Relacionamentos na era da Inteligência Artificial: o que ainda é humano?

Pamela Magalhães

Psicóloga e Especialista em Relacionamentos

Foto de Pavel Danilyuk

Vivemos uma revolução silenciosa, que até recentemente parecia invisível, mas que agora se revela em cada mensagem respondida, música composta, imagem gerada ou conversa simulada por inteligência artificial. Em meio a tanta eficiência tecnológica, um novo dilema emocional surge: como preservar nossa autenticidade em tempos em que até as emoções podem ser imitadas?

Diferenciar o que é real do que é simulado se torna cada vez mais desafiador — e necessário. Uma pesquisa realizada com mais de 3,5 mil pessoas pela World no Brasil – uma rede da empresa Tools for Humanity que busca ajudar a diferenciar humanos de robôs e inteligências artificias – reflete esse contexto. Mais de 66% dos pesquisados se sentem preocupados quanto à possibilidade de encontrar bots ou perfis falsos em apps de relacionamento e 72% dos entrevistados disseram que já suspeitaram ou descobriram que algum de seus matches poderia ser um robô ou uma IA.

A IA não sente, mas simula sentir. Isso tem confundido a nossa percepção:

– Se um texto nos emociona, mesmo sendo criado por uma máquina, o sentimento é real?

– Se um avatar fala tudo o que queremos ouvir, isso basta?

Essa mistura entre o que é gerado artificialmente e o que vem de um ser humano está provocando um novo tipo de crise: a crise da identificação.

Começamos a nos perguntar:

– Isso foi feito por uma pessoa ou por uma IA?

– Essa emoção é verdadeira ou programada?

E nos relacionamentos?

Essa confusão não afeta apenas a forma como consumimos conteúdo — impacta diretamente a maneira como nos relacionamos. No mundo dos filtros, dos chats automatizados e das respostas perfeitas, começa a faltar espaço para o erro, a dúvida, o silêncio, a pausa, o imprevisto — ou seja, para o humano.

Relacionar-se de forma autêntica exige vulnerabilidade, mobiliza nossas emoções e, justamente nesse impasse, no emaranhado das sensações, é que nos conectamos e nos vinculamos realmente. Ainda assim, cada vez mais, estamos trocando essa vulnerabilidade por versões otimizadas de nós mesmos — versões editadas, práticas, seguras, agradáveis.

Estamos tentando ser o que “funciona”, não quem realmente somos.

O curioso disso tudo é que as ferramentas da IA otimizam e muito diversas atividades, encurtam etapas, nos poupam tempo e viabilizam caminhos. Mas quando o assunto é relacionamento entre humanos, a dinâmica natural das trocas fomenta o processo e é justamente nele que construímos pontes sólidas de interação, que nutrem nossos corações com o que mais necessitamos: amor.

Reconhecer, o quanto antes, se estamos nos comunicando com uma máquina ou um ser humano torna-se indispensável para nossa segurança. É preciso garantir que não estamos confiando o que temos de mais precioso — nossos sentimentos — a um robô que não sente e nunca foi o que se diz ser.

É preciso cultivar a autenticidade:

1.Reivindique o seu sentir

Não terceirize sua experiência à máquina. Sentir confusão, dúvida ou até tédio é humano — e essencial para amadurecer emocionalmente.

2. Exerça presença

A IA é rápida. Os vínculos reais, não. Eles exigem tempo, escuta, paciência e imperfeição. Conexão não se mede pela quantidade de interações, mas pela profundidade delas.

3. Questione a idealização

O relacionamento perfeito não existe. Buscar respostas exatas para emoções complexas é algo que nem mesmo a melhor tecnologia pode oferecer.

4. Seja curioso sobre si mesmo

A autenticidade nasce do autoconhecimento. Quem é você sem os filtros? O que te move, te toca, te paralisa? Cultive o olhar interno.

No fim das contas…

Talvez a grande pergunta da era da IA não seja o que é real ou irreal, mas sim: O que ainda é verdade para mim, mesmo em meio ao artificial?

A autenticidade, nesse cenário, é um ato de coragem. É escolher sentir, errar, experimentar e construir conexões reais, ainda que imperfeitas. Nenhum algoritmo, por mais avançado que seja, será capaz de substituir o impacto de uma presença viva, de um olhar que compreende ou de uma escuta que acolhe.

E você? Já se perguntou se está se relacionando com alguém — ou apenas com uma projeção que parece segura, mas não sente nada?

Caminhos para um futuro mais confiável

Neste novo mundo, em que as fronteiras entre humano e máquina se confundem, tecnologias como a que a World oferece surgem como uma tentativa de restaurar a confiança digital. A proposta é ousada: uma credencial digital pioneira baseada em prova de humanidade, permitindo que redes sociais e plataformas verifiquem se você está interagindo com uma pessoa real, e não com uma IA.

Esse tipo de solução ainda levanta debates importantes, mas já indica que a sociedade busca formas de reconhecer e valorizar o humano — não apenas no toque, no olhar ou na escuta, mas também nos espaços digitais, onde, cada vez mais, vivemos, amamos e nos relacionamos.

Pensar, ponderar, falar e pesquisar mais sobre o assunto pode ser justamente a forma de não nos tornarmos reféns da IA, mas termos o melhor dela.

Pamela Magalhães é psicóloga (CRP:06/88376) e especialista em relacionamentos.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando o oportunismo atropela o bom senso

Comparar a eleição de um papa à liderança de mercado de um carro é um risco que pode custar caro à reputação de uma marca. Essa foi a crítica feita por Jaime Troiano e Cecília Russo, nesta semana, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, a uma campanha da Caoa Chery que utilizou como gancho o anúncio do novo Papa Leão XIV para promover o SUV Tiggo 8.

A ação publicitária, estampada na sobrecapa de dois grandes jornais, mostrava a imagem da fumaça branca saindo da chaminé da Basílica de São Pedro, acompanhada da frase: “No mesmo dia, dois líderes foram escolhidos. Um no Vaticano e o outro nas ruas do Brasil”. Na sequência, vinha a explicação: o líder seria o SUV da montadora.

Para Jaime Troiano, a peça publicitária é um exemplo evidente de manipulação. “Foi talvez uma das mais manipulativas que eu já acompanhei na minha vida”, afirmou. “Comparar o que é a eleição de um papa com a posição de mercado de uma marca de veículo é um paralelo, pelo menos, muito infeliz.”

Cecília Russo compartilhou o incômodo do colega, ressaltando que a atitude ultrapassa os limites do aceitável na comunicação de marca. “Esse foi um caso extremo de oportunismo. Não vamos confundir oportunismo com oportunidade.” Ela alertou que esse tipo de prática é mais comum do que se imagina, especialmente em datas comemorativas. “Tem empresas que no Dia das Mães se mostram carinhosas e amorosas, mas no dia a dia não praticam isso nem com seus próprios colaboradores.”

Além de criticar o caso específico, o comentário destacou o efeito colateral desses abusos: a generalização negativa sobre o marketing. “Você descredencia mensagens de comunicação e marketing que têm um caráter não só de venda, mas também de educação para a escolha”, disse Cecília. “E aí surge aquele velho preconceito: ‘Ah, isso é coisa de marqueteiro’.”

A marca do Sua Marca

A principal marca do comentário está na advertência clara aos profissionais e empresas: comunicação eficaz não deve se apoiar indevidamente na simbologia alheia. “As marcas precisam usar suas próprias virtudes quando se comunicam com clientes e consumidores. Quando elas sugam a força dos outros sem pedir licença, elas não estão fazendo um papel bonito”, concluiu Jaime.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Suzana Oliveira e Bárbara Vallim, da Hera.Build, mostram como agentes de IA transformam os negócios

Suzana e Bárbara em entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Quem não iniciar algum projeto (de IA) vai acabar não tendo vantagem competitiva no mercado.”

Suzana Oliveira, Hera.Build

Se a inteligência artificial já era vista como um diferencial estratégico, os agentes de IA surgem agora como o próximo passo para empresas que buscam eficiência, personalização e agilidade. Em entrevista ao Mundo Corporativo, Suzana Oliveira e Bárbara Vallim, fundadoras da plataforma Hera.Build, explicaram como os agentes de IA — soluções automatizadas baseadas em inteligência artificial — estão sendo usados para impulsionar resultados de forma direta e mensurável.

Automatizar para crescer

Ao contrário da imagem abstrata que muitas vezes acompanha o debate sobre IA, Suzana e Bárbara apresentam soluções concretas. “A gente com uma solução super simples, que era colocar um AI Concierge no e-commerce desse cliente, em dois meses aumentou 63% da receita deles”, contou Suzana. O diferencial está na forma de aplicação: agentes com escopo claro, regras bem definidas e uma personalidade ajustada à comunicação da empresa.

A ideia é tornar a tecnologia acessível mesmo para quem não tem familiaridade com programação. “Toda a nossa plataforma é feita para que seja simples, fácil e muito rápido de implementar”, disse Suzana. O sistema da Hera.Build permite que usuários configurem seus próprios agentes de forma intuitiva. “Todos nós respondemos formulários desde criança. É esse o nível de acessibilidade que queremos oferecer.”

Regras, escopo e personalidade

Segundo as fundadoras, um dos maiores receios ao lidar com IA generativa — conhecido como “alucinação”, quando o sistema gera respostas fora de contexto — pode ser reduzido com o uso correto de parâmetros. “A inteligência artificial é literal. Se você não passa a instrução de maneira assertiva, ela pode interpretar diferente do esperado”, alertou Bárbara. Para mitigar isso, a plataforma trabalha com um modelo baseado em três pilares: personalidade, escopo e regras de comportamento.

Essa estrutura permite moldar o agente para representar com fidelidade a linguagem da marca. “Imagina o tanto que é importante, uma marca que vai usar a inteligência artificial para se comunicar com os seus clientes, o tanto que essa inteligência tem que representar a forma de comunicação, o jargão, as expressões daquela marca.”

IA sem mistério — e com resultados

Parte do trabalho da Hera.Build também está em desmistificar a inteligência artificial dentro das empresas. “Existe muito desconhecimento, muita insegurança. Será que vai funcionar? Será que vai alucinar?”, relatou Suzana. A proposta das fundadoras é acompanhar o cliente desde a definição da necessidade até a implementação segura. “Sempre começamos com a pergunta: o que vai girar o teu ponteiro mais rápido? Pode ser redução de custo, aumento de receita ou eficiência operacional.”

Bárbara acrescentou que a personalização vai além do uso corporativo. “A gente já desbloqueia o celular com a leitura da face. Agora imagine que a IA sabe que você janta todo dia às 8 horas. Ela pode facilitar tarefas do cotidiano sem que você precise pedir.”

Do AI Concierge ao Steve Jobs digital

A Hera.Build também é reflexo do perfil de suas fundadoras. Ambas mulheres, em uma equipe 100% feminina, construíram uma empresa de tecnologia que aposta em representatividade e autonomia. Suzana criou um agente chamado “Contenta” para ajudá-la a produzir conteúdo personalizado. Bárbara, por sua vez, recorreu a um personagem ilustre: “Logo no começo, modelei um agente para personificar o Steve Jobs. Ele virou meu mentor digital e me ajudou a criar a Hera.”

Apesar das soluções sofisticadas, o foco é sempre na aplicação prática. “Se você tem tempo disponível para aprender outras coisas, isso vai levar o nível de conhecimento da humanidade para outro patamar”, concluiu Suzana.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: a saudosa maloca virou quadra de beach tennis

Vinicius Moura

Ouvinte da CBN

Quando São Paulo fazia 397 anos, em 1951, Adoniran Barbosa escrevia Saudosa Maloca. Muito tempo depois, foi marcante, ao comemorar meus 20 anos, arriscar-me a cantá-la num karaokê da Liberdade. Era 1985, e Sampa estava com 431 anos. Eu segurava o microfone com a responsabilidade que uma música clássica pede. Mas não imaginava do que falava a música. Curiosamente, quando a “terra da garoa” fez 460 anos, foi que o assunto veio à pauta: a maloca, a saudosa maloca, estava sendo demolida.

Não moro em uma cidade que olha para trás. Lá em 1951, éramos 2,6 milhões de pessoas. Os homens usavam chapéus e os tiravam para acenar em respeito ao funeral que passava. Quem era? O que empreendeu? Que missão teria cumprido neste seu tempo? É possível que se perguntassem em silêncio, enquanto o gesto gentil ainda se sustentava no ar. É o que ainda fazemos — não o gesto, claro, mas as perguntas. Só que nossa cidade não tem vocação para lamentar o que passou.

Seu Antenor nasceu quando São Paulo completava 391 anos — 1945. Sua casa é remanescente de uma incorporadora que lamenta não ter conseguido fechar negócio, e a casa antiga se sustenta espremida entre os muros altos de uma moderna torre de studios. Mas saiba que o Sr. Antenor não vende, contrariando a urgência dos filhos. Este aposentado com problemas de mobilidade crê não precisar de mais nada. Mantém o saudosismo da velha vila e a lembrança dos vizinhos que se foram. Era isso que eu ouvia dele em 2019. Sampa é uma cidade de muitas histórias.

Contudo, sei que, mais do que tudo, lá no fundo, o Sr. Antenor — e tantos outros — mantinha o desconforto de ter vindo do interior de Minas e de ter trabalhado na construção civil, lá nos anos 60, para essa mesma construtora que agora quer seu pequeno pedaço de chão. E foi justamente o rendimento deste trabalho que lhe permitiu comprar seu pequeno lote. Que ironia: hoje, os netos do seu antigo empregador querem que sua casa se transforme numa quadra de beach tennis e agregue valor. São Paulo é uma cidade que olha para cima.

Em 2025, São Paulo fez 471 anos, e eu acabo de me mudar para o vigésimo terceiro andar de um desses prédios que esmagou algumas das antigas casinhas. Me enche de orgulho enxergar tão, tão distante através da grande vidraça. É festa aos olhos observar o céu alaranjado no fim de tarde, contrastando com o fundo escuro das árvores no Ibirapuera. Quantos podem pagar por essa vista? A terra da garoa cobra caro.

Por mais incômodo que pareça, Adoniran falava disso: vamos colocar quem não pode pagar num lugar um pouco mais afastado. Foi esse o motivo da demolição da Saudosa Maloca — e é o motivo pelo qual ela continua sendo demolida até hoje. São Paulo sempre olha para o retorno do investimento futuro.

Quando São Paulo fez 420 anos, fui com meu pai conhecer o metrô, em sua inauguração. Era a promessa sendo cumprida para quem tivesse ido morar longe: o metrô traria com rapidez. São Paulo sempre tem pressa. São Paulo não é unanimidade: é feia para uns — para quem está nas periferias, principalmente. E é bonita para outros — para quem está nos bairros bacanas, principalmente. É a cidade que permite executar novos sonhos ao mesmo tempo em que asfalta suas antigas histórias. São Paulo não tem tempo a perder.

Tenho certeza de que, assim como eu, o Sr. João Rubinato amava de paixão esta cidade de muitas tradições e enormes contradições. Quem é João Rubinato? Sabe não? É o nome de batismo de Adoniran. Já o Sr. Antenor era Antenor mesmo, um vizinho que morreu de Covid. Seu imóvel é hoje uma quadra de beach tennis. Será que os filhos do Sr. Antenor estão mais felizes?

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Vinicius Moura é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio.
Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Parece, mas não é

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Parece, mas não é

A comida parece gostosa, mas não é. A bolsa parece da marca X, mas não é. O casamento parece muito feliz, mas não é.

Parecer é o verbo do momento. Parecer é a moeda de troca do mundo contemporâneo.

Parecer bem sucedido, bonito, bom, legal, interessante… já basta. Aliás, é o que importa.

Se é real mesmo, se é verdadeiro mesmo… que diferença faz? Se parece, é. Aos olhos do julgamento atual, a imagem que você passa e a narrativa que você transmite serão seu valor na sociedade.

“Olha, ela parece tão feliz!”; “Olha, ele mostrando o sucesso dele!”. Pronto, o rótulo já existe, o posto foi conquistado.

Castelo de cartas. Um sopro e tudo cai. Difícil viver criando e sustentando uma vida que não existe no mundo real. Preocupação com cada foto, roupa, imagem, atitude… Hipervigilância, tensão constante, necessidade de se provar e se reafirmar.

Receber elogios é mesmo muito prazeroso. A reflexão aqui é: qual o preço estamos dispostos a pagar para sermos reconhecidos, aplaudidos, “valorizados”?

Aguentamos viver uma vida falsa, trabalhosa de ser construída e mantida? Aguentamos viver em constante ansiedade e apreensão?

O vazio de parecer sem ser… Nem todos os elogios do universo preenchem.

Não ser verdadeiro consigo mesmo e sustentar máscaras custa caro, muito caro. Vamos nos deixar sequestrar ou vamos nos resgatar desse caos?

Parece inimaginável, mas não é. Basta ter coragem de ser. Sem vazios, cheio de si mesmo.

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: mudar de nome é mais do que trocar a fachada

Photo by Olya Kobruseva on Pexels.com

A CCR agora é MOTIVA. O novo nome da concessionária de rodovias foi anunciado em maio, e se soma a uma longa lista de empresas que decidiram rebatizar suas marcas. Mas o que está por trás desse tipo de mudança? Essa é a discussão central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, do Jornal da CBN.

Segundo Cecília, há diferentes razões para uma companhia adotar um novo nome. “Muitas delas mudam de nome porque querem expressar um novo momento da empresa, um redirecionamento de rota dos negócios. Querem se mostrar mais amplas do que eram antes”, observa. O novo nome pode simbolizar uma nova estratégia, uma nova fase ou uma tentativa de reconexão com o mercado. Em alguns casos, como ela destaca, “há aquelas que mudam para apagar o passado, reverter crises e o novo nome abre possibilidades para recomeçar”.

Jaime Troiano cita o caso emblemático da Odebrecht, que trocou o nome para Novonor após os escândalos revelados pela Lava Jato, mas que agora resgata a marca original. “Cá entre nós, não estamos vendo uma nova razão social. O que estamos vendo é um suposto renascimento do que, na verdade, nunca deixou de existir”, afirma. Ele lembra que, na época da mudança, alertou: “marca identifica, mas não é capaz de esconder, principalmente no mundo de hoje, com janelas digitais absolutamente transparentes”.

A marca do Sua Marca

A principal mensagem do comentário é que a troca de nome, embora muitas vezes necessária, não é suficiente para reposicionar uma marca. “O que você entrega e demonstra no dia a dia, até mais do que seu nome, é o que constrói seu significado no mercado”, resume Cecília. A identidade de uma empresa é feita mais pelas atitudes do que pelas palavras escritas na fachada.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: o Grêmio está estranho — e isso é bom

Juventude 0x2 Grêmio
Brasileiro – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul RS

Cristian Olivera fez o 2º gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Um domingo estranho para os padrões gremistas dos últimos meses. Uma vitória por dois gols de diferença não acontecia desde o início de abril; a última vez que ganhamos três partidas consecutivas foi em janeiro; e agora completamos quatro jogos sem tomar gols — somados os resultados do Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana.

A sorte também esteve ao nosso lado, o que não víamos há algum tempo. O pênalti infantil cometido pelo goleiro adversário, ainda nos primeiros minutos, tornou o caminho da vitória mais fácil — e contou com o auxílio do VAR. O mesmo VAR que evitou que fôssemos prejudicados com o pênalti assinalado contra nós, quando ainda vencíamos por apenas um a zero — e parecia que a história de não sabermos segurar o placar favorável se repetiria.

Alguém pode dizer que o recurso do VAR não é questão de sorte. É auxílio técnico usado para ajudar os árbitros em lances difíceis e polêmicos. Primeiro: se você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, pensa assim, convido-o a puxar a “ficha corrida” dos lances de arbitragem em rodadas anteriores (com exceção do jogo contra o Bahia). Segundo: que um dos jogadores adversários estivesse em posição irregular no instante da jogada em que derrubamos o atacante deles na área é sorte, sim.

Ao falar de sorte, não estou reclamando. Fico bem feliz em saber quando ela decide trocar de lado. Porque, geralmente, quando isso acontece, é sinal de que o time começa a fazer por merecer. E hoje, fizemos.

Mesmo que o adversário estivesse fragilizado, é preciso considerar que continuava sendo uma fortaleza dentro do seu estádio. Mais do que isso, o Grêmio fez sua melhor partida dos tempos recentes, a começar por um sistema defensivo mais coeso. Houve intensidade na marcação, com a participação dos jogadores de ataque. Na maior parte do jogo, preferiu-se a troca de passes e, sempre que se chegava pelas alas, nossos atacantes foram atrevidos ao driblar. O meio de campo também participou ativamente, com destaques para Villasanti e Cristaldo.

Se o que assistimos foi circunstancial ou se estamos vendo o início de uma reação gremista, sob nova direção, teremos de esperar pela resposta que o tempo nos oferecerá. O Grêmio joga mais uma partida antes da longa parada para o Mundial de Clubes — tempo em que Mano poderá, se tudo correr bem, ganhar os reforços necessários e organizar melhor seu grupo. Com isso, quem sabe vitórias seguidas, defesa mais firme e boas arbitragens deixem de causar estranheza a este escrivinhador e torcedor.

Mundo Corporativo: Roberto Valério, da Cogna, fala do uso estratégico da inteligência artificial na educação

Entrevista no estúdio de podcast da CBN com Roberto Valério Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Se eu não conheço os processos, não consigo tomar decisões para tornar minha organização mais competitiva.”
Roberto Valério, Cogna

A inteligência artificial está mudando o modo como se aprende — e também como se ensina. Em um país marcado por desigualdades de acesso à educação e com enormes desafios na retenção e no engajamento dos alunos, a personalização do aprendizado por meio da IA deixou de ser uma promessa distante para se tornar um projeto em curso em larga escala. A maior prova disso vem de dentro da maior empresa de educação do Brasil. Esse é o tema da entrevista com Roberto Valério, CEO da Cogna Educação, no programa Mundo Corporativo.

Do hype à implantação

Em março de 2023, Valério esteve no South by Southwest, em Austin, nos Estados Unidos. A efervescência em torno da inteligência artificial generativa o fez voltar com um alerta: “Apesar de atentos, estávamos lentos”. A partir dali, liderou um processo de capacitação interna e redesenho de processos com foco na aplicação da IA. “Fizemos um mapeamento dos mais de 1.500 processos da empresa para entender onde aplicar com mais eficiência a tecnologia”, relatou.

Segundo ele, a IA só é produtiva quando usada com clareza de propósito. “O uso da inteligência artificial só pode ser feito se o executivo ou líder conhecer os seus processos”, enfatizou. Ao aplicar essa lógica, a Cogna criou um “marketplace interno” com mais de 120 agentes de IA em funcionamento — metade voltados à operação, 30% à educação e o restante a novos negócios.

Educação personalizada em escala

A grande aposta da empresa é na personalização da aprendizagem. “Se conseguirmos fazer com que a inteligência artificial construa esse modelo de forma que o tempo das pessoas seja produtivo, cada hora de estudo será realmente útil para aquele aluno”, afirmou. Essa abordagem se concretiza em ferramentas como a Plu, agente de IA da plataforma Plural, que auxilia professores na montagem de aulas e alunos na construção do raciocínio, sem fornecer respostas diretas.

No ensino superior, a IA atua de forma semelhante. “Se o aluno de engenharia tem dificuldade em cálculo 1, o sistema identifica que a origem da dúvida está no ensino médio e oferece, naquele momento, uma revisão contextualizada”, explicou Valério. A medida tem dado resultado: alunos que utilizam a ferramenta com regularidade têm desempenho acima da média da turma.

Riscos e cuidados

Implantar IA em empresas e escolas exige estrutura. “A tecnologia está disponível, mas para funcionar bem é preciso uma base de conhecimento organizada e medidas de segurança”, alertou o CEO. A Cogna evita, por exemplo, que conteúdos sensíveis apareçam nas respostas, e adota uma política rígida para evitar o risco de “alucinações” dos agentes.

Além disso, o executivo destacou o risco da automatização sem supervisão: “Criar com IA e publicar sem revisar é uma armadilha. Nenhuma empresa pode abrir mão da gestão de qualidade do que entrega”.

A preparação das equipes também foi um ponto central da transição. “Começamos com dois ou três entusiastas internos e, a partir deles, construímos um programa de letramento em inteligência artificial com consultorias e encontros semanais para debater aplicações e estrutura de execução”, contou.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Avalanche Tricolor: do Grand Slam à grande sofrência

Grêmio 1×0 Sportivo Luqueño
Sul-Americana — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Riquelme comemora em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Sentei à noite diante da televisão ainda sob o impacto da vitória de João Fonseca em Roland Garros, no meio do dia. O jovem brasileiro eliminou o francês Pierre-Hugues Herbert por três sets a zero, com autoridade e talento que saltavam aos olhos. Desde sua estreia no Grand Slam de Paris, tenho dividido com amigos e ouvintes o prazer de torcer por alguém que vence com brilho próprio — sem precisar de pênalti forçado ou gol chorado.

Minutos depois, a realidade me trouxe de volta à Arena. Bastaram alguns toques na bola para que o sofrimento habitual se escancarasse. Nem mesmo um adversário fragilizado foi capaz de facilitar a missão. O Grêmio não conseguiu apresentar um futebol minimamente agradável. Sequer o árbitro, figura tantas vezes questionada, servia de bode expiatório. Foi preciso, correto ao marcar o pênalti e justo nas expulsões dos paraguaios.

Mesmo com um a mais em campo durante boa parte da partida — e dois nos minutos finais — desperdiçamos a penalidade e mal conseguimos aproveitar a vantagem numérica. Dizer que estávamos com um time alternativo, poupando titulares para o Campeonato Brasileiro, pouco aliviava a frustração. Pelo contrário: aumentava a preocupação ao ver Mano Menezes recorrer a nomes que já deveriam ter sido deixados para trás há algum tempo.

Para tornar a noite ainda mais amarga, o empate entre Godoy Cruz e Atlético Grau, na Argentina, teve gosto de oportunidade perdida. Os argentinos chegaram a estar perdendo, mas reagiram, e com o empate em 2 a 2 mantiveram a liderança do grupo. Bastariam mais dois gols do Grêmio — contra um adversário com dois a menos — para que conquistássemos a vaga direta à próxima fase. Dois gols. Não parecia pedir demais.

O que consola este torcedor é a aparição de Riquelme. Saído do banco no segundo tempo, foi ele quem marcou o único gol da noite. Aos 18 anos, mesma idade de João Fonseca, decidiu a partida e salvou o Grêmio de um vexame maior.

Será que ao menos isso… pode me dar alguma ilusão?

Conte Sua História de São Paulo: mais do que uma cidade, é uma experiência de vida

Nelson Sganzerla

Ouvinte da CBN

É impossível falar de São Paulo sem destacar sua essência vibrante, marcada pela diversidade cultural, pela inovação e pelo espírito acolhedor que abraça a todos que chegam com sonhos e esperança.

Ao longo dos séculos, São Paulo transformou-se no coração pulsante do Brasil, uma metrópole que dita tendências e inspira o país.

Seus arranha-céus — como o próprio nome diz — tocam o céu, simbolizando a determinação e o trabalho incansável de milhões que fazem da cidade um lugar único e dinâmico.

Cada bairro conta uma história, desde as tradições do centro histórico até a modernidade da Avenida Paulista; cada rua respira história e inovação.

A gastronomia é um capítulo à parte, oferecendo uma viagem ao redor do mundo sem sair da cidade. De feiras de rua a restaurantes premiados, São Paulo é um banquete de sabores e culturas que representa o espírito cosmopolita que define essa metrópole.

Além disso, São Paulo é um celeiro de arte e cultura. Seus museus, teatros e galerias são palcos de expressões artísticas que encantam e provocam reflexões. A cidade respira arte urbana, música e literatura, sendo um farol cultural que ilumina não só o Brasil, mas o mundo.

São Paulo é mais do que uma cidade; é uma experiência de vida. Com seus 471 anos, continua sendo uma terra de oportunidades, onde as histórias se encontram, sonhos são realizados e o futuro é constantemente reinventado.

Com toda sua grandeza e complexidade, segue sendo um símbolo de força, resiliência e esperança, inspirando todos que têm o privilégio de chamá-la de lar.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Nelson Sganzerla é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva gora a sua história e envie para contesuahistoria@cbn.com.br  Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog, miltonjung.com.br, ou acesse o podcast do Conte Sua História de São Paulo.