Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: os anúncios de rádio capturam melhor as mensagens da marca

“Os anúncios de rádio, segundo a pesquisa, são capazes de capturar melhor as mensagens da marca e com isso alimentar conversão em vendas. Sorte dos anunciantes!”

Jaime Troiano

A força do rádio e do áudio na publicidade vai além da nostalgia. Este é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, na CBN. A recente pesquisa conduzida pelo grupo de comunicação Dentsu revela que os anúncios em rádio e áudio são capazes de capturar melhor as mensagens da marca e estimular a conversão em vendas. “Trata-se acima de tudo de alguma coisa concreta”, afirma Jaime, ressaltando a eficácia do rádio como veículo publicitário.

Isso não se restringe apenas ao rádio tradicional. Cecília Russo aponta que “o estudo fala também de conteúdos de áudio de forma geral”, incluindo plataformas de streaming e podcasts, que têm se popularizado nos últimos anos. Ela enfatiza a evolução do rádio e dos streamings de áudio em conjunto com as tecnologias digitais, ampliando as possibilidades de alcance e engajamento.

No estudo“Attention Economy” – ou Economia da Atenção –, a Dentsu mostrou que os formatos em áudio conseguiram, em média, 56% mais efetividade na retenção da atenção dos ouvintes e das mensagens da marca do que a média dos outros meios. De acordo com informação de Andrea Ferraz, gerente de BI da Dentsu, “em média, os formatos de áudio geram 8% mais de lembrança de marca do que a média dos nossos estudos anteriores em outros meios”. 

A marca do Sua Marca

A principal marca deste comentário está em destacar a importância de medir o impacto da publicidade nos diferentes meios de comunicação. Como diz Jaime Troiano: “Usar algum meio de comunicação, seja ele qual for, por uma determinada marca, é claro que a gente precisa medir resultado.” Cecília também destaca a complexidade da atenção do consumidor na era da “bagunça mental” causada pelo excesso de informações visuais, e como os meios de comunicação em áudio podem escapar desse efeito.

Leia aqui mais sobre o estudo da Dentsu

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Avalanche Tricolor: os 121 anos mereciam mais do que um suspiro

RB Bragantino 2×2 Grêmio

Brasileiro – Bragança Paulista/SP

Braithwaite deu assistência para o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Os 121 anos do Grêmio mereciam resultado mais expressivo. Nem me refiro àquelas vitórias de encher os olhos e dar orgulho ao torcedor. Daquelas que tornamos memoráveis pelo placar e perfomance. Que nos colocam à frente dos adversários e nos encaminham à conquista maior. Essas, infelizmente, não fazem parte do roteiro que almejamos nessa temporada. 

Além da conquista do Campeonato Gaúcho, restou-nos pouco em 2024. Fomos eliminados da Libertadores e da Copa do Brasil, enquanto no Brasileiro a disputa será mesmo para ficar fora daquela zona-que-você-sabe-qual-é. Sem muita esperança de que esse martírio termine cedo, considerando que as oportunidades para respirar um pouco mais aliviado têm sido desperdiçadas partida após partida. Nos últimos dois jogos, entregamos cinco de seis pontos disputados.

Do jogo desta tarde no interior paulista, há talvez a celebrar apenas o suspiro de talento que tivemos aos 28 minutos do segundo tempo. A triangulação iniciada por Monsalve, do lado esquerdo, que teve a participação de Cristaldo e um passe preciso de Braithwaite, foi concluída com uma cavadinha do jovem colombiano em direção às redes. É pedir muito que esse futebol bem jogado se espraie no restante do jogo? 

Verdade que chegamos a marcar um segundo gol: em mais uma troca de passes de Monsalve e Cristaldo, o cruzamento chegou para Jemerson completar de cabeça. Diante da forma como temos desperdiçado pontos, porém, confesso, minha dúvida era apenas a que horas cometeríamos mais um pênalti (assim como havíamos feito no primeiro tempo, e no jogo anterior e em uma dezena de outras partidas neste ano). Não precisou. Falhamos de maneira bizarra e sofremos o empate.

