Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a influência das marcas italianas no Brasil

Valentino é uma das marcas de expressão na moda italiana

A relação histórica entre Brasil e Itália vai além dos laços de sangue e cultura; ela também se reflete fortemente nas marcas que moldam os hábitos de consumo dos brasileiros. Esse foi o tema central do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

No comentário, Jaime e Cecília destacaram como as marcas italianas deixaram sua marca no Brasil, tanto no comércio quanto na identidade cultural. “A Itália tem um papel enorme nas marcas, nos nossos padrões de consumo e na nossa identidade de consumo”, afirmou Cecília. Jaime completou: “Algumas dessas marcas são tão próximas a nós que parece que já são brasileiras porque vivem aqui entre nós há muito tempo.”

O programa abordou segmentos como alimentação, automóveis, moda e bebidas, onde marcas italianas têm presença expressiva. Na alimentação, o destaque foi para a Barilla, empresa que não apenas exporta para o Brasil, mas também possui produção local. No setor automotivo, ícones como Ferrari e Fiat ilustram extremos de público e vocação, enquanto clubes de futebol como Palmeiras e Juventus reforçam a herança italiana nos campos brasileiros.

Na moda, nomes como Prada, Valentino e Armani surgem como símbolos de um design único e de atenção aos detalhes. “Essas marcas ensinam muito sobre cuidado com os ingredientes, a matéria-prima e o design”, pontuou Cecília. Jaime ainda lembrou de marcas clássicas como Ferrero Rocher, produtora da famosa Nutella e dos Kinder Ovos, e Pirelli, sinônimo de pneus no imaginário popular. “Você passa perto da Ferrero e sente o cheiro de avelã no ar”, comentou.

A Marca do Sua Marca

O comentário deixou como marca principal a lição que as marcas italianas transmitiram ao mercado brasileiro: a importância do cuidado com os detalhes, a seleção criteriosa de matérias-primas e a força de um design bem elaborado. Essa combinação é um dos legados culturais e comerciais da Itália no Brasil.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: a colheita no maior cafezal urbano do mundo

Por Marina Zarvos

Ouvinte da CBN

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No Conte Sua História de São Paulo, em homenagem aos 471 anos da cidade, a ouvinte da CBN Marina Zarvos destaca a os méritos do primeiro centro de formação de cientistas do estado:

“Café com pão, café com pão, café com pão… Virge Maria, que foi isto, maquinista?” 

Manuel Bandeira

O trem de ferro que transportava minha família, no vaivém entre Lins e São Paulo, cortava os cafezais da Noroeste Paulista, memória que ecoa nos versos de Manuel Bandeira. Cresci brincando entre fileiras de cafezais, envolta em sacarias de café e repletas do perfume dos grãos torrados. 

Certo dia, desembarcamos na capital. Sem passagem de volta.

Quanta saudade do cheiro de terra roxa molhada e do aroma do café coado. Garotinha de 10 anos, sentia a  falta do verde e da florada do cafezal — como quem perde uma companheira de alegres brincadeiras. 

Tive a sorte de morar nas imediações e fui acolhida pelas árvores do Parque Ibirapuera. Minhas raízes fincadas no interior deram ramos na Pauliceia Desvairada, onde cresci e amadureci.

Cinco décadas depois, um convite inesperado: participar da colheita de café no Instituto Biológico. Em plena Vila Mariana? Descobri ali o maior cafezal urbano do mundo, com 1.536 pés de café em 10 mil metros quadrados. Criado por demanda dos “barões do café”, em 1927, para combater pragas nos cafezais, o Instituto foi tombado no início deste século, por pressão dos moradores da região, os “barões” da preservação ambiental.

Fui levada por minha filha que lá estudava na pós-graduação. A mãe-menina perdeu-se nas fileiras, fez a colheita, ganhou um cesto e trouxe como prêmio os frutos que conseguira colher.

Visitem o Instituto Biológico e conheçam a beleza do cafezal paulistano. E que, a cada manhã, o café com pão continue nos conectando à nossa história.

Ouça o Conte Sua História de São paulo

Marina Zarvos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

((os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história))

Conte Sua História de São Paulo: virei notícia de jornal

Por Christina de Jesus Rebello

Ouvinte da CBN

Nasci em 25 de dezembro de 1933, na Avenida Rebouças, 1238. Vi a cidade crescer. Na minha infância, quase não havia carros, mas, mesmo assim, fui atropelada aos 5 anos, na esquina da Rebouças com a Oscar Freire, um episódio que até saiu no jornal. Nosso transporte era o bonde, e o Hospital das Clínicas era apenas um enorme terreno pertencente a uma família portuguesa.

