Conte Sua História de São Paulo: a flor no asfalto

Por Valéria Dantas Machado do Nascimento

Ouvinte da CBN

Photo by Manoel Junior on Pexels.com

Viva a vida em São Paulo. Viva a flor no asfalto.

Quando penso em São Paulo, afirmo: logo eu existo.

Nasci e cresci aqui, então me sinto parte deste todo, deste mundão.

Hoje quase cinquentona, tenho muitas histórias pra contar.

Na infância, a Praça da Árvore foi meu berço, lá nasci, mas aos dois anos de idade fui para Vila Gumercindo.

De mãos dadas éramos quatro, papai, mamãe, maninho e eu, e hoje somos mais, irmãos, cunhada, sobrinho e afilhada. O ritmo é este crescer, conhecer, surpreender-se, com este São Paulo, com este mundão.

Passeios com mãos dadas, os primeiros passos, a natureza no asfalto. Mamãe de Salvador e papai do interior de Jabuticabal, já aqui afeiçoados, nos ensinavam que havia sim flor neste asfalto. Então seja no Zoo, no Ibirapuera, no Horto ou na Cantareira, e até no ponto zero, na Praça da Sé alimentar pombos era prazer de casa aos domingos.

Aqui vemos de tudo, e tudo com potência máxima. Do caos, ao crime, a paz, a evolução.

Sim, São Paulo tem e é a pura satisfação. E quem aqui não nasce se torna cidadão de coração.

Como destino ou de passagem, quem passa por São Paulo, leva consigo esperança, agito e o acreditar!

De manhã em oração quem me acompanha são as maritacas, os beija-flores que se reúnem em cima dos fios e dos postes de eletricidade. Totalmente adaptados a cidade grande. Vão e vem sem casa fixa, transformam seus ninhos em momentos de paz neste caos.

E é no Museu do Ipiranga que acontece a magia, a conexão com a natureza!

No jardim frontal onde as palmeiras se transformam nas primeiras horas do dia, em verdadeiros pés de pássaros. O jardim enche nossos olhos e nos dão a impressão de simetria nem sempre percebida por pessoas que na pressão cumprem suas metas sem se dar conta da vida ao redor.

Na pista de Cooper as folhas, os galhos, os diversos cantos e os passos de corredores anônimos marcam o início de mais um dia. No “story” registro o momento em que carros param, buzinas cessam e me conecto com a natureza em meio ao agito. Por instantes, a pressão se torna calmaria, o tempo não marca as horas, o agito se acalma dentro de nós.

Ao voltar para casa, meus pés pisam no asfalto da avenida, um carro freia, o pedestre reclama e o ciclista a tudo isso continua seu trajeto. Mas algo dentro de mim mudou, renovou e percebo que ao voltar não integralmente mais a mesma dentro de mim ainda me conecto aos minutos vividoa  e sei que tudo já deu certo!

Nas estações que se mesclam e não seguem o calendário, já aprendi que reclamar do tempo ‘w como se queixar da “previsão” não assertiva dos meteorologistas. Então, é assim viver aqui, rezar para ir e voltar, agradecer e acreditar que amanhã será ainda mais bonito do que hoje. E de geração para geração a CBN faz parte do meu dia a dia.

Viva a vida em São Paulo. Viva a flor no asfalto.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Valéria Dantas Machado do Nascimento é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Ouça a sua história aqui na CBN. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Outros capítulos da nossa cidade, você tem no meu blog miltonjung.com.br e no podcast do Conte Sua História de São Paulo.

A quem pertence a nossa saudade?

Diego Felix Miguel

Foto de Magi Dobreva

Cara leitora, caro leitor, qual é a sua primeira lembrança ao falarmos sobre saudade?

Nos últimos dias, tenho refletido sobre o lugar que a saudade ocupa na minha vida. Ela parece estar enraizada na minha infância, aparecer em raros momentos da adolescência e se manifestar com frequência nas relações mais intensas que estabeleci na vida adulta. A saudade é um sentimento fascinante; nela repousam nossas memórias mais significativas, acompanhadas de aromas, sabores e amores.

