Conte Sua História de São Paulo: desci na estação errada?

Por Pedro Galuchi

Ouvinte da CBN

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Próxima estação: Sé…

Desembarco pela esquerda…

Na esquina da Rua Direita

Repentina suspeita:

 

Desci na estação errada?

Viro-me pé ante pé

Vejo imagem desbotada

Da imensa catedral da fé

 

A praça perdeu a cor

Uma tristeza sem par

Não tem perfume de flor

Cheiro de miséria no ar

 

Sem perna estende a mão

Suplica qualquer esmola

Rastejantes pelo chão

Pivetes cheirando cola

 

Apertado o coração

Em instante me desespero

Retratos de solidão

Multiplicam-se no marco zero

 

A chegada do metrô

Levou antiga cena

Os escritórios de dotô

Teatro Santa Helena

  

Segundos de implosão

Sumiu o Mendes Caldeira

No meio da confusão

Vanzolini sem a carteira

 

Naquele aperto da Clóvis

Não há mais separação

Faço a prova dos noves

Dolorosa conclusão

 

Desvio dos passantes

Peço licença, por favor

Fujo às escadas rolantes

Entro no trem salvador

 

Próxima estação:

Nem presto atenção

Anhangabaú… São Bento…

Pedro Segundo… Liberdade…

 

O sentido tanto faz…

Dentro do túnel o sentimento:

A velha Sé ficou pra trás

Apenas uma saudade!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Pedro Galuchi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: com tecnologia de identidade racial, a Diversidade.io gera oportunidades a afroempreendedores, diz Marcelo Arruda

Marcelo Arruda nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Letícia Valente

“A gente tem que falar a verdade, que vai ser mais difícil e isso faz parte da resiliência para quebrar padrões, para quebrar muros, mas é possível. E eu tenho certeza que o talento no final vai achar o seu espaço.”

Marcelo Arruda

Imagine um cenário onde 15 milhões de empresas de afroempreendedores representam uma massa de 60 milhões de brasileiros com uma demanda reprimida. Este é o mercado que a Diversidade.io, plataforma criada por Marcelo Arruda, busca explorar e conectar com grandes empresas interessadas em investir na diversidade e inclusão. 

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Marcelo falou dos desafios que enfrentou em sua carreira como executivo e de como essas experiências o levaram a encontrar soluções que tornasse o mercado de trabalho mais acessível a diversos públicos.

“Para as pessoas que são de qualquer recorte da diversidade e que hoje às vezes podem se limitar, achando que por pertencer a um recorte, eles não vão ter oportunidades, eles vão sim”, afirmou Marcelo.

Diversidade como oportunidade de negócio

O executivo destacou que as empresas estão percebendo a diversidade não como um ato de caridade ou filantropia, mas como uma oportunidade de negócio. “Investindo em quem tem potencial, as empresas podem crescer suas vendas e suas margens,” explicou ele. Essa perspectiva reforça a importância de criar um ambiente de negócios inclusivo e diversificado, onde todos têm a oportunidade de prosperar.

Para isso, a Diversidade.io utiliza tecnologia avançada para conectar afroempreendedores a grandes empresas, facilitando o processo de inclusão e promovendo a equidade. A plataforma oferece uma solução escalonável que pode ser aplicada tanto em nível nacional quanto internacional, identificando fornecedores pela atividade que exercem e pelo local onde estão.

Tecnologia e reconhecimento racial

Um dos desafios mencionados por Marcelo é garantir que os processos de inclusão sejam justos e efetivos. Para enfrentar essa questão, a Diversidade.io desenvolveu uma ferramenta de machine learning para reconhecimento, que ajuda a validar a identidade racial dos empreendedores. “Nossa ferramenta trabalha com uma base de 70 mil fotos e oferece uma segurança na informação que passamos para quem nos contrata,” explicou Marcelo.

Essa inovação foi apresentada em Nova York e recebeu elogios por sua capacidade de garantir a diversidade real entre os fornecedores. “Estamos preparando um ambiente seguro para que o empreendedor da diversidade possa florescer,” acrescentou ele.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Avalanche Tricolor: Marchesín fala em nome da minha paixão

Corinthians 2×2 Grêmio

Brasileiro – Itaquerão, São Paulo/SP

Marchesin defende mais uma. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Futebol é paixão. E por apaixonados, extrapolamos. Já fiz coisas absurdas em nome deste sentimento humano que é intenso no corpo e na mente. Briguei e me arrependi. Chorei e me lamentei. Praguejei ao mesmo tempo que roguei. Gritei e, de tanto gritar, calei.