Temos experimentado mais amarguras do que precisaríamos. Mesmo considerando os impactos das enchentes na trajetória gremista — muito maior do que para qualquer outro time gaúcho —, o time que temos à disposição deveria ter uma performance superior. Pelo menos acima de algumas das equipes que temos enfrentado na competição — caso do adversário de hoje. 

Mais do que não conseguirmos os resultados, tenho a impressão de que estamos dispostos a aceitar esse destino. Em lugar de lutar até o último instante pelos três pontos, admitimos o empate. As substituições finais sinalizaram esse comportamento. Entendo a prudência diante da maneira como entregamos a partida anterior e de estarmos jogando fora de casa. Mas eu queria muito um time pautado pela valentia, especialmente no dia em que comemoramos 121 anos de uma história que me enche de orgulho.

Mundo Corporativo: Tatiana Aloia e a integração entre tecnologia e cultura no mercado aeroespacial

Os bastidores da gravação do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

  “Nós temos diferentes culturas ao redor do mundo, mas o ser humano é o mesmo em todos os lugares.”

Tatiana Aloia, Aloia Aerospace

A liderança de uma empresa global exige mais do que estratégias de mercado, requer uma compreensão profunda das nuances culturais e a habilidade de integrar essas diferenças em um ambiente coeso. Essa foi uma das principais reflexões de Tatiana Aloia, cofundadora e CEO da Aloia Aerospace, em sua entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. À frente de uma empresa que atua no setor de reposição de peças aeronáuticas em diversos países, Tatiana destacou a importância de equilibrar a agilidade nos negócios com o respeito às particularidades de cada cultura, sem perder de vista o que é comum a todos: a natureza humana. “Nós passamos muitas horas da nossa vida, praticamente um terço do nosso tempo, trabalhando. Então, tem que ser prazeroso, tem que trazer alegria e bem-estar para todos”, afirmou. 

O aprendizado no início de carreira

Tatiana Aloia iniciou sua trajetória profissional aos 15 anos, movida pela vontade de trabalhar e aprender. Atuando inicialmente no setor automobilístico, ela se especializou em engenharia mecânica e gestão empresarial, o que a preparou para os desafios futuros. Após anos de experiência e aprendizados, tanto com colegas quanto clientes, surgiu a oportunidade de realizar um sonho antigo: fundar sua própria empresa. Em 2015, junto com seu irmão Tobias, Tatiana criou a Aloia Aerospace, levando sua expertise em gestão e atendimento ao cliente, enquanto Tobias contribuía com sua vasta experiência na aviação. “Unimos nossas forças e experiências para construir uma empresa que tem o cliente como foco desde o início”, relembra.

O foco no cliente como diferencial competitivo

A Aloia Aerospace tem se destacado no mercado global de peças de reposição aeronáuticas, não apenas pela eficiência logística, mas também pelo foco no atendimento ao cliente, de acordo com sua fundadora. Tatiana enfatizou que o cliente deve ser a prioridade em qualquer circunstância. “Muitas vezes o fornecedor pode ter falhado, mas nossa missão é resolver o problema do cliente, sem importar o que aconteceu nos bastidores.” 

Esse compromisso, segundo Tatiana, vem se consolidando como um dos pilares da empresa, que tem operações em diversos continentes e atende clientes de diferentes culturas. Calcula-se que existam 600 empresas que integram esse mercado competitivo. Para ela, respeitar as diferenças culturais e, ao mesmo tempo, manter o foco em elementos universais do relacionamento humano — como respeito e feedback constante — é o segredo para garantir um atendimento de excelência. “Temos que respeitar as culturas, mas em todo lugar, resposta rápida e educação são fundamentais.”

