em outros textos, sobre o “não-lugar” que a sociedade impõe às nossas vivências e identidades dissidentes. São marcas profundas que carregamos ao longo da vida, a cada experiência, e nos esforçamos além dos limites para nos encaixarmos ou, então, passarmos como invisíveis, só para garantir uma suposta paz e segurança.


É um preço alto que pagamos por isso.


Obviamente, não existe em nenhuma dessas alternativas a possibilidade de se viver com dignidade. Desde cedo, nos cobramos para que aspectos “aceitáveis” aos olhos da sociedade se tornem mais visíveis, na tentativa de validação e pertencimento.


Não tem como esquecer do Pedro Henrique, aluno bolsista de um colégio tradicional de São Paulo, que, em 2024, aos 14 anos, foi suicidado pela violência que sofria por parte de outros alunos da instituição.
“Faziam chacota de mim por eu ser gay”, escreveu em uma das mensagens enviadas por WhatsApp.
A cada pessoa que morre vítima da violência, uma parte de nós também se vai. Somos cúmplices por não conseguir acolher as pessoas em suas diferenças e insuficientes enquanto sociedade, que segue a vida como se nada estivesse acontecendo.


O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBT, e ainda assim não temos políticas públicas que garantam nossa segurança, conforto e representatividade em todos os espaços.


A nós, que envelhecemos e seguimos resistindo, tentando nos manter fortes para honrar o legado daqueles que, infelizmente, tiveram suas vidas sacrificadas, cabem, também, as marcas e a incerteza de um futuro digno e acolhedor.


Sabemos que os estereótipos relacionados à identidade de gênero, orientação sexual e geração operam de maneira perniciosa, obscurecendo tanto a visão da sociedade quanto a ação do Estado, que insiste em manter discursos de igualdade enquanto ignora por completo as vivências dos grupos minorizados.
Brecht, dramaturgo alemão, nos alertou sobre isso quando escreveu: “a cadela do fascismo está sempre no cio”, e sabemos muito bem quem ela busca para anular suas existências.


Não quero finalizar esse texto num clima pesado, mas também entendo que a inquietação e o estranhamento fazem parte do processo de transformação.


Talvez, mais do que palavras, reste-me provocar empatia: e se fosse comigo? E se fosse com meu filho?
E aqui, sobrevivente de inúmeras violências institucionais e interpessoais do passado, um Diego que, muito cedo, quando ainda nem entendia o que o tornava diferente, conheceu a perversidade do não-lugar, o que eu desejo, de verdade, é que, mesmo após quase quarenta anos, a gente consiga mudar essa realidade.


Que mais vidas tenham o direito e a garantia de envelhecer e vivenciar suas velhices de forma digna.

Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e presidente do Depto. de Gerontologia da SBGG-SP, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Vôlei vira exemplo de ambiente positivo para marcas

Foto de Pavel Danilyuk

O vôlei brasileiro se tornou um terreno fértil para marcas que buscam associar seus nomes a um ambiente pacífico e cheio de energia positiva. Esse foi o tema do comentário desta semana no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

“O nível do vôlei subiu e as marcas vieram atrás”, disse Cecília Russo ao comentar a relação entre os resultados expressivos das seleções e o interesse crescente das empresas. Ela destacou que, diferentemente do futebol, o vôlei se apoia no valor do coletivo, com menos foco em atletas como estrelas individuais, o que torna o patrocínio mais conectado à ideia de equipe e pertencimento.

Jaime Troiano reforçou a força desse ambiente ao lembrar que “é um clima emocional para se construir vínculos”. Ele citou o exemplo de uma final da Superliga feminina que reuniu mais de 10 mil pessoas no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, em um espetáculo que, segundo ele, foi “civilizadíssimo, maravilhoso”. Para Jaime, os clubes também se consolidam como marcas fortes, com identidades construídas pela qualidade técnica e projeção internacional.

Além disso, os comentaristas apontaram o crescimento do patrocínio em outras modalidades além do futebol, como surfe, skate e ginástica, reforçando o movimento das marcas em busca de novos espaços que transmitam valores alinhados a uma vida mais saudável e vibrante.