No latim, paixão é sofrimento e ato de suportar. O grego nos remete ao sentir. A religião relaciona esse sentir à dor física, espiritual e mental. Com o tempo, paixão passou a ser traduzida por forte emoção e desejo; mais tarde ainda, por predileção.

Paixão é essa coisa que nos leva a acreditar no impossível, mesmo que o possível se imponha a todo instante. É o que nos capacita a persistir na torcida, apesar de tudo que se realiza anunciar que chegou a hora de renunciar.

Por apaixonado que sou, reajo na intimidade enquanto me contenho na vida pública. Critico o árbitro e ofendo o adversário na privacidade do meu lar, onde a liberdade de expressão é maior e as consequências são menores. Prefiro manter o respeito ao outro e ao esporte, lembrando que a paixão, quando exposta sem filtro, pode ferir e ofender.

Futebol é um espetáculo coletivo e, como tal, exige de nós um comportamento que preserve a harmonia e o espírito esportivo. Cada gesto e palavra dita em público têm o poder de influenciar e impactar não apenas os jogadores e torcedores, mas toda a comunidade que se envolve com o esporte. A paixão, quando bem dosada, enriquece a experiência e fortalece os laços entre os fãs e seus times.

Portanto, é no equilíbrio entre a emoção fervorosa e a razão respeitosa que encontramos a verdadeira essência do torcedor apaixonado. A paixão não precisa ser escondida, mas sim, canalizada de forma a contribuir positivamente para o ambiente do futebol. Porque, no fim, a paixão que nos une é a mesma que deve nos lembrar de manter o respeito e a dignidade, tanto dentro quanto fora de campo.

Agora, perdoe-me a lógica e a prudência, como é difícil conter os sinais que a paixão emite diante de mais uma injustiça sofrida no mesmo palco e  contra os mesmos atores.

Independentemente do futebol que expressamos, das falhas que seguimos cometendo, das intempéries inerentes a um time que improvisa sua formação e sua estratégia, a sensação de que mais uma vez poderia ter sido diferente não fosse a intervenção do árbitro é de dor e irritação. Por isso, não culpo Marchesin de misturar alhos e bugalhos no momento em que revelou a dor de sua paixão, ao fim do primeiro tempo da partida desta noite, em São Paulo. Ele representa a minha paixão.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a relevância dos mascotes

O cachorro ‘linguiça’ da Cofap é um dos mascotes de sucesso Foto: divulgação

“Se têm coisas que as marcas precisam hoje em dia é isso: memória, afeto e relacionamento”

Cecília Russo

Os mascotes, uma estratégia clássica no marketing, ainda são eficazes em um mundo digital ou se tornaram obsoletos? Jaime Troiano e Cecília Russo trouxeram essa discussão para o”Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, no Jornal da CBN. Oportunidade em que lembraram de alguns mascotes que entraram para a história das marcas.

Cecília Russo destaca a controvérsia do tema: “Há quem diga que em tempos digitais, em que a comunicação de marcas e consumidores se faz de forma direta, a presença de mascotes como intermediários desse diálogo se tornou dispensável.” Ela não concorda com essa tese. E argumenta que mascotes, quando bem criados e usados, proporcionam uma interação única, gerando “memória, afeto e relacionamento”.

Russo relembra personagens icônicos como o cachorrinho da Cofap e o Ronald McDonald, que conseguiram criar uma conexão emocional duradoura com os consumidores. Há outros tantos que devem estar na memória do leitor: o Zé Gotinha, como ‘garoto-propaganda’ da vacina, o Lequetreque, o galinho da Sadia, os Mamíferos da Parmalat, e o Assolino, da marca Assolan, também são referências importantes.

Jaime Troiano reforça o ponto de vista, afirmando que a criação de mascotes pela própria marca oferece um controle maior sobre a imagem e a mensagem transmitida. Quando se prefere adotar um personagem que já existe e, por tanto, tem de passar pelo processo de licenciamento, tem-se a vantagem dele ser conhecido pelo público, porém reduz-se a autonomia da marca sobre o mascote. 

Um bom exemplo da flexibilidade que a marca tem sobre o próprio mascote é a mudança feita pelas Casas Bahia. Inicialmente, a rede de lojas  mantinha um personagens com características nordestinas. Depois de a figura já estar consagrada, decidiu redesenhá-la com linhas mais próximas de um adolescente moderno, chamado CB, refletindo a necessidade de atualização e alinhamento com os tempos atuais.

A marca do Sua Marca

O comentário destaca que, bem utilizados, os mascotes podem reforçar o posicionamento de uma marca e criar um vínculo duradouro com os consumidores. O importante é estar alinhado com o posicionamento da marca e ter coerência em sua utilização. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Humanidade e medicina: uma jornada literária em ‘Homem Médico’ de Fernando Nobre

A literatura e a medicina sempre renderam excelentes leituras. Desde Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “O Alienista”, até Joaquim Manuel de Macedo, médico não-praticante que escreveu “A Moreninha”, onde um dos protagonistas é estudante de medicina e a personagem principal sofre de uma doença rara.

A relação entre esses dois temas vai muito além. Em tempos mais modernos, fui marcado pela escrita de Drauzio Varella em “Estação Carandiru”. A história não-ficcional é intensa e a escrita é primordial. Um texto enxuto e rico, que sempre considerei jornalismo literário, mesmo com a medicina sendo a especialidade do autor.

Há alguns anos, aproveitei as férias para ler “Quando Nietzsche Chorou”, de Irvin D. Yalom, autor de “Mentiras no Divã”. Yalom, psiquiatra, esteve comigo nesta viagem, também, mas nas mãos da minha mulher. Foi ela  que já havia me apresentado “O Homem que Confundiu Sua Mulher com um Chapéu”, do neurologista e químico Oliver Sacks.

Essas leituras sempre me intrigaram pela qualidade dos textos e pela impressionante pesquisa dos autores, especialmente aqueles que se aventuraram pelo romance. Costurar vivências com histórias ficcionais e elaborar um enredo onde sintomas, diagnósticos, doenças e curas surgem em meio à construção de personagens exige um talento extraordinário.

Diante disso, coragem foi a primeira virtude que vi no trabalho do Dr. Fernando Nobre, que lançou recentemente “Homem Médico” (Editora Novo Século). O livro não é autobiográfico, mas certamente encontraremos passagens inspiradas em suas experiências. Só ele pode revelar o que viveu, soube ou criou no cotidiano de Reinaldo, o protagonista, um médico dedicado à profissão desde a juventude, que enfrenta situações de poder e privilégio capazes de influenciar as atitudes humanas. Reinaldo encara dilemas, mesmo com sentimentos puros como o amor, lembrando-se sempre da lição da aula inaugural da medicina:

— “Não poderão orientar os bons hábitos sem que os tenham. Dizerem sobre os males dos vícios se os praticarem. Serem indulgentes se não o forem. Pregarem a resiliência se não forem tolerantes e aceitarem os males que a vida lhe imporá”, disse o orador.

Quem conhece Dr. Fernando sabe de suas reflexões sobre a medicina e seus profissionais; já ouviram dele a necessidade de ver o paciente além do diagnóstico; e compartilham sua crítica àqueles que não enxergam a pessoa além da doença. Seus pacientes também sabem disso, na prática. Ainda assim não temos indícios suficientes que revelem onde está o Fernando, o criador, na figura de Reinaldo, a criatura.

Além de coragem, o romance de Fernando Nobre revela outras virtudes como prudência, ao refletir sobre as decisões éticas e morais dos médicos; justiça, ao promover a ideia de uma medicina igualitária e inclusiva; e empatia, ao humanizar a prática médica e incentivar uma conexão genuína com os pacientes. 

A relação de Fernando Nobre com os livros rendeu-lhe o Prêmio Jabuti, na categoria Ciências de Saúde, em 2006, com “Tratado de Cardiologia”, em que o conhecimento técnico da profissão era o foco. Já “Homem Médico” é mais um exemplo de como a interseção entre literatura e medicina pode render um livro de qualidade e virtudes.

Avalanche Tricolor: de volta!

Grêmio 2×0 Vitória

Brasileiro – Centenário, Caxias do Sul/RS

Matías Arezo está chegando e fez diferença. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Estava de malas prontas e nos preparativos para o retorno ao Brasil quando o Grêmio entrara em campo para uma partida fundamental diante das suas pretensões de deixar aquela zona-que-você-sabe-qual-é, e voltar a disputar de verdade o Campeonato Brasileiro. 

Precisei contar com conexões nem sempre seguras de internet e sinais de vídeo claudicantes no meu caminho até o aeroporto de Curaçao de onde partiria para o Panamá, para acompanhar em “tempo real” o nosso desempenho. A demora na atualização das informações e das imagens colaboraram bastante com a ansiedade de quem estava a espera de um resultado positivo, assim como eu e toda a torcida gremista.

O Centenário lotado sinalizava que os torcedores haviam aceitado o desafio feito pelo time, especialmente após a entrevista coletiva da sexta-feira que colocou os dois maiores ídolos da atualidade, Geromel e Kannemann, ao lado de Renato, que é o maior deles, goste-se ou não de sua forma de falar, treinar e escalar a equipe. A impressão que fiquei, desde que a bola começou a rolar, é que a entrega dos jogadores também estava sintonizada com o apoio das arquibancadas. Digo impressão porque seria injusta uma análise mais aprofundada com base no que lia nos sites que atualizam as informações do jogo e os rompantes de imagens que recebia no meu celular.

(em tempo: avise às marcas que patrocinam as transmissões que é irritante ter de esperá-las se apresentar até podermos pular o anúncio toda vez que precisamos reconectar)

Dava para perceber o esforço em fazer a bola chegar ao ataque e de reduzir ao máximo os riscos impostos pelo adversário com uma marcação forte. A falta de precisão nos chutes, porém, impedia que o domínio em campo se traduzisse em gols – este maldito gol que teima em não sair na quantidade necessária para nos dar um respiro no campeonato.

As estatísticas eram gritantes: dez chutes a gol contra apenas dois do adversário, muito mais escanteios, passes trocados e posse de bola a nosso favor. Mesmo assim terminamos o primeiro tempo no zero a zero e levamos para o vestiário o temor de que o roteiro das últimas partidas se repetiria.

Eu já despachara as malas, quando o segundo tempo havia se iniciado e o que mais buscávamos nessa partida começava a se construir. A visão de jogo de Edenílson deu início a jogada que terminaria nos pés de Soteldo, que driblou duas vezes seus marcadores para chutar de dentro da área. Pouco me importou o sinal da internet deixar a imagem travada ainda antes do chute do venezuelano. Ver o 1 a 0 no placar do APP de esportes era o suficiente aquela altura.

Enquanto apresentava o passaporte no setor de  imigração e submetia as malas ao escaner da fiscalização, minha única preocupação era que o Grêmio, lá em Caxias, não deixasse nenhuma bola passar pela nossa defesa. Pelo que ouvi dos críticos, Rodrigo Ely e Geromel — que entrou ainda no início da partida devido a lesão de Kannemann — deram conta do recado.

A caminho do embarque, minha torcida era só pelo apito final. O um a zero seria o suficiente nesta altura da viagem. Fosse meio a zero, comemoraria igual os necessários três pontos ganhos. Tudo que queria era a vitória de volta. O árbitro, então, resolveu esticar a partida por mais cinco minutos. E o sofrimento pelo tempo estendido foi compensado: o sinal de WI-FI de uma sala VIP me permitiu assistir à jogada que culminaria no pênalti.

Claro que a cobrança de Reinaldo, de pé esquerdo, forte e no alto, me fez vibrar. Mas o que mais me fez feliz no lance, foi ver a presença de Matías Arezo dentro da área. O jovem atacante, que chegou nestes dias e mal desfez as suas malas, recebeu a bola e girou com velocidade em direção ao gol, levando o zagueiro a derrubá-lo. 

Sem ilusões, quero crer que tenhamos encontrado um jogador que sabe o que significa ser um número 9. E o lance tenha sido a primeira escala de uma longa e ótima viagem do uruguaio com a camisa do Grêmio. 

Dito isso, deseje-me boa viagem, também, porque assim como a vitória, eu estou voltando!

Mundo Corporativo: Alana Leguth, da KondZilla, reforça o valor da autenticidade na comunicação

Alana Leguth em entrevista ao Mundo Corportivo Foto: Letícia Valente

“Se você não fizer o seu produto se destacar de alguma forma, ele vai ser só mais um lá na estante e a estante é bem grande.”