Recordo aqueles momentos de risadas e da sensação de completude quando estamos com quem amamos e sentimos a reciprocidade, ou mesmo na ausência dela, quando saboreamos nossa imensurável capacidade de resiliência. Parece-me que a saudade sempre vem acompanhada por alguém: sejam pessoas queridas, animais que foram nossos fiéis companheiros ou, talvez, pela maior e mais importante presença: a nossa. É a partir dessa entrega afetiva que nos permitimos nos envolver e sermos transformados pelo contato com os outros, com os animais e com o mundo.

Sei que este texto pode soar filosófico, mas, enquanto escrevo, diversas lembranças vêm à mente, especialmente das oportunidades que tive ao longo da vida de conviver com pessoas idosas, tanto em casa quanto nos ambientes profissionais em que atuo.

Neste período em que celebramos a saudade — e, por que não, os bons afetos? — não posso deixar de reverenciar dezenas, ou talvez centenas, de pessoas mais velhas que me inspiraram e contribuíram para a construção da minha identidade. Essas contribuições vieram tanto por meio de boas experiências quanto por escolhas menos felizes, todas compartilhadas em uma intensa troca afetiva. Dessa forma, as memórias se tornam imortais por meio do legado que deixaram, mesmo sem terem plena consciência dessa responsabilidade. Elas passaram a fazer parte da essência das minhas ações e valores, multiplicando-se pelo mundo.

Ouso dizer que isso é o que chamamos de “geratividade” em sua essência: passamos o bastão de nossos saberes e vivências para as gerações mais novas, mantendo acesos os sentimentos e as saudades que carregamos.

E, pensando nisso, pergunto-me: quais saudades estou plantando nesta minha trajetória?

Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG-SP. Mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP, escreve este artigo a convite do Blog do Mílton Jung.

Em defesa do Cabrito Corporativo, porque job não dá leite

Foto de Ruslan Burlaka

Lá no Rio Grande do Sul, onde nasci, “cabrito” nunca foi só um bichinho que salta pelos campos. Quando eu era guri, essa palavra tinha um outro significado. No dia a dia, “fazer um cabrito” era sinônimo de trabalho extra, aquele “bico” que a gente arranjava pra garantir uns trocados a mais. E quem fazia isso, como diziam, era esperto e não reclamava – afinal, cabrito bom não berra. Ou seja, faz o trabalho quieto, sem estardalhaço, e com eficiência. Nem corre o risco de ir para o abate.

Cresci ouvindo essa expressão, que, aliás, se tornou tão parte do vocabulário que, mesmo hoje, quando falo sobre qualquer atividade fora da rotina, o termo aparece. Curioso é que a palavra “cabrito” traz consigo toda uma simplicidade, um jeitão de ser brasileiro. É algo que carrega em si uma certa humanidade, uma proximidade com o chão que pisamos. Nada de firulas, nada de enfeites. Um cabrito é um cabrito. E ponto.

Porém, o tempo passa, e a gente vê a vida se transformar. Convivo com o mundo corporativo e me deparo com uma outra língua. Aqui, qualquer trabalho extra já não é “cabrito”, é “job”. Aliás, tudo virou “job”. O que era uma reunião virou “meeting”, e ao invés de almoço, temos “lunch”. Parece que esquecemos como falar nossa própria língua.

Foi aí que me lembrei de uma crônica do Washington Olivetto, publicada pouco antes de sua morte, em O Globo, na qual ele lamentava o baixo astral nas agências de publicidade, mas, acima de tudo, a dominação dos estrangeirismos. Para ele, as agências tinham deixado de ser brasileiras, se tornaram uma imitação asséptica de algo que não somos. A bronca de Olivetto, eterno defensor da criatividade e do humor na comunicação, me fez pensar: será que é tão difícil valorizar aquilo que é nosso?

O “job” pode até parecer chique, mas não tem o mesmo peso que “cabrito”. O cabrito é suado, feito com a mão na massa, sem maquiagem. Um trabalho que você sabe que vai exigir esforço, mas que, no fim, traz aquele prazer de missão cumprida. O “job”, por outro lado, soa distante, frio. Algo que você faz por obrigação, sem a mesma conexão.

Por isso, sempre que vejo alguém dizer que está “fechando um job”, fico com vontade de responder: “não seria um cabrito?” O cabrito, pelo menos, tem identidade, tem história. O “job” não me diz nada. Ele não carrega o cheiro de café que acompanha as noites em claro, nem o aperto no peito de quem faz o trabalho fora do expediente para pagar as contas. E o cabrito, bom de verdade, vai lá e faz – sem precisar berrar para mostrar serviço.

