Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o crescimento das marcas próprias no Brasil

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As marcas próprias das redes varejistas estão se consolidando como estratégias de negócio cada vez mais relevantes no Brasil. Criadas e comercializadas por supermercados, farmácias e lojas de diversos segmentos, essas marcas oferecem alternativas de custo-benefício e fidelizam consumidores. Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

“O que se busca com essas iniciativas é trazer um custo-benefício ao consumidor, oferecendo uma proposta de valor diferenciada das opções tradicionais”, explica Cecília Russo. Em alguns casos, a marca própria leva o nome da rede varejista; em outros, é criada uma identidade independente, com logotipo e visual descolados da empresa-mãe. No exterior, essa prática é ainda mais desenvolvida: “Redes na Europa chegam a faturar mais de 60% do total das vendas com produtos de suas próprias marcas”, destaca Cecília.

O mercado brasileiro, ainda em estágio de maturidade inferior ao de Estados Unidos e Europa, tem expandido a adoção dessas estratégias por três principais motivos: “Elas são uma arma de negociação contra marcas mais fortes, ampliam a lucratividade e fortalecem a fidelização dos clientes”, diz Cecília. “Se a marca própria é boa, o consumidor volta para comprá-la e acaba adquirindo outros produtos na mesma loja.”

Jaime Troiano complementa com exemplos concretos. “O Grupo Koch, maior rede de supermercados de Santa Catarina e décima maior do Brasil, tem a marca BonTraz, que abrange diversas categorias de produtos, de pão de queijo a papel toalha”, afirma. Ele também cita experiências passadas: “Trabalhamos com Taeq, do Pão de Açúcar, e criamos as marcas Go New e All 4 One para a Netshoes”. Nos Estados Unidos, o exemplo mais expressivo é o atacadista Costco, cuja marca própria faturou 56 bilhões de dólares em 2023, superando marcas globais como Nike e Coca-Cola.

A marca do Sua Marca

A expansão das marcas próprias é uma oportunidade para varejistas, mas também um desafio. “Qualidade deve ser sempre uma condição essencial. Afinal, é a própria marca do varejo que está em jogo”, alerta Cecília. Criar uma marca própria exige uma mentalidade diferente da simples comercialização de produtos de terceiros. “Aquilo que pode ser vantajoso também pode se tornar uma armadilha”, conclui.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo

Avalanche Tricolor: entusiasmado mas sem jamais esquecer a recomendação da Dona Ruth

Grêmio 5×0 São Luis
Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Braithwaite marcou o quinto gol. Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

Devagar com o andor que o santo é de barro. Era o que ouvia da Dona Ruth sempre que eu me empolgava demais na adolescência — fosse por uma paixão arrebatadora ou por uma performance de excelência nas primeiras notas do boletim escolar. Na juventude, é comum exagerarmos nos sentimentos e palavras. O recém-conhecido vira amigo para a vida toda, a música da banda preferida é a melhor de todos os tempos, e ninguém neste planeta será capaz de superar meu time do coração.

Muitos gremistas estão vivendo esse momento de empolgação, após apenas quatro rodadas do Campeonato Gaúcho sob o comando de Gustavo Quinteros. Depois daquela estreia pouco inspirada, engatamos três vitórias seguidas, aplicamos duas goleadas e não sofremos um só gol. Marcamos 12.

Além disso, a mudança de atitude de alguns jogadores tornou o time mais forte no ataque e mais sólido na defesa.

De Villasanti não precisamos falar: o capitão e volante mantém um equilíbrio impressionante entre defesa e ataque. Braithwaite não só faz gols e dá assistências, mas também ajuda o jogo a fluir com uma dedicação que contagia os companheiros. Cristaldo tem aparecido mais na área e foi avassalador nesta tarde de sábado — quase fez um hat-trick no primeiro tempo. Na direita, Pavon se destaca na movimentação e nos cruzamentos. Na esquerda, o jovem Aravena arrisca dribles sem exagero e distribui assistências precisas. Para completar, ainda balançou as redes.

Os que vieram do banco também fazem a diferença: Monsalve é preciso no passe e ainda marca gols, e Edenilson parece outro jogador, irreconhecível em relação ao de 2024. Há também Gabriel Mec, o guri de 16 anos que todos querem ver deslanchar com seu talento.

Com um time desses, a empolgação é inevitável. Mas como diria a Dona Ruth, é melhor irmos devagar com o andor… até porque os adversários de verdade só enfrentaremos nas duas próximas rodadas.

Conte Sua História de São Paulo: … que ergue e destrói coisas belas

Por Sergio Sayeg

Ouvinte da CBN

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No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Sérgio Sayeg lembra as transformações urbanas da nossa cidade: 

Minha mudança para o sobrado da Rua Tumiaru aconteceu em um dia inesquecível: 1º de abril de 1964, quando o regime militar foi instaurado no país. Eu tinha 11 anos e, enquanto os hinos marciais tocavam nas rádios, minha preocupação era organizar meus brinquedos na nova casa. A rua Tumiaru, com apenas quatro quadras, ficava entre a sede do Exército, o Ginásio do Ibirapuera e uma Avenida 23 de Maio ainda de terra. 

As transformações na região após a inauguração do corredor Norte-Sul foram impressionantes.

Nos anos 1960, o bairro Paraíso tinha uma paisagem bem diferente. A Rua Curitiba, hoje endereço de apartamentos luxuosos, era mal iluminada e de paralelepípedos. Abrigava campos de futebol varzeano e era refúgio para garotas de programa à noite. O ponto final de uma linha de ônibus da CMTC dividia espaço com terrenos abandonados, onde podiam ser encontradas rochas de todos os tipos que formavam minha coleção de pedras.

A Rua Tutoia era a única que comportava algum movimento com seu comércio prosaico. Nela tinha uma capela, hoje a Igreja do Santíssimo Sacramento, rodeada por plantações de flores que se estendiam até o leito da futura Avenida 23 de Maio. Nem tudo eram flores naquele endereço. A rua também abrigava o DOI-CODI, que trouxe má-fama para a via, especialmente após a morte de Vladimir Herzog. Já na Tomás Carvalhal, o futebol de várzea reunia moradores em manhãs de domingo, num clima de alegria e camaradagem.

Hoje, ao passar por essas ruas que marcaram minha infância, dá um aperto no coração ver como o progresso transformou o Paraíso, confirmando os versos de Caetano: “ergue e destrói coisas belas.”

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sérgio Sayeg é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Carlos Humberto, da Diaspora.Black, discute afroturismo e inclusão

“Quando você vai a um lugar, come uma determinada comida, esse sabor jamais sai da sua memória. Esse lugar jamais sai de dentro de você.” 

Carlos Humberto, Diaspora.Black

O turismo é mais do que uma viagem de lazer. É uma ferramenta pedagógica capaz de transformar percepções, enriquecer repertórios culturais e romper barreiras sociais. Foi a partir dessa ideia que Carlos Humberto, CEO da Diaspora.Black, decidiu criar uma startup de impacto social que conecta a história e a memória da população negra ao desenvolvimento de negócios. O tema foi discutido na entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo, apresentado por Mílton Jung.

Uma jornada que começa na infância

Carlos Humberto compartilhou que sua primeira experiência empreendedora ocorreu aos 11 anos, organizando excursões para a praia na Baixada Fluminense. “Eu fui um dos organizadores do movimento dos farofeiros, mesmo sem perceber que isso já era empreender”, afirmou. Décadas depois, a vivência se conectaria a uma nova oportunidade: transformar episódios de racismo enfrentados em viagens e na própria casa em um modelo de negócios voltado ao afroturismo.

A Diaspora.Black promove experiências que vão desde caminhadas em comunidades quilombolas até pacotes turísticos em capitais africanas e brasileiras, como Salvador. “A falta de representação da história e cultura negra no mercado de turismo é um vazio que decidimos preencher”, explicou. A iniciativa também abrange treinamentos corporativos para fomentar diversidade e inclusão. Segundo Carlos, “não basta ter uma ideia ou conhecimento de negócios, é preciso saber exatamente o que se quer trabalhar”.

Educação como ponte para a inclusão

Além do turismo, a Diaspora.Black desenvolve certificações corporativas que utilizam ferramentas tecnológicas, como gamificação, para promover aprendizado. A metodologia é composta por vídeo-aulas curtas, quizzes e certificações que ajudam a medir mudanças no comportamento dos participantes. “É possível mensurar como as pessoas mudam sua visão, atitude e comportamento a partir do aprendizado adquirido”, ressaltou.

Carlos também destacou que preconceitos muitas vezes são fruto da falta de informação. “A sociedade bugou nos anos 2000, mas as novas gerações já trazem um repertório mais diverso e exigem que as empresas atualizem seu software”, disse, ao enfatizar a necessidade de combater preconceitos por meio de conhecimento e educação.

Assista ao Mundo Corporativo

Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: participação feminina cresceu quase 500% em 13 anos no programa

Kátia Regina, da Nestlé, foi uma das mulheres entrevistadas Foto: Priscila Gubiotti

No sábado (01.02), o Mundo Corporativo estará de volta com entrevistas inéditas, marcando a abertura da temporada 2025. Ainda nesta semana, retomo as gravações para este que é o mais longevo programa de rádio sobre carreiras, gestão, liderança, empresas e empreendedorismo. No ar há 23 anos, sendo os últimos 14 sob minha direção, já conduzi mais de 600 entrevistas — por minha conta e risco, e, claro, sob a supervisão do jornalismo da CBN. Nesse período, conversei com CEOs, empreendedores, criadores e consultores, acompanhando as transformações do mundo corporativo.

Nosso objetivo sempre foi refletir as mudanças nas organizações, trazendo os temas mais relevantes para o mercado de trabalho. Entre eles, a crescente participação feminina e a importância da diversidade e equidade nas empresas. 

Mas foi apenas em 2019 que me dei conta de que o Mundo Corporativo ainda não refletia, na prática, as transformações que discutíamos no programa. Até então, a maioria dos entrevistados eram homens brancos, o que espelhava a realidade das empresas: um mercado dominado por lideranças masculinas.

Identificada a desigualdade, busquei entender suas causas. Como programa tem relevância, recebemos muitas sugestões de entrevistas, com profissionais altamente qualificados. No entanto, uma conta simples mostrava que, a cada dez indicações, oito eram de homens e apenas duas de mulheres. Era com base nesse elenco que fazíamos nossas escolhas. Ou seja, a lista era enviesada.

Diante disso, decidimos agir. Se as empresas e agências de comunicação ainda não nos conectavam com as CEOs, empresárias, empreendedoras, conselheiras e consultoras, nós iríamos buscá-las.

Hoje, quando temos um tema que nos interessa e a escolha for entre um homem e uma mulher, optamos pela mulher. Jamais abriremos mão da excelência. Jamais. Porém, por muitos anos, os homens foram os privilegiados nessa escolha.

A partir daquela decisão, o Mundo Corporativo começou a mudar. E os números mostram a transformação.  

Em 2019, entre os entrevistados, 35 eram homens e apenas 8 mulheres — um desequilíbrio de 81% contra 19%. 

Em 2020, a mudança começou: 30 homens e 14 mulheres (68% a 32%). 

O avanço mais expressivo ocorreu em 2023, quando as mulheres superaram os homens pela primeira vez: 24 entrevistadas contra 21 entrevistados, uma inversão da tendência anterior, com 53% de participação feminina. 

Em 2024, o equilíbrio se manteve: fechamos 29 entrevistas com mulheres e 26 com homens (52,7% a 47,3%).

Essa evolução reflete um esforço contínuo para ampliar a representatividade e enriquecer o debate corporativo. Desde que assumi a apresentação do programa, em 2011, a presença feminina cresceu 480%. 

Ao mesmo tempo que comemoro o resultado com toda a equipe de produção do Mundo Corporativo, é preciso reforçar: essa mudança não é um favor às mulheres. Tampouco uma concessão. É uma correção de rota. Transformações como essa só acontecem quando reconhecemos nossos vieses e nos propomos a agir. 

E a diversidade não pode se limitar ao gênero. É preciso ampliar ainda mais esse olhar, promovendo maior inclusão racial e étnica para que o espaço seja verdadeiramente plural — onde talento e competência definam quem ocupa cada posição. 

Não por acaso, a entrevista que marca o início da temporada 2025 será com Carlos Humberto, CEO da Diaspora.black, empresa que desenvolve o afroturismo e incentiva a incorporação da diversidade e inclusão no ambiente corporativo. Um tema que se torna cada vez mais urgente para atender às demandas das novas gerações.

Avalanche Tricolor: Grêmio joga leve, vence bem e até o cusco dá show

Grêmio 3×0 Monsoon
Gaúcho – Estádio do Vale, Novo Hamburgo (RS)

Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Antes de mais nada, meu protesto: jogo do Campeonato Gaúcho às dez da noite de uma quarta-feira deveria ser proibido — especialmente se esse jogo é sempre do seu time.

Ainda bem que o Grêmio tornou menos árdua a tarefa de assistir à partida até depois da meia-noite. E o fez jogando um futebol leve, com boa movimentação no ataque, troca de passes eficiente e uma defesa segura. Até chegou a assustar o torcedor nos primeiros segundos, com a falha de marcação do estreante Cuéllar, mas o gol não saiu porque o atacante adversário estava impedido.

A partir daquele instante, o Grêmio colocou a bola no chão e, mesmo com um time bastante modificado em relação à partida anterior, esboçou o estilo de jogo que Gustavo Quinteros busca nesse começo de trabalho. Sem cair na ilusão típica de início de temporada, arrisco dizer que nosso técnico está moldando um time mais bonito e produtivo do que no ano passado, mesmo com um elenco aparentemente mais enxuto.

É cedo para uma análise definitiva — especialmente vinda de mim, mais torcedor do que entendedor. Sabemos que o time precisa de reforços, principalmente na defesa. Também falta enfrentar adversários mais qualificados para um teste real. Mas o fato é que, até aqui, o Grêmio tem entregado bons resultados com bom futebol.

Arezo marcou seus dois primeiros gols com a camisa tricolor; Monsalve mostrou qualidade no toque de bola no meio de campo; Edmilson jogou intensamente; Aravena se movimentou bem, apesar de desperdiçar algumas chances; André Henrique deu sinais de que pode ser um jogador importante para o grupo e ainda deixou o dele. E teve também Gabriel Mec, estreando no time principal aos 16 anos.

Tudo isso faz valer a pena dormir apenas quatro horas antes de encarar a quinta-feira de trabalho.

Ah, e não podemos esquecer: três jogos sem sofrer gols e, de quebra, a diversão de ver um cusco driblando jogadores e gandulas ao invadir o campo no primeiro tempo.

O que The Bear nos ensina sobre escutar e falar

Cheguei tarde à série de TV The Bear (O Urso), uma das mais premiadas dos últimos anos. Antes tarde do que nunca. Aproveitei as férias e engatei um capítulo após o outro. Adorei o que assisti. Cheguei nesta semana ao fim da terceira temporada e alguém me contou que a quarta está prestes a estrear. Haja ansiedade! 

Não me atrevo a uma sinopse, menos ainda a uma crítica sobre a qualidade do trabalho do roteirista, produtor e diretor Christopher Storer e do elenco que reuniu. Os muitos prêmio que a série recebeu falam por si. Trago para esse espaço a experiência que tive ao assistir The Bear e dividir com você duas lições que considero fundamentais para uma comunicação qualificada. Ambas aparecem no capítulo em que o restaurante The Bear vai inaugurar, na segunda temporada.

A equipe se reúne para ouvir as orientações antes da abertura das portas. É uma espécie de preleção para motivar e alinhar todos com o padrão de excelência no atendimento que buscam alcançar. Richie, interpretado pelo ator Ebon Moss-Bachrach, responsável pelo salão, faz um pergunta instigante: o que Vasudeva disse a Sidarta, às margens do rio Ganges? Uma referência ao romance de  Herman Hesse, de 1922, que nos convida a refletir sobre escolhas, desapegos e caminhos que nos levam à sabedoria. 

Diante dos olhares de dúvida da equipe, Richie responde com a frase de Vasudeva: “Listen better” ou “escute melhor”. No livro, Sidarta percebe que a verdadeira sabedoria não se ensina com palavras, mas se vive e se sente. A escuta, nesse contexto, é uma metáfora para a abertura interior necessária ao autoconhecimento. No seriado, a intenção é mais prática:os funcionários devem devem escutar os clientes não apenas pelas palavras, mas pelas atitudes e reações. 

A prática da escuta é transformadora nas relações interpessoais. Arrisco dizer: é diferencial competitivo. Quando você aceita escutar o outro, se diferencia, aprende mais, entende melhor e constrói diálogos mais ricos e qualificados. Meu colega e coautor do livro Escute, expresse e fale! , Thomas Brieu, ensina  escutar é, por si só, uma forma poderosa de expressão. 

Na sequência da cena, em The Bear, Natalie “Sugar” Berzatto, protagonizada por Abby Eliott, reforça outra mensagem essencial: “Last reminder: ABC – always be communicating”.  O tradutor adaptou como “aplicar boa comunicação” apesar de, ao pé da letra, a expressão significar “esteja sempre se comunicando”. No original ou no esforço do tradutor, o recado é direto: comunicar-se é essencial para manter a equipe alinhada e informada sobre objetivos, mudanças e avanços. 

Escutar melhor e comunicar-se sempre são como os ingredientes básicos de um restaurante de sucesso: sem eles, o cardápio pode ser impecável, mas o serviço ficará abaixo do esperado. Escutar é como decifrar o pedido nas entrelinhas, e comunicar-se é servir a mensagem no ponto certo. No fim, são esses dois itens que transformam experiências, seja à mesa ou na vida. Inclua-os no seu cardápio diário. 

E se ainda não assistiu a The Bear, corre lá na Disney+ antes que a quarta temporada estreie.

Leia a nova edição de “Escute, expresse e fale”

A edição revisada e ampliada de Escute, expresse e fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso(Rocco), que escrevi com António Sacavém, Leny Kyrillos, Thomas Brieu, foi lançada nesta semana e tem dois capítulos inéditos: um que trata do impacto da IA na comunicação e outro que apresenta o método do storytelling ao vivo.

Conheça a certificação sobre comunicação estratégica

Aproveite que o ano está começando e se inscreva na Certificação Internacional de Comunicação Estratégica em Ambiente Profissional que lancei em parceria com a WCES, uma startup de consultoria e educação, com sede em Utah, nos EUA.

O curso que oferecemos é on-line e gravado, com todas as aulas e masterclasses já disponíveis. Além das aulas que preparei ao lado de Thiago Quintino, fundador da WCES, temos masterclasses com professores-convidados: Luiza Helena Trajano, Mário Sérgio Cortella, Leny Kyrillos, Martha Gabriel, Arthur Igreja, Michel Alcoforado, e Thomas Brieu.

Junte-se a nós !

Avalanche Tricolor: a ilusão que nos move

Grêmio 4×0 Caxias
Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Pavon comemora em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O apito final mal havia soado, e a avalanche de mensagens já rolava pelo WhatsApp, inundando as telas com euforia gremista. “O que faz a mão de um técnico!”, exclamava um amigo. “Imagina quando os reforços chegarem?”, arriscava outro, cheio de esperança. Eu, no entanto, observava tudo de longe, entre um sorriso discreto e uma dose de ceticismo. Talvez seja a idade ou os muitos campeonatos que me ensinaram que a alegria no futebol, assim como a bola, sempre gira.

Cético como nunca antes, mesmo diante da empolgação contagiante de meus companheiros de torcida, optei pelo silêncio. Não fui ao computador para conversar com você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, como costumo fazer ao fim das partidas. Na estreia, deixei de escrever porque achei que seria um desperdício de sono. A atuação pífia não merecia palavras. Já na noite de domingo, mesmo diante da goleada, decidi adiar o prazer de escrever. Não queria me render ao excesso nem ser cúmplice da ilusão que, certamente, contaminava as conversas gremistas após a primeira apresentação do time na Arena, em 2025.

Mas ilusão nem sempre é algo ruim. Foi o que aprendi recentemente ao reler o livro Rasgando o véu da ilusão, em que minha esposa é uma das autoras, junto de duas colegas psicólogas. No prefácio, o professor Alexandre Marques Cabral me desarmou com uma reflexão poderosa: a ilusão é um “conceito imprescindível para que a finitude da condição humana se faça visível e possa ser assumida em toda a sua dramaticidade e grandeza”. Decepções e desilusões, diz ele, não são o fim do caminho, mas portas de entrada para compreender os contornos da vida e aprender a conviver com as aparências – nem todas erradas, nem todas a serem corrigidas.

Dito em futebolês: aproveite que seu time está ganhando e se jogue. Comemore a vitória, celebre o bom desempenho, entusiasme-se com a dinâmica em campo. Faça tudo isso sem culpa, porque, como me lembrou hoje cedo Paulo Vinicius Coelho, o Grêmio de Gustavo Quinteros ainda não tomou gols nesta temporada — em contraponto a fragilidade defensiva das duas últimas temporadas. Reconheça a realidade como ela é, sem pressa de antecipar o que não sabemos se acontecerá. Porque não há razão para desperdiçar a alegria desse momento.

Que o Grêmio de Quinteros continue a me iludir — porque, no fim das contas, no futebol, a ilusão não é apenas inevitável: é indispensável.

Nos acréscimos: o livro “Rasgando o véu da ilusão” (Dialetica), foi escrito por Abigail Costa, Aline Machado e Vanessa Maichin

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: São Paulo, uma marca de contrastes e pluralidade

São Paulo não é apenas uma cidade; é uma marca que representa diversidade, cultura e resiliência. Essa foi a reflexão central do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que foi ao ar no Jornal da CBN. Aproveitando os 471 anos da capital paulista, os comentaristas analisaram como cidades podem ser percebidas como marcas, destacando a singularidade de São Paulo.

Cecília Russo lembrou que a construção de uma marca vai além de cores e símbolos. “São Paulo tem uma identidade que comunica coisas para as pessoas”, afirmou, destacando a pluralidade como uma das principais características da cidade. Para ela, São Paulo é um mosaico de contrastes: “Casas baixas e prédios altos, riqueza e pobreza, avenidas largas e vielas que nos levam de volta no tempo.”

Jaime Troiano ressaltou o papel da cultura como um traço marcante da identidade paulistana. “Quem nunca se encantou com a Virada Cultural ou se surpreendeu com a variedade de eventos, shows e exposições que acontecem aqui?”, questionou. Ele também destacou o lema presente no brasão da cidade, Non ducor, duco (não sou conduzido, conduzo), como símbolo da liderança e iniciativa características de São Paulo. “Aqui, as coisas fervilham, acontecem.”

A marca do Sua Marca

O comentário destacou que uma cidade, assim como uma marca, é construída coletivamente. “A gestão dessa identidade cabe à prefeitura, mas também a todos nós, cidadãos e cidadãs de São Paulo”, concluiu Cecília. O legado cultural, a diversidade e a capacidade de acolher pessoas de diferentes origens são as marcas que fazem São Paulo ser o que é: um lugar único que pulsa com vida e significado.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O quadro vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior.

Conte Sua História de São Paulo: fala mais que o Homem da Cobra

Por Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Samuel de Leonardo destaca uma dessas figuras que fazem parte da cidade empreendedora … mesmo que esse empreendedorismo seja um tanto discutível:

“Fala mais que o homem da cobra.” Certamente você já ouviu essa expressão e, quem sabe, ficou curioso para entender sua origem. No início dos anos 1970, eu trabalhava como office boy e, entre uma tarefa e outra, aproveitava para explorar as atividades exóticas que a metrópole oferecia: de faquires a mulheres andando sobre cacos de vidro. Foi na Praça da Sé que deparei com o personagem dessa história. Vestindo um terno surrado e carregando uma maleta, ele garantia que ali dentro havia uma serpente gigantesca, capaz de engolir uma pessoa. Ao mesmo tempo, tagarelava as virtudes de um milagroso elixir embalado em pequenos frascos envoltos em papel celofane de tom amarelado: “Cura espinhela caída, tosse comprida e bucho virado!”

O discurso carismático encantava, e logo um sujeito alto, de cabelos claros encaracolados, e eufórico comprava cinco frascos. Outros curiosos seguiam seu exemplo, e o estoque desaparecia rapidamente. Depois de horas assistindo ao espetáculo, percebi que a cobra nunca aparecia.

Dois dias depois, voltei à praça, decidido a descobrir se ele realmente revelaria o animal. Cheguei a tempo de ver a jiboia saindo da maleta: três metros de comprimento, com dorso amarelo e manchas avermelhadas. Enquanto todos admiravam o réptil, o mesmo sujeito alto repetia o ritual: comprava mais frascos do elixir e se retirava. Outras pessoas seguiram o entusiasmo do primeiro comprador. E assim o homem da cobra, com sua mistura de marketing e mistério, tornou-se uma lenda paulistana.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog, miltonjung.com.br, e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))