Campanha celebra a conexão humana e a inovação no Dia Mundial da Voz

Hoje é o Dia Mundial da Voz (16/04), data que surgiu por iniciativa de profissionais brasileiros. Na 19ª edição da Campanha Amigos da Voz, a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia apresenta o tema “Minha voz, nossa voz: a força da conexão”. A ideia é conscientizar sobre a importância da voz nas relações humanas e alertar para os cuidados necessários diante de sinais de doenças que possam afetá-la.

Fatores como doenças neurológicas, refluxo gastroesofágico e o câncer de laringe são destacados como influenciadores da qualidade vocal. A estimativa de novos casos de câncer de laringe em homens adultos, por exemplo, foi de 6570 em 2023, segundo o INCA.

“Rouquidão, falhas na voz e cansaço para falar por mais de 15 dias, sem motivo aparente como infecções de garganta ou uma demanda atípica e temporária de esforço, não são esperados e precisam ser investigados”


dr.a Ana Carolina Constantini, coordenadora do Departamento de Voz da SBFa,

A campanha engaja na distribuição de materiais educativos e na realização de palestras abordando a saúde vocal, além de uma forte presença nas redes sociais para a promoção de conteúdos informativos. A cantora Ana Carolina, embaixadora da campanha, contribui significativamente para a divulgação das mensagens principais através de sua participação em um vídeo.

IA: benefícios e risco a voz

O aspecto inovador da campanha é evidenciado pelo destaque dado a novas tecnologias, como um dispositivo adesivo desenvolvido na UCLA que, através da detecção dos movimentos musculares do pescoço e aplicação de inteligência artificial, pode gerar voz. Este avanço representa uma esperança para pessoas que enfrentam dificuldades na fala devido a condições médicas diversas.

Por outro lado, a campanha também se volta para questões contemporâneas relacionadas à voz, como o desafio imposto pelo uso de inteligência artificial na geração de voz, trazendo à tona discussões sobre direitos autorais e a necessidade de proteção em contextos profissionais.

A iniciativa da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia enfatiza a importância de um diagnóstico e tratamento adequado para distúrbios da voz, visando a manutenção da qualidade de vida e da capacidade de comunicação dos indivíduos. Através de suas ações, a campanha promove uma maior conscientização e educação sobre a saúde vocal, contribuindo para o bem-estar da população.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: 10 frases para comemorar 10 anos de programa

Bastidor do “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” em foto de Priscila Gubiotti

“Praticar branding é trabalhar um plano de ações contínuas. Sem isso a gente não tem marca forte” 

Cecília Russo

No mundo do branding, a constante evolução e a capacidade de refletir a verdadeira essência de uma empresa são elementos-chave para o sucesso. Diante da transformação digital e da mudança nos padrões de consumo, compreender o verdadeiro significado e o impacto da gestão de marcas nunca foi tão crucial. Este é o tema central do comentário no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN, que celebra seus 10 anos de contribuição ao mundo do marketing e do branding. Jaime Troiano e Cecília Russo aproveitaram a data para lembrar dez frases que foram apresentadas ao longo dessa década de programa e têm muito ensinamento a oferecer. 

Cecília começou a lista com “branding é verbo” para lembrar a natureza dinâmica da gestão de marcas.  Jaime resgatou uma frase que podemos considerar um clássico nas nossas conversar: “marca não é um tapume”, enfatizando a transparência e a verdade como pilares fundamentais.

A interação com o consumidor também foi tema de discussão, com o destaque para uma das muitas lições que aprendemos ao longo deste tempo: “o consumidor não faz o que pensa, mas faz o que sente”. Esta percepção aprofunda a compreensão das motivações reais por trás das escolhas dos consumidores, indo além das justificativas superficiais.

Entre as dez frases emblemáticas destacadas, algumas refletem diretamente os desafios e as oportunidades no campo do branding. Por exemplo, a analogia “noiva não se escolhe no altar” ilustra a importância de construir relacionamentos duradouros e significativos com os consumidores muito antes do ponto de venda.