A marca do Sua Marca

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso reforça que o sucesso de uma marca depende de encontrar o esporte, o clube e o público certos para traduzir o posicionamento que se quer transmitir. O vôlei mostra que, quando a conexão é genuína, todos saem ganhando: marcas, atletas e sociedade.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso


O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Mundo Corporativo: “Liderança não é protagonismo”, diz Rafael Mayrink, da NP Digital


“Liderança não pode se colocar como protagonista. Ela precisa ser um guia, ajudar, auxiliar.”

Rafael Mayrink, NP Digital

O sucesso das empresas hoje vai além das competências técnicas e depende, sobretudo, da maneira como as pessoas se comportam, se relacionam e aplicam a tecnologia a seu favor. Este é o alerta de Rafael Mayrink, CEO da NP Digital Brasil, que participou do programa Mundo Corporativo para discutir a importância das habilidades comportamentais, o papel transformador da liderança e o impacto crescente da inteligência artificial no ambiente corporativo.

Ao longo da conversa, Mayrink destacou que “a pessoa precisa ler, ser curiosa, correr atrás, aprender mais sobre tecnologia e inteligência artificial para que ela use isso ao seu favor”. Para ele, o pensamento crítico se torna indispensável em um contexto em que as decisões precisam ser constantemente revisadas e alinhadas ao verdadeiro objetivo do cliente ou do projeto. “Se eu não tiver senso crítico para entender, perguntar e conhecer quem está do outro lado, não vou conseguir entregar o que realmente é necessário”, afirmou.

Treinar comportamento desde cedo

Mayrink defendeu que as competências comportamentais não nascem prontas e podem — e devem — ser desenvolvidas desde a infância. “Soft skills têm que estar lá na escola, desde o momento em que a criança começa a formar frases”, explicou. Segundo ele, é nesse processo que se aprende a falar em público, ouvir com atenção, lidar com frustrações e desenvolver empatia.

Ao falar sobre liderança, o executivo enfatizou que o líder precisa abrir espaço para os outros, ouvir ativamente e atuar como um orientador. “Nem sempre a liderança tem razão, mas por ter mais experiência, vai saber ouvir e guiar as pessoas para resolverem seus próprios problemas”, pontuou.

Inteligência artificial e o novo marketing

A tecnologia e a inteligência artificial já estão profundamente integradas ao marketing digital, e Mayrink apontou que isso exige um novo olhar sobre as funções e as relações de trabalho. “A inteligência artificial vem para aumentar produtividade, dar mais tempo e permitir que as pessoas desenvolvam outras habilidades”, comentou. Ele alertou, porém, que as mudanças exigem adaptação contínua e capacidade de aprender novas funções.

No encerramento, Mayrink aconselhou os jovens profissionais a ampliarem o repertório: “Faça algo fora do seu dia a dia. Aprenda um instrumento, pratique um esporte, explore novas experiências. Isso ajuda a desenvolver criatividade e habilidades de comunicação, fundamentais para qualquer carreira.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: os coletores de lixo e as crianças do Alto da Lapa

Ana Maria Oliva

Ouvinte da CBN

Foto Divulgação Loga

Embora seja uma cidade cosmopolita, São Paulo nos surpreende com situações prosaicas, que poderiam ser bem comuns em pequenas cidades. Ao longo de meus 37 anos nesta cidade que adotei como minha, nesse caldeirão de cultura, raças, sotaques, me tornei uma observadora do cotidiano. E é justamente sobre uma cena que se repete todas as noites na minha rua que retrato nesta crônica:

Sempre, por volta de nove da noite, o caminhão dobra a esquina e entra na rua Aibi, no alto da Lapa. O barulho, inconfundível e familiar aos ouvidos dos moradores, anuncia o serviço necessário e urgente: a coleta de lixo domiciliar. Três rapazes, usando o habitual uniforme verde com faixas reflexivas, luvas e bonés, saltam do veículo, ágeis como felinos, e seguem recolhendo sacos depositados nas calçadas e lixeiras. Tudo rápido e cronometrado. E mesmo depois de horas de trabalho árduo, no sobe e desce do caminhão, encaram com bom humor e disposição a jornada que só termina na madrugada. 