Investimento em IA 

A Aloia Aerospace já está implementando o uso de inteligência artificial (IA) em seus processos para otimizar o atendimento ao cliente e melhorar a eficiência na busca por peças aeronáuticas. Tatiana explicou que a IA está sendo utilizada para rastrear, em tempo real, a disponibilidade de peças em todo o mundo, facilitando o trabalho da equipe e agilizando as entregas. “Nosso objetivo com a IA não é substituir pessoas, mas fornecer ferramentas que aumentem a capacidade de resposta e precisão no atendimento. A tecnologia permite que nossa equipe tenha acesso a informações detalhadas e rápidas, o que faz toda a diferença em um setor onde o tempo é crucial”, ressaltou.

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Conte Sua História de São Paulo: escolas de datilografia e bondes de teto de linóleo, eu vi

Rubens Cano de Medeiros

Ouvinte CBN

Foto: Mílton Jung

Por volta de 1960. Tenho treze anos. Mas não lembro se São Paulo já dispunha de supermercados – ao menos o pioneiro Peg-Pag, na Vila Mariana. Perto do Cine Phenix. Não faltavam mercearias, empórios ou quitandas, onde – tal qual em padarias, bares e botecos – uma plaquinha alertava. “FIADO? Quando o Corinthians for campeão”. Durou até 1977, sabemos. Osvaldo Brandão tirou as plaquinhas, das paredes.

Num incerto dia – quase noitinha, lembro – subi a escada de cimento e granilito do sobradão, ainda hoje em pé. Dobrando a esquina toda, Domingos de Morais com Rodrigues Alves, grandão! À frente do então lindo Largo Dona Ana Rosa, que mantinha resquícios, ainda, de footing… Ali, um entroncamento de trilhos e fios. Dos bondes; uns iam até São Judas; outros, até Santo Amaro. Mais um: Vila Clementino.

Então, eis-me no amplo salão de grandes janelas, onde ouvíamos o “tec-tetec”, típico, dos teclados da Escola de Datilografia Rodrigues Alves. Quando, inédita vez, meus olhos e minhas mãos acercaram-se pertinho de uma máquina de escrever – se lembro, hein! Uma Olivetti, meio esverdeada.

Aluno do curso, eu me sentava rente à janela. Donde podia ver – não antes visto – os bondes, de cima, que passavam. Algo me intrigava. Do chão, mal se notava. Era um revestimento escuro que recobria o bonde, exteriormente; todo o “teto” que suportava a alavanca de contato. Que seria “aquilo”? Perguntava-me, a mim. Alguém explicou. Era linóleo. Imensa lona que impermeabilizava o teto de madeira, do bonde, ante a intempérie. Igual aos tetos dos carros de passageiros da Santos-a-Jundiaí. Que podíamos ver na Luz, das passarelas sobre as plataformas. Jornais antigos mostram que ônibus paulistanos, de até os anos 40, também traziam revestimento de linóleo – um charme que carrocerias metálicas dispensaram, obviamente.

Todos sabem. A datilografia, a das máquinas, morreu, não? De atestado emitido – ironicamente – pela própria causa-mortis: e-mail! Digitar, no computador, eu? Não morro de amores. Sempre adorei da-ti-lo…grafar! Tanto que – inviável, descabido e anacrônico, sei bem, mas…

Deparasse eu, num jornal, com um fantasmagórico anúncio… Exatamente assim: “PRECISA-SE DE DATILÓGRAFO”, ah… Precisa-se, é? Algum rascunho de escritorinho, de fundo de corredor? Uma portinha só, uma tosca escrivaninha – puxa vida! – com uma autêntica Remington-Rand? Caramba!

Ei! Eô, eô: me chama, que eu “vô”!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Rubens Cano de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem são as celebridades com maior índice de conexão com as marcas?

Iza é a celebridade que teve maior conexão com marca Foto: Alex Santana/Divulgação

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“Tudo acontece num espaço escuro e úmido de 1 cm cúbico na cabeça dos consumidores. Entenda o que se passa aí dentro antes de sair por aí investindo”

Jaime Troiano

A relação entre marcas e celebridades segue sendo um ponto de discussão entre anunciantes e empresas de comunicação, especialmente diante dos desafios impostos pelo excesso de informação que bombardeia o consumidor. No comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, em “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” o tema foi revisitado para abordar a eficácia dos investimentos em publicidade que envolvem famosos e influenciadores.