Estudei no Grupo Escolar Godofredo Furtado, no Colégio Pais Leme, onde hoje está o Banco Safra, e fiz Magistério no Colégio Piratininga, na Avenida Angélica. Na infância, adorava visitar o Parque Trianon para ver o bicho-preguiça. Caçula de quatro irmãos, minhas irmãs mais velhas faziam todas as minhas vontades.

Com 20 anos, vivi as comemorações do Quarto Centenário de São Paulo e a inauguração do Parque Ibirapuera. Fui a pé com meu pai, da Avenida Rebouças até o parque, como era comum na época. Frequentei a Colmeia Instituição a Serviço da Juventude, onde participei de atividades e bailes.

Fui comerciante no local onde nasci. Primeiro, com a Avicultura Nossa Senhora Auxiliadora, depois com o Mundo Encantado dos Vasos. Na época, ser mulher e tocar um comércio era para poucas.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Christina de Jesus Rebello é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Eu também tenho dois pais

Diego Felix Miguel

foto: arquivo pessoal

Há cerca de três anos, meu marido e eu adotamos os irmãos Isis e Aquiles, dois cachorrinhos que foram abandonados quase recém-nascidos na porta de uma associação que resgata, cuida e direciona animais para adoção. Foi em uma feira organizada por essa instituição que os conhecemos, estabelecendo um vínculo afetivo importante, o qual nos levou a formar uma família.

Naquele momento, eu estava vivendo um período de luto pelas inúmeras perdas que enfrentei durante a pandemia de COVID-19. Foram pessoas próximas e distantes que, de algum modo, marcaram minha vida. A última e dolorosa perda foi a do Odin, meu cachorrinho adotado há 12 anos, que exigia cuidados especiais por um grave problema na coluna. Sua partida deixou um vazio imenso.

Alguns meses após a despedida de Odin, quando o luto já estava mais elaborado, decidimos dar um novo passo e nos permitir ser tocados por outro amor. Foi assim que Isis e Aquiles se tornaram parte da nossa família. Desde então, tenho refletido sobre essa troca de cuidados. Eles não têm as mesmas necessidades que Odin, mas diariamente compartilhamos uma relação de cuidado recíproco, agora vivida com mais maturidade e compreensão.

Uma provocação inesperada


Entre as mudanças que Isis e Aquiles trouxeram para nossas rotinas, está o hábito de frequentarmos lojas para pets aos fins de semana. Foi em um desses “passeios familiares” que tudo aconteceu.

Enquanto eu conversava com uma atendente sobre um produto, um garoto se aproximou da Isis e do Aquiles, causando um alvoroço de latidos, rabos balançando e coleiras entrelaçadas. Tentando segurá-los para evitar que pulassem, dividi minha atenção entre o caos alegre e o menino, que, já acarinhando os dois, perguntou os nomes deles.

Depois de ouvir que eram Isis e Aquiles, ele quis saber se eram irmãos. Quando confirmamos, ele olhou para mim e para meu marido e perguntou:
— Vocês são casados?

A pergunta, direta e inesperada, me pegou de surpresa. Vivendo em um país onde a homofobia ainda é tão presente, levei alguns segundos para responder. Finalmente, confirmei. No mesmo instante, o menino abriu um grande sorriso e disse:
— Eu também tenho dois pais!

Logo em seguida, ele correu para chamar seus pais para nos conhecerem. O que mais me impressionou naquele momento, além do sorriso e da alegria com que quis nos apresentar sua família, foi a comparação que ele fez: viu Isis e Aquiles como nossos filhos, da mesma forma que ele se via como filho dos seus pais.

Pais de pets? Como assim?


A pergunta ficou ecoando em minha mente, trazendo várias reflexões.

Nos últimos anos, muitos casais têm optado por não ter filhos humanos e adotam pets, construindo com eles relações de cuidado e afeto. Lembrei do teólogo Leonardo Boff, que define o cuidado como “uma atitude de ocupação, preocupação, responsabilização e envolvimento afetivo com o outro”. Para ele, o cuidado é uma troca íntima que atravessa a existência humana, pautada pelo amor, pela solidariedade e pela proteção.