Enquanto o “job” virou mais um desses termos que importamos sem precisar, o cabrito segue firme, saltando aqui e ali, sempre presente na vida de quem, como eu, acredita que o trabalho é mais do que um termo bonito em inglês. No fim das contas, o cabrito dá leite, alimenta o corpo e a alma. Já o “job”, esse é só mais um estrangeirismo que inventaram pra tentar nos fazer esquecer que o cabrito, ao menos, não precisa berrar para ter valor.

Vamos falar a nossa língua?

Inscreva-se na minha certificação de Comunicação Estratégica em ambiente profissional, que realizo em parceria com a WCES, e vamos aprender a falar a língua das pessoas — essa é uma das maneiras de melhorarmos a nossa comunicação. 

Anestesia social

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Estou andando pela calçada e sou atropelada por um pedestre que caminhava próximo de mim: ele não me viu ali.

Estou esperando na recepção do prédio para a porta ser aberta e a porta não abre: o porteiro não me percebeu ali.

Estou entristecida porque tenho passado por um problema grave na família: ninguém nota.

Uma anestesia geral. Pessoas não percebem a presença de outras. Pessoas não percebem as necessidades e os sentimentos de outras.

Veja, não existe intenção de ser mau ou egoísta – não é um ato consciente. É que existe uma neutralidade de percepções e afetos sobre o mundo ao redor. Na verdade, é como se não houvesse mundo ao redor.

A maioria de nós, humanos, está tão ensimesmada, tão individualista, tão presa dentro de si (ou do mundo digital), que não nota os acontecimentos em volta. Desconectados, ausentes, anestesiados.

As consequências são caóticas. Nessa anestesia, não tomamos a iniciativa de respeitar o espaço do outro (exemplo da calçada), de executar a ação que é esperada de nós (exemplo da portaria), de ajudar no acolhimento da dor do outro (exemplo da tristeza).

Nessa anestesia, cada um acredita que vive no seu mundo particular, que não existe mais ninguém por ali, que está sozinho. Às vezes, pior: cada um acredita que tudo (e todos) em volta são “só” objetos e ferramentas para fazer sua vida individual funcionar – e estranha quando isso não acontece, quando suas necessidades não são vistas ou satisfeitas!

Precisamos acordar. Cada um de nós, acordar: lembrar que vivemos em sociedade, que nossas ações impactam nos outros, que precisamos funcionar todos em conjunto.

Precisamos recuperar nossa capacidade de olhar pra fora, fazer parte do todo, colaborar sempre que possível, pedir ajuda quando necessário, respeitar pessoas e mundo ao nosso redor.

Precisamos sair da anestesia – se quisermos sobreviver e, assim, ter chances de voltar a viver.

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cinco segredos das marcas que resistem ao tempo

Photo by Olya Kobruseva on Pexels.com

Manter-se no topo é um feito para poucas marcas, e alcançar essa longevidade requer muito mais do que estratégias pontuais ou campanhas de impacto. Esse foi o tema do “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, em que Jaime Troiano e Cecília Russo discutiram as lições do projeto Marcas Mais, realizado para o Estadão nos últimos dez anos. O segredo, apontam, está em um conjunto de valores e práticas que mantêm essas marcas em sintonia com seu público ao longo do tempo. “Algumas marcas só estão nesse estudo nos primeiros lugares porque nunca abandonaram a preocupação em ser consistentes”, destacou Jaime Troiano, ressaltando o papel essencial da solidez no relacionamento com os consumidores.

Cecília Russo complementou ao lembrar que, mesmo em momentos críticos, como durante a pandemia, as marcas bem-sucedidas se mantiveram presentes e atentas ao que vinha das ruas. “Elas nunca pararam de investir em comunicação e sempre foram humildes o suficiente para ouvir o que os clientes estavam dizendo”, disse ela, enfatizando o valor da escuta ativa.