Mal entram na pequena rua, já se anunciam com gritos, acenos e buzinas. Toda essa festa não é para os porteiros dos prédios ou moradores que passeiam com seus cães. Não. A festa é para um público especial e fiel: crianças de olhos vivos e atentos, boquinhas falantes e sorridentes que se postam nas janelas de vários andares dos prédios, aguardando ansiosas a chegada dos amigos alegres e barulhentos – que mais parecem passistas de uma escola de samba. Os rapazes acenam e cumprimentam com um “olá, amiguinhos” e um “boa noite” seguido do nome das crianças. Elas respondem chamando um por um pelo nome: Michel, Paulo, Sérgio. Seguram com as mãozinhas firmes nas grades, estabelecem um diálogo de muitos sons, risos e falas, enchendo a rua de alegria. 

O motorista do caminhão, um simpático jovem de barba ruiva, alargador na orelha, também participa da festa: diminui a velocidade, coloca o braço tatuado para fora do veículo e acena para a meninada, sorrindo e buzinando o caminhão. 

No fim da rua, retornam na praça e retomam o caminho aos efusivos gritos das crianças com sonoros “tchau” e “bom trabalho”. Os rapazes respondem “boa noite” e “bons sonhos” para Paulinho, Larissa e Marina – alguns nomes que ouço enquanto assisto a esse espetáculo de humanidade da minha sacada. Passado o show, as crianças desaparecem das janelas, as luzes se apagam e o movimento da rua volta com os entregadores de aplicativos no vaivém de suas motos.

Numa noite dessas, enquanto passeava com meu cachorro, pude constatar de perto a alegria genuína dos rapazes. Perguntei se aquela festa também ocorria em outras ruas e bairros de São Paulo. Me contaram que, em algumas ruas da cidade, às vezes são recebidos por crianças acompanhadas de seus pais, com saquinhos com bala e chocolate, e que, de vez em quando, há criança pequena que cisma de dar uma volta com eles na traseira do caminhão e cai no choro quando o pai explica por que não pode. 

– Mas nada se compara com a farra das crianças daqui, elas são especiais — comenta Michel, um rapaz carioca, o mais alegre de todos. 

O motorista contou que Arthur, um garoto de 4 anos, certa noite estava com o avô na calçada acenando para eles estacionarem o caminhão. Seguravam uma embalagem de pizza, uma garrafa de refrigerante, frasco com álcool gel e guardanapos. Fizeram uma pausa rápida e compartilharam a refeição com o Arthur sentados na guia da calçada. E ao se despedirem, perceberam como os olhinhos do menino brilhavam de alegria.

Fiquei imaginando a cena e as expressões do menino e como o assunto tomaria conta da conversa com os amiguinhos da pré-escola. Que efeito teria causado sobre eles? Será que convenceram seus pais e avós a replicarem os gestos de gentileza com esses trabalhadores, muitas vezes invisíveis à população? O Arthur e as crianças que avisto da minha sacada têm muito a nos ensinar sobre acolhida e empatia. 

Só na cidade de São Paulo, de acordo com dados da prefeitura, cerca de 3,2 mil pessoas trabalham na coleta de lixo. São 12 mil toneladas retiradas diariamente por 500 caminhões da prefeitura, percorrendo ruas e bairros – não estão incluídos nesta conta os catadores de recicláveis.


Torço para que demais trabalhadores da limpeza também recebam em outras ruas da cidade sorrisos e respeito – um pequeno alento para seguirem com disposição a rotina pesada de uma atividade tão essencial para a cidade, para a população e para o meio ambiente. Aqui, eles são celebrados como os verdadeiros reis da rua!

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Ana Maria Oliva é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu text agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e coloque entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.