Refletindo sobre minha relação com Isis e Aquiles, percebo como essa convivência é saudável e transformadora. Nossas rotinas foram adaptadas, e os momentos que compartilhamos são, muitas vezes, o respiro necessário para enfrentar as demandas cotidianas nem sempre agradáveis.

Além disso, essa troca me faz refletir sobre o envelhecimento. Observar a vitalidade deles enquanto percebo as mudanças no meu corpo e na minha maturidade é um aprendizado constante. Não se trata apenas de cuidar, mas de ser cuidado também — um processo que enriquece nossa percepção de tempo, de fragilidade e de reciprocidade.

Essa experiência, seja ela materna, paterna ou fraterna, nos conecta à essência do cuidado. E o cuidado, acredito, é fundamental para um envelhecimento mais pleno e significativo, permeado por vínculos afetivos que constituímos, sejam eles com seres humanos ou animais.

Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e presidente do Depto. de Gerontologia da SBGG-SP, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.

Por que escolhemos acreditar?

Dr Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Por que escolhemos acreditar?

Porque precisamos.

Acreditar é pensar que é possível, visualizar uma melhora, sentir esperança.

Quando acreditamos: tentamos estudar para evoluir na carreira; tentamos mudar a forma de trabalhar para conseguir mais retorno financeiro; tentamos desenvolver qualidades como disciplina e coragem para vencer nosso comodismo e nossos medos.

Para a vida ser construída, é necessário refletir, desejar algo, planejar o caminho até lá e executar. Percebe que é necessário muito movimento?

Então, escolhemos acreditar porque é isso que nos faz seguir em frente. Venhamos e convenhamos, não é nada fácil aguentar frustrações, fazer esforço, abrir mão de sombra, descanso, prazer…  Se não temos um motivo pelo qual tolerar isso tudo, dia a dia, empacamos. E quando empacamos, vai só ladeira abaixo.

Então, diga para mim: você tem selecionado com cuidado e intenção aquilo em que você acredita? Em quem você se espelha como referência? Que tipos de planos você constrói? Quais são os sonhos que enchem seus olhos de brilho?

Você acredita no que TE importa ou você compra as crenças da família, dos amigos que parecem bem-sucedidos, da sociedade?

Perceba que escolher acreditar e selecionar em que e em quem acreditar é a força motriz dos seus passos pela vida. Você pode não perceber, mas isso está moldando seu presente e seu futuro.

Já que precisamos acreditar (por uma questão de sobrevivência, inclusive), reflita bem sobre o que tem te movido. Para muito além de escolher acreditar, escolha concretizar um legado que seja seu – e que seja agradável de vivenciar, no hoje e no amanhã.

Escolha acreditar em ser, genuinamente, você.

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o valor dos embaixadores internos

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Nem todos os colaboradores enxergam a empresa onde trabalham da mesma forma, e essa diferença pode ser crucial para o sucesso de uma marca. Esse foi o tema abordado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. Eles discutiram o papel dos “embaixadores da marca”, aqueles profissionais que, além de desempenharem suas funções, demonstram um vínculo especial com a empresa.

Cecília Russo destacou a importância de identificar esses colaboradores, especialmente para empresas de pequeno e médio portes. Parafraseando uma das frases mais célebres de George Orwell, em Revolução dos Bichos, ela afirmou: “Podemos considerar que todos os colaboradores são iguais, mas há alguns mais iguais que outros.” 

Segundo Cecília, “todos podem ser colaboradores corretos e dedicados, mas há alguns que vão além disso no compromisso com a empresa e a marca que a representa”. Ela explicou que, enquanto muitos veem o local de trabalho apenas como um registro na carteira, outros expressam com orgulho onde trabalham, revelando um senso de pertencimento.

Essa diferença foi bem ilustrada por Jaime com um exemplo prático: a diferença entre as respostas “eu trabalho na empresa X” e “eu sou da empresa X”. “A segunda resposta evoca orgulho e um certo sentido de pertencimento, mostrando a força do vínculo que o colaborador sente com o espaço profissional”, explicou. 

Jaime ainda citou o livro Fronteiras da Liderança, de Fernando Jucá, como uma referência para líderes que desejam identificar e valorizar esses colaboradores. “Lá encontramos pistas de como os autênticos líderes conseguem reconhecer quem são os embaixadores da marca e como utilizá-los de maneira estratégica”, comentou.