Jaime destacou o que os estudos chamam de “efeito clutter”, referindo-se à confusão causada pelo grande volume de estímulos que sobrecarregam o cérebro. “Estudos americanos de Princeton mostram que o nosso cérebro está naturalmente predisposto a ordenar o caos”, comentou Jaime, explicando que o excesso de informações visuais não só cansa a mente como também dificulta o foco nas mensagens que realmente importam. Nesse cenário, marcas e celebridades tentam estabelecer uma conexão em meio a essa sobrecarga de estímulos.

Cecília Russo, por sua vez, trouxe à tona os resultados de uma pesquisa que analisou a associação entre 28 celebridades brasileiras e as marcas que elas representam. Apesar de nomes amplamente conhecidos, como Fátima Bernardes (88%), Ivete Sangalo (87%) e Michel Teló (87%), os índices de conexão efetiva entre essas personalidades e as marcas ficaram bem abaixo do esperado. Cecília ressaltou: “Iza foi a celebridade com maior índice de correlação, alcançando apenas 21%, seguida por Marina Ruy Barbosa e Fátima Bernardes, ambas com 18%”. 

Conheça o TOP 5

Quais foram as celebridades que deram índices de conexão mais altos, entre 2.300 pessoas entrevistadas? 

  • Iza 21%
  •       Marina Ruy Barbosa 18%
  •       Fátima Bernardes 18%
  •       Tiago Leifert 17%
  •       Marcos Mion 16%

Esses números surpreendem, uma vez que tanto as marcas quanto as celebridades são muito conhecidas. No entanto, Cecília sugere que o ambiente de comunicação atual, “jorrando volumes muito grandes de mensagens”, pode estar prejudicando a capacidade do público de assimilar e fazer as conexões desejadas.

A marca do Sua Marca

A principal lição que emerge do comentário é que a popularidade de uma celebridade por si só não garante uma associação de sucesso com uma marca. Jaime Troiano alerta: “Não escolha uma celebridade só porque ela é conhecida ou porque o investimento parece atraente”. O verdadeiro desafio está em entender o funcionamento da mente do consumidor e como ele processa as mensagens em um ambiente saturado de informações.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

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Mundo Corporativo: Matthias Schupp, CEO da Neodent, fala de cultura organizacional e inovação

Matthias Schupp na gravação do Mundo Corporativo

“A cultura da empresa nunca vai se adaptar a uma pessoa. É a pessoa que precisa se adaptar à cultura.”

Matthias Schupp, Neodent

Nos corredores de uma empresa global, a cultura organizacional não se molda pelas preferências individuais dos funcionários. Pelo contrário, quem ingressa deve se ajustar ao ambiente já estabelecido. Esse é um dos princípios que sustenta o sucesso da Neodent, líder brasileira em soluções odontológicas com presença em 95 países, de acordo com Matthias Schupp, CEO da companhia. Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, ele afirmou que o compromisso com a cultura empresarial é o alicerce que impulsiona a inovação e fortalece a marca.

A cultura, segundo Matthias, prospera quando é constantemente reforçada. “Cada pessoa que se junta à Neodent tem que se adaptar a essa cultura”, disse o executivo. Esse princípio gera, segundo ele, um “processo automático” que assegura a consistência dos valores organizacionais.

Investimento em pesquisa e desenvolvimento

Na fábrica da Neodent, em Curitiba, a área de pesquisa e desenvolvimento desempenha um papel crucial no avanço da odontologia moderna. Matthias, destacou que a empresa lidera o mercado de implantes, e também investe em soluções digitais e personalizadas. “Hoje, oferecemos não só implantes, mas também alinhadores transparentes e outras tecnologias de ponta, todas desenvolvidas no Brasil”, explicou o CEO. Ele ressaltou o orgulho em manter um centro de pesquisa avançado, onde são testadas novas técnicas que depois são replicadas globalmente, em sinergia com o Grupo Straumann. Essa estrutura permite à Neodent exportar tecnologia e conhecimento, consolidando sua presença em 95 países.