As 10 frases do branding

  1. Branding é verbo
  2. Marca não é tapume
  3. O consumidor diz o que pensa mas faz o que sente
  4. Marca é aquilo que falamos de você quando você sai da sala
  5. Não jogue fora o bebê junto com a água do banho
  6. Noiva não se escolhe no altar
  7. The fruits are in the roots
  8. Pedra que rola não cria limo
  9. Não há uma segunda chance de se causar uma boa impressão
  10. Marca sem propósito é marca sem alma

Para entender o significado de cada uma dessas frases, ouça o áudio disponível logo abaixo

A marca do Sua Marca

Ao celebrar 10 anos de existência, o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” se consolida como um farol de inovação, estratégia e originalidade no mundo do branding. Este marco não apenas comemora uma trajetória de sucessos e aprendizados mas também reafirma o compromisso do programa em iluminar o caminho para marcas que buscam fazer a diferença no mercado. 

“Nosso propósito, nossa razão de ser que é poder disseminar essa cultura de branding como uma ferramenta fundamental para desenvolver negócios gerar emprego nas empresas deixar as pessoas mais felizes” 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo, duas vozes que têm orientado, com maestria, a jornada de inúmeras marcas rumo ao sucesso. Através de suas análises profundas e abordagens inovadoras, eles continuam a inspirar gestores e empreendedores a explorar o verdadeiro potencial de suas marcas. A sonorização é do Paschoal Júnior:

Avalanche Tricolor: vergonha!

Vasco 2×1 Grêmio

Brasileiro – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)  

Pênalti! Não para o árbitro. Foto: reprodução da TV Globo

“É uma vergonha. é muito ruim. Tivemos uma palestra com a arbitragem falando da regra e na primeira rodada acontece isso. Uma vergonha”

Mathías Villasanti

Com a braçadeira amarela de capitão no braço esquerdo, ao lado do campo, minutos depois de encerrado o primeiro tempo, Mathías Villasanti, em seu portunhol, recorreu a palavra que estava presa na garganta do torcedor gremista.

Vergonha!

Era esse o sentimento em relação a atuação do time até aquele momento. Totalmente dominado. Havia espaço no meio de campo. Marcação frouxa na frente da área. E perdendo sempre o rebote, por onde saíram mais dois gols de nossos adversários. O mesmo havia ocorrido no meio da semana, na Libertadores.

A renúncia ao jogo também era evidente no setor ofensivo. Somente trocamos passes depois do duplo revés que havíamos tido. Mesmo assim, não havia intensidade na troca de bola e, com isso, pouco chegávamos na área ao menos para ameaçar o gol adversário. Os dribles eram lentos facilitando a marcação. As bolas lançadas em direção a área geralmente não tinha destino certo.

Vergonha!

A despeito de tudo isso que incomoda o torcedor, afinal fomos acostumados a assistir a um time competitivo, e sabemos que estes jogadores que aí estão têm total capacidade de nos oferecer esse futebol que demandamos, haveria uma vergonha ainda maior sendo forjada em campo. 

Aos 42 minutos do primeiro tempo, dentro da área, Diego Costa tentou dominar e deixou a bola escapar em direção ao gol. Seu marcador travou a bola entre o braço direito e o corpo, antes de despachá-la para frente. O árbitro Flávio Rodriguez de Souza estava de frente para o lance e não assinalou o pênalti. O VAR lhe deu a oportunidade de corrigir o erro. Mesmo assistindo à jogada com detalhe na tela, persistiu. 

Diante do novo procedimento em que o árbitro é obrigado a explicar sua decisão nos lances em que é chamado pelo VAR, a emenda ficou pior que o soneto. Disse em voz alta que foi acidental, portanto não houve a intencionalidade do jogador em impedir a trajetória da bola Meu Deus! A maior parte dos pênaltis assinalados no futebol não é cometida porque o marcador tem a intenção: é imprudência, incompetência, desleixo, falta de jeito, é acidental! A intenção do jogador não estava em julgamento. Estava, sim, o movimento que fez dentro da área. 

Vergonha!

O prejuízo ao não assinalar o pênalti claro foi ainda maior porque percebemos que o Grêmio encontraria poder de reação no segundo tempo, mesmo voltando a campo sem seu principal artilheiro, Diego Costa. Sob o comando de Villasanti, acuou o adversário. Variou as jogadas. Driblou e trocou passes com mais velocidade e precisão. A entrada de Gustavo Nunes e Nathan Fernandes tornou o time mais perigoso no ataque. E, aos 22 do segundo tempo, chegou ao gol depois de um escanteio curto, com participação de Cristaldo e Cuiabano, que encontrou Gustavo Martins dentro da pequena área.