Cecília Russo complementou o comentário ao afirmar que a força de uma marca depende diretamente desses embaixadores internos. “Sua marca será tanto mais forte quanto mais embaixadores internos você tiver”, resumiu. Ela destacou que o desafio das lideranças é reconhecer e potencializar o papel desses profissionais.

A Marca do Sua Marca

A principal mensagem do quadro é clara: o orgulho e o vínculo genuíno com a empresa são diferenciais que fortalecem a marca. Identificar e engajar esses embaixadores internos pode ser a chave para uma conexão mais sólida entre a empresa e o mercado.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: eu fui feliz

Por Leonice Jorge

Ouvinte da CBN

Às vezes, são os sonhos que nos empurram adiante; outras, os pesadelos que nos puxam para longe. Pesadelos traduzidos em dificuldades financeiras que clamam por soluções urgentes.

Os problemas eram grandes demais para um chão tão pequeno, um céu tão curto, uma visão tão estreita. Era preciso buscar novos horizontes: criar asas e encher ainda mais o balão de gás para voar longe, deixar o pequeno lugarejo e seguir rumo à Cidade Grande.

São Paulo, a Cidade Grande.

Do nascer do sol ao cair da tarde, São Paulo pulsa sem descanso. As horas se gastam nos lares, nos bares, lojas, restaurantes, escritórios, fábricas, no metrô, no camelô, nas universidades. É uma cidade que vive na diversão, na labuta, nas batalhas do dia a dia. E as horas, por vezes, se perdem nas rodas de carros, ônibus e caminhões que entopem ruas e avenidas. Mesmo assim, São Paulo não foi feita para parar.

É uma cidade de contrastes e extremos:
De vielas e ruas estreitas a grandes avenidas.
De ônibus e metrôs lotados a carros ocupados por apenas uma pessoa.
Do conforto das mansões nos Jardins ao sufoco de quem vive nas comunidades e periferias.

São Paulo, de tanta gente, de todos os estados brasileiros, de tantos ou todos os países do mundo. Sempre me perguntei: “O que passa pela cabeça dessa gente? São milhões de pés, braços e mentes… Sonhos, trabalho, sustento. Fugir da seca, do sertão, do sofrimento.”

Muitos vêm em busca de fama, outros apenas de uma vida digna. Mas quase todos procuram as oportunidades que só uma metrópole oferece. São Paulo é assim: uma Selva de Pedra, mas sempre de braços abertos, com um coração de mãe onde sempre cabe mais um.

Cheguei pela Estação da Luz, depois de mais de 10 horas de viagem de trem. Ainda atordoada, desembarquei nessa Cidade Grande. Era tudo novidade. Era de assustar! O ano era 1975. O Brasil era governado por Ernesto Geisel, e São Paulo já era imensa, mas tinha apenas um shopping: o Iguatemi. No ano seguinte, em 1976, seria inaugurado o Shopping Ibirapuera.

Na época, a cidade contava com uma única linha de metrô: a Norte-Sul, que mais tarde seria chamada de Linha Azul. O transporte público era básico, mas suficiente para conectar a cidade que começava a crescer vertiginosamente.

Lembro-me também do que fazia sucesso: na televisão, a novela “Pecado Capital” com Francisco Cuoco no papel de Carlão. A música tema não me sai da cabeça: “Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval…”. Nos cinemas de rua, brilhavam filmes como “O Poderoso Chefão”, “Rocky, um Lutador” e “Um Estranho no Ninho”. E no rádio? Raul Seixas cantava sua “Metamorfose Ambulante” e “Maluco Beleza”. Também ouvíamos muito Rita Lee, Roberto Carlos e bandas de rock que dominavam a cena musical.

A cidade ainda tinha as lojas Mappin e Mesbla, que lotavam durante as liquidações. São memórias que me transportam no tempo.

Fui para São Paulo para trabalhar, como diz Caetano Veloso: “sem lenço e sem documento”. Comecei como bancária no Bradesco, com meu sotaque caipira, que arrancava risos e imitações dos colegas de trabalho. Sete anos depois, iniciei um novo emprego no centro da cidade, na Rua Conselheiro Crispiniano, pertinho do Mappin.

Lembro também de momentos difíceis. Era uma época marcada por protestos e saques nas lojas. Do prédio onde trabalhava, ouvíamos o som das portas se fechando às pressas. Corríamos para as janelas, movidos pela curiosidade e pelo medo. Era assustador.

Um ano depois, em 1984, passei em um concurso público e entrei na Prefeitura Municipal de São Paulo, onde permaneci até me aposentar.

Cheguei jovem a São Paulo e lá vivi anos maravilhosos. Estudei, trabalhei, me diverti. E posso dizer, sem dúvida: em São Paulo, eu vivi. Ali, eu fui feliz.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Leonice Jorge é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie seu texto agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Como começar o ano novo: reflexões com Rossandro Klinjey

Hoje, 1º de janeiro, inauguramos um novo ciclo no calendário e, com ele, a oportunidade de refletir sobre o que esse marco realmente significa para cada um de nós. Aproveitando a chegada recente ao Jornal da CBN de Rossandro Klinjey, psicólogo e agora parceiro no quadro Refletir para Viver, o convidei para uma conversa mais profunda sobre como iniciar o ano com leveza e acolhimento, além da necessidade de termos um olhar mais atento para dentro de si. Como era de se esperar, Rossandro nos permitiu uma entrevista de altíssima qualidade e rica em ensinamentos.

Ao abrir o diálogo, perguntei a Rossandro sobre o que representa o começo de um novo ano. Ele destacou que, embora o “arquétipo do novo ciclo” seja poderoso, nem sempre nossas emoções acompanham a virada do calendário. Muitas vezes, carregamos pendências emocionais e práticas de anos anteriores, o que pode gerar uma sensação equivocada de incompetência.

“A concretização de certas metas exige tempo”, explicou ele, “assim como um projeto de vida, como se tornar jornalista ou psicólogo, é fruto de anos de dedicação. Plantamos em alguns anos para colher em outros.” Essa reflexão nos desafia a adotar uma postura mais acolhedora consigo mesmos, reconhecendo o valor das pequenas conquistas e não permitindo que metas não cumpridas minem nossa autoestima.

A pressão social e a busca por autenticidade

Lembrei durante a entrevista sobre a pressão social que nos impulsiona a entrar no ano com todas as metas definidas e resolvidas. Em um mundo saturado por “receitas prontas” — como as que vemos nas redes sociais —, Rossandro nos convidou a pausar e ouvir mais o nosso interior.

“Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro, acorda”, citou ele, parafraseando Carl Gustav Jung. Ao priorizarmos o que é relevante para nós, em vez de seguir a onda do que é “moda”, conseguimos criar metas mais autênticas e alcançáveis.

Embora o foco em si mesmo seja essencial, Rossandro destacou o papel vital das relações humanas no recomeço de um ano. Somos seres gregários, disse ele, e a conexão com os outros nos ajuda a construir uma vida mais equilibrada. No entanto, é crucial saber com quem nos conectamos. Ele sugeriu que, assim como deixávamos os sapatos na porta durante a pandemia, talvez seja hora de “deixar para fora” de casa relações tóxicas ou ideias que não fazem mais sentido.

“Reaproximar-se de pessoas que nos fazem bem é essencial”, afirmou ele. Seja nutrindo amizades antigas ou estabelecendo limites claros em relações desgastantes, cultivar boas conexões é um passo fundamental para o bem-estar mental.

A importância do autocuidado e da paz interior

“A paz do mundo começa em mim”, disse Rossandro, ecoando a letra de uma música de Nando Cordel. Ele nos lembrou que, em um cenário turbulento, onde temos pouco controle sobre as transformações externas, cuidar da nossa saúde mental e emocional é uma prioridade. Ao investir em nosso mundo interno, criamos uma base mais sólida para enfrentar os desafios inevitáveis que o ano trará.

Encerramos a conversa com um olhar otimista, e realista. Rossandro destacou que o desejo de um “Feliz Ano Novo” não significa a ausência de dificuldades, mas sim a capacidade de enfrentá-las com coragem e resiliência.

Que possamos, como ele disse, usar este começo de ano para refletir sobre nossas próprias metas, fortalecer nossas relações e acolher nossas emoções. Assim, estaremos mais preparados para aproveitar o que 2025 nos reserva — com serenidade, coragem e, acima de tudo, autenticidade.

Ouça a entrevista com Rossandro Klinjey

Seja ano novo!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

“Um navio no porto está seguro. 