Matthias, também destacou o impacto crescente da transformação digital na odontologia. “A transformação digital que estamos vivendo agora é apenas o começo”, afirmou, mencionando inovações como o uso de impressoras 3D para próteses dentárias em tempo real e o uso de robôs em cirurgias odontológicas nos Estados Unidos.

A inclusão como chave para o futuro

Entre os desafios abordados, Matthias, destacou a importância da diversidade na cultura corporativa. “Acredito que somente as empresas que oferecem as mesmas condições para mulheres e homens terão um futuro brilhante”, disse ele, reforçando que a inclusão é um pilar essencial para o crescimento sustentável. Na fábrica da Neodent, 49% dos funcionários são mulheres, o que reflete a realidade da prática da diversidade na empresa, segundo Matthias Schupp.

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Conte Sua História de São Paulo: o rádio “penhorado” do Sílvio Santos

Nilson Bonadeu

Ouvinte da CBN

Photo by Brett Sayles on Pexels.com

Morava em Curitiba e vim trabalhar na prefeitura de São Paulo, em 1992. No Edifício Martinelli, no centro. Prédio histórico, belíssimo! Me hospedei em uma pensão, na Duque de Caxias, perto do trabalho: a Pensão Maria Teresa. Era um casarão antigo, histórico, muito charmoso, pé direito alto, portas bipartidas nos quartos, assoalho de madeira nobre. 

No corredor do andar de cima, onde ficava meu quarto, tinha uma prateleira com um rádio antigo de madeira, bem grande. Me chamava atenção porque meu avô tinha um igual. Um dia tomei coragem e perguntei ao dono da pensão se ele me vendia aquele rádio. Disse que jamais venderia. Segundo ele, o avô que era o dono original da pensão, havia pegado o rádio como garantia porque o Peru não pagava as mensalidades. 

–   Peru? Que Peru? 

– Você não sabe quem é o Peru! 

– Não, não sei. 

– Peru é o Silvio Santos! 

    Lembrei dessa história, verídica, ao menos na parte que me toca, agora, no dia 17 de agosto quando Sílvio partiu. Tem-se notícia que Senor Abravanel morou naquela pensão logo que chegou do Rio de Janeiro. Salvo engano, na história dele, fala-se apenas de outra pensão no Bixiga, a Pensão da Dona Gina, onde morou para ficar perto de sua namorada, que veio a ser sua primeira esposa, a Cidinha, filha da proprietária. 

    Seja como for, com tristeza e nostalgia, lembrei-me também de uma das célebres frases do Sílvio que ouvimos em uma de suas músicas: “Do mundo não se leva nada, vamos sorrir e cantar”. 

    De volta à pensão: posso dizer que não mais existe, porém, o prédio segue. Agora, está restaurado com novos donos. E o rádio? Ah! O rádio que era bonito, mas não funcionava, não sei o que aconteceu com ele.  Seja lá o que tenha lhe acontecido, o certo é que o Senor não o levou deste mundo, se é que aqule rádio ainda exista de alguma forma; se é que aquele rádio pertenceu mesmo a esse Abravanel notável. 

    Ouça o Conte Sua História de São Paulo

    Nilson Bonadeu é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também mais um personagem da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

    Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a origem como chave para o futuro

    Reprodução de anúncio da marca Dona Benta

    “Dificilmente uma marca cresce negando sua origem. Até para ser original ela precisa reconhecer sua origem”.  J

    Jaime Troiano

    “The fruits are in the roots” ou, em português e sem a mesma rima,  “os frutos estão nas raízes.” Essa máxima foi criada por Joey Reiman, uma das maiores referências internacionais na área de publicidade e desenvolvimento de marcas. Jaime Troiano e Cecília Russo, que trabalharam com Reiman, consideram essa lição primordial para que as marcas garantam um crescimento sustentável e autêntico.

    Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime reflete sobre como a essência de uma marca é fundamental para seu desenvolvimento. Para ilustrar essa ideia, ele menciona a marca Ypê como exemplo, destacando que, desde os primórdios, em Amparo, interior de São Paulo, o fundador Waldyr Beira cultivou uma ligação íntima com o produto que criava. “Quando nós queremos saber até onde uma marca é capaz de chegar, precisamos conhecer o seu DNA, sua história”, reforça Troiano. Essa visão não apenas preserva a identidade, mas também ilumina o caminho para inovações que respeitem a tradição da marca.

    Cecília Russo trouxe outra experiência para fortalecer o pensamento de Reiman. Ela fala da trajetória da J. Macêdo, uma empresa centenária conhecida por marcas icônicas como Dona Benta e Petybon. Cecília destaca que “todas as empresas centenárias que conhecemos têm essa trajetória. Elas se reconstroem a partir de suas raízes.” Segundo ela, mesmo diante de inovações e ousadias, as raízes de uma marca são o terreno fértil de onde brotam os frutos mais valiosos. Essa conexão entre origem e sucesso é, para Cecília, uma constante nas histórias de empresas que perduram no mercado.

    A Marca do Sua Marca

    O principal ensinamento do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é a importância da coerência histórica e da identidade. As raízes de uma marca não apenas moldam seu presente, mas são o alicerce do seu futuro. A mensagem central é clara: conhecer e respeitar a origem de uma marca é essencial para construir um legado duradouro e bem-sucedido.

    Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

    O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

    Nunca estamos prontos

    Dra. Nina Ferreira

    @psiquiatrialeve

    Foto de Mabel Ambert

    Nascemos. Aprendemos a nos alimentar, a andar, a falar. Vamos pra escola para aprender a ler e a escrever; depois, aprender a fazer contas de matemática, entender sobre a história das civilizações, conhecer mais sobre a natureza e o corpo humano…

    Desde que nascemos, precisamos aprender algo novo para sobreviver e existir no mundo.

    E, o mais desafiador: precisamos aprender a ser um ser humano.

    Como vencer o medo e a preguiça?! Como tolerar a frustração e o desconforto?! Como lidar com as dores profundas que vêm e passam e voltam… estão, insistentemente, sempre à espreita?!

    A gente cai o tempo todo e tem que reaprender – como levanto dessa, como volto a caminhar?

    A gente acredita que “agora vai” e, de repente, se sente perdido e confuso: “Vou pra onde? E se der errado?”

    Parece um treinamento eterno. Quando parece que chegamos onde precisávamos, aparece outro problema, uma novidade, um desafio… E lá vamos nós de novo: aprender.

    Então, quando acaba? Quando poderemos dizer: “Agora sim – já passei por muita coisa, tenho bagagem, sei tudo o que preciso e terei uma vida em paz.”?

    Quando ficamos prontos?

    “Ficar pronto” é concluir, é não precisar mais evoluir ou acrescentar, é chegar ao ápice do seu potencial. Um bolo fica pronto quando todas as etapas da receitas foram concluídas. Um carro fica pronto quando todas as estruturas foram agregadas e ele funciona para nos transportar. E uma pessoa… quando “fica pronta”?

    Do pouco que sabemos e percebemos… Não fica. Nenhum de nós sabe até onde um ser humano é capaz de chegar. Não sabemos todo o potencial que um ser humano precisa e pode atingir.

    Então, pelo menos por hora, esqueçamos o tal “ficar pronto”. Vamos fazendo, aprendendo, desconstruindo pra reconstruir melhor, caindo e levantando e caminhando e vivendo…

    Ao invés de “ficar prontos”, vamos “estando em construção”. Vamos nos dedicar a estar presentes no dia de hoje, no momento do agora, e fazer o que sentimos ser possível, necessário, impactante.

    Nosso objetivo, portanto, não será “chegar lá” – esse “lá” que nem sabemos onde é. Nosso objetivo, portanto, é existir, experienciar, desenvolver habilidades, vivenciar a chance de estar aqui, agora.

    Não estamos nem estaremos prontos… Atenção: somos seres humanos em obra, em construção.

    Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

    Avalanche Tricolor: o retorno amargo e o fim de uma ilusão

    Grêmio 2×3 Atlético MG

    Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

    Braithwaite marca o gol inicial, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

    Foram 134 dias distante da Arena, desde as enchentes que destruíram o Rio Grande do Sul e deixaram marcas no coração dos gaúchos. O Grêmio foi o time de futebol mais prejudicado com a tragédia que abateu o Estado. Peregrinou como um circo mambembe por estádios brasileiros disputando três competições importantes. Embora tenha conquistado resultados significativos, despediu-se de dois torneios, em meio a essa jornada cambaleante, e persiste no Campeonato Brasileiro com a pouco inspiradora luta para ficar longe da zona-que-você-sabe-qual-é. 

    O retorno ao estádio foi marcado pela precariedade. A infraestrutura não permitia jogos sem luz natural, por isso a disputa foi às 11 da manhã de domingo. Apenas parte das arquibancadas está liberada e muitos espaços internos seguem interditados. As manchas da lama aparecem em várias paredes e no mobiliário da Arena. O gramado foi instalado de maneira emergencial e trouxe uma cor e aparência estranhas. 

    A coincidência do calendário nos trouxe de volta à Arena em momento de emoções diversas. Não bastasse a retomada nossos estádio, o adversário foi o clube que melhor soube acolher o drama de todos os gaúchos. Merecia nossa reverência. Há uma semana, havíamos perdido o patrono e o “maior de todos os torcedores”, Cacalo. E o futebol amargava o luto provocado pela morte de Juan Izquierdo, do Nacional, esse time uruguaio que nos é próximo do coração.

    Com a bola rolando, o sofrimento, a alegria e a frustração voltaram a se expressar. Ter Gustavo Martins expulso com menos de 20 minutos de partida – exagerada ou não a punição ao zagueiros que fez dupla trapalhada  na jogada — nos colocava diante de dois cenários: o da derrocada iminente, que serviria para destruir a ilusão de que o drama que enfrentamos nesta temporada haveria de ser recompensado com uma recuperação heróica; ou o da vitória pela superação, sustentando a escrita da imortalidade e da energia emanada por um lugar sagrado que voltava a nos abrigar.

    O primeiro tempo, em especial, e boa parte do segundo rascunhavam uma história incrível, daquelas de contar para os filhos, reunir os amigos e deixar a lágrima correr pelo rosto. Dizer do gigantismo deste time pelo qual escolhemos torcer e agradecer àqueles que nos tornaram gremistas. O primeiro gol veio pelos pés de Braithwaite, o atacante dinamarquês pelo qual já nos apaixonamos, e o segundo, na insistência de Cristaldo, que voltou a marcar.

    De tão incrível que era o roteiro, sequer sofremos com o primeiro gol do adversários, aos 26 minutos do segundo tempo, após mais um pênalti cometido pelo nosso time e não defendido por nosso goleiro — que tem a capacidade de errar o lado em que a bola vai em quase que 100% das cobranças as quais é submetido. O revés naquela altura do jogo, estaria ali apenas para corroborar como seria glorioso sofrer pelo Grêmio. Ledo engano!

    Nos acréscimos, aquele momento em que nosso técnico insiste em sinalizar a seus jogadores que “acabou, acabou”, levamos dois gols e a virada. O primeiro, de empate, também de pênalti e o segundo na pressão do adversário, quando tínhamos quatro zagueiros dentro da área. A jornada do herói imortal foi desconstruída em poucos minutos. Restaram a tristeza e a frustração, sentimentos dolorosos diante da expectativa que tínhamos no retorno à Arena.

    A verdade é que o futebol é jogado dentro de campo, minuto a minuto.  A história que nos trouxe até aqui pode não servir para nada na partida seguinte.  O jogo depende muito mais das escolhas feitas pelo técnico e os jogadores, no instante em que a bola está rolando, do que qualquer fenômeno sobrenatural que costumamos evocar. A partida desta manhã de domingo chutou para longe toda e qualquer ilusão de que os deuses do futebol estariam dispostos a interferir a nosso favor. Eles não estão nem aí para nós. É no que acredito, ao menos até a próxima partida.