Lições dos campeões do Marcas Mais

Em seguida, Jaime e Cecília pontuaram as lições que o estudo Marcas Mais trouxe sobre as práticas que distinguem marcas longevas e bem posicionadas. Confira abaixo:

Cinco lições do Marcas Mais
1. Consistência é a chave: As marcas que se mantêm no topo não abandonam a preocupação em serem consistentes, preservando seus valores e legado ao longo dos anos.
2. Expansão com autenticidade: Marcas bem-sucedidas expandem seu alcance sem ultrapassar os limites de sua identidade, mantendo sua autoridade e reconhecimento.
3. Comunicação contínua: Mesmo em tempos desafiadores, essas marcas investem continuamente em formas de comunicação, sempre trazendo novidades e mantendo o diálogo com o público.
4. Escuta ativa e humildade: Marcas duradouras ouvem atentamente seus consumidores, evitando o erro da “vaidade corporativa” e tomando decisões alinhadas ao que o público valoriza.
5. Propósito de longo prazo nas empresas familiares: Marcas familiares de sucesso transmitem seu propósito de geração em geração, reforçando que o objetivo é mais do que apenas lucro.

A marca do Sua Marca

Para Jaime e Cecília, as marcas que se destacam buscam sempre evoluir sem perder a essência e mantêm uma postura de “eterno aprendiz”. Jaime arriscou cantarolar Gonzaguinha 

Viver e não ter a vergonha

De ser feliz

Cantar, e cantar, e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz

Essa postura de escuta e adaptação contínua torna-se o diferencial entre as marcas passageiras e aquelas que se consolidam na preferência dos consumidores.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: só faltam seis jogos

Fluminense 2×2 Grêmio
Brasileiro – Maracanã, Rio de Janeiro/RJ

Time comemora gol de Braithwaite. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Minhas redes sociais têm reproduzido nestes últimos dias uma série de momentos memoráveis do Grêmio. Revi o gol de Luan contra o Lanús, na Libertadores de 2017. Rolando a tela do Instagram, encontrei lances da batalha contra o Peñarol, em 1983. Por uma dessas circunstâncias que só o destino é capaz de explicar, até a vitória contra a Portuguesa, em 1996, quando conquistamos pela segunda vez o Brasileiro, apareceu na tela do meu celular. Todas são cenas que mexem com minha memória afetiva e me fazem pensar quantas glórias tivemos o privilégio de assistir nessas mais de seis décadas de vida.

Aqueles tempos estão distantes do futebol que assistimos recentemente. Libertadores e Copa do Brasil vemos apenas pelo retrovisor. O Campeonato Brasileiro, que no ano passado ainda conseguimos chegar em segundo lugar, tem sido um martírio atrás do outro. Cada partida é um drama. Nunca se tem certeza do que seremos capazes. Conquistamos um ponto aqui e outro acolá. Quando fazemos três, torcemos para os demais concorrentes empacarem no lugar.

Hoje, nos restou festejar um resultado alcançado na bacia das almas. Após sairmos na frente em um contra-ataque com boa participação de Aravena e conclusão de Braithwaite, não suportamos a pressão do adversário e tomamos a virada. O gol de empate, já nos acréscimos, veio de uma jogada fortuita de ataque em que Nathan Fernandes, que andava esquecido no elenco, conseguiu alcançar a bola com calcanhar e a fez, inadvertidamente, encontrar Arezo dentro da área. Reinaldo, em uma excelente cobrança de pênalti, igualou o placar.

Sei que já fui bem mais feliz ao comemorar Libertadores, Brasileiros e Copas do Brasil. Já sofri com viradas históricas, assim como vibrei em partidas heróicas. Mas, atualmente, na escassez de resultados e conquistas, o que me resta é valorizar cada ponto conquistado, ainda que na bacia das almas, e lembrar que, por mais que o Grêmio esteja distante das glórias de outros tempos, a paixão tricolor permanece intacta. Porque torcer é isso: é saber festejar o mínimo, é não desistir diante das dificuldades e é manter viva a esperança de que um dia o ciclo das vitórias voltará a girar ao nosso favor. Diante das atuais circunstâncias, não tem como exigir muito mais do que um empate no Maracanã. Só faltam seis jogos!

Mundo Corporativo: Fernando Pantaleão, da Visa, revela como IA e PIX revolucionam a segurança e a velocidade dos pagamentos no Brasil

Fernando Pantaleão no estúdio no Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti CBN

“No final é usar o máximo de dados possível, com maior possibilidade de aproximação de hipóteses, para poder gerar um resultado melhor.”