A derrota gremista não se traduz no erro crasso do árbitro. Erramos muito na partida de estreia do Campeonato Brasileiro. Será preciso consertar as falhas que tendemos a repetir jogo após jogo e refinar nosso potencial ofensivo para recuperar os pontos perdidos. A melhor notícia: os dois próximos jogos serão na Arena do Grêmio.

Em tempo: “ahim, mas você não falou do pênalti para o Vasco!”. Não falei mesmo, até porque aqui falo do Grêmio. Foi lance no segundo tempo que só reforça: uma vergonha!.

Mundo Corporativo: a visão de Valter Patriani sobre inovação e cliente

Valter Patriani entrevistado no estúdio da CBN em foto de Priscila Gubiotti

“Então, você veja que a perspectiva do cliente é toda diferente, você precisa ter muita humildade para ouvi-lo, você aprende e transforma esse aprendizado em um bem maior.” 

Valter Patriani, empresário

Em um universo corporativo que exige constante inovação e adaptabilidade, a trajetória de Valter Patriani se destaca por uma visão diferenciada sobre a importância do cliente e da equipe no sucesso empresarial. Fundador da Construtora Patriani, Valter compartilhou, no programa Mundo Corporativo da CBN, ideias valiosas sobre como criar uma empresa vencedora. Este é um relato que vai além da construção de imóveis, adentrando o terreno da construção de relações sólidas com clientes e colaboradores.

O cliente no centro de tudo

Valter Patriani não é um nome estranho ao sucesso. Após uma carreira notável na CVC, uma das maiores operadoras de turismo do país, ele se aventurou no ramo da construção civil com um olhar inovador:

“E a gente vai tentando pegar o nosso cliente e entendendo quais são os momentos da vida dele para fazer imóveis para os diferentes momentos da sua vida, mas precisa ter muita atenção ao cliente, precisa entender de gente,” 

Essa percepção acerca da importância de colocar o cliente no centro das decisões empresariais é um dos pilares de sua estratégia. Fez assim no turismo, quando percebeu que apenas os mais ricos conseguiam viajar de férias, e buscou soluções para permitir que a família dos trabalhadores também aproveitassem os principais destinos do Brasil. Fez na construção civil, ao planejar apartamentos que oferecem funcionalidades e benefícios demandados pelos moradores.

Patriani destaca que ouvir o cliente não é apenas uma parte do processo, mas a essência para a inovação e adaptação. As necessidades e desejos do cliente direcionam desde a concepção dos projetos até as práticas de sustentabilidade e tecnologia empregadas na construção. Placas solares para economia de energia, janelas automatizadas para maior conforto e infraestrutura preparada para carros elétricos são apenas algumas das inovações mencionadas por Patriani, sempre com o foco na experiência do cliente.

Pensa nos detalhes: na janela diante da pia onde se lava pratos ou no nicho para produtos de banho ao lado do chuveiro; se todos os prédios já oferecem gerador de energia nas áreas comuns, o empresário amplia o atendimento a pontos essenciais dentro do apartamento, como a tomada para o celular não descarregar e a que mantém a geladeira funcionando.

Liderança e colaboração: pilares para o sucesso

A visão de Patriani sobre a importância do trabalho em equipe é igualmente reveladora. 

“Tudo nasce dentro da companhia, dentro do time. O que os funcionários de obra estão executando hoje foi pensado a um ano e meio, dois anos antes. E quem é que pensa? O time. Nenhum de nós é melhor do que todos nós juntos”.

Essa filosofia ressalta o valor da colaboração interna e da liderança participativa. Patriani sublinha a importância de conhecer e conversar com os clientes e colaboradores, uma prática que permite uma troca constante de aprendizados e experiências.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: vamos vestir a cidade de flores

Amaryllis Schloenbach

Ouvinte da CBN

Imagem da poetisa Colombina, a Cigarra do Planalto

O meu amor por esta encantada cidade brotou desde a mais tenra infância. Era bem pequena e ouvia meus pais enaltecerem louvores aos inúmeros atributos de São Paulo. Tenho gravado na memória a ideia de que meu pai nadava em um límpido Rio Tietê e minha mãe transportava para a tela as paisagens bucólicas que se estendiam pelo planalto.

