Avalanche Tricolor: um time que jamais se renderá!

Juventude (2) 2×1 (3) Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul, RS

Volpi comemora classificação à final. Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

A ausência de um futebol mais envolvente obrigou o Grêmio a ser mais guerreiro do que nunca nesta temporada. Sem espaço para o talento brilhar, a classificação veio na base da insistência e da resiliência. O time recém-formado, ainda sem pleno entrosamento, superou suas falhas com valentia e manteve viva a esperança do Octacampeonato Gaúcho.

Saímos de Caxias do Sul cientes de que será preciso mais equilíbrio para sustentar um futebol de alto nível nos 180 minutos decisivos. Alguns jogadores, especialmente na defesa, precisam se posicionar com mais segurança. No ataque, será essencial diversificar as jogadas, explorando melhor os dois lados do campo e movimentando-se com mais sintonia entre os marcadores para criar oportunidades de gol.

Não há ilusão. Há orgulho, porém, pela postura do time diante da adversidade. Com um jogador a menos na maior parte do jogo e sofrendo dois gols que nos desclassificariam, conseguir voltar à disputa com um gol de bicicleta nos acréscimos é feito para poucos.

O zagueiro Gustavo Martins, mesmo sob a desconfiança de parte da torcida, já havia arriscado um cabeceio, sem muito perigo. Usar o recurso do malabarismo para alcançar uma bola que escapava e colocá-la na rede, naquelas circunstâncias, foi coisa de quem nunca se entregará enquanto vestir a camisa gremista.

Impossível não lembrar que, no instante do gol salvador, quem estava na área adversária, porque também não aceita a rendição, era o nosso novo goleiro, Tiago Volpi. Foi ele, aliás, quem mais uma vez revelou coragem e talento quando mais precisamos. No tempo normal, já havia feito ótimas intervenções. Na decisão por pênaltis, voltou a brilhar com duas defesas e ainda marcou seu gol com uma cobrança precisa.

Estamos em mais uma final do Campeonato Gaúcho — pelo oitavo ano seguido. Mesmo com um futebol inconstante, de altos e baixos, levamos para esta decisão uma certeza: o Grêmio jamais desistirá!

Sua Marca no Oscar: o que ‘Ainda estou aqui’ ensina sobre branding

Neste fim de semana de Carnaval, o Brasil pode fazer história no Oscar. O filme Ainda Estou Aqui concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz, com Fernanda Torres. A relevância cultural da obra é inegável, mas o que sua trajetória pode ensinar sobre marcas? Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

Cecília Russo destacou que o sucesso do filme seguiu uma lógica comum ao mundo das marcas: “O filme começou a fazer barulho lá fora, e a partir daí conquistou o público daqui”. Segundo ela, muitos produtos ganham reconhecimento internacional antes de se consolidarem no Brasil – um fenômeno que já aconteceu com marcas como Havaianas.

Além disso, Cecília apontou a força feminina como um pilar da narrativa. “Eunice Paiva e sua intérprete Fernanda Torres são mulheres fortes, mães, ícones de uma grandeza inspiradora”. Essa representatividade reforça o impacto de histórias que trazem personagens femininas marcantes, um fator decisivo no sucesso de diversos produtos culturais.

Outro ponto relevante é a liderança por trás do projeto. Para Cecília, Walter Salles, diretor do filme, exemplifica a importância de um líder sensível na construção de uma marca forte: “O diretor de um filme é esse maestro que afina tudo, aquele que traz a genialidade para o time”.

Jaime Troiano complementou a análise destacando a escolha do nome do filme, um elemento fundamental para qualquer marca. “O nome Ainda Estou Aqui é perfeito. Ele consegue fazer o que bons nomes fazem: sintetizar uma história e passar uma mensagem forte e emocionante”. No mundo corporativo, a criação de nomes é uma das tarefas mais desafiadoras do branding.

Por fim, Jaime ressaltou que marcas de sucesso precisam provocar emoções. “Marcas que são relevantes precisam emocionar e nos fazer transpirar. É impossível se sentir frio e não ser tocado pelo filme”. Para ele, a dramaticidade da obra contribui para sua força, assim como acontece com marcas que conseguem estabelecer conexões profundas com seu público.

A marca do Sua Marca

A principal lição do comentário de hoje é que nenhuma marca forte sobrevive a um produto fraco. Como destacou Cecília Russo, Ainda Estou Aqui não apenas se destacou pela qualidade da produção, mas também pela capacidade de emocionar e gerar identificação com o público.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Caroline Marcon explica como formar equipes de alta performance

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo com Caroline Marcon

“O líder que faz esse trabalho de identificar bem as pessoas, compor um time forte e desenvolver esse time continuamente, ele não precisa controlar. É diferente de acompanhar.”

Caroline Marcon, consultora

As empresas que desejam resultados sustentáveis precisam investir na formação de equipes complementares e na construção de um ambiente de confiança. Essa foi a principal mensagem de Caroline Marcon, consultora organizacional e autora do livro O Poder dos Times AAA (Editora Gente), ao participar do Mundo Corporativo.

Na conversa, Caroline destacou que um líder eficaz deve ter a habilidade de selecionar as pessoas certas e garantir que elas trabalhem de forma integrada. “O líder é o grande maestro, ele faz essa sinergia entre o grupo acontecer. Ele precisa primeiro escolher as pessoas certas para compor esse time e, depois, criar um ambiente onde elas possam trabalhar bem juntas.”

A evolução da liderança: do controle à colaboração

Segundo Caroline, as empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de um modelo de liderança que favoreça a autonomia e a colaboração. O modelo tradicional baseado no comando e controle, que já foi amplamente adotado, tem se mostrado ineficaz para enfrentar os desafios contemporâneos. O que era competição virou colaboração.

Ela explica que o sucesso das equipes de alta performance passa pela capacidade do líder de equilibrar autonomia e acompanhamento. “Autonomia é você conseguir delegar decisões e responsabilidades para pessoas que você identifica como preparadas para isso. O primeiro passo para desenvolver autonomia é ter um time bem treinado e acompanhado, sem a necessidade de controle excessivo.”

A consultora ressaltou ainda que o desenvolvimento pessoal dos líderes é essencial para a eficácia da equipe. “Os líderes que desenvolvem uma estrutura emocional mais madura, uma comunicação mais clara e consciente, e conseguem se conectar com as pessoas, resolvem os problemas de negócio com muito mais facilidade.”

O impacto da diversidade na formação dos times

Outro ponto abordado na entrevista foi a importância da diversidade na composição das equipes. Caroline alertou para o risco de contratar apenas pessoas semelhantes ao próprio perfil do líder. “Contratar pessoas à sua imagem e semelhança é um erro comum. Quanto mais ampliamos a visão dentro de um time, mais competente ele se torna, porque diferentes perspectivas trazem soluções mais inovadoras.”

Ela citou o caso do Grupo Três Corações como um exemplo de empresa que utiliza a complementaridade de perfis para fortalecer sua gestão. “Os três irmãos que comandam o grupo têm estilos de liderança muito distintos, e isso é o que torna a empresa resiliente e bem-sucedida. Cada um foca nas áreas onde tem maior expertise, sem tentar ser o melhor em tudo.”

Caroline também falou sobre a influência dos vieses inconscientes nas decisões de liderança e como eles podem limitar a diversidade dentro das organizações. “Se você tem viés e não reconhece isso, não consegue ver oportunidades. O uso de dados nas decisões é essencial para minimizar essas distorções e construir times mais equilibrados.”

Ao abordar a equidade de gênero, a consultora reforçou que a presença feminina na liderança pode contribuir para um ambiente organizacional mais colaborativo. No entanto, ela alertou que a inclusão deve ser acompanhada por um desenvolvimento estruturado. “Não basta apenas colocar mais mulheres na gestão. É preciso garantir que elas tenham espaço para crescer e as competências necessárias para aquele negócio.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: criei até um cordão carnavalesco

Por Fatel Barbosa

Ouvinte da CBN

Reporodução do Instagram @cordaodasamoxtradas

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte da CBN Fatel Barbosa:

Minha história com São Paulo começou ainda em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, terra do saboroso pequi. Seu Ioiô, meu pai, vinha de trem trazendo engradados de galinhas vivas para vender no Mercadão. Eu, com seis anos, chorava, suplicando para que me trouxesse com ele para conhecer São Paulo.

Seu Ioiô me consolava dizendo: “O que você quer fazer em São Paulo, minha filha? São Paulo é o cê-u do mundo.” Desculpem o palavrão, mas era exatamente assim que ele falava.

O tempo passou, e, em 1972, fui trazida para ajudar a cuidar dos meus sobrinhos, filhos da minha irmã, que veio com o marido, torneiro mecânico, morar na Zona Leste. Minha felicidade durou pouco. A família resolveu retornar a Montes Claros logo em seguida. A revolta foi tanta que botei fogo nas poucas peças de roupa que tinha. De nada adiantou, já que eu era menor de idade. Tive que voltar com eles.

De volta a Montes Claros, comecei a cantar no grêmio estudantil do Colégio São José, onde estudava, além de me apresentar em bandas de baile, grupos regionais e festivais da região. Em 1980, ganhei todos os prêmios no festival de música de Sete Lagoas.

Tornei-me cantora profissional, mas seguia focada no meu maior sonho: vir para São Paulo. Em 1989, prestes a completar 30 anos, finalmente cheguei à capital paulista, no dia 9 de março, pela manhã.

A rodoviária ainda era no centro da cidade. Chovia muito. Fui acolhida pelo meu conterrâneo e padrinho artístico, Téo Azevedo, na Rua Conselheiro Nébias.

De lá para cá, já se passaram 35 anos. Hoje, aos 66, sigo vivendo na minha adorada Sampa.

Foram muitas lutas, mas sempre recompensadas pelo prazer de cantar e pelo apoio de tantos amigos e amigas que fiz ao longo desses anos. Canto forró tradicional, gravei alguns vinis e CDs, e participo ativamente dos movimentos culturais da cidade. Sou gestora do Ponto de Cultura Casa di Fatel, em Parelheiros, extremo sul da capital — um polo de ecoturismo onde moro e trabalho com diversos coletivos do território, trazendo cursos, eventos e colaborando com o desenvolvimento da cultura local. E, claro, sempre ligada na CBN.

Criei até um cordão carnavalesco para resgatar o carnaval tradicional. Chama-se Cordão das AmoXtradas, e, em 2025, realizaremos nosso sexto ano de cortejo pelo bairro.

Minha história com São Paulo é uma história de puro amor. Através do meu trabalho, busco a realização dos meus sonhos e dos sonhos de outras pessoas que, como eu, acreditam que a arte salva.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fatel Barbosa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora meu blog miltonjung.com.br ou vá até o Spotify e adicione entre os seus favoritos o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

O prazer na velhice: um direito negado?

Diego Felix Miguel

Foto de cottonbro studio

“(…) então toma, quero ver amor se aguenta pentada com a quarentona.”*

Há dias em que silencio. Talvez para conter um desconforto que me acompanha desde cedo – o mesmo que muitas pessoas sentem ao serem caladas por estereótipos, preconceitos e discriminação, apenas por existirem.

Lembro de quando, aos cinco anos, beijei um coleguinha na escola. O olhar reprovador da professora me fez sentir diferente, deslocado, como se houvesse algo errado comigo. Não havia maldade no gesto, mas ali aprendi que meu afeto era um problema. Esse sentimento se intensificou na adolescência, quando qualquer deslize poderia resultar em violência, dentro e fora de casa. Para muitas pessoas LGBTQIA+, o lar, que deveria ser um espaço seguro, é também um lugar de medo.

A sexualidade sempre ocupou esse espaço de desconforto, especialmente para quem desafia normas sociais. Com o tempo, percebi que esse silenciamento retorna de forma ainda mais perversa na velhice, por meio do idadismo. Como se pessoas idosas perdessem o direito ao desejo e ao prazer, e a sociedade insistisse em vê-las como pessoas assexuais.

A relação entre idade e sexualidade ganha nuances ainda mais instigantes quando analisada sob a perspectiva de gênero. Enquanto os homens idosos, apesar dos tabus, ainda desfrutam de certos privilégios, as mulheres idosas seguem invisibilizadas e silenciadas, sendo socialmente pressionadas a reprimir sua vivência afetiva e sexual. Um exemplo marcante desse cenário ocorreu em 2006, quando uma mulher idosa revelou, no encerramento de um episódio da novela Páginas da Vida, que vivenciou seu primeiro orgasmo aos 68 anos, sozinha, ouvindo músicas de Roberto Carlos. Foi só ao compartilhar sua descoberta com amigas que percebeu: pela primeira vez, havia experimentado o prazer feminino – um testemunho poderoso de que a sexualidade pode ser vivenciada em qualquer fase da vida.

Estudar a sexualidade na velhice, para além da biologia, é compreender como o desejo de muitas pessoas é marginalizado. Passei a refletir mais sobre isso ouvindo funk e rap — especialmente artistas mulheres cisgêneras e pessoas transexuais e travestis. Quando deixei de lado os estereótipos e uma visão conservadora sobre o tema, enxerguei performances como as de Valesca Popozuda, Anitta, Tati Quebra Barraco, Linn da Quebrada e Jup do Bairro como atos de liberdade.

Muitas dessas letras subvertem papéis de poder, colocando o desejo feminino e dissidente no centro. Expandem o prazer para além da genitália, rompem com o falocentrismo e desafiam a estrutura machista das relações.

A sociedade molda a sexualidade por meio do poder, restringindo papéis e controlando corpos e prazeres.

Não por acaso, dezenas de mulheres idosas que conheci nesses 20 anos atuando na Gerontologia, me disseram que só descobriram o prazer sexual após a viuvez – e que, na velhice, são julgadas por vivê-lo livremente, seja com um parceiro ou parceira sexual, ou sozinhas, por meio da masturbação.

Talvez isso não faça sentido para quem lê agora. Talvez gere estranhamento. E tudo bem. O ponto é provocar a pergunta: serei uma pessoa idosa livre para amar? E se, além de ser julgado por desejar, eu for punido por isso? Já vimos isso acontecer.

São inúmeros relatos de familiares e profissionais que julgam os desejos e as práticas sexuais das pessoas idosas como doença, promiscuidade – este último, mais um termo baseado em uma visão higienista e moral da sexualidade.

No fim da década de 2000, fomos alarmados pelo aumento considerável de infecções sexualmente transmissíveis entre pessoas idosas. Em vez de promover acolhimento e informação, muitos discursos as culpabilizaram, como se a responsabilidade fosse apenas delas.

E nós? Qual é o nosso papel nesse contexto — como sociedade, familiares e profissionais? A questão não se resume ao uso de preservativo, mas a forma como lidamos com a sexualidade da outra pessoa – especialmente das mais velhas. Estamos dispostos a ouvir, acolher e criar espaços seguros para que possam expressar suas dúvidas, desejos e vontades?

Só assim, a vergonha e o tabu darão lugar à liberdade – a liberdade de desejar e sentir prazer, em qualquer idade. Porque desejo não tem prazo de validade, e o prazer não pode ser um privilégio da juventude.

Meus sinceros agradecimentos a essas mulheres do funk e do rap, que, por meio do confronto, da resistência e da luta, nos oferecem reflexões preciosas sobre autonomia e independência – aspectos essenciais para um envelhecimento ativo e saudável.

*Trecho da música “Pentada++” de Lia Clark (part. Tati Quebra Barraco e Valesca Popozuda), letra de Renato Messas

Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e presidente do Depto. de Gerontologia da SBGG-SP, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.

Jornada do consumidor: uma odisseia na loja de eletrodomésticos

Da experiência do consumidor sei muito mais por empirismo do que por ciência. O que os especialistas chamam de CX (Customer Experience) deixo para os colegas da WCES. Eles são craques no assunto. Meu conhecimento vem do simples fato de ser consumidor – e de consumir desde os tempos em que não havia internet, frete grátis e entrega em casa. Era preciso ir à loja, confiar no conhecimento do vendedor e torcer para que o produto desejado estivesse em estoque. Caso contrário, ouvia-se a clássica sentença: “Volte amanhã!”

Neste fim de semana, resolvi me aventurar novamente em uma loja de eletrodomésticos. Dessas grandonas, âncoras de shopping center. Insisto nessa experiência, mesmo sabendo que, do conforto do sofá, tenho tudo à disposição no computador. O produto que eu queria não tinha preço exposto. Pedi ajuda à atendente, que imediatamente recorreu ao celular. “O sistema está lento”, justificou. Confesso que fiquei tentado a pesquisar por conta própria, mas, paciente que sou, esperei.

Gostei do preço e, quase triunfante, soltei: “Vou levar!”.  A vendedora fez nova consulta ao celular. Desta vez, para verificar o estoque. Não tinha, mas ela garantiu que, em dois dias, o produto estaria na minha casa. Ótimo, vamos fechar a compra.

Então veio a pergunta: “Qual o CEP?” Informei. O sistema, no entanto, só reconhecia o nome do condomínio, mas não aceitava a entrega sem um número do prédio. “O número do prédio?”, perguntou-me. Expliquei que meu prédio tem nome de árvore e que nunca teve número. “Basta colocar o nome e o número do apartamento”, tentei. Mas o sistema queria um número que não existia.

Diante do impasse, ela pediu licença e foi até um computador no fundo da loja. Sentou-se diante dele iniciando uma experiência de profunda interação e pouquíssima aceitação. Ela clicava, esperava. Esperava, re-clicava. Digitava meus dados e os anotava em um pedaço de papel. Talvez desconfortável com a falta de empatia da máquina, começou a se atrapalhar com os números. Para ajudá-la, passei a ditá-los no ritmo de locutor de rádio – modéstia à parte, tenho jeito para isso.

Enquanto acompanhava a batalha entre ela e o computador (que, desconfio, ainda rodava DOS), percebi um problema persistente: a senha dela não conversava com o login. O mais curioso foi vê-la testando diferentes logins, como se estivesse jogando um jogo de adivinhação.

Quando o processo finalmente parecia perto do fim, saquei o celular para pagar com o cartão digital, em quatro vezes sem juros (mentira, né, Teco Medina?). O sistema seguiu lento. O pagamento não se completava. A solução? Atravessar a loja para tentar outro computador. É isso que chamam de jornada do consumidor, Thiago Quintino?

Depois de minutos suficientes para eu ter feito mais de uma compra pelo celular e seguido a vida, o processo foi finalizado. Recebi o comprovante do cartão de crédito e a promessa de que a nota fiscal e os demais documentos chegariam com o produto em dois dias.

Enquanto tudo isso acontecia, contei pelo menos seis ou sete vendedores e representantes de marca conversando entre si, sem muitos fregueses para atender. O tempo que desperdicei sem sequer sair da loja com o produto me fez questionar: o que ainda motiva consumidores como eu a insistirem nessa experiência?

Porque, convenhamos, um modelo como esse não pode ser sustentável.

Avalanche Tricolor: Grêmio se reinventa e sonha com o Octa

Grêmio 2×1 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Cristian Oliveira foi um dos destaques do time. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Temos um time para a temporada. Essa é a melhor notícia do fim da noite de sábado. Espero que Gustavo Quinteros tenha a oportunidade de construí-lo e dar consistência à equipe, a tempo de conquistar o octacampeonato. O tamanho dessa missão pode ser medido pela quantidade de jogadores recém-chegados que disputaram essa partida de semifinal: sete deles estiveram em campo, dos quais cinco como titulares. Alguns mal devem ter desfeito as malas. Alguns se comunicam apenas pela linguagem da bola.

Mesmo sem o devido entrosamento, a equipe já demonstra uma ideia clara de jogo, movimentação coordenada, jogadas ensaiadas e um futebol empolgante para o torcedor. Ainda há falhas na execução de algumas jogadas e ajustes a serem feitos na saída de bola da defesa. Quinteros tem alternativas no elenco, o que propicia mudanças conforme a necessidade da partida e substituições à medida que a intensidade do futebol proposto cause cansaço.

Com os reforços e o novo treinador, jogadores que antes já se destacavam ganharam ainda mais protagonismo: João Pedro, Villasanti, Monsalve e Braithwaite são exemplos disso. Na partida deste sábado, foram fundamentais para a vitória.

Dos reforços, Cristian Oliveira se destaca pelos gols decisivos que marcou nas duas partidas em que esteve em campo. Amuzu, mesmo com pouco tempo, consegue mostrar seu potencial — e o gol da vitória teve participação importante dele. Terá de mostrar se tem físico e dimensão para manter sintonia com a forma como o time marca e retoma a bola assim que o adversário planeja o ataque.

Cuéllar e Camilo, volantes com cara de volantes, tendem a dar a consistência que o setor defensivo busca há duas temporadas. Thiago Volpi tem feito defesas difíceis em momentos cruciais, sem contar o feito do meio da semana, na Copa do Brasil.

O placar da primeira semifinal poderia ter sido mais elástico, especialmente porque defenderemos a classificação na casa do adversário. Fizemos por merecer mais. Tivemos a oportunidade de abrir dois gols de vantagem, o que abateria o adversário logo cedo, mas, infelizmente, a incompetência de quem deveria sinalizar o pênalti, que aconteceu ainda no primeiro tempo, nos prejudicou. Sofremos o empate. No segundo tempo, dominamos a maior parte do jogo, passamos à frente do placar e por muito pouco não ampliamos.

Teremos uma tarefa difícil em Caxias do Sul. O caminho para o octacampeonato ainda vai nos impor muitos desafios. Quinteros, ao menos, terá uma semana livre para ajustar a equipe. E o fará com a certeza de que temos um time para a temporada. E essa é a certeza que anima os gremistas para o que vem pela frente.

Mundo Corporativo: Carolina Ignarra, da Talento Incluir, diz que contratar pessoas com deficiência não é caridade

No bastidor da entrevista online com Carolina Ignarra, foto: Priscila Gubiotti/CBN

“E eu garanto que fazer inclusão bem feita expande o cumprimento de uma lei. Com certeza traz benefícios para o negócio e para a sociedade toda.”

Carolina Ignarra, Talento Incluir

Apenas 1% das pessoas com deficiência no Brasil ocupa cargos de liderança. Pior (ou seria tão ruim quanto?), 63% delas nunca recebeu uma promoção, mesmo estando há anos na mesma empresa. Esses dados, revelados pela pesquisa Radar da Inclusão, mostram que, apesar dos avanços, barreiras estruturais ainda impedem uma verdadeira equidade no mercado de trabalho. A forma como as organizações enxergam esses profissionais é um dos principais entraves. Esse foi o tema abordado no programa Mundo Corporativo, em entrevista com Carolina Ignarra, CEO do Grupo Talento Incluir.

Carolina era educadora física quando sofreu um acidente que a tornou cadeirante. Ao contrário da maioria das pessoas com deficiência, rapidamente retornou ao mercado de trabalho sem que o fato de ser paraplégica tenha sido impedimento ou privilégio: “eu fui reintegrada no trabalho com a minha singularidade, com a minha diferença fazendo parte, mas sem que a deficiência fosse o motivo da minha incapacidade ou o motivo da minha capacidade”.

Logo ela percebeu que a deficiência é só uma característica que não define nem diz quem é a pessoa. Da mesma forma, aprendeu que essa experiência não era compartilhada por outras pessoas com deficiência, o que fez Carolina decidir-se por atuar na inclusão dentro das empresas.

A realidade ainda é de uma contratação baseada em cotas, não em convicção. “As empresas acham que já estão fazendo um favor ao contratar uma pessoa com deficiência e não enxergam esse profissional com toda a sua integralidade e potencial”. Esse pensamento limita o desenvolvimento desses profissionais, que enfrentam um histórico de exclusão e falta de oportunidades.

O papel da liderança na inclusão

Para Carolina, a mudança só ocorre quando as empresas fazem da inclusão uma escolha consciente. “Fazer por obrigação é o mínimo. Fazer por conveniência é importante, mas só avançamos quando fazemos por convicção”. Isso significa entender que contratar e desenvolver pessoas com deficiência não é caridade, mas uma estratégia que beneficia a empresa e a sociedade.

A pesquisa Radar da Inclusão também aponta que “nove a cada dez profissionais com deficiência afirmam ter passado por capacitismo no trabalho”. Carolina explica que o capacitismo está enraizado na sociedade e impacta tanto as empresas quanto os próprios profissionais com deficiência, que podem internalizar essa visão limitadora. “Nós somos autocapacitistas. Quando crescemos ouvindo que não podemos ou não conseguimos, é natural que internalizemos essa crença”.

A experiência da Eurofarma

Um exemplo de iniciativa voltada para a inclusão é o projeto de mentoria da Eurofarma. A empresa estruturou um programa para desenvolver talentos com deficiência, promovendo treinamentos e acompanhamento personalizado. “O projeto envolveu 40 pessoas com deficiência, que foram mentoradas por líderes da organização. Essa troca fortalece a confiança dos profissionais e impulsiona suas carreiras”, explica Carolina. Além disso, o programa resultou em promoções e avanços profissionais, demonstrando que inclusão bem-feita vai além do cumprimento de cotas. “As empresas que investem em inclusão com planejamento e propósito colhem benefícios concretos, tanto no ambiente corporativo quanto na sociedade”.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: sete dias intensos na cidade que deixou marcas

Por José Emilio Guedes Lages

Ouvinte da CBN

Photo by sergio souza on Pexels.com

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN José Emílio Guedes Lages fala de uma viagem especial feita à capital paulista:

Minha primeira visita a São Paulo rendeu uma história interpretada brilhantemente aqui no Conte Sua História de São Paulo. Naquela ocasião, foi uma passagem rápida, sem tempo para conhecer a cidade. Mas ficou o desejo de voltar.

Anos depois, surgiu a chance de planejar uma viagem especial. Cheguei numa segunda-feira para assistir à gravação do programa Som Brasil, de Rolando Boldrin, onde um amigo meu se apresentaria. Foi um sucesso! Ele se tornaria um artista de renome nacional. Após a gravação, exploramos a noite paulistana, com sua garoa e energia vibrante.

No dia seguinte, fui ao Parque do Ibirapuera, onde passei o resto da semana caminhando, fazendo amizades e vivendo momentos memoráveis. À noite, fui ao Sesc Pompeia assistir a Tom Zé. Saímos inebriados por tamanho talento e competência. Depois, seguimos para a Bela Vista, onde provamos pizzas deliciosas e ouvimos histórias sobre Adoniran Barbosa, contadas por garçons que se tornaram amigos do compositor.

São Paulo, para mim, virou uma festa; assim como Paris foi para Hemingway.

Também visitei o MASP, na Avenida Paulista, durante uma exposição da pintora Djanira — uma coisa e outro mundo.

Antes de encerrar a viagem, realizei outro sonho de infância, de quando ouvia pelo radinho de pilha os lances apaixonantes e o barulho das torcidas: conhecer o estádio do Pacaembu. A imponente fachada me impressionou, mas, ao entrar, senti falta da icônica concha acústica, substituída pelo “tobogã”, que sempre aparecia nas páginas da Revista do Esporte, nossa bíblia futebolística.

Por fim, voltei para casa, ao contrário da vez anterior em vez de busão voltamos de asa dura. Lá de cima, admirei a grandiosidade da Pauliceia Desvairada, relembrando os sete dias intensos que vivi na cidade, onde até um sentimento nasceu e deixou marcas duradouras.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

José Emílio Guedes Lages é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo, que também está lá no Spotify. 

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)

Dez Por Cento Mais: descobrindo a calma da mente em um mundo acelerado

Ansiedade e estresse dominam a rotina de milhões de pessoas. Diante dessa realidade,  encontrar equilíbrio emocional tornou-se um desafio essencial. Para Léo Simão, essa busca não apenas mudou sua vida, mas também se transformou em um método prático de autodesenvolvimento. Sua experiência pessoal de superação o levou a estudar filosofia, neurociência e espiritualidade para compreender como a mente humana pode ser treinada para viver com mais serenidade. Criador da metodologia “Calma da mente”, Léo compartilhou essa jornada em entrevista ao canal Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.

Léo Simão destaca que um dos aprendizados mais transformadores de sua vida foi a percepção de que não somos nossos pensamentos. “Os pensamentos são como nuvens, eles vêm e vão, mas nós somos o céu, a presença que permanece”, explicou. Esse conceito, presente em diversas tradições filosóficas e espirituais, ajudou-o a desenvolver uma nova perspectiva sobre a mente e o controle das emoções. 

Os dois atos de uma vida e a crise existencial

A jornada de Léo Simão pode ser dividida em dois momentos distintos. No primeiro ato, ele alcançou grande sucesso empresarial, fundando uma empresa que faturava centenas de milhões de reais e recebendo prêmios de empreendedorismo. Apesar de toda a conquista material, sentia-se vazio e ansioso. “O dinheiro e o sucesso não resolveram minha busca interior”, confessou.

O segundo ato começou com uma grande reviravolta: a perda de sua empresa, separação conjugal e um quadro de depressão profunda. Em 2021, ele enfrentou outro desafio ao contrair Covid-19 de forma grave, ficando internado na UTI. Essa experiência o fez confrontar sua própria mortalidade e ressignificar seu propósito de vida.

Em busca de respostas, Léo mergulhou na leitura de textos religiosos, filosóficos e científicos. Explorou desde a Bíblia e os livros de Allan Kardec até obras como Meditações, do imperador romano Marco Aurélio. “Foi como se todas as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixassem”, relatou sobre a influência do estoicismo em sua vida.

Ele descobriu que a chave para uma vida mais equilibrada está na prática de valores e virtudes. “A vida não é sobre nós, mas sobre as pessoas que tocamos”, refletiu, destacando a importância do autoconhecimento e da contribuição para o bem-estar coletivo.

A criação do método “Calma da Mente”

A partir de sua experiência, Léo estruturou o programa “Calma da Mente”, um treinamento voltado ao desenvolvimento da inteligência emocional. O método baseia-se em três pilares:

  • Atividade física: Estudos mostram que exercícios aumentam os níveis de dopamina e reduzem o estresse.
  • Fé e gratidão: A crença em algo maior reduz a ansiedade e melhora a resiliência emocional.
  • Reprogramação mental: Técnicas de respiração, escrita e visualização ajudam a mudar estados emocionais negativos.

O sucesso do método levou Léo a ministrar palestras para empresas e até para forças policiais, impactando milhares de pessoas. “O que ensino é sobre sair do caos mental e encontrar um estado de equilíbrio e produtividade”, explicou.

Seu livro, 365 Dias com a Calma da Mente, segue a estrutura de um guia diário, com reflexões baseadas no estoicismo. Cada página apresenta um ensinamento acompanhado de um QR Code que direciona o leitor para um episódio do podcast “Meditação Estoica”, onde ele aprofunda o tema do dia.

A história de Léo Simão é um exemplo de como é possível transformar crises em oportunidades de crescimento. Ao adotar estratégias para treinar a mente e desenvolver a inteligência emocional, ele encontrou um novo propósito e hoje compartilha esse conhecimento para ajudar outras pessoas a alcançarem o equilíbrio e a paz interior.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O canal de YouTube Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, traz programas inéditos e ao vivo, quinzenalmente, às quartas-feiras, ao meio-dia.