Fernando Pantaleão, Visa

No mundo dos pagamentos digitais, a evolução vai muito além das maquininhas de cartão. Cada vez mais, tecnologias de ponta como inteligência artificial e machine learning redefinem o modo como consumimos, protegemos dados e aprimoramos a experiência de compra. Segundo Fernando Pantaleão, Vice-Presidente de Vendas e Soluções para Comércios da Visa do Brasil, esse avanço acelerado, impulsionado pela digitalização e por soluções como o PIX, está exigindo do setor uma adaptação rápida e constante. Ele compartilhou essas reflexões em entrevista ao programa Mundo Corporativo, ressaltando a importância de compreender e responder às novas demandas de segurança e conveniência para o consumidor.

IA e Machine Learning: Segurança e Eficiência no Combate às Fraudes

Para a Visa, a inteligência artificial e o machine learning não são apenas tecnologias de ponta, mas ferramentas essenciais para criar um ambiente de pagamento seguro. “A inteligência artificial e a história do machine learning… no final é usar o máximo de dados possível, com maior possibilidade de aproximação de hipóteses, para poder gerar um resultado melhor,” afirmou Pantaleão. Ele destacou que esses sistemas analisam volumes massivos de dados, permitindo uma resposta ágil e precisa na prevenção de fraudes. A Visa investe significativamente em inteligência artificial generativa, que, segundo Pantaleão, é uma das estratégias mais eficazes para antecipar e bloquear transações suspeitas antes mesmo que ocorram, garantindo que os consumidores possam contar com uma segurança robusta e invisível a cada compra.

Inovação e Velocidade: O Novo Desafio no Setor de Pagamentos

Pantaleão destacou a necessidade de investir na velocidade e empoderamento das equipes para implementação de tecnologias de pagamento seguras e eficientes. “A velocidade é fundamental, ou o poder de decisão é fundamental. E precisa disso. Senão você não tem velocidade de implantação de coisa nova,” afirmou ele, acrescentando que a Visa tem investido fortemente em soluções de segurança para minimizar fraudes e maximizar o índice de conversão nas vendas.

Outro ponto abordado foi o impacto da chegada do PIX, que ele classificou como um divisor de águas para o comércio eletrônico no Brasil. “A gente vê a chegada do PIX como muito importante para o Brasil, muito desafiadora,” mencionou Pantaleão, reforçando que a competição aumentou e a conveniência para o consumidor nunca foi tão grande. A digitalização promovida por essas novas formas de pagamento ampliou as oportunidades para empreendedores de diferentes portes, especialmente com a introdução de tecnologias como o “Tap to Phone”, que transforma o smartphone em uma máquina de pagamento.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: mudei o caminho para relembrar a Ilha do Bororé

Jorge Almeida

Ouvinte da CBN

Balsa na Ilha de Bororé
A balsa para a Ilha do Bororé Foto: Devanir Amancio

Quando eu era criança, nos anos de 1990, frequentava quinzenalmente a Ilha do Bororé, extremo sul da capital paulista. Meu pai, Jorge Miguel de Almeida, potiguar, cinco filhos, pintor de automóveis, não dispensava uma pescaria. Sempre que podia, saia religiosamente às seis da manhã, do Jardim São Luis com destino a Ilha do Bororé.

Seu Jorge nunca ia sozinho: quando não era um dos amigos de copo, chamava um dos filhos. Geralmente meu saudoso irmão Jair ou este que vos fala. Nunca fui interessado por ficar à beira da represa Billings, horas e horas, a espera de um peixe fisgar a isca da vara de pescar. Gostava mesmo era da viagem.

Embarcávamos no ônibus que estampava no letreiro “Represa”. De verdade, o ônibus fazia ponto final na avenida De Pinedo. Descíamos perto da ponte do Socorro e seguíamos no 6079/10 – Ilha do Bororé, da extinta viação São Camilo. Assim que passávamos a entrada do Jardim Eliana, na Belmira Marin, encontrávamos a longa fila de carros para atravessar a balsa. A gente aproveitava para debochar dos motoristas, a medida que os ônibus não precisavam esperar na fila. O ponto final era na segunda balsa, quando meu pai e eu desembarcávamos para fazer a travessia, no limite com São Bernardo.

Já do outro lado, meu pai preparava seu arsenal de varas, anzóis, iscas, tarrafas e tudo aquilo que um pescador necessitava. Sem paciência para pescar, gostava mesmo é de dar uns mergulhos na represa.