Mas não é para isso que navios foram feitos”

John A. Shedd 

Não sei se acontece com você, mas o dia 1º de janeiro sempre me faz pensar além de uma simples transição no calendário. Para mim, o Ano Novo carrega um significado profundo: é o momento de navegar por mares ainda desconhecidos, guiados pela esperança e pelo desejo de renovação.

Embora a vida siga como no dia anterior, há uma atmosfera especial no ar, permeada pelo desejo de mudança, de que as coisas sejam melhores e nossos sonhos se tornem realidade  É como se o mundo inteiro conspirasse para nos lembrar de que podemos mudar o rumo, ajustar as velas e sonhar com novos horizontes. 

Em meio a esse clima festivo, faço um convite: feche os olhos e pense em três desejos que você realmente gostaria que se realizasse em sua vida. Não vale coisa impossível! Apenas aquilo que, com um pouco de esforço e sorte, possa ser alcançado.

Esforça e sorte? Ou coragem? Talvez, esforço, sorte e coragem!

Coragem. É ela que transforma sonhos em ação. Sem um gênio da lâmpada, a imprevisibilidade da vida exigirá decisões, mudanças de planos e de rumos, a enfrentamentos e ações na busca por aquilo que dá sentido à vida.

Seria mais fácil se houvesse mágica, mas somos confrontados pela realidade e descobrimos que, para atingirmos o que nos é valioso, será necessária uma mudança de atitude que só pode acontecer dentro de nós mesmos. Precisaremos soltar as amarras, deixar o porto seguro e modificar padrões de comportamento que já não nos servem.

Desejamos ser amados, mas tememos a vulnerabilidade que o amor exige.  Queremos reconhecimento, mas evitamos a exposição. Buscamos liberdade, mas nos aprisionamos no medo do futuro. Almejamos o sucesso, mas procrastinamos diante do esforço necessário. 

É muito mais que uma mudança no calendário. 

É muito mais que uma lista de desejos a serem realizado. 

É uma mudança de perspectiva.

É ser ano novo!

Ser ano novo é inspirar, apoiar e levar esperança a quem precisa. É ser a luz em meio à tempestade ou o vento que impulsiona alguém a seguir adiante. É ter a ousadia de navegar além de nós mesmos, para se tornar uma força transformadora na vida de outros.

Também é olhar nós mesmos com compaixão e gentileza. É aceitar as falhas, recomeçar, perdoar-se. É zarpar com confiança e esperança, acreditando que novos mares trazem novas possibilidades. Ser ano novo é permitir que a força e a coragem possam nos guiar rumo ao que mais desejamos alcançar. 

Então, seja ano novo!

Que você realize os desejos que carregou para este momento e, sobretudo, que navegue com coragem rumo a um Ano Novo cheio de significado e conquistas para você!

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Conte Sua História de São Paulo: o parque do Ibirapuera é vital

Fábio Caramuru

Ouvinte da CBN

Vista do Lago do Ibirapuera

Um lugar muito importante, muito especial na cidade, que está ligado à minha história inteira é o Parque do Ibirapuera. Acho esse lugar uma coisa impressionante. 

Desde os dois, três anos de idade, eu já vivia no Ibirapuera. Meus pais me levavam para passear; nós morávamos relativamente perto – não tão perto quanto eu moro hoje. Agora, moro a 500 metros ali do portão da Quarto Centenário. 

A minha ligação com esse Parque, por uma coincidência, sempre esteve presente, na maior parte da minha vida. Já morei perto do Parque duas vezes – uma agora e outra quando o Pedro, meu filho, nasceu. 

Para mim o Ibirapuera é algo vital. Passo quase diariamente em frente; vou correr. Tenho uma ligação afetiva muito grande com o Ibirapuera. 

Então, presenciei toda a evolução desse importante símbolo de São Paulo, que foi criado em 1954. Não tinha nascido, mas desde criança venho frequentando. o local. Faz parte da minha vida. 

Outro ícone importante é o Aeroporto de Congonhas, que, juntamente com o parque, tenho documentado em várias fotos da infância, nas quais revejo meu pai me levando a esses lugares. O  Aeroporto, quando eu era pequeno, era um passeio; todo aberto… Não era como é hoje, envidraçado e formal.

Ir para Congonhas era uma alegria, como ir num parque de diversões, e podíamos ver as decolagens, as chegadas. Você ficava muito próximo dos aviões. Os passageiros desciam na pista; tinha apenas uma gradezinha que separava o público dos passageiros. Era bem diferente do que é hoje.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Fábio Caramuru é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.