Alana Leguth, Kondzilla

No cenário do funk e nas comunidades das favelas brasileiras, o desafio de comunicar-se com diversos públicos é enorme, mas essencial. Alana Leguth, cofundadora da KondZilla, holding de entretenimento de renome mundial, partilhou sua experiência e estratégias no programa Mundo Corporativo, da CBN. A entrevista revela a trajetória de uma empresa que começou em um quarto no litoral paulista e se transformou em uma potência global de entretenimento.

A KondZilla, que conta com mais de 67 milhões de inscritos no YouTube, ilustra como identificar e abraçar oportunidades, mesmo sem conhecimento prévio, pode levar ao sucesso. “Conforme foram aparecendo as demandas, a gente foi aproveitando as oportunidades, mesmo que a gente não soubesse fazer. A gente aprendia a fazer”, explica Alana. Esse espírito empreendedor permitiu que a empresa se expandisse e se consolidasse no mercado.

Alana e seu marido, Konrad Dantas, criaram a KondZilla em 2011, quando ainda moravam no Guarujá, litoral paulista. Ela formou-se em farmácia, mas não seguiu carreira, pois decidiu apoiar Konrad desde o início do empreendimento.

A autenticidade na comunicação

A autenticidade é um elemento central na estratégia de comunicação da KondZilla. Alana destaca que a conexão verdadeira com o público é essencial: “Se você não souber se comunicar com esse público pode soar forçado, pode soar de forma pejorativa.” A KondZilla se estabeleceu como uma autoridade no meio por entender e respeitar a cultura da favela, comunicando-se de maneira natural e autêntica.

A força dessa comunicação se manifesta em diversas áreas. No mundo da moda, por exemplo, as tendências muitas vezes nascem nas favelas. Segundo Alana, um caso típico desse fenômeno são os chinelos Kenner, populares entre os jovens de favela do Rio de Janeiro e que influenciam a moda mainstream. Essa conexão com o público jovem de classes C e D mostra o potencial econômico que muitas vezes é subestimado.

Dar voz às mulheres do funk

Alana também é a criadora do selo HERvolution, um projeto dedicado a fortalecer a voz feminina na indústria musical. A iniciativa surgiu de uma percepção de desigualdade: “A mesma atenção que era dada aos artistas homens não era dada às artistas mulheres.” O HERvolution oferece oportunidades para artistas mulheres gravarem e distribuírem suas músicas, sem necessidade de contrato de agenciamento.

A trajetória da KondZilla e de Alana Leguth é uma inspiração de como a inovação, autenticidade e capacidade de aproveitar oportunidades podem transformar desafios em grandes sucessos. A experiência dela e de sua equipe oferece valiosas lições para empresas e indivíduos que desejam se destacar no mercado e se comunicar eficazmente com diversos públicos.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: meus joelhos têm as marcas da Vila Sabrina

Denise Moraes

Ouvinte CBN

Vista aérea da Vila Sabrina Foto: divulgação

Olhei-me no espelho do elevador e reparei nos meus joelhos: não tão bonitos quanto minha mãe queria. Lembrei dela falando desde bem pequena — uns seis anos?: “Menina, não seja tão moleque! Cuidado com os joelhos, depois ficam todo marcados…”  

Não adiantou nada, eu sei.  Os tenho cheios de marcas. Algumas adquiri depois de adulta mesmo, em minhas trilhas e passeios, em pedras e galhos. E quer saber? Me orgulho delas. Quanto as marcas de infância, amo mais ainda, porque são dos bons tempos em que eu sumia na rua em que morava, sempre descobrindo os lugares mais incríveis para brincar. 

Por um tempo, era no campinho, perto do largo da Vila Sabrina, onde havia um enorme terreno vazio, sem casas, sem nada. Mas um trator ficara remanejando a terra por muitos meses, uma bendita terra preta que minha mãe odiava, porque grudava de um jeito na roupa!! E eu, no meio dos meninos, acho que eu era a única menina, subia nas montanhas de terra que afundava um pouco quando a gente pisava. Lá de cima rolávamos e gargalhávamos. 

Em outro tempo, passávamos horas brincando dentro de um depósito de materiais de construção, subíamos nas prateleiras que armazenavam madeira e de lá pulávamos sobre os montes de areia. Minha mãe tinha a melhor das intenções, pois ela temia pelos machucados. Mas que tempo bom!

Vila Sabrina era uma vila distante de tudo, lá para os lados da Vila Maria, terra do Jânio Quadros. Cheguei a ver meus primos nadarem no rio Cabuçú, sob a vigilância do meu pai. Ele me carregava nos ombros. Eu com uns três ou quatro anos. Não me deixava colocar o pé no chão que estava encoberto de água, devido ao transbordamento desse riozinho, depois de uma forte e longa chuva de verão. 

As chuvas de verão eram muito bem-vindas. As enchentes não atingiam casas nem causavam os estragos de hoje em dia. Havia muito terreno permeável, muito mato, as pessoas, sabiamente, não construíam próximo de rios. Hoje, esse riozinho, na melhor das hipóteses, deve ter sido canalizado, pois a última vez que vi, era um esgoto a céu aberto.

Uma pena que nossos governantes provavelmente não acreditavam e não acreditam em Deus, pois a natureza, manifestação divina, jamais poderia ter sido desprezada e morta pelas mãos do homem. Quem sabe um dia, se ainda der tempo, nós, paulistanos, sobreviventes dos desmandos políticos, saibamos decidir por uma cidade melhor.

Denise Esperança deveria ser meu nome.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Denise Moraes, por que não, Denise Esperança é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: ninguém apaga a história de Roger Machado no Grêmio

São Paulo 1×0 Grêmio

Brasileiro – Morumbis, São Paulo/SP

Roger Machado em foto de arquivo de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Décima derrota em 15 partidas disputadas no Brasileiro. A quarta partida seguida sem vitória. Vitória? Somamos apenas três até este momento na competição. Gols? Foram somente dez, o que nos coloca como o pior ataque do campeonato. E contrariando a máxima de que “quem não faz leva”, para cada gol que marcamos, levamos dois.

Tenho sempre a crença de que algo acontecerá para nos tirar dessa situação. Deposito minhas esperanças ainda na chegada de reforços e na recuperação de lesionados, em especial Diego Costa. Agora, diante de uma campanha como esta, me surpreende que a principal preocupação do torcedor gremista, nesta semana, foi o fato de um profissional de futebol aceitar um convite para trabalhar em um clube que lhe oferece a oportunidade de crescer na carreira e ser muito bem remunerado para exercer sua função.

Sim, eu sei que Roger Machado treinar o Internacional sensibiliza o coração de todos nós que o admiramos pelo futebol jogado no Grêmio em seu passado.  Temos a ilusão de que aqueles que vestiram a camisa tricolor e foram elevados a posição de ídolo devem reverência ao clube para o restante de suas vidas. Queremos acreditar que são como nós, torcedores e apaixonados, incapazes de cometermos o sacrilégio de vestirmos outro manto que não seja o do Imortal. E se o fizerem, que nunca, jamais e em nenhuma circunstância seja o do colorado.

Roger tem o direito de treinar o clube que bem entender. É profissional do futebol. Deve escolher a trajetória que lhe convier. É inteligente, tem personalidade amadurecida e um equilíbrio emocional que poucas pessoas alcançam. Certamente, precisou de muita coragem para tomar a decisão de se transferir para o Internacional. Calculou o risco que corria e a pressão que sofreria. Chego a imaginar com quem se consultou antes de aceitar o convite. Fez uma escolha bem pensada, porque foi assim que sempre se comportou ao construir sua carreira, especialmente desde que migrou de jogador para treinador. 

O conheci pessoalmente em 2015, em virtude de entrevista que participei a convite da ESPN. Vinha de uma sequência inédita de vitórias no Campeonato Brasileiro, edição em que o Grêmio terminou na terceira posição e com vaga na Libertadores, apresentando um futebol bonito de se ver. Ano em que venceu o Gre-Nal do Dia dos Pais com um histórico 5 a 0. 

A conversa que havia iniciado, antes da entrevista, diante de um ídolo do futebol, encerrou-se bem depois do programa de TV, frente a um ser humano admirável, que me inspira e respeito profundamente. Um cara que defende causas fundamentais para a humanidade, preza valores como integridade, justiça e solidariedade, e utiliza sua influência para promover o bem-estar social e a igualdade. Suas ações fora dos campos revelam um compromisso genuíno com a construção de um mundo melhor, fazendo dele um exemplo de cidadania e liderança.