Em 1994, com 12 anos, ganhei um título do clube de campo Village Santa Mônica, que ficava na própria Ilha do Bororé, por conta de uma redação que fiz na escola. O que fez aumentar a frequência naquele pedaço de Mata Atlântica. Época em que o rolê ganhou novos adeptos e o comboio familiar era formado por três Kombis. Uns pescavam enquanto outros cuidavam do piquenique e da churrasqueira. Eu e meus irmãos aproveitávamos a piscina. O clube foi vendido e nós deixamos de visitar a Ilha do Bororé.

Em 2018, 22 anos depois da minha última visita na ilha, estava levando minha afilhada no Cantinho do Céu. Na volta para casa, em vez de seguir pelo caminho de praxe, fiz a logística inversa: embarquei no ônibus para a Ilha do Bororé. Fui até a segunda balsa. Peguei outro ônibus, o EMAE, até a balsa João Basso. E mais outro até o centro de São Bernardo. De lá, embarquei em um trólebus pelo corredor metropolitano até o terminal Diadema. Segui pelo corredor ABD até a estação Brooklin, na linha 5-Lilás, do metrô. Enfim, cheguei em casa. 

Uma viagem enorme que valeu pelas lembranças dos meus tempos de Ilha do Bororé.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Jorge Almeida Jr. é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog, miltonjung.com.br, e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: só faltam sete

Grêmio 3×1 Atlético GO

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Villasanti comemora o gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A temporada 2024 não tem sido fácil para o torcedor do Grêmio. A tragédia provocada pelas enchentes no Rio Grande do Sul nos atingiu de forma contundente. Fomos obrigados a jogar fora do nosso estado e do nosso estádio, muito mais do que qualquer outro time gaúcho. Voltamos a Arena há menos de dois meses e a Arena voltou a ser toda nossa apenas na tarde deste sábado, na trigésima-primeira rodada do Campeonato Brasileiro.

O prejuízo técnico e tático que a equipe sofreu foi enorme, mesmo que não explique a baixa qualidade do futebol apresentado em muitos dos jogos. Boa parte dos melhores reforços chegou apenas no meio da temporada, o que tornou mais complexo o funcionamento daquela engrenagem que os times bem treinados costumam apresentar. Verdade que a essa altura do campeonato já deveríamos estar oferecendo um trabalho coletivo mais competente, mas o time tem enfrentado dificuldades para “pegar no tranco”, como costuma-se dizer no popular.

A sequência de fatos e defeitos reduziu nossas expectativas. A equipe que começou o ano prometendo presença competitiva em todas as disputas, encerrará apenas com a comemoração do Hexacampeonato Gaúcho, nos primeiros meses de 2024. Na Copa do Brasil e na Libertadores fomos despachados nas disputas eliminatórias. No Brasileiro, depois de um esforço para não correr o risco de rebaixamento, nos contentaremos com uma classificação à Copa Sul-Americana, o que me parece garantido após a vitória deste sábado.

A partida que marcou a volta definitiva da Arena, com quase 37 mil torcedores presentes, apresentou muito do que temos assistido neste ano de futebol mediano. Cometemos pênalti com uma facilidade de chamar atenção. E os vemos ser convertidos quase sem reação. Temos uma fragilidade defensiva capaz de transformar o lanterna do campeonato em uma equipe perigosa no ataque.

Dependemos de jogadas individuais como a que nos levou ao gol de empate, porque falta entrosamento. Nossos destaques são Soteldo e Villasanti, não por acaso dois dos que marcaram nossos gols. Justiça seja feita ao esforço de Braithwaite que luta contra os zagueiros e se entrega de uma maneira cativante. O primeiro e o terceiro gols tiveram a participação importante dele.

Como escrevi, a vitória de hoje foi crucial para eliminar as possibilidades de rebaixamento e nos colocar na Sul-Americana, apesar de matematicamente ainda haver condições para o pior dos cenários.  Mesmo que algumas partidas que nos restem sejam de alta periculosidade, acredito que ocupamos agora o quinhão que nos está reservado para esta temporada. Desejo apenas que saibamos mantê-lo até o fim, que, felizmente, está próximo. Só faltam sete partidas para nos despedirmos de 2024.

Mundo Corporativo: Walter Longo nos ajuda a pensar sobre a IA e o futuro das relações humanas

Walter Longo no estúdio da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Nós achamos que estamos livres em opinião, mas na verdade estamos cada vez mais fechados em nós mesmos.”

Walter Longo, especialista em inovação

Presente no seu WhatsApp, embarcada no celular novo e em diversos serviços do cotidiano, a inteligência artificial já nos transformou — embora muitos ainda não compreendam o impacto. Desde 30 de novembro de 2022, quando a OpenAI lançou sua IA generativa, essa tecnologia vem sendo explorada e multiplicada em ritmo acelerado. 

Para entender como essa mudança molda nossa interação com as pessoas, as empresas e as máquinas, o Mundo Corporativo foi em busca de alguém que tem feito profundas reflexões sobre este cenário: Walter Longo, especialista em inovação e transformação digital. Na entrevista, Longo nos convida a olhar além do potencial técnico da IA e nos desafia a utilizar essa tecnologia para resgatar uma parte essencial da humanidade.

Exteligência: a nova habilidade essencial

Walter Longo observa que, em um cenário de transformação digital acelerada, a capacidade de se integrar em rede, ou exteligência, tornou-se mais importante que a inteligência individual. “A grande missão de um líder é analisar não a inteligência do meu comandado, mas a exteligência dele”, explica. Para ele, a metáfora do “cinto de utilidades” do Batman captura bem essa nova realidade: a tecnologia, por meio de algoritmos e ferramentas digitais, oferece a cada profissional recursos para maximizar suas capacidades.

A tecnologia, segundo Longo, tanto substitui atividades repetitivas como nos devolve o recurso mais precioso: o tempo. Ele ressalta, no entanto, que essa liberdade implica uma nova responsabilidade: “O que você vai fazer com este tempo é uma decisão individual”. Com isso, Longo sugere que essa liberdade conquistada deve ser usada com propósito, equilibrando produtividade e tempo para atividades que nos enriquecem.

O vocabulário como ponte para interagir com a IA

Para Walter Longo, interagir de forma eficaz com a IA depende de um vocabulário rico e preciso. A qualidade das respostas, explica ele, depende da clareza e profundidade com que formulamos nossas perguntas. “A IA só nos devolve o que pedimos. Ter um vocabulário vasto e variado é fundamental para obter dela o melhor suporte.” Longo exemplifica essa precisão com a diferença entre “enfrentar”, “afrontar” e “confrontar” — palavras tratadas como sinônimos, mas com nuances distintas. Outros exemplos incluem “obsessão”, “compulsão” e “possessão”, três estados muitas vezes confundidos. “Esses detalhes do vocabulário melhoram a interação com a IA, garantindo que ela compreenda exatamente o que queremos, sem ambiguidades”, destaca.

Ele recomenda a leitura diária como exercício essencial para aprimorar o vocabulário e expandir o repertório linguístico. “Leia ao menos uma hora por dia; é um hábito que amplia seu vocabulário e treina a mente para reconhecer variações e significados.” Esse hábito, segundo Longo, permite que as pessoas aprimorem a comunicação com máquinas e também enriqueçam o diálogo com outros seres humanos. Ele argumenta que a leitura é uma prática necessária para a evolução da inteligência humana, especialmente em uma época em que a tecnologia avança rapidamente e nos exige adaptação.

A armadilha dos algoritmos

Longo alerta também para o risco de isolamento imposto pelas recomendações de algoritmos. Ele observa que esses sistemas limitam a pluralidade de opiniões ao exibir conteúdos com os quais já concordamos, reduzindo nosso contato com o contraditório e enfraquecendo o senso crítico. “Achamos que estamos livres em opinião, mas estamos cada vez mais fechados em nós mesmos.” Segundo ele, essa ilusão de “liberdade” reforça uma bolha de conveniência que nos afasta de desafios intelectuais.

Além disso, Longo ressalta o impacto da “gratificação instantânea” que caracteriza a era digital, transformando consumidores e colaboradores. Essa busca por recompensas imediatas revela uma aversão ao compromisso de longo prazo. Ele exemplifica com a moda do fast fashion e outras tendências passageiras, como o fenômeno dos food trucks, que explodem e desaparecem rapidamente. “Essa visão efêmera gera uma gratificação instantânea, mas nos deixa com a sensação de que tudo é passageiro”, comenta.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Letícia Valente e Priscila Gubiotti.