Em 1980, conquistei meu primeiro emprego com carteira assinada. Tinha 18 anos, morava no Imirim com meus pais e minha irmã. O Centro da cidade parecia um território distante, um mundo enorme para ser desvendado.
Fui trabalhar no Banco Noroeste, na rua Boa Vista. Era a mais jovem do departamento. Observava, aprendia e tentava me adaptar à rotina daquele mundo novo.
Logo percebi que meus colegas mantinham uma tradição, um hábito curioso. Às segundas-feiras, saíam rapidamente do trabalho, atravessavam o Viaduto do Chá e seguiam para o Teatro Municipal. Ali assistiam às apresentações gratuitas de música, teatro e balé — um presente inesperado no começo da semana.
Resolvi acompanhar o grupo. Na primeira vez, assisti à peça Pedro e o Lobo, com participação de uma orquestra cujo nome, infelizmente, não guardei. Guardei, no entanto, algo muito mais importante: a emoção. Até hoje me faltam palavras para descrever o que sentiu aquela menina da periferia ao entrar no Teatro Municipal e ouvir uma orquestra ao vivo. Era mais do que cultura; era pertencimento.
Passei a ser presença constante nas segundas-feiras do Municipal. O trabalho me abriu portas que eu sequer sabia que existiam. Caminhar do banco até o teatro era atravessar não apenas o centro da cidade, mas também limites pessoais que eu imaginava intransponíveis.
Um dia, sem aviso, as apresentações foram interrompidas. O ritual terminou. A lembrança, não. Ela segue viva como você pode perceber nesta história de conto de São Paulo.
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Cintia Capello é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Entrevista no estúdio de podcast da CBN com Augusto Drumond Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“Você não precisa ser do time de diversidade e inclusão para ter esse olhar intencional sobre o tema … Tendo esse olhar intencional sobre o tema, você ajuda a fazer do Brasil uma sociedade melhor, mas você também ajuda o seu negócio a evoluir.”
A Nestlé está presente em 99% dos lares brasileiros e decidiu que, para continuar relevante, precisava se tornar o “espelho do Brasil” também dentro de casa. A estratégia da empresa para essa transformação foi discutida em entrevista no Mundo Corporativo, da CBN, com Augusto Drumond, head de Diversidade e Inclusão da Nestlé no Brasil.
Segundo ele, a agenda de diversidade ganhou força a partir de uma métrica de negócio. “A gente quer, por estar presente em 99% dos lares com os nossos produtos e com as nossas marcas, espelhar essa sociedade brasileira internamente em todos os níveis hierárquicos”, afirmou. O diagnóstico indicava distâncias entre a composição demográfica do país e a da empresa. Reduzir esse descompasso passou a ser estratégia.
Hoje, 48% dos colaboradores da companhia são pessoas negras. Nos últimos anos, 200 profissionais negros passaram a ocupar cargos de liderança. A empresa também registra 45% de mulheres na liderança e mais de mil pessoas com deficiência no quadro de funcionários.
Grupos de afinidade e transformação cultural
A estratégia se apoia em cinco frentes prioritárias: pessoas negras, mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+ e gerações — tanto jovens com menos de 29 anos quanto profissionais com mais de 50.
Cada grupo conta com um comitê interno. São cerca de 25 integrantes por grupo, responsáveis por propor ações e influenciar decisões. “Esses grupos, eles atuam, claro, como um espaço de acolhimento, mas principalmente esses grupos também ajudam a transformar Nestlé”, explicou.
É nesse ponto que ganha força o conceito de “olhar intencional”, repetido por Drumond ao longo da conversa. Para ele, não basta apoiar a pauta em tese; é preciso incorporá-la nas escolhas do dia a dia. O gestor que revisa seus critérios de contratação, o líder que observa quem tem voz nas reuniões, a equipe que questiona se uma campanha realmente representa o público que pretende alcançar — tudo isso faz parte desse movimento. Sem intenção clara, a diversidade corre o risco de ficar restrita ao discurso. Com intenção, passa a orientar decisões concretas e a influenciar resultados.
Um exemplo é o projeto “Rótulos que Falam”, criado para tornar embalagens mais acessíveis a pessoas com deficiência visual ou dificuldade de leitura. A iniciativa surgiu a partir da experiência de uma colaboradora cega. “Quando ela chegou no time e ela deu essa declaração muito simples de que ela não tinha acessível todas as informações que estão ali naquela embalagem, a gente começou a ir atrás da solução”, contou.
Em parceria com um aplicativo, as informações dos produtos passaram a ser disponibilizadas em áudio por meio do celular. A medida responde a uma realidade expressiva: estima-se que mais de 17 milhões de brasileiros tenham algum tipo de deficiência visual ou dificuldade de leitura.
Outro caso é a fábrica de chocolates Garoto, em Vila Velha (ES), que se tornou referência na inclusão de pessoas surdas. São mais de 100 colaboradores surdos e uma estrutura adaptada com intérpretes e comunicação acessível.
O “olhar intencional”, expressão usada por Drumond ao longo da entrevista, significa sair da neutralidade confortável e assumir responsabilidade direta sobre as decisões. Não é esperar que a área de diversidade resolva o tema. É o gestor revisar o processo seletivo, questionar a composição do time, observar quem fala — e quem não fala — nas reuniões, analisar se a campanha representa de fato o público consumidor. Para ele, sem essa intenção clara, a diversidade vira discurso. Com intenção, vira critério de decisão.
Diversidade como decisão de negócio
Para Augusto Drumond, a pauta não se sustenta apenas por uma razão ética. “E para as empresas, independente de tamanho, é olhar para isso novamente para além do imperativo moral, para além dessa questão de que é o certo a ser feito, porque na Nestlé a gente tem visto que isso tem resultado positivo para o negócio. E se tem resultado positivo para o negócio para a Nestlé, tenho certeza que tem resultado positivo para o negócio para outras empresas também.”
Ele destaca que a diversidade influencia desde campanhas publicitárias até desenvolvimento de produtos e posicionamento de marca. “Então, através desses diferentes aspectos, seja campanha, desenvolvimento de produto, posicionamento da empresa, a gente a gente tem tentado se aproximar dos nossos consumidores usando essa lente e a ótica da diversidade e inclusão.”
A lógica é simples: consumidores tendem a se conectar com marcas nas quais se reconhecem. Representatividade, nesse caso, deixa de ser discurso e passa a ser prática.
Liderança inclusiva e próximos passos
Criada há cerca de cinco anos, a área de Diversidade e Inclusão da Nestlé agora concentra esforços em ampliar a presença de pessoas negras na liderança e desenvolver o conceito de liderança inclusiva.
“A gente continua olhando para a diversidade como uma das top prioridades dentro dos temas de RH”, afirmou, ao comentar o cenário global de reestruturação da companhia. Para ele, o tema permanece estratégico.
Ao final da entrevista, Drumond deixou uma recomendação que nasce da própria experiência. Ele contou que, ao longo da carreira na empresa, sempre “levantou a mão” quando queria aprender algo novo ou migrar de área — chamou gestores para conversar, declarou seus objetivos e buscou exposição interna, mesmo quando isso causava desconforto. Foi assim que transitou do marketing para o planejamento estratégico e, depois, para a área de Diversidade e Inclusão. Por isso, resume o conselho em uma frase direta: “Levanta a mão, né? Levanta a mão, é sempre importante.”
O conselho vale tanto para profissionais que buscam espaço quanto para empresas que desejam avançar. Segundo ele, é preciso intencionalidade e coragem para transformar cultura e resultados.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.
Quando erguemos o olhar e vemos um terreno em que nada há: não há o namoro; não há mais o emprego; o dinheiro acabou; o casamento desmoronou … a autoestima inexiste.
Há momentos na vida que parecem filme de guerra: tragédia atrás de tragédia, recursos esgotados, tristeza profunda. Tudo cinza(s).
Há momentos em que parece não haver vida. Como pode dar tanta coisa errada? O que fazer com esse desespero e essa desesperança?
Onde nada há, pode existir tudo.
Quando não temos mais o que perder, podemos olhar para dentro de nós e fazer a pergunta: como seguir daqui pra frente?
Reflexões que nos ajudam: quem são as pessoas que ainda estão do meu lado (são aquelas que eu imaginava que permaneceriam)? O que antes eu odiava e que não quero voltar a suportar? Como posso construir uma rotina que não seja um inferno ou uma prisão sufocante?
Claro, nem sempre cabe tudo o que desejamos, queremos. Mas sempre cabe algo de bom, melhor que antes. Um hábito novo que fazemos só porque é gostoso, ainda que “não sirva pra nada”; um descanso em um momento do dia que “deixar tudo arrumado” era obrigação; o distanciamento de alguém que nos fazia tanto mal.
Está aí: o nada traz a permissão de refazer, reescolher, redecidir.
O que você quer de novo para sua vida? O que você pode incluir no seu dia a dia que te fará mais leve, mais alegre, com mais energia para sentir, pensar e agir?
Então — nessa sua terra arrasada — que castelo você construirá? Que história você contará e viverá?
A Dra. Nina Ferreira (@ninaferreira.psiquiatra) é psiquiatra, psicoterapeuta e sócia fundadora da LuxVia Health Center. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.
A máquina pública existe para servir à comunidade. Foi para tal que foi concebida. Seu gestor é escolhido democraticamente por essa mesma sociedade. Ao assumir o comando do país, estado ou município, esse representante tem o dever de governar para todos, sem distinção. E, para tanto, terá de negociar e debater com os diversos setores que compõem a sociedade.
Ou seja, terá de fazer política.
É possível uma gestão técnica sem diálogo político?
Como encontrar a medida entre o político e o técnico nestes tempos em que nos encantamos com a ideia de gestões baseadas em metas, eficiência e tecnologia?
No Brasil, infelizmente, ainda se exerce em muitos lugares a “velha” política. Aquela do toma-lá-da-cá. Acerto entre partes. Negociatas em lugar de negociação. Conluio em vez de conversa. Um repertório antigo com consequências atuais. Práticas que desgastam a imagem do setor público diante de um cidadão que quer apenas eficiência na gestão e prestação de serviços de qualidade.
Na verdade, não se governa sem unir as duas pontas.
Em um cenário ideal, a técnica fornece os dados e a política fornece a direção. Separar as duas de forma absoluta é quase impossível e, em muitos casos, contraproducente.
Mesmo em discussões técnicas — como a construção de uma ponte, a reforma de uma escola ou um novo protocolo de saúde — as decisões não ocorrem no vácuo. A técnica diz como fazer; a política decide o que priorizar com base nas necessidades reais da população.
Afinal, uma solução tecnicamente perfeita que a sociedade não aceita tende ao fracasso.
A política traduz a técnica em consenso e apoio popular.
O problema não é a presença da política, mas a substituição da técnica pela conveniência. A política sem técnica é populismo sem base. Mas a técnica sem política é tecnocracia sem alma.
O desafio da gestão pública está justamente no equilíbrio: a técnica traz a viabilidade, enquanto a política garante a legitimidade. Um governo eficiente não escolhe entre um e outro. Faz os dois trabalharem juntos.
Christian Müller Jung é publicitário de formação e mestre de cerimônia por profissão. Colabora com o blog do Mílton Jung (de quem é irmão).
A marola passa. E, quando o vento muda, só permanecem as marcas que sabem exatamente o lugar que ocupam na mente do consumidor. Esse foi o eixo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, exibido no Jornal da CBN, com Jaime Troiano e Cecília Russo, ao tratar do risco de empresas confundirem momentos favoráveis do mercado com estratégia de marca.
Jaime Troiano explicou que a marola surge quando o ambiente econômico parece ajudar. O consumo cresce, novos negócios aparecem e muitas empresas decidem entrar em um setor apenas porque o mercado está favorável. O problema surge depois. “Marola é quando a empresa sente que o mercado está soprando a favor e acompanha esse movimento”, disse. O teste real vem na calmaria: a marca criou uma posição clara para continuar relevante?
Para explicar o conceito, Jaime recorreu a um clássico dos negócios: Posicionamento – a batalha pela sua mente, de Al Ries e Jack Trout. A ideia central é simples e poderosa. A disputa entre marcas não acontece nas prateleiras nem nos anúncios, mas na mente das pessoas. “As marcas de valor e de prestígio são as que, nas palavras deles, ocupam uma posição relevante num espaço escuro e úmido, de um centímetro cúbico, em nossas mentes“, destacou. O fato é que as marcas que ocupam um espaço claro resistem ao fim da marola. As outras desaparecem como espuma.
O exemplo concreto que os comentaristas trouxeram para o programa: no Baixo Pinheiros, em São Paulo, a abertura sucessiva de bares e restaurantes criou uma onda de novos negócios. Muitos entraram sem definir claramente o que ofereciam de diferente. Com o tempo, vários fecharam. Permaneceram os que tinham uma proposta reconhecida pelo público.
Cecília Russo avançou para o campo prático. Segundo ela, não existe improviso quando o assunto é marca. “Quando a marca entrar na avenida, a comissão de frente precisa ter uma mensagem clara, relevante e diferenciada”, disse. Isso significa estudar o mercado, entender os concorrentes e definir por que aquela marca merece existir.
Ela destacou três cuidados essenciais. O primeiro é entrar preparado, com um posicionamento definido desde o início. O segundo é o momento: quanto mais cedo se entra em uma tendência, maiores são as chances, embora isso não seja garantia de sucesso. O terceiro é saber sair. Se os sinais indicarem rejeição, insistir costuma ampliar o prejuízo. Cecília lembrou o caso das antigas linhas telefônicas, que perderam valor quando a tecnologia mudou, deixando muitos investidores com o “mico na mão”.
A marca do Sua Marca
O aprendizado central é direto: momentos favoráveis ajudam, mas não substituem posicionamento. Marcas que não definem claramente quem são e para quem falam dependem demais da marola. Quando ela passa, ficam expostas.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.
Tetê comemora seu gol Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Reencontrei o padre José Bortolini na missa desta manhã de domingo. Havia algum tempo que eu não voltava à Capela da Imaculada Conceição, construída na esquina da rua onde morei boa parte da minha vida, em São Paulo. Nos últimos meses, tenho dado preferência às celebrações na comunidade de Nossa Senhora das Graças, ao pé do prédio onde moro atualmente. A fé, como o futebol, também se reorganiza conforme o endereço.
Padre José já foi personagem em outras edições desta mal-traçada crônica esportiva. Estudioso da Palavra, mestre em Sagrada Escritura e autor de dezenas de livros, ele segue, aos 74 anos, ministrando missas com uma dinâmica própria. Convive com uma doença que insiste em testá-lo, mas não lhe reduz a presença. Bortolini reaparece nesta Avalanche por outro motivo: é gremista de Bento Gonçalves.
Em muitas ocasiões, ao fim da cerimônia, trocamos impressões rápidas sobre o “nosso time”. Já houve domingos em que o sorriso antecipava a confiança para o jogo da tarde. Em outros, bastava um olhar para revelar a apreensão diante da fase da equipe. Nunca faltou fé. Nem ironia.
Neste domingo, porém, algo mudou. Assim que a missa terminou, aproximei-me disposto a decifrar quais sinais ele me transmitiria sobre o Grêmio, às vésperas da disputa por uma vaga na final do Campeonato Gaúcho. Cumprimentamo-nos. Desejamos um bom domingo. E paramos ali. Nenhuma análise tática. Nenhum palpite. Preferimos o silêncio.
Talvez seja isso que o Grêmio e Luis Castro estejam precisando: silêncio.
Silêncio para trabalhar. Silêncio para ajustar. Silêncio para reconstruir.
O time vem de temporadas marcadas por instabilidade. Sofreu gols em excesso, flertou com riscos desnecessários e alternou momentos de lucidez ofensiva com apagões defensivos. A troca de comando técnico e as mudanças no elenco indicam que há diagnóstico. Ainda falta continuidade.
Há sinais positivos. A equipe mostrou, no primeiro tempo da partida deste fim de tarde, organização na saída de bola e ocupação mais racional dos espaços pelos lados do campo. Houve triangulações interessantes e aproximação entre meio e ataque. Faltou transformar volume em finalização qualificada. No segundo tempo, o ritmo caiu. A linha defensiva voltou a apresentar desajustes no balanço, especialmente nas transições rápidas do adversário. E, diante da pressão, alguns jogadores optaram pelo passe lateral em vez do enfrentamento individual que poderia romper a marcação.
Não se trata de falta de capacidade. O elenco tem nomes capazes de entregar desempenho mais consistente. A incorporação de reforços, a saída de profissionais e a tentativa de estabelecer novo padrão de jogo exigem tempo — palavra que raramente encontra abrigo nas arquibancadas e nas redes sociais.
Enquanto a engrenagem não encaixa, convivemos com oscilações que frustram expectativas. Ainda assim, há diferença entre instabilidade e ausência de rumo. O que se percebe hoje é um processo em curso. Incompleto, irregular, mas identificável.
Ao deixar a capela, fiquei pensando que reconstruções não se fazem aos gritos. Nem no altar, nem no vestiário.
Sou um jovem de 46 anos, casado com Silvana, dois filhos, Júlia e Felipe Noé. Comecei a trabalhar muito cedo. Tinha 16 anos. Foi na rádio e TV Bandeirantes, como mensageiro, entregando correspondências internas para grandes nomes do rádio: José Paulo de Andrade, Mano Véio e Mano Novo …
Logo no início da minha carreira, perdi meu pai, que era a minha maior referência. Noe leite da Silva era um grande homem, honesto, digno e de enorme coração.
Somos em cinco filhos: Noelmo, Nelson, Simone, Silvana e eu, Neomar. Minha mãe, dona Maria, criou a gente com todo amor.
Aos 20 anos fui trabalhar no Shop Tour como assistente de câmera. Fiquei totalmente apaixonado pela profissão. Logo virei operador de câmera e corri atrás dos meus documentos para tirar o meu DRT.
Curiosamente, falava sempre para o meu irmão Nelson, que me dava carona todos os dias para o trabalho, ao passar em frente a sede da TV Globo, ali na Marginal Pinheiros, que eu ainda trabalharia lá.
Sonho realizado em 2006, contratado como técnico de sistemas. Na Globo permanecei até 2023, quando fui contratado pelo SBT. É lá que trabalho atualmente. No próximo dia 1º de abril, completarei 30 anos de carreira. Sou apaixonado pela profissão. E agradeço a São Paulo pelas oportunidades que me ofereceu.
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Neomar Leite é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade: envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Nos bastidores da entrevista online com Felipe Gomes da CVC Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“Você não pode errar, é um valor importante no orçamento das famílias.”
Viajar deixou de ser apenas deslocamento e passou a ser decisão estratégica no orçamento doméstico. Férias envolvem planejamento, comparação de destinos, financiamento e, sobretudo, confiança. Esse cenário foi tema da entrevista com Felipe Gomes, vice-presidente de gente, finanças, jurídico e estratégia da CVC Corp, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.
Para Felipe, entender o consumidor é o ponto de partida. “O turista cada vez mais sabe mais o que quer, ele está mais impactado pelas redes sociais.” O cliente chega informado, influenciado por tendências e disposto a experimentar novos destinos. A decisão não nasce mais exclusivamente dentro da agência; ela começa no feed, no vídeo curto, na recomendação de influenciadores e amigos.
A jornada longa e o peso da decisão
Ao contrário de uma viagem rápida de fim de semana, o produto principal da companhia é a viagem de férias. E isso muda tudo.
“Você vai sair com a sua família, vai para um país talvez que você não conheça, você não pode errar.” A compra envolve valor alto, expectativa emocional e pouca margem para improviso. É, muitas vezes, a única viagem longa do ano.
Essa combinação cria um comportamento específico: o consumidor quer autonomia digital, mas não abre mão de apoio humano. Felipe resume essa integração ao falar do modelo phygital. “Hoje quase 60% da venda da CVC, ela é phygital. O que isso significa? Ela tem alguma etapa do processo que não envolve a loja.”
O cliente pode começar no WhatsApp, discutir o destino em casa, voltar à loja na hora de pagar ou finalizar pelo aplicativo. A jornada é híbrida. Não é mais linear.
Segurança e pós-venda como critério de escolha
Outro traço forte do consumidor atual é a busca por segurança. Em turismo, imprevistos são parte do jogo: voos alterados, problemas em hotel, questões climáticas.
“Quando o cliente precisa de um suporte e ele encontra, isso para ele tem muito valor.” O pós-venda, segundo Felipe, impacta diretamente a recompra. A memória da experiência não termina no embarque de volta.
Nesse contexto, a assistência permanente torna-se diferencial competitivo. O consumidor compara preço, mas também avalia a capacidade de resposta. E isso influencia a fidelização.
Curadoria e personalização
O turista quer novidade. “Ele não quer só a vida inteira ficar indo para o mesmo lugar.” A empresa precisa acompanhar tendências e transformar desejo em produto viável — com datas adequadas, logística estruturada e preço compatível.
Felipe usa a palavra curadoria para definir esse papel. A agência não apenas vende um pacote; ajuda a organizar expectativa e realidade. Às vezes, o orçamento não permite Paris, mas permite Maceió. A decisão é ajustada ao momento financeiro da família.
Crédito: o fator decisivo
Há um ponto central no comportamento do consumidor brasileiro: a necessidade de parcelamento.
“A viagem de férias não é uma viagem barata.” Para famílias de três ou quatro pessoas, mesmo destinos nacionais exigem planejamento financeiro. O financiamento torna-se parte da experiência.
Felipe reconhece que juros altos dificultam o cenário. “As famílias ficarem mais endividadas ou pagarem mais juros não é bom.” A política monetária impacta diretamente o ritmo de vendas. O consumidor continua desejando viajar, mas precisa que a prestação caiba no orçamento e no limite do cartão.
Experiência acima do bem material
Um movimento mais amplo também aparece na conversa. Segundo Felipe, após a pandemia, houve mudança na prioridade de consumo. “Cada vez mais as pessoas estão muito mais interessadas em ter experiências e em viajar e conhecer lugares do que ter bens materiais.”
O turismo entra nessa lógica como investimento em memória, convivência e repertório cultural. Não é apenas lazer; é construção de história familiar.
Entre redes sociais, crédito parcelado e necessidade de segurança, o novo consumidor de turismo é mais informado, mais exigente e mais emocional. Ele pesquisa como um analista financeiro e decide como quem organiza um sonho.
Um negócio bilionário
A CVC Corp reúne operações distintas. A marca CVC voltada ao consumidor final representa cerca de 40% das vendas. O grupo também atua no B2B, com marcas como Rextur Advanced, Trend, Visual e Connectas, além da operação na Argentina, que responde por cerca de 20% do negócio.
São aproximadamente R$ 17 bilhões em vendas anuais e mais de 1.500 lojas entre Brasil e Argentina.
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O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.
São Paulo 2×0 Grêmio Brasileiro – Morumbis, São Paulo SP
Weverton defendeu o segundo pênalti. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Não acredito em maldição. Futebol não se explica por forças ocultas. Ainda assim, quando os números insistem em se repetir, a tentação de buscar explicações fora das quatro linhas aparece.
No fim de janeiro, escrevi nesta Avalanche — talvez sem grande repercussão entre o caro e cada vez mais raro leitor — que o Grêmio havia sofrido 156 gols em 114 partidas nas três últimas edições do Campeonato Brasileiro. Não era estatística solta. Era sintoma. Falávamos de um problema defensivo que atravessa temporadas, troca treinadores, altera esquemas, mas permanece.
Ao lamentar as falhas que nos custaram pontos e tranquilidade em campeonatos recentes, busquei conforto no passado. Pensei se não estaríamos pagando um preço invisível por termos desfrutado, durante oito anos, de uma dupla de zaga que parecia eterna. Geromel e Kannemann nos deram segurança, títulos e uma sensação rara de estabilidade. Talvez tenhamos nos acostumado mal. Talvez tenhamos acreditado que aquilo era regra, não exceção.
E há também o Morumbi. Treze anos sem vencer o São Paulo em sua casa. Treze partidas acumulando frustrações. A última vitória foi em 29 de setembro de 2013. Desde então, o estádio virou território hostil, quase um roteiro repetido. A derrota desta noite não inaugura nada. Apenas prolonga.
Gosto de imaginar que essa conta simbólica tem relação com outra visita ao Morumbi, bem mais distante no tempo: 1981. Ali, conquistamos um Campeonato Brasileiro histórico, dentro da casa deles. Foi uma afirmação de força. Um capítulo que orgulha qualquer gremista.
Se o futebol fosse um livro de mitologia, talvez disséssemos que toda glória cobra tributo. Na vida real, porém, derrotas costumam ter causas mais simples: organização, estratégia, execução, elenco, planejamento. O que hoje parece sina costuma ser apenas problema mal resolvido.
Não creio em maldição. Creio em trabalho. E enquanto tratarmos tropeços como castigo divino, deixaremos de enfrentá-los como desafio técnico. O Morumbis não precisa ser exorcizado. Precisa ser reconquistado.
Porque, no fim das contas, deuses não entram em campo. Quem entra são jogadores — e são eles que precisam mudar a história.
Um equívoco recorrente consiste em imaginar que a transdisciplinaridade se resume a importar conceitos de uma área para outra. Esse procedimento ignora que cada campo do conhecimento possui objeto próprio e métodos específicos, o que pode gerar interpretações profundamente equivocadas. Em termos triviais, seria como afirmar que “a vida dá voltas” porque a Terra gira em torno do Sol. A física investiga matéria, energia e suas interações; a psique pertence a outro domínio de realidade, com dinâmicas e critérios próprios de investigação.
Foi justamente essa lacuna, somada à ausência de uma reflexão mais profunda sobre o sentir, que me levou, após três anos como psicóloga, a buscar, em 1986, a graduação em Física, para compreender a energia a partir daqueles que a têm como objeto formal de estudo.
Os sonhos no encontro entre psique e energia
A primeira articulação consistente entre essas duas áreas surgiu por volta de 1988, quando investigava a fenomenologia dos sonhos. Analisando relatos oníricos, especialmente os de pessoas com deficiência visual, foi possível estabelecer uma sequência de observações: se na natureza não existe cor sem ondas eletromagnéticas; se os sonhos apresentam cor em sua expressão fenomenológica; e se os olhos, receptores dessas ondas, durante os sonhos, apresentam o movimento REM; então os sonhos poderiam ser compreendidos como um fenômeno psíquico processado sob a forma de ondas eletromagnéticas, isto é, ondas que se propagam à velocidade da luz.
Em contrapartida, o estado de vigília se apresenta extremamente lento quando comparado à velocidade da luz, sugerindo que a psique humana poderia funcionar em duas velocidades distintas: uma próxima da luz e outra próxima de zero. E foi nesse contexto conceitual que o Inconsciente Relativístico ganhou forma.
Chamo de Inconsciente Relativístico porque se baseia na teoria da relatividade de Einstein quando propõe que, quando dois sistemas interagem, um estando próximo à velocidade da luz e outro próximo à velocidade zero, surgem os efeitos relativísticos como dilatação do tempo, contração do espaço e variação de massa. Assim, os sonhos, a psique em estado inconsciente, processados à velocidade da luz, ao interagir com a psique em vigília, processada à velocidade zero, produziriam efeitos relativísticos, o que ajudaria a compreender a lógica aparentemente absurda dos sonhos. Nesse sentido, o inconsciente possuiria tempo, mas um tempo dilatado em relação ao da consciência.
O ponto cego da neurociência tradicional
A neurociência tradicional, porém, questionaria essa hipótese, afirmando que os neurônios atuam por sinais eletroquímicos extremamente lentos quando comparados à velocidade da luz, o que inviabilizaria ondas eletromagnéticas como base do sonho. Contudo, posso questionar a neurociência ao descrever o que acontece no cérebro, mas não explicando por que isso gera uma experiência tão semelhante à percepção real, especialmente no que diz respeito à vivência da cor. E este seria, digamos, um ponto cego importante: a neurociência tende a confundir correlação com explicação. O fato de certas áreas cerebrais se ativarem durante o sonho não prova que essa ativação seja a causa da experiência, mas somente que ocorre simultaneamente.
A fenomenologia dos sonhos expõe uma lacuna entre o funcionamento neural e a experiência subjetiva. A vivência onírica possui qualidades luminosas, intensas e imediatas que não se encontram nos sinais lentos do cérebro, sugerindo que a experiência ocorre em um regime distinto daquele descrito pela neurociência. E, ainda, soma-se a essa questão o tempo subjetivo: nos sonhos, segundos podem parecer horas. O ritmo onírico não acompanha a temporalidade fisiológica, reforçando a hipótese de que a psique humana funciona em mais de um regime temporal.
Fato é que, se deixamos o paradigma estritamente materialista e migramos para o paradigma vibracional, no qual o universo quântico também se faz presente, uma nova interpretação se torna possível. No modelo materialista clássico, a psique é tratada como consequência do cérebro, e toda experiência subjetiva seria produto direto de interações eletroquímicas. Já no paradigma vibracional, a realidade não se limita à matéria densa, mas inclui padrões sutis de organização que interagem com princípios do universo quântico. Nessa visão, o “padrão quântico” deixa de ser metáfora e passa a se constituir como hipótese estrutural. Certos fenômenos subjetivos, especialmente os oníricos, parecem obedecer a dinâmicas temporais e qualitativas incompatíveis com o processamento neural.
O gato, a incerteza e a experiência psíquica
Foi dentro desse contexto que vivi uma experiência decisiva quando meu gato esteve gravemente doente e o veterinário avaliou que poderia sobreviver ou falecer naquela noite. Mesmo angustiada pela incerteza, acabei adormecendo e, quando acordei de madrugada, tomada por um receio profundo, não tive coragem imediata de verificar se ele estava vivo ou morto. Permaneci somente pensando e, quando imaginava que estava vivo, sentia alegria; quando imaginava que havia falecido, a tristeza me invadia. Continuei por alguns instantes entre esses dois sentimentos que, apesar de superpostos, eram completamente distintos, até finalmente criar coragem para ir vê-lo.
Essa vivência me remeteu imediatamente ao experimento mental do gato de Schröndinger. Enquanto não observava, a incerteza imperava. Foi quando percebi que o funcionamento da representação psíquica, enquanto não materializamos a experiência por meio da observação, se apresenta como um campo de possibilidades superpostas.
Não tenho elementos para afirmar que a representação psíquica em sua subjetividade seja literalmente um fenômeno quântico, mas posso afirmar que a dinâmica é análoga: antes da observação, coexistem estados possíveis; no instante em que interagimos diretamente, um deles se atualiza como a experiência. Essa analogia reforça a pertinência de incluir o padrão vibracional‑quântico como ferramenta conceitual para compreender modos de funcionamento da psique que escapam ao paradigma materialista estrito e apontam para a necessidade de modelos mais amplos, como o próprio Inconsciente Relativístico.