Na época, revelou, ainda, uma visão estratégica para a vida. Assumir um clube de expressão como o Grêmio havia sido uma das etapas estabelecidas para seguir  na carreira. Desejava conquistar um título de expressão e concluir sua missão como treinador aos 55 anos. Está com 49. Cheguei a perguntar a ele se aceitaria treinar o Internacional. Respondeu-me que tinha uma relação histórica com o Grêmio e acrescentou: “me preparei para treinar grandes times”.

As glórias que teve pelo Grêmio e com o Grêmio ficarão registradas para todo e sempre no nosso coração (no meu com certeza). Fez parte de um dos maiores times que já formamos. Foi campeão Gaúcho, da Copa do Brasil, do Brasileiro e da Libertadores. Sempre que esteve com a camisa do clube, seja como jogador seja como técnico, honrou aquilo que gostamos de nominar como imortalidade. Nunca deu as costas aos compromissos que lhe eram propostos. Mereceu e seguirá merecendo cada homenagem que recebeu desde então: dos pés na calçada da fama ao título de atleta laureado. Qualquer movimento que busque apagar a história e importância de Roger Machado é apequenar o clube, não bastasse ser inútil. O que ele fez com a nossa camisa está nos registros e foi gigante. 

Melhor faremos se nos voltarmos para os problemas que levam o Grêmio a atual situação de dificuldade no Campeonato Brasileiro. Isso, sim, é preocupante e pode ser desastroso para a nossa história — esta que Roger ajudou a construir.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as marcas mais recomendadas do Brasil

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A capacidade de uma marca conquistar recomendações é crucial para seu sucesso. Recentemente, uma auditoria identificou quais marcas se destacam nesse critério no Brasil. O trabalho tem como base uma métrica que pode ser aplicada pelos gestores, independentemente da dimensão da sua marca, como explicaram Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

A Opinion Box, especializada em pesquisas de mercado online, realizou o estudo auditando, ao longo de um ano, o NPS de marcas em 50 segmentos diferentes, como varejo, vestuário, automóveis, tecnologia e alimentação. NPS é a sigla para Net Promoter Score, uma medida de recomendação amplamente utilizada, segundo Cecília Russo.

Como medir o NPS da sua marca

“O NPS é uma medida puramente de recomendação de uma marca ou serviço,” destaca Jaime Troiano. O resultado é alcançado a partir de uma pergunta que os consumidores brasileiros estão acostumados a responder e, talvez, não tenham ideia de como pode ser importante para as estratégias de desenvolvimento das marcas: “De 0 a 10, o quanto você recomendaria esse produto ou serviço para um amigo?”.

As respostas são classificadas conforme a nota dada pelo consumidor. Os que avaliam como sendo de 0 a 6 são identificados como detratores da marca; os que dão notas 7 e 8 são os neutros; e os que dão 9 e 10 são os promotores da marca. O índice NPS é calculado subtraindo-se o percentual de detratores do percentual de promotores, resultando em um valor que pode variar de -100 a 100.

“Isso é muito relevante porque o NPS acaba sendo uma medida que gera o grau de satisfação, e satisfação gera, também, a fidelização desse cliente,” justifica Cecília.

As marcas mais recomendadas

A classificação feita pela Opinion Box, publicada com exclusividade pelo Meio e Mensagem, revelou que a marca mais recomendada do Brasil é a Lindt. O NPS da fabricante suíça de chocolate é de 89. Em seguida, aparecem Apple, The North Face e Honda, cada uma com um NPS de 84.

“Marcas que possuem um NPS alto são as que conseguem produzir encantamento no cliente,” ressalta Jaime. Ele observa que apenas marcas que oferecem uma experiência excepcional são recomendadas por consumidores satisfeitos.

A marca do Sua Marca

O NPS reflete a qualidade e a estratégia de uma marca. Empresas com altos NPS demonstram um cuidado especial com o consumidor, oferecendo produtos e experiências que deixam uma impressão duradoura e positiva. Como exemplificam Cecília e Jaime, essas marcas trabalham continuamente para que cada ponto de contato com o cliente seja positivo, gerando um “gostinho de quero mais” e incentivando a recomendação.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, e a sonorização é de Paschoal Júnior.