Eu nasci no Bixiga, onde voltei a residir quando adulta, e onde moro no mesmo endereço, desde 1981. Aqui aguardo o momento de partir para o mundo das estrelas. 

Foi para essa decantada região histórica e turística que dediquei o meu poema “Postal do Bixiga”. Apesar dessa relação amorosa com o bairro e arredores, minha infância se desenvolveu, nos idos da década de 1940, em Pinheiros, lugar pelo qual tenho amáveis lembranças. 

Muitas vezes fui levada a respirar o delicioso ar do bosque de eucaliptos, a pescar com peneira os peixinhos do rio que leva seu nome. Naquela época, meninas e meninos felizes, coleguinhas do grupo escolar, brincávamos tranquilamente na rua, jogávamos bola, trocávamos figurinhas, e brigávamos, também, só pelo prazer de fazer as pazes. Ao anoitecer, as mães nos chamavam da janela das casas para o banho, imprescindível graças ao barro e aos arranhões que acumulávamos no decorrer das tardes.

Era hábito, aos domingos após o almoço, junto com os primos, sermos levados ao Parque Trianon, para a diversão de observar as árvores, os animais que lá eram mantidos bem cuidados e, acima de tudo, apreciar a incrível performance do bicho-preguiça.

Outro passeio que sempre lembro com saudades era ao Viaduto do Chá, nos fins de tardes, para acompanhar o chilrear de incontáveis pássaros, que se recolhiam nas frondosas copas das árvores, plantadas próximas as escadarias, nas imediações do Teatro Municipal.

Saudosa, também, das visitas que fazia a minha tia-avó, a consagrada poetisa Colombina, a Cigarra do Planalto, que então morava em um apartamento no Largo do Arouche, onde no espaçoso terraço escreveu vários livros, deixando versos imortalizados como os de “As Árvores da Praça da República”.

Aproveito a conclusão desse relato e faço apelo aos meus conterrâneos. 

Antes devo contar para aqueles que não conhecem o passado de nossa cidade que, no fim da década de 1950, o jornal “A Gazeta”, que gozou de grande prestígio até sua extinção, promoveu campanha com uma série de 50 reportagens sob o título “Vamos Vestir São Paulo de Flores”. A promoção foi levada a cabo pela redatora Maria Thereza Cavalheiro.

A jornalista, também poeta e ecologista de primeira hora, escreveu livros de poesia, contos e trovas. Antes de seu passamento, que ocorreu na primavera de 2018, escreveu o livro “Consciência Ecológica na Educação”, que ainda não chegou a ser editado. 

A escritora, minha saudosa prima e querida mestra, está por merecer a homenagem póstuma que espero lhe seja prestada pelos amantes do verde. Quanto a nós que aqui estamos, peço que cada um se encarregue do modo que lhe for possível, por amor à vida e à natureza, tornar realidade, o lindo sonho de “Vestir São Paulo de Flores”!

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Amaryllis Schloenbach é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: acredite se quiser!

Grêmio 0x2 Huachipato

Libertadores — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

O primeiro lance em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A primeira bola do jogo explodindo no poste e, no rebote, estufando a rede pelo lado de fora dava a entender que seria uma noite vitoriosa. De um time disposto a amassar o adversário, impor sua superioridade e prevalecer o fator local. Ledo engano.

Fomos ludibriados por aquele momento. Pois mesmo que outras bolas encontrassem o travessão e a que chegasse às redes tivesse sido anulada pelo árbitro, o que assistimos foi um desempenho abaixo da crítica em que sequer a sorte foi capaz de jogar ao nosso lado.

Os supersticiosos lembrarão do fato de o time chileno ter sido o primeiro estrangeiro a nos vencer na Arena, em 2013. Como se isso se tornasse uma verdade para o resto de nossos dias.  E contra a  qual não haveria o que fazer. Apenas aceitar.

Não aceitamos! Nem jamais aceitaremos! E por intolerantes que somos ao que o destino tenta nos impor é que precisamos estar prontos para reagir diante do improvável. 

Nosso próximo compromisso se transformará em mais uma Batalha de La Plata. Vencer será obrigatório. E com a vitória, iniciaremos uma virada histórica nessa Libertadores. 

