Avalanche Tricolor: no limite do desespero

São Raimundo 1 (1) x (4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Canarinho, Boa Vista, RR

Volpi, o protagonista. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A partida era contra o vice-campeão estadual de Roraima. O estádio acanhado, de gramado irregular, tinha espaço para cerca de 5 mil torcedores — lembrava mais um campo de várzea do que um palco para um gigante do futebol brasileiro. Em campo, o desequilíbrio era evidente no papel: qualquer jogador gremista que pisou no gramado ganha, ao fim de um ano, mais do que toda a folha salarial do adversário. Mas isso não bastou para dar ao Grêmio superioridade enquanto a bola rolava.

O time produziu pouco no ataque, sofreu com a falta de entrosamento e saiu atrás no placar, castigado por um contra-ataque no segundo tempo. Por muito pouco, não voltou para Porto Alegre com um vexame na bagagem, após cruzar quase 10 mil quilômetros de distância. Uma eliminação precoce na primeira rodada da Copa do Brasil seria um golpe duro para a autoestima do torcedor e para as expectativas na temporada de 2025.

Foi só nos acréscimos, aos 47 do segundo tempo, já com um jogador a menos depois da expulsão de Edmilson, que o Grêmio conseguiu acertar o gol. E a bola entrou. Cristian Oliveira, o uruguaio recém-chegado, matou no peito após a sobra de um escanteio, bateu firme e colocou no ângulo, sem chances para o goleiro. Mesmo considerando as diferenças técnicas, financeiras e estruturais entre os dois times, arrisco dizer que a mística da imortalidade se insinuava ali.

Mas a classificação ainda exigiria mais um teste para os nervos. O novo regulamento da Copa do Brasil determina que, nas fases iniciais, um empate leva a decisão para os pênaltis. Foi quando, enfim, a superioridade gremista apareceu.

Braithwaite, Jemerson e Arezo converteram com segurança. O São Raimundo desperdiçou a primeira cobrança chutando para fora. Depois, Thiago Volpi brilhou: defendeu a terceira batida e assumiu a responsabilidade na última cobrança. Bateu com categoria, definiu a classificação e evitou um fiasco.

Diante do que se desenhava ao longo da partida, a se comemorar o fato de o Grêmio não ter desistido em nenhum momento. Teve jogadores com frieza para converter os pênaltis e um goleiro que não apenas defendeu, mas decidiu. Foi mais sofrido do que deveria, mas o alívio final lembrou que, no futebol, por vezes, a glória nasce no limite do desespero. “É a Copa do Brasil”, disse Volpi com um sorriso no rosto.

Inteligência artificial não é fonte primária no jornalismo

Foto de Rahul Pandit

Se ainda havia dúvidas sobre os riscos de confiar cegamente na inteligência artificial para produzir notícias, um estudo da BBC tratou de dissipá-las. Ao testar quatro dos principais assistentes de IA – ChatGPT (OpenAI), Copilot (Microsoft), Gemini (Google) e Perplexity – a rede britânica identificou problemas em 51% das respostas geradas. Mais alarmante ainda, 13% das respostas mencionavam a própria BBC de forma errada ou simplesmente inventavam informações.

O alerta, trazido pelos meus colegas Leonardo Stamillo e Leandro Motta na newsletter Cartograma, não significa que a IA deve ser descartada pelos jornalistas. Pelo contrário, a questão central é saber como usá-la sem comprometer a credibilidade do nosso trabalho.

O Pulitzer Center propõe um critério simples:

  • Se a tarefa exige alta precisão e será consumida pelo público, o uso de IA deve ser cauteloso.
  • Se o conteúdo gerado será usado internamente, como análise de grandes volumes de dados, a tecnologia pode ser uma grande aliada.

A inteligência artificial não é inimiga do jornalismo, mas também não pode ser sua fonte primária de informação. Seu maior potencial está na automatização de tarefas mecânicas, na organização de grandes bases de dados e até na sugestão de pautas. Pode ajudar a redigir esboços de textos, revisar gramática e otimizar títulos para SEO. Mas a apuração, a contextualização e o olhar crítico seguem sendo prerrogativas exclusivamente humanas.

Se há uma lição nesse debate, é que não podemos tratar a IA com ingenuidade, mas também não devemos temê-la. O problema não é a ferramenta, mas como a utilizamos. A história do jornalismo está repleta de inovações tecnológicas que, inicialmente, causaram desconfiança. O rádio, a televisão e a internet foram recebidos com ceticismo e, hoje, são indissociáveis da prática jornalística. A IA, ao que tudo indica, seguirá o mesmo caminho.

A tecnologia avança, e o compromisso com a informação de qualidade permanece. E, para isso, o jornalista deve manter a postura que aprendeu desde seus primórdios: desconfiar, questionar, desenvolver olhar crítico e apurar a verdade. Assim como fazemos com as melhores fontes de informação, devemos agir, também, diante da IA.

Avalanche Tricolor: vamos ao que importa

Ypiranga 0x1 Grêmio
Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim/RS

Monsalve comemora o gol da vitória. Foto: LucasUebel/GremioFBPA

Com um time modificado e injustiçado, o Grêmio encerrou a fase de classificação do Campeonato Gaúcho com vitória e garantiu a terceira melhor campanha da competição. A maioria dos titulares ficou em Porto Alegre, enquanto o técnico Gustavo Quinteros já planejava a estreia na Copa do Brasil e, principalmente, ajustava a equipe para o restante da temporada. Os reservas que estiveram em Erechim precisaram superar, além da falta natural de entrosamento, um erro crasso da arbitragem – cometido em conluio com o VAR – que resultou na injusta expulsão de João Lucas ainda no primeiro tempo.

Apesar dos erros e tropeços no gramado ruim do Colosso da Lagoa, o time fazia um primeiro tempo de pressão, desarmes precisos e ataques constantes. Mesmo com um jogador a menos, desde os 25 minutos do primeiro tempo, surpreendeu o adversário ao manter a marcação firme e aproveitar melhor os contra-ataques. A maturidade da defesa, mesmo composta por jovens jogadores, foi uma das boas surpresas da noite. O volante Camilo chamou atenção pelo equilíbrio entre marcação forte e presença ofensiva.

O destaque – e sem nenhuma surpresa – foi Monsalve. Responsável por distribuir o jogo, ele protagonizou o belo e único gol da partida. Recebeu a bola de Aravena em um contra-ataque e, quando a jogada parecia perdida, driblou os marcadores e o goleiro antes de finalizar para as redes.

A vitória não alterou o caminho do Grêmio na fase de mata-mata. O time terá de decidir a vaga na final fora de casa, contra o Juventude, e só poderá conquistar o octacampeonato na Arena se o Caxias avançar na outra chave. Confesso que essa questão pouco me interessa.

O que realmente importa é que o Grêmio chega à fase decisiva mais estruturado e reforçado do que no início do ano. As contratações feitas na reta final da janela de transferências são um alento para o torcedor. Especialmente os reforços para a zaga e a lateral-esquerda trazem a esperança de que o problema defensivo, tão evidente nas últimas duas temporadas, enfim será resolvido. Do meio para frente, o time também se fortalece, com volantes de marcação e atacantes velozes.

A diretoria atendeu aos pedidos de Quinteros, que terá pouco tempo para entrosar a equipe com os novos jogadores, mas, ao menos, enfrentará os jogos decisivos com mais opções no elenco. A expectativa pelo octacampeonato está mais bem alicerçada e deixa de ser apenas um sonho de verão. E que verão é esse que o Rio Grande do Sul enfrenta, caros – e cada vez mais raros – leitores desta Avalanche?

Conte Sua História de São Paulo: o curso de inglês e o churros do ambulante, em Santana

Por Miriam Marcolino dos Santos

Ouvinte da CBN

Foto de RDNE Stock project

No Conte Sua História de São Paulo, a ouvinte da CBN Miriam Marcolino dos Santos fala de uma decisão tomada pela mãe que transformou a sua vida:

Minha história na cidade de São Paulo se desenrola em muitas camadas, mas escolhi compartilhar uma experiência que marcou profundamente minha vida, graças a uma decisão tomada por minha mãe. Na época, eu tinha 11 anos e estudava na Escola Estadual Raquel Assis Barreiros, no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte.

Certo dia, apareceram na minha sala algumas pessoas anunciando um curso gratuito de inglês. Os pais precisariam apenas arcar com o transporte para que seus filhos tivessem a oportunidade de se formar nos níveis básico e intermediário. Fiquei entusiasmada! Um dos meus três grandes sonhos estava diretamente ligado àquela oportunidade.

Minha mãe, ao perceber minha empolgação, não hesitou: com seu incentivo e esforço, lá fui eu!

O curso era oferecido pela escola de idiomas “Fox Idiomas”, localizada na Rua Alfredo Pujol, no bairro de Santana. Foi lá que, além de aprender inglês, descobri um dos prazeres gastronômicos que me acompanham até hoje: o churros, vendido por um ambulante próximo à igreja e ao metrô — na época, a única linha subterrânea da cidade.

Lembro-me nitidamente da paisagem, dos aromas e do movimento incessante de pessoas naquele lugar. Cada detalhe permanece vívido em minha memória.

A experiência não foi apenas uma aventura em outro bairro, longe de casa; foi também um marco na minha vida. Aqueles dias me ensinaram muito mais do que uma nova língua. Deram-me coragem, ampliaram meus horizontes e me prepararam para outros desafios que viriam.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Miriam Marcolino dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo, que você encontra lá no Spotify.

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)

Mundo Corporativo: Lucia Rodrigues, da Microsoft, explica como a IA pode impulsionar sua carreira

Reprodução do vídeo da entrevista do Mundo Corporativo

“Um profissional curioso é um profissional que se mantém mais relevante no mundo de hoje, onde as coisas mudam muito rápido.” 

Lucia Rodrigues, Microsoft

A inteligência artificial (IA) não é apenas uma ferramenta avançada, mas um divisor de águas no mercado de trabalho. Enquanto algumas funções desaparecem, novas surgem em ritmo acelerado. A questão não é mais se a IA afetará a carreira dos profissionais, mas como eles podem usá-la a seu favor. Esse foi o tema discutido no programa Mundo Corporativo, que recebeu Lucia Rodrigues, diretora de capacitação e inteligência artificial da Microsoft Brasil.

O temor de que a IA substitua profissionais é compreensível, mas a história mostra que grandes inovações tecnológicas costumam reconfigurar o mercado de trabalho, e não apenas eliminar vagas. Segundo Lucia Rodrigues, o relatório O Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial, estima que 92 milhões de empregos serão eliminados até 2030. “Mas ele também traz um dado de que 170 milhões de novos empregos serão criados por conta da IA”, destacou. O saldo, portanto, é positivo, mas o caminho não será igual para todos.

A diferença entre um profissional que se adapta às novas exigências e aquele que fica obsoleto está na capacidade de aprendizado e adaptação. “O que vai diferenciar o profissional que vai ficar obsoleto do profissional que vai aproveitar a oportunidade que a IA vai trazer é aquele que se abre para aprender como ela pode agregar valor à sua profissão e, inclusive, mudar de carreira”, afirmou.

Habilidades mais valorizadas no mercado digital

Muitos imaginam que dominar ferramentas de IA seja a competência mais valorizada pelos empregadores, mas o que se destaca são habilidades exclusivamente humanas. “O pensamento crítico, analítico e as habilidades socioemocionais são as mais procuradas”, apontou Lucia. Isso significa que saber lidar com emoções, colaborar com colegas e manter um olhar crítico sobre as informações geradas pela IA são diferenças competitivas.

“A IA pode até te ajudar a aprender e a desenvolver essas habilidades, mas ela nunca vai fazer isso por você”, alertou.

Como se preparar para o futuro do trabalho?

Diante da velocidade das transformações, a educação continuada torna-se um requisito fundamental para qualquer profissional. A Microsoft, segundo Lucia Rodrigues, tem investido fortemente na capacitação. “Criamos um programa chamado Conecta IA, uma plataforma de aprendizagem com 42 parceiros, entre eles o Ministério do Trabalho, Sebrae e UNICEF.”

Para quem deseja dar os primeiros passos no aprendizado sobre IA, ela sugere cursos introdutórios que explicam desde os conceitos básicos até o uso prático das ferramentas. “Fizemos um curso chamado Fluência, que conta a história da IA, como ela funciona e como aplicá-la no dia a dia”, por exemplo.

Acesse aqui a plataforma de cursos da Microsoft

Como as empresas estão lidando com a revolução da IA?

As empresas estão em diferentes estágios de adoção da IA, mas a tendência é clara: quem não investir na tecnologia pode perder competitividade. “Vimos que 60% dos líderes não contratariam alguém que não tenha conhecimento de IA, e 89% acreditam que sua implementação é essencial para a competitividade da empresa”, apontou Lucia.

Por outro lado, muitos profissionais estão levando suas próprias ferramentas de IA para o trabalho, o que indica que as organizações ainda precisam investir em infraestrutura e capacitação. “Instrumentalizar as pessoas é fundamental. Não basta dizer que a IA é importante, é preciso criar um ambiente que permita seu uso eficiente e seguro”, ressaltou.

O futuro pertence aos curiosos

Ao final da entrevista, Lucia Rodrigues deixou um recado para aqueles que ainda não sabem como se encaixar nesse novo contexto: “Olhe para a IA como um aliado. Ela pode te ajudar em muitas coisas na sua vida profissional e pessoal. E divirta-se! Teste variadas ferramentas, veja onde elas são mais úteis para você.”

A curiosidade, segundo ela, é uma das chaves para se manter relevante. “Hoje é a IA, amanhã pode ser outra coisa. O que realmente nos torna profissionais preparados para o futuro é a vontade de aprender e se adaptar.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Impactos no Brasil do afrouxamento da regulamentação da IA nos EUA

Pedro Capello

Photo by Markus Spiske on Pexels.com

A recente revogação, pelo governo norte-americano, de um decreto do ex-presidente Joe Biden, que visava garantir o uso seguro, protegido e confiável da IA nos EUA, representa uma mudança substancial na política norte-americana, ao extinguir, em nível federal, o arcabouço regulatório que Biden havia implementado para coordenar o setor de IA. Na prática, as empresas que atuam com IA podem enfrentar, agora, um cenário de incerteza regulatória, tendo em vista a possibilidade de surgirem padrões díspares tanto em âmbito estadual quanto internacional.

Sem um direcionamento federal unificado, diferentes estados e órgãos reguladores estrangeiros poderão estabelecer exigências diversas, potencializando a complexidade do compliance para organizações que desenvolvem e aplicam IA. Além disso, a falta de diretrizes uniformes pode acarretar lacunas na governança de dados, aumentando o potencial de vieses, falhas de segurança cibernética e utilização indevida de informações sensíveis.

Não obstante, empresas que adotarem padrões internos mais elevados de ética e segurança de dados, ou aquelas sediadas em países como o Brasil, que já possuem ou estão implementando legislações abrangentes para regulamentar o uso e o desenvolvimento de sistemas de IA, podem enfrentar desvantagens competitivas em relação àquelas que seguirem critérios menos rigorosos.

No âmbito nacional, em 10 de dezembro de 2024, o Congresso Nacional aprovou, no Brasil, o PL 2338/23 (“PL”), que estabelece normas gerais para o desenvolvimento e o uso ético e responsável da IA. Em contraste com a recente revogação da ordem executiva de Joe Biden nos EUA, essa legislação reforça a centralidade da pessoa humana e a proteção de direitos fundamentais como pilares de governança, além de introduzir a figura do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (“SIA”).

O PL tem como objetivo estabelecer diretrizes para a implementação de sistemas de IA seguros, confiáveis e alinhados ao respeito à privacidade, à inclusão e à não discriminação, além de prever a classificação de sistemas de alto risco e medidas como avaliações de impacto algorítmico e transparência nos processos decisórios automatizados, especialmente naqueles empregados no funcionamento de infraestruturas críticas, como controle de trânsito e redes de abastecimento de água e eletricidade.

Num cenário de rápidas transformações globais e de inovações disruptiva,s já evidenciadas nos últimos anos com a própria disseminação de ferramentas de IA, a decisão do novo governo dos Estados Unidos e a recente aprovação do PL no Brasil revelam caminhos contrastantes na abordagem regulatória da tecnologia. Enquanto o Brasil busca estabelecer um arcabouço sólido que equilibre inovação tecnológica e proteção de direitos fundamentais, a revogação norte-americana reabre o debate sobre a relação entre liberdade regulatória e os riscos éticos e sociais associados ao desenvolvimento de IA.

Esses movimentos ressaltam a importância de se refletir sobre as prioridades que cada país define em relação à inteligência artificial: como promover avanços tecnológicos sem comprometer valores éticos e democráticos? A resposta a essa pergunta moldará o impacto da IA em nossas sociedades e os desafios que teremos de enfrentar no futuro.

Pedro Capello é advogado no DSA Advogados – Donelli, Nicolai e Zenid Advogados

Avalanche Tricolor: BaitaWaite!

Grêmio 5×0 Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Foto: Lucas Uebel

Martin Braithwaite chegou ao Grêmio no ano passado com uma tarefa ingrata: substituir Luis Suárez — afirmação que dispensa explicação. O dinamarquês logo chamou atenção do torcedor, assim como dos colegas e jornalistas que acompanham o dia a dia do clube. Seu comprometimento com o time era evidente dentro e fora de campo — e olha que o atacante pegou o Grêmio em uma temporada bem complicada.

Partida após partida, Braithwaite, aos 33 anos, tem se revelado melhor e maior. Está longe de ser aquele centroavante que fica cravado entre os zagueiros à espera de uma bola para decidir o jogo. Desloca-se o tempo todo, comanda o ataque e orienta o meio de campo. Leva os zagueiros de um lado para o outro, abrindo espaço para os companheiros na área. Assim como cede a bola nas assistências, também surge para recebê-la em condições de chutar ao gol. Também bate bem pênalti como vimos no fim de semana, no Gre-Nal.

Antes do primeiro gol gremista, nesta terça-feira à noite, Braithwaite já havia propiciado dois ou três lances interessantes com passes velozes e talento no toque de bola. Os dois gols que ele marcou, sacramentando a vitória gremista ainda no primeiro tempo, demonstraram outra qualidade do atacante: o tempo certo para saltar e se impor sobre os zagueiros na bola aérea. Fez os dois gols de cabeça depois de receber cruzamento qualificado de Edenílson.

O início de temporada de Braithwaite nos permite ter esperança de que o ano seja promissor, à medida que Gustavo Quinteros ajuste a movimentação da equipe, especialmente no meio de campo, e equilibre o ataque, que tem funcionado melhor pelo lado direito.

Independentemente do que venha por aí, arrisco dizer que esse dinamarquês, com visual de viking e movimentação de craque, é um BaitaWaite — com o perdão do trocadilho.

Você serve?

Dr Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Anna Shvets

Serviço – quando pensamos nessa palavra, rapidamente nos vem uma ideia de trabalho, esforço… até mesmo um certo sofrimento, não é?!

De fato, uma das definições formais de serviço é: exercício e desempenho de qualquer atividade.

Há outra definição possível: ação de dar de si algo em forma de trabalho.

Dar de si. Que conceito profundo. Quando servimos, estamos utilizando recursos próprios – energia, tempo de vida, ideias, criatividade, sentimentos, movimentos – para produzir algo e entregar ao mundo.

Servir tem esse quê de fazer pelo outro, sair de si em nome de outra pessoa ou de uma causa. É um ato que nos demanda generosidade, olhar para fora com interesse de entender como podemos ajudar.

Vamos para o outro lado dessa história – quando somos servidos por alguém, qual é a sensação? Para mim, parece tão bom: cuidado, atenção, consideração, afeto, respeito… Muitos sentimentos positivos me inundam quando alguém faz algo para me auxiliar.

Assim, podemos pensar que servir é um ato nobre, porque brotam dele diversas sensações que nos dão felicidade e esperança na humanidade e na vida.

Será que nós atentamos, no nosso dia a dia, para essa nossa função de servir aos outros? Será que entendemos o impacto positivo grandioso que podemos gerar com pequenos ou grandes atos de serviço?

Um sorriso, uma oferta de um café, uma pergunta: “Como posso te ajudar?”… Um momento de escuta cuidadosa, um pouco mais de paciência com aquela pessoa que está em um dia ruim…

Oportunidades de servir não faltam. Óbvio que queremos ser servidos, cuidados e que possamos perceber quando isso acontecer – que possamos notar para saborear esses presentes que recebemos! No entanto, não há como a conta fechar se nós, cada um de nós, não se dispuser a servir também.

O plano de melhoria geral do convívio social é esse: vamos caminhar pela vida buscando chances de bem servir? O mínimo que conseguirmos já ajudará a alguém… E esse alguém poderá passar o gesto para frente…

Ser útil é um bom sentido para atribuirmos à nossa vida. Não precisa ser o tempo todo, nem para todo mundo; não é para ser percebido como um peso ou uma obrigação. Servir como uma escolha de bem viver, de melhor viver…

Então… vamos servir?!

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o casamento das marcas com o mercado de celebrações

Photo by Jonathan Borba on Pexels.com

O mercado de casamentos no Brasil movimenta cifras expressivas e desmente a ideia de que as cerimônias estão em declínio. Em 2025, segundo o portal Casar.com, o número de uniões formais deve atingir quase 500 mil, neste ano, superando os 471 mil de 2024. Além do volume de casamentos, o valor investido pelos casais impressiona: o gasto médio com a celebração chega a R$ 66 mil. Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Cecília Russo destaca como o setor abriga marcas consolidadas que se tornaram referência. “Tem marca de bem-casado que está presente em 9 a cada 10 casamentos em São Paulo, como a da Dona Conceição, que começou em 1961.” Além disso, ruas inteiras se tornaram sinônimo desse universo, como a Rua São Caetano, na capital paulista, conhecida como a Rua das Noivas.

Jaime Troiano, por sua vez, lista três elementos essenciais para quem deseja se consolidar nesse setor — princípios que valem para qualquer negócio. “A primeira dica é buscar o seu foco dentro desse mercado. Quanto mais competitivo for, mais importante é definir claramente sua identidade.” Ele também reforça que não há atalho para o sucesso: “Marca não é um tapume. Não adianta entregar um produto de baixa qualidade, porque isso não vai ficar escondido.” A terceira recomendação é manter um diálogo constante com os clientes. “No mercado de pulverização de marcas, manter um diálogo permanente com os noivos é algo fundamental.”

A marca do Sua Marca

O comentário desta semana reforça que o sucesso de uma marca depende de três pilares: foco, entrega de valor e comunicação. No competitivo mercado de casamentos, como em qualquer outro, marcas que sabem o que representam, oferecem qualidade e mantêm um vínculo próximo com o público têm mais chances de se consolidar.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é da Débora Gonçalves.

Avalanche Tricolor: sobreviver ao Gre-Nal não é o bastante

Grêmio 1×1 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há anos longe de Porto Alegre, assistir ao Gre-Nal à distância me poupa da tensão pré-clássico. Mas só até certo ponto.

Deixo de vivenciar a agitação que toma conta da cidade natal. Chego à padaria — aqui isso é uma instituição — e ninguém está falando do que acontecerá no fim de semana em Porto Alegre. No máximo, Françoise, que me traz o pão na chapa com uma xícara de expresso duplo, pergunta: “Como está o gremista?”, mais para demonstrar intimidade do que por real preocupação com o risco iminente.

Nas ruas de São Paulo, o desfile de camisas de futebol não segue a moda gaúcha, em que a tricolor e a encarnada dividem espaço no ponto de ônibus, na porta da escola ou nos centros comerciais. No escritório — no meu caso, a redação — o Gre-Nal é raramente mencionado entre os colegas. Quando muito, surge em um breve comentário do único conterrâneo que, para meu infortúnio, torce para “eles” — por isso, o evito.

O clássico gaúcho costuma se apresentar para mim durante os bate-papos esportivos no programa que apresento, quase como uma galhofa dos amigos comentaristas. Afinal, eles têm de se preocupar mesmo é com o que vai acontecer no Campeonato Paulista ou no Carioca. Sou alcançado pelos sentimentos que nos movem às vésperas do Gre-Nal principalmente pelas mensagens nas redes sociais ou no grupo de WhatsApp que reúne torcedores e ex-jogadores, do qual faço parte. Esse cenário me deixa imune a boa parte das polêmicas e discussões que inflamam a cidade na semana do clássico.

Mas, à medida que o horário da partida se aproxima, a ansiedade toma conta dos meus pensamentos. O torcedor que vibrou no Olímpico Monumental ressurge, esquecendo a racionalidade e se entregando à adrenalina do clássico. Diante da bola que cruza a área do meu time, estico a perna no sofá para fazer o papel que os zagueiros deixaram de cumprir. A tentativa de cabeceio do meu atacante é acompanhada pelo movimento do meu corpo. E os dedos das mãos deslizam pelos cabelos, percorrendo da testa à nuca, em repetidos gestos que revelam a tensão.

No sábado à noite, tudo isso se manifestava diante da televisão, que exibia um time ainda claudicante: abrindo mão da troca de passes no meio de campo, esticando muitas bolas para o ataque e aproveitando pouco as raras chances de gol. Na defesa, cada chegada do adversário parecia um perigo iminente, apesar de algumas boas intervenções de Gabriel Gandro, goleiro que ainda se esforça para ganhar a confiança do torcedor.

A partida ficou menos tensa depois da parada para que a regra fosse cumprida. E aqui um parêntese: apesar de meus colegas jornalistas — e aparentemente Roger, também — terem tratado com surpresa o regulamento que pune o técnico sempre que alguém da sua comissão é expulso, essa regra já está prevista há alguns anos no futebol gaúcho.

No segundo tempo, as chances apareceram com um pouco mais de insistência, a ponto de termos forçado um pênalti bem marcado pelo VAR — o que fez calar alguns amigos que me escrevem com teorias da conspiração de que toda a decisão dos árbitros é contra o nosso time. Isso também faz parte da tensão do Gre-Nal, eu sei.

O pênalti premiou o melhor jogador do Grêmio na atualidade. Martin Braithwaite marcou seu primeiro gol em um Gre-Nal com uma cobrança segura. Nosso atacante passou o clássico em busca de um companheiro que se aproximasse, tabelasse, surgisse para receber a bola e devolvê-la em condições de chute. Encontrou poucos e teve de se virar por conta própria. Talvez o lance mais interessante, além do gol, tenha sido os dribles na lateral do campo, onde deixou três marcadores para trás — a ponto de gesticular para os adversários, como quem pergunta: “Quem é o próximo?”. Sim, Gre-Nal tem dessas coisas, e a gente gosta.

A lamentar que as previsões de que nossa defesa não resistiria à pressão de um adversário um pouco mais calibrado nos chutes (ou cabeceios) tenham se confirmado. Menos de um minuto depois da euforia do gol e da esperança de que, talvez, desta vez, a eficiência superaria a técnica, fomos castigados por mais uma falha de marcação.

O empate final me deu a sensação de que apenas sobrevivemos ao Gre-Nal, e isso não me agrada. Imagino que também não tenha atendido às expectativas de Gustavo Quinteros. O novo técnico ainda tem muito trabalho pela frente e já percebeu que o Grêmio precisa melhorar consideravelmente se pretende conquistar, ao menos, o Octacampeonato nesta temporada.