Mundo Corporativo: as dicas de Pedro Superti para alavancar vendas sem baixar preços, mesmo na pandemia

“Se durante muito tempo você queria parecer grande, agora a onda é parecer pequeno” — Pedro Superti, empreendedor

Os negócios vão mal, as vendas caíram e a crise impactou sua vida. A primeira reação é baixar o preço do produto que vende ou serviço que oferece para atrair os clientes. Um erro crasso, segundo Pedro Superti, empreendedor e especialista em marketing de diferenciação, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN: 

“Em lugar de baixar o preço que você já vende, pense como você pode criar uma nova opção que não existia até ontem, e esta opção ter um preço diferenciado”

Para Superti, ao aceitar somente baixar preço, o empreendedor desvaloriza seu negócio, enfraquece a marca e corre o risco de perder seus antigos clientes que se sentirão ludibriados por terem pago mais caro.  Imagine um restaurante que tem como prato principal o macarrão no menu. Em lugar de reduzir o preço deste prato, crie uma outra opção mais barata, mais simples e menor. Com isso, você pode inclusive atrair um novo cliente que, ao longo do tempo, pode passar a consumir os pratos tradicionais da casa, sugere Superti.

A ideia do marketing de diferenciação é descobrir como ser original, único e diferente das outras opções que existem no mercado. Para isso, Superti recomenda que o empreendedor busque coisas de sua história, elementos internos que podem ser levados para o produto ou serviço, que façam com que as pessoas batam o olho e logo identifiquem a sua imagem, a sua marca. 

Dois casos que ilustram o pensamento de Superti que ocorreram diante das restrições impostas pela pandemia. Um é de um desempregado que foi passar a quarentena com o avô e as histórias de vida que ouviu dele deram origem a uma franquia que vende caldo de cana com entrega a domicílio:

“… a grande sacada é que, neste caso, o consumidor não somente consome a bebida. Ele se conecta às suas memórias de infância”.

O outro exemplo é o do dono de uma cafeteria que viu as vendas do capuccino, especialidade da casa, cairem. Ele criou um produto no qual o cliente leva para casa um coração de chocolate para ser dissolvido no leite quente e solta o pó de capuccino.

“Tenha personalidade, a gente não aguenta mais negócios que não têm alma, não têm cara; um pessoa com personalidade tem uma características constante. Na tentativa de ser profissional, muitas marcas se tornam genéricas, tentam agradar a todos e não agradam ninguém”.

Se é para ter personalidade, Superti lembra da importância de se sair do modo automático em que mais nos parecemos com máquinas processando coisas, vendendo produtos e serviços: empresas vendem coisas, marcas vendem valores. 

Nos trabalhos que realiza com diversas empresas pelo Brasil, ele também aconselha: se você oferece serviço, venda produtos; se você oferece produto, venda serviços. Ou seja, misture produtos e serviços. Uma academia não deve se restringir a vender serviço — matrículas para seus alunos —- tem de oferecer produtos tais como suplementos, equipamentos para atividade física e roupas, aumentando o ticket médio de seus clientes.

“Se o que você está fazendo está alinhado com algo que você acredita muito, isso abre uma caixa de pandora com infinitas possibilidades que a gente por explorar”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no canal da CBN no YouTube, no Facebook e no site da rádio, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e fica à disposição em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Natália Motta, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscilla Gubiotti.

YouTube pedir ajuda aos ‘universitários’ é muito “The Social Dilemma”

Ilustração: Pixabay

 

“Isso é muito Black Mirror” foi a frase que ganhou o espaço público desde o sucesso da série de Charlie Brooker que levou à tela a distopia da sociedade contemporânea, com casos de um futuro que já convive entre nós e uma caricatura de nossas vidas com traços de realidade. Conversas por WhatsApp entre pessoas que estão na mesma sala era “Black Mirror”; gente cancelada e que desaparecia do convívio social era “Black Mirror”; coisas extraordinárias do mundo digital era “Black Mirror”.

“The Social Dilemma” chega para desbancar o “velho” jargão. O documentário de Jeff Orlowski, produzido a partir do depoimento de gente que montou a engrenagem que faz funcionar as redes sociais — e está arrependida –, logo se transformará em referência  do nosso vocabulário para quando depararmos com situações ainda estranhas à nossa mente, apesar de já fazermos parte deste cenário há algum tempo —- sem perceber.

Leia “The Social Dilemma: 14 dicas para reduzir o impacto de redes sociais e internet na sua vida”

Nesta semana mesmo, confesso que foi com estranheza que li informações publicada no Financial Times: “YouTube reverts to human moderators in fight against misinformation”. Em bom português: o YouTube voltou a usar seres humanos para moderar o que é veiculado nas redes para combater à desinformação. 

Durante a pandemia — que ainda não acabou, registre-se —-, o YouTube mandou sua turma para casa e deixou a moderação da rede nas mãos de seus robôs, que não são suscetíveis a COVID-19. Preservou a saúde de 10 mil pessoas com essa medida e deixou a rede sob controle das máquinas. Resultado: quase 11 milhões de vídeos foram retirados do ar, entre abril e junho, supostamente por transmitirem discursos de ódio, violência e outras formas de conteúdo prejudicial ou desinformação —- essa coisa infelizmente chamada de fake news. 

O YouTube não informa quantas vezes maior é esse número, mas executivo da empresa ouvido pelos jornalistas deixa claro que é uma quantidade de remoções muito, mas muito maior do que as que costumam ocorrer quando a moderação é feita por seres humanos.

“Embora os algoritmos sejam capazes de identificar vídeos que podem ser potencialmente prejudiciais, eles geralmente não são tão bons em decidir o que deve ser removido”, escreveram Alex Barker e Hannah Murphy após conversarem com Neal Mohan, diretor de produtos do YouTube. 

Na mão das máquinas, a remoção de vídeos é muito mais veloz: mais de 50% dos 11 milhões de vídeo foram tirados do ar sem que tenham tido nenhuma visualização. Em compensação, a intolerância às mensagens que supostamente ferem as regras da plataforma é significativamente maior do que quando passam pela avaliação de gente como nós, de carne, osso e alma. 

O jornal londrino diz que o reconhecimento de que o poder de censura das máquinas é maior do que o dos seres humanos lança luz sobre a relação crucial entre os moderadores — gente como a gente — e os sistemas de inteligência artificial, que analisam o material que é publicado no YouTube. Embora os algoritmos sejam capazes de identificar vídeos que podem ser potencialmente prejudiciais, eles geralmente não são tão bons em decidir o que deve ser removido —- declarou Mohan.

“É aí que entram nossos avaliadores humanos treinados … tomam decisões que tendem a ser mais matizadas, especialmente em áreas como discurso de ódio ou desinformação médica ou assédio”.

Uma especialista ouvida pelos repórteres disse que os sistemas automatizados fizeram progressos no combate a conteúdo prejudicial, como violência ou pornografia:

“…mas estamos muito longe de usar a inteligência artificial para dar sentido a um discurso problemático [como] um vídeo de conspiração de três horas de duração. Às vezes é um aceno de cabeça, uma piscadela e um apito de cachorro. [As máquinas] simplesmente não podem fazer isso. Não estamos nem perto de eles terem capacidade para lidar com isso. Até os humanos lutam. ” —- Claire Wardle, co-fundadora do First Draft.

Uma plataforma como o YouTube, com investimentos enormes em inteligência artificial, desenvolvimento de algoritmos e automatização recorrer aos ‘universitários’ — perdão, esse é um jargão muito anos 1990 — para controlar o controle sobre o mal e o bem que circulam na rede me pareceu “muito The Social Dilemma”.

TV Conmebol mostra que onde entra o futebol sai a ordem

Por Carlos Magno Gibrail

Ilustração do teste de padrão da TV no passado

 

A transmissão dos jogos de terça-feira pela Taça Libertadores da América, lembrou as improvisações dos primórdios da televisão — principalmente no quesito de atender o consumidor. Encantar, nem pensar.

Houve falhas ou foi a aplicação de técnica ultrapassada para provocar a compra, que interromperam por várias vezes a transmissão abruptamente?Modelos de degustação televisiva? Trailler?

O inusitado é que nos mercados de consumo tradicionais quando há diversificação na oferta, a qualidade, os custos e a distribuição ficam melhores devido à concorrência. Além de mais baratos. No futebol aparece uma quantidade maior de oferta e tudo fica confuso. 

De outro lado, como ficam os assinantes que compraram o pacote anterior que incluía os jogos da Libertadores, e agora terão de comprar o novo pacote?

A TV, aos 70 anos, mostrou através da transmissão Conmebol, que onde entra o futebol sai a ordem.

A experiência tem demonstrado que esse que é o maior esporte entre tantos  é, também, o mais confuso. É sempre um dos mais retrógados em termos de evolução e mudanças necessárias, a despeito da paixão exercida pelos títulos, camisas e cores no futebol. Um fenômeno inexplicável.

Recentemente, a adoção da tecnologia para ajudar os árbitros, o VAR, foi a mais demorada e discutida. Demora que pelo menos deveria ter propiciado a definição do melhor sistema e do mais completo equipamento. Não foi o que aconteceu. Ou os equipamentos adquiridos não tem qualidade suficiente ou os árbitros incumbidos de operá-los não tem habilitação necessária.

Não são raras as demoras excessivas para a tomada de decisão, bem como decisões erradas e solicitações descabidas para lances não protocolares.

Outro aspecto é o sistema adotado, pois, enquanto a maioria dos esportes entrega para os jogadores, como no tênis, o controle das solicitações para a intervenção da tecnologia, ou para os técnicos, como no voleibol, no futebol a chamada para a utilização é dos árbitros. A maioria desses esportes consegue fazer do recurso eletrônico mais uma atração das transmissões. O futebol americano abre a conversa dos árbitros para os torcedores, o que acrescenta ainda um toque de honestidade e marketing.

Enfim, o futebol é um mercado em que há grande oferta de jogadores, há consumidores efetivos e potenciais de forma crescente, mas carece de gestores. Talvez pela atração do jogo como jogo e não como negócio.

Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.   

Avalanche Tricolor: Fora Renato!

Inter 0x1 Grêmio

Libertadores — Beira Rio, Porto Alegre/RS

Renato cumprimenta Pepê Foto: LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Vai Renato! 

Vai embora! 

Vai comemorar mais esta conquista na tua história. 

Dez Grenais sem perder não é para qualquer um.

 

Vai festejar com os amigos.

Vai abraçar teus pupilos.

Vai pro abraço porque tu és o cara.

Vai montar bem um time assim lá pras bandas do Humaitá.

 

Vai pra praia jogar futevôlei.

Vai pra rede se deitar.

Vai descansar pra preguiçar passar. 

(eles não te chamam de preguiçoso?!?)

 

Vai Renato!

Vai embora

Porque tá perdendo a graça jogar Gre-nal.

 

Vai tirar onda dos que te criticaram.

Vai ver a turma engolindo o que disse.

Vai rir da cara dos que gritaram: 

Fora Renato!

 

Vai, vai ser Renato para sempre no coração de quem é tricolor.

Liberdade de Expressão: o sigilo da fonte e o direito do cidadão em saber a verdade

“É mais fatal do que a pior gripe” foi uma das frases ouvidas pelo jornalista Bob Woodward em uma das 18 entrevistas gravadas com o presidente americano Donald Trump. Ele se referia, claro, ao novo coronavírus, que na época das conversas — esta em especial ocorreu em janeiro —- ainda era muito novo para todos nós, mas já deixava seu rastro de morte  e medo na Ásia. O mesmo Trump disse a Woodward que o vírus “era mortal”.  Está gravado.

Em público, Trump sempre negou os riscos à população, criticou seus principais assessores na área médica por serem alarmistas, afundou-se em teorias conspiratórias e desdenhou das medidas que poderiam reduzir o risco à saúde dos americanos. O comportamento do presidente foi um dos motivos que levaram os Estados Unidos a registrarem mais de 200 mil pessoas mortas e cerca de 6,8 milhões de contaminados pelo Covid-19.

A mentira de Trump foi revelada recentemente quando Woodward lançou o livro Rage (A Fúria), o segundo que escreve sobre o atual presidente. Ele é craque nessa jornada que se iniciou nas descobertas que fez no caso Watergate, ao lado de Carls Bernstein, nos anos 1970. Com acesso à Casa Branca como poucos outros jornalistas já tiveram, ao longo do tempo Woodward especializou-se em contar a história dos presidentes americanos, com respeito e sem bajulação — o que não impediu de ser criticado mesmo por colegas, que viram em algumas descrições reverência além do necessário para determinados líderes políticos.

Agora também é alvo de críticas. Nem tanto pela revelação que fez, mas por somente tê-la feito agora. Se tivesse levado a público as palavras de Trump assim que o presidente iniciou seu mantra negacionista, imagina-se, mortes teriam sido evitadas.

Inspirado por esse debate, hoje, no Jornal da CBN, discutimos no quadro Liberdade de Expressão o direito de o jornalista preservar informações e suas fontes, mesmo que isso coloque em risco a vida de pessoas. Participaram, Pedro Doria, jornalista, editor do Canal Meio e nosso colega no quadro Vida Digital, e Roberto Romano, professor titular aposentado de Ética e Filosofia da Unicamp. 

Ambos entendem o respeito que se deve ter ao sigilo da fonte, mas discordam do grau deste sigilo.

Doria defende a estratégia de Woodward e traz um argumento jornalístico. Havia um acordo entre o profissional e sua fonte, no caso o presidente Donald Trump. Sem esse acordo, o presidente não falaria ou não falaria tudo que falou.

‘O repórter faz um acordo com o entrevistado e cumpre esse acordo’, defende Pedro Doria.

Romano diz que o sigilo é uma garantia do trabalho jornalístico. Se esta informação põe em risco a segurança das pessoas passa a ser de interesse público: 

‘O compromisso do jornalista não é com a sua fonte apenas. Ele tem um compromisso com o público, com o coletivo, com os homens que nele confiam’

Se para Romano, Woodward não tinha motivos de respeitar um acordo com alguém que não respeita a profissão jornalística; para Doria, a maior arma que se pode ter contra quem é contra a Democracia é mais Democracia e a divulgação dos fatos às vésperas da eleição terá mais efeito sobre a reeleição de Trump do que se fosse feita na época da gravação.

O debate foi rico nos argumentos e levanta questões que não são restritas ao campo do jornalismo. Interessa à sociedade como um todo, por isso, recomendo que você ouça o Liberdade de Expressão e desenvolva a sua própria visão crítica sobre o tema:

Olhar para trás e seguir em frente!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa 

Foto: Pixabay

“No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais”

Belchior

 

Segundo o dicionário Aurélio, passado significa aquilo que passou. Antiquado, obsoleto. Portanto, algo antigo, que caiu em desuso e que não existe mais. Apesar dessa definição, um comportamento comum para muitas pessoas é o apego a lembranças do passado, de forma tão intensa, capaz de produzir emoções no momento presente.

Recordar momentos que nos foram agradáveis ou utilizar experiências vividas para resolver problemas podem ter efeitos benéficos, inclusive para elaborarmos um planejamento para o futuro. Porém, quando ficamos presos a pensamentos negativos e repetitivos, fazemos o que em psicologia é chamado de ruminação mental.

O processo de ruminação é caracterizado por pensamentos persistentes, geralmente com conteúdo negativo, autocríticos e relacionados a acontecimentos do passado. 

Os pensamentos ruminativos tendem a gerar perguntas feitas a si mesmo:

  • Se eu não tivesse feito aquilo?
  • Se eu tivesse me comportado de outra forma?
  • O que eu poderia ter feito para que isso nunca tivesse acontecido?

Esses pensamentos repetitivos e contínuos tendem a produzir emoções negativas, como tristeza, culpa e arrependimento, favorecendo o círculo vicioso da ruminação, apontado como fator de agravamento ou manutenção de sintomas depressivos.

Avaliar situações do passado e pensar como poderiam ser diferentes é o mesmo que tentar correr na vida adulta com o calção que usávamos na infância: não serve mais. Aperta, incomoda, aprisiona a uma condição que não mais nos pertence. 

Desejamos modificar eventos ou ações praticadas no passado e ignoramos que são justamente nossas vivências, nossas experiências, as memórias construídas sobre nós e sobre o mundo que nos constituem.

Aceitar aquilo que não podemos mudar não significa resignação. Pelo contrário, envolve um conhecimento amplo de quem somos, da nossa história, e com olhar refinado, experiente e menos crítico; nos permite construir metas direcionadas à mudança, não do passado, mas de quem somos hoje, de quem desejamos ser amanhã. Não é voltar e percorrer o mesmo caminho. É olhar para trás, mas para seguir em frente.

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Coligações e negócios

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Mesa diretora da CMSP foto: AdoteUmVereador/arquivo

 

Efeito colateral do vírus presidencialista, o hiperpartidarismo desfigura e polui a democracia. Nessa disfunção que caracteriza o sistema brasileiro, o número de partidos já superou o das letras que formam o alfabeto. A maioria deles, para não dizer a sua totalidade, inteiramente desconhecida da população, da mesma forma que os seus programas e propostas.  Dos mais de 30 existentes, vários não passam de meras legendas para negócios. 

Embora impressionando na quantidade e decepcionando na qualidade, o sistema tem se revelado fértil. No que tange às coligações, os quinhões de tempo decorrem do resultado da soma do número de representantes dos seis maiores partidos que a integram. Portanto, o tamanho das bancadas junto à Câmara dos Deputados é que direciona a maioria das negociações. Quanto mais partidos coligados, maior será o tempo de mídia. Quesitos como afinidade e coerência desimportam. Basta existir um tempo disponível e esse passa a ser negociável, sem maiores dilemas éticos ou tabus históricos. Cruamente falando, são ativos políticos para barganha. O mais esdrúxulo, porém, é que o número de deputados federais vale como critério para as eleições municipais, quando o certo deveria ser o número de integrantes das câmaras municipais.

 Adiante, como se fossem atores postados diante de um script, partidos competitivos e bem estruturados entram em cena e se associam a outros que muitas vezes dispõem de uma linha telefônica sequer. No lance seguinte, todos ficam à espera da definição de cada um para então decidir com quem se coligar. No momento que um se decide, os demais logo se agrupam e rapidamente ocorre o arremate. Inúmeras alianças eleitorais são seladas dessa forma, como se fossem casamentos por interesse onde o dote do partido está no espaço de rádio e TV.

Na prática, é mais ou menos assim: de um lado ficam os partidos hegemônicos, compradores. Do outro estão verdadeiros boliches propensos a comercializar os itens mais preciosos e por vezes únicos do seu estoque que são os minutos ou segundos da propaganda. Em resumo: pequenos lotes de tempo proporcionam grandes negócios.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e Prática” (Verbo Jurídico). Escreve no Blog do Mílton Jung.

The Social Dilemma: 14 dicas para reduzir o impacto de redes sociais e internet na sua vida

A mensagem é forte e provocadora: nós criamos o sistema e sabemos o mal que ele pode lhe causar; então, saia do sistema. É o que alertam os protagonistas do documentário The Social Dilemma, dirigido por Jeff Orlowski, que, certamente, está entre as sugestões que o Netflix lhe oferece sempre que você acessa o serviço —- e o faz baseado nos mesmos algoritmos manipuladores que são parte do sistema criticado por Tristam Harris, ex-designer ético do Google e co-fundador do Center for Humane Tecnhology e mais 20 professores, cientistas, pesquisadores, executivos, engenheiros e criadores que trabalharam nas maiores empresas de tecnologia do Vale do Silício. 

O documentário se presta a que veio: colocar uma dúvida na cabeça de cada um de nós sempre que olharmos para a tela de nosso celular. Faço por vontade própria ou estou sendo impulsionado a tomar essa decisão? Geralmente é a segunda opção, porque a engrenagem digital que está por trás dessas máquinas nos ensina a não pensar por vontade própria, nos conduz pelo caminho que lhe convier ou pelo qual seu patrocinador pagou. Causa distorções de comportamento, põe em risco sua saúde mental e o equilíbrio político que deve haver nas democracias.

Vale dedicar uma hora e meia de um só dia para assistir ao documentário e refletir sobre a manipulação que sofremos todas as vezes que acessamos o celular ou entramos na internet. É muito pouco perto das oito horas e meia, em média, que você despende clicando, arrastando, escorregando seu dedo para cima e para baixo na tela do celular em busca de imagens, vídeos, informações, comentários e da aceitação social representada por likes, corações e emojis. 

Oito horas e meia? Não acredita? Dá uma conferida no seu celular e procure “tempo de uso”. Fiz isso e tomei um susto.

Os 21 entrevistados do documentário fazem alertas, ensinam como funcionam as máquinas e sugerem caminhos para escarpamos das armadilhas digitais. Listei 14 dessas dicas:

  1. Desinstale todos os APP do celular que apenas tomam seu tempo
  2. Desligue ou reduza o número de notificações 
  3. Elimine qualquer notificação que gere vibração no seu celular
  4. Substitua o Google pelo Qwant que não armazena o histórico de busca
  5. Nunca clique em um vídeo recomendado para você no YouTube — sempre escolha você mesmo
  6. Use extensões do Chrome que removem recomendações
  7. Antes de compartilhar, cruze informações, veja outras fontes, pesquise
  8. Obtenha diferentes informações por conta própria
  9. Siga pessoas no Twitter das quais discorda para ser exposta a outros pontos de vista
  10. Se algo parece ter sido criado para lhe desestabilizar emocionalmente, provavelmente é
  11. Não deixe nenhum dispositivo nos seu quarto depois de um determinado horário da noite
  12. Permita redes sociais apenas na adolescência — a pré-adolescência já é difícil, deixe isso para depois
  13. Decida com seu filho uma quantidade de tempo para usar os dispositvos eletrônicos. Pergunte “quantas horas por dia você quer passar no seu dispositivo?” Eles costumam dizer um bom número.
  14. Saia do sistema

Depois dessas 14 dicas, duas perguntas minha:

Você tem coragem de adotar uma das sugestões acima?

O que você faz para reduzir o impacto das redes sociais na sua vida?

Sua Marca: fragilidade, solidariedade e individualismo se revelam na pandemia

Assine e ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso em podcast

“Esse é o momento de separar as empresas que são nossas alinhadas das empresas oportunistas” —- Jaime Troiano

A surpresa com a falta de controle das nossas vidas e a revelação de dois lados da nossa personalidade apareceram com destaque no estudo aplicado para entender o comportamento do consumidor e o impacto sobre as marcas em seis meses de pandemia. O trabalho foi realizado por Jaime Troiano e Cecília Russo com base na técnica ZMET, criada pelo doutor Gerald Zaltmam, da Harvard Business School. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília explicou que o método “Zaltman Metaphor Elicitation Technique” usa conceitos de neurociência e a aplicação de metáforas para acessar conteúdos que vão além da nossa racionalidade. Com isso se consesgue mapear os caminhos mentais que estão associados a determinados temas. No Brasil, apenas a Troianobranding tem autorização para aplicar essa técnica.

Uma das imagens que surgiram na pesquisa com os consumidores foi a de peças de dominó, umas caindo sobre as outras, sem que se conseguisse parar aquele movimento. Uma metáfora que expressa como as pessoas ficaram surpresas com a pandemia, pois imaginavam ter controle sobre suas vidas, especialmente diante de toda a tecnologia disponível: big data, algoritmo, drones, satélites, carros autônomos, engenharia digital. 

“…de repente nos vimos com a vida como se estivesse em ‘modo avião’ … tínhamos a visão da onipotência e de repente o dominó escancara a nossa impotência diante de um inimigo invisível” —- Cecília Russo

Se a primeira ideia que surgiu no estudo foi a da evidência da nossa fragilidade, a segunda identificou os dois lados do ser humano: a solidariedade e a empatia em contrapartida a comportamentos individualistas de autopreservação. 

“… diante da iminência de sermos dizimados, buscamos novas formas de nos salvar”  — Jaime Troiano

Para as marcas, as lições a ser aprendidas, a partir dos resultados alcançados com a técnica ZMET:

  1. Esse é um momento que exige sensibilidade das marcas, ajuste de linguagem, não tão piegas nem tão agressivo. É preciso ajustar o tom.
  2. Darwin não está mais vivo, mas o que ele descobriu sim: as mais adaptadas, as que souberam navegar melhor nessa fase, sobreviverão e serão positivamente lembradas. 

Uma das sugestões de Jaime Troiano ao gestores de marcas é que façam o mesmo exercício que as pessoas estão fazendo diante da pandemia: um balanço de suas atitudes e de como se relacionam com as outras pessoas.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. E pode ser ouvido, também, em podcast.

Avalanche Tricolor: têm empates e empates

Grêmio 1×1 Palmeiras

Brasileiro — Arena Grêmio

Ferreira comemora em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram sete empates com o deste domingo —- o terceiro em casa. Alguns saímos na frente e cedemos. Outros saímos atrás e recuperamos. Fizemos bons jogos ainda no início da retomada do futebol e empatamos. Fizemos jogos medíocres e empatamos, também. Vitórias foram duas e derrotas apenas uma no Campeonato Brasileiro. Como os empates são a constância nessa competição, é deles que falo com você, caro e raro leitor desta Avalanche. 

Dependendo a sequência, tem empate que é bom. Pra ter ideia, no começo do campeonato éramos dos poucos times invictos, com uma vitória e quatro empates seguidos —- muitos não gostavam do fato de sairmos de campo apenas com um pontinho conquistado, ainda assim a ideia da invencibilidade persistia. A primeira derrota veio e a conta se inverteu. O que até então era mérito —- cinco jogos sem perder —- virou fardo —- cinco jogos sem ganhar.

Dependendo o momento do campeonato, comemora-se empate, também, afinal, um ponto pode representar um pé mais próximo do título, da conquista de uma vaga ou fora da zona de rebaixamento.

Avalia-se o empate ainda de acordo com o adversário. É com quem se disputa posição? Menos mal que conseguimos segurá-lo. É com quem vem de baixo? Pode ser desperdício. É com quem está em cima? Tá valendo. 

Nem sempre é o fator casa —- se é que este ainda existe desde a pandemia — que serve para a análise de quanto vale um ponto na tabela. Lembra que empatamos com o Flamengo no Maracanã? Foram dois pontos desperdiçados pela condição do jogo. No de hoje, foi um ponto conquistado, sem dúvida.

O momento na temporada, a sequência que teremos daqui para a frente —- especialmente levando em consideração a Libertadores —- a escalação e a performance do time, fizeram justo o placar. 

Com jogadores baleados fisicamente e suspensos disciplinarmente, Renato mexeu na estrutura do time e montou uma equipe mais consistente atrás. Sem alguns dos seus principais nomes —- Geromel, Kannemann, Maicon, Jean Pyerre, Pepê e Everton —- fez partida equilibrada até o fim, com domínio da bola e chegando ao ataque bem mais do que o adversário

Renato teve a humildade —- há quem não consiga enxergar esta qualidade no nosso técnico —- de compreender que o momento que passamos é de altíssima responsabilidade. Depois da derrota no meio da semana, com time que não expressou sua alma de Libertadores, assistimos em campo a jogadores abnegados em suas funções, mesmo sabendo dos limites de uma equipe desfalcada. Estivemos diferentes na escalação e no ânimo —- esse foi o melhor sinal deste domingo.

O gol sofrido foi resultado da necessidade de soltar o time um pouco mais e tentar os três pontos — a fragilidade defensiva apareceu e pagamos o preço. Sair desta partida com derrota teria um custo muito grande para o Gre-nal da Libertadores. Abriria espaço para a pressão de corneteiros, críticas nas redes sociais e especulação  na imprensa.

Aí, apareceu Ferreirinha: Aldemir dos Santos Ferreira, 22 anos, camisa 47, 1,73 de altura, canela fina, cara de guri e futebol de moleque. Depois de oito meses em banho maria por desacordo contratual com o Grêmio, o menino entrou em campo nos três últimos jogos, sempre no segundo tempo e por pouco tempo. 

Tem-se a impressão de que a perna ainda não faz o movimento com a mesma rapidez que o cérebro imagina para se safar do adversário e correr em direção ao gol, mas, claramente, tem talento e tem estrela —- marcou o gol de empate de cabeça, da única maneira que jamais imaginaríamos sendo ele minguado diante dos marcadores. Meteu-se na área, foi rápido para se desmarcar e deslocou a bola distante do goleiro e quase no limite da trave.

Saímos de campo com mais um empate, mas esse tem um peso melhor do que a maioria dos outros. Veio com um time muito modificado; com jogadores que lutaram muito em campo; com dedicação até os minutos finais que permitiu a recuperação no placar; contra adversário que chega forte na competição; e oferecendo um pouco de tranquilidade para pensarmos no que realmente interessa no meio de semana: a Libertadores e o Gre-nal. 

PS: sem contar que me livra de ter de ouvir chacota de um bando de amigos e colegas de trabalho palmeirenses, na segunda-feira.