É no que acredito! É no que me resta acreditar!

IA: soluções para as cidades, muito além dos cones

Ao acionar o Waze para circular na cidade em que mora, você já deve ter percebido a existência de ícones no formato de cones, que alertam para a existência de buracos no meio do caminho. Há muito mais desses cones de sinalização entre ruas e avenidas do que sua vã percepção é capaz de enxergar na tela do celular. Os “laranjinhas” tem sido a solução para cruzamentos em que os semáforos estão queimados, crateras que crescem em velocidade superior a capacidade de conserto das prefeituras e desvios de obras inacabadas.

O caro e cada vez mais raro leitor deste blog, sabe do meu fascínio pela proliferação de cones nas cidades. São tantos que a impressão é de serem a única solução conhecida pelos gestores municipais. Ironia a parte, a inteligência artificial que, no caso do Waze, colabora no deslocamento dos motoristas, tem transformado o cenário urbano com inovações que simplificam a vida dos cidadãos e otimizam a administração das cidades.

Nesta semana, Aracaju (SE) sediará o evento Smart Gov NE 2024, reunindo representantes de 60 cidades brasileiras para debater o uso da IA na melhoria dos serviços públicos. Esta iniciativa, promovida pela Associação Nacional das Cidades Inteligentes Tecnológicas e Inovadoras (ANCITI), destaca a crescente compreensão de que a inovação tecnológica é fundamental para aumentar a eficiência da gestão pública e a qualidade dos serviços oferecidos à população.

Johann Dantas, presidente da ANCITI e CEO da Prodam SP, aponta que, apesar de o Brasil contar com algumas das cidades mais inteligentes do mundo, como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Recife, a implementação de sistemas de IA ainda é incipiente na maioria dos municípios. Uma pesquisa da ANCITI revela que apenas 21,9% dos municípios brasileiros têm orçamento previsto para a implementação e desenvolvimento de sistemas de IA, dos quais somente 42,9% estão efetivamente destinando esses recursos para a tecnologia.

Os desafios são muitos, incluindo a falta de legislação específica, a escassez de pessoal especializado e a necessidade de conformidade com legislações como a LGPD. Ainda assim, os resultados positivos do uso da IA começam a surgir. Projetos como o diagnóstico de câncer de pele por análise de imagens, em desenvolvimento em Porto Alegre, e o planejamento de linhas de ônibus por IA em São Paulo, mostram o potencial dessa tecnologia para melhorar a eficiência dos serviços públicos e a qualidade de vida dos cidadãos.

Além disso, iniciativas como a assistente virtual Marisol, de Fortaleza, que auxilia na busca por serviços públicos, e as soluções de IA usadas pela prefeitura de São Paulo para identificar, validar, classificar e preencher documentos, exemplificam como a tecnologia pode agilizar processos e tornar a gestão pública mais eficiente.

Inovações internacionais em gestão urbana com IA

No exterior, há experiências ainda mais incríveis. Em Boston e Sacramento, por exemplo, a Verizon empregou tecnologia NVIDIA Jetson TX1 para analisar fluxos de tráfego, segurança de pedestres e otimização de estacionamentos, integrando a IA nas luzes de rua existentes. Isso ilustra como a infraestrutura urbana convencional pode ser transformada em uma plataforma inteligente, gerando eficiência e novos serviços para a população​.

Helsinki destaca-se por seu compromisso com a construção de uma cidade inteligente, respondendo ao aumento previsto da população através do suporte a startups e à inovação em transporte público, gestão de resíduos e consumo de energia. A cidade visa reduzir o uso de carros particulares e promover uma rede de transporte público integrada e eficiente, acessível através de um aplicativo que planeja viagens combinando diferentes modos de transporte​.

Singapura, por sua vez, está avançando para se tornar uma cidade-estado totalmente monitorada, com a instalação massiva de sensores e câmeras para controlar aspectos variados da vida urbana, desde a limpeza de espaços públicos até o monitoramento do fluxo de veículos.

Colaboração de cidades viabiliza investimento em IA

No Brasil, ainda há enormes desafios para a construção de cidades inteligentes. Um dos questionamentos levantados por Dantas é sobre o retorno financeiro do investimento público em tecnologia. Embora seja difícil mensurar em valores os benefícios proporcionados pela tecnologia, como a economia de tempo e o aumento da eficiência, é inegável que a adoção de soluções tecnológicas é um caminho sem volta para as cidades que desejam se tornar mais inteligentes e eficientes.

O compartilhamento de informações e o trabalho colaborativo entre as cidades é uma das soluções que podem viabilizar investimentos públicos. Por exemplo, a análise de crédito para empreendedores, criação de planos de negócio e confecção de currículos, que já são realidade no Recife graças ao uso de IA, logo serão adotadas, nos mesmos moldes, por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Londrina. A aposta do Smart Gov NE 2024 é que parcerias como essas se reproduzam durante o evento, que será nos dias 10 e 11 de abril.

O certo é que a trajetória rumo a cidades mais inteligentes e tecnologicamente avançadas já começou. As iniciativas e projetos em andamento no Brasil mostram que, apesar dos desafios, há um comprometimento crescente com a inovação tecnológica na gestão pública. Compartilhar experiências e soluções, como promovido pela ANCITI, é crucial para acelerar esse processo e garantir que as cidades brasileiras não apenas acompanhem mas liderem a transformação digital global. Quem sabe, em um futuro próximo, os cones deixarão de integrar o cenário urbano.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: os segredos de marcas centenárias, no Brasil

Uma das fábricas da Suzano que completou 100 anos Foto: divulgação

“Marcas não chegam aos 100 anos por acaso. Há muito compromisso e suor por trás da história”

Cecília Russo

Em um mercado no qual poucas alcançam, a Suzano celebra um século de atividade, em 2024. Esse feito é mais do que um número, é uma lição sobre sustentabilidade, qualidade e propósito. A história da indústria de papel e celulose, criada pelo imigrante ucraniano Leon Feffer, foi a referência usada por Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN, na busca de lições para explicar o que torna uma marca não apenas sobrevivente, mas vigorosa e relevante após 100 anos.

Cecília pondera sobre a possibilidade de outras empresas e ouvintes atingirem essa marca, ressaltando o orgulho que o país deve ter de abrigar marcas centenárias. Além da própria Suzano, lembrou a Tramontina, que de uma pequena ferraria fundada por Valentin e Elisa Tramontina, em 1911, no Rio Grande do Sul, deu origem a um grupo que hoje conta com nove fábricas no Brasil. 

“Eu acho que o que está por trás dessa longevidade da Suzano são os princípios da marca. É um compromisso autêntico com sustentabilidade que faz ela ser tão admirada”

Cecília Russo

A preocupação com a continuidade, característica de empresas familiares, é, para Cecília, um dos ingredientes para essa durabilidade. 

“As empresas familiares tendem a ter menos rupturas, menos quebras numa linha mestra da gestão, diferentemente de empresas com executivos que muitas vezes sentam por pouco tempo nas cadeiras e cada um direciona a empresa para um lado”.

Cecília Russo

Jaime identifica mais três aspectos para explicar a permanência dessas empresas por tanto tempo. A começar pela ideia de que “marca forte não resiste a produto medíocre”:

“Suzano e Tramontina, por exemplo, são muito comprometidas com entregas de qualidade. Tudo parte de uma qualificação de produto, sem isso as marcas são promessas vazias”. 

Jaime Troiano

Ele  também destaca a comunicação como vital para o sucesso de longo prazo, pois manter um diálogo constante com a sociedade é fundamental. Lembra não apenas a presença nas mídias como rádio, jornal e TV mas o fato de a marca entender que existem outros meios para criar conexão como os patrocínios esportivos — caso específico da Tramontina que mantém  o time de futsal da cidade gaúcha de Carlos Barbosa.

A terceira característica, citada por Jaime, é ser fiel a um propósito:

“Há uma razão de ser. E aqui a Suzano é mestre, faz um trabalho belíssimo trazendo a questão da sustentabilidade não como um discurso vazio, retórica apenas, mas como prática reconhecida mundialmente”. 

Jaime Troiano

A marca do ‘Sua Marca’

A lição que essas empresas centenárias ensinam é clara: atingir um século de existência exige mais do que sorte; exige dedicação constante e uma genuína conexão com os valores corporativos e sociais. As novas marcas podem olhar para Suzano e Tramontina e ver modelos de compromisso e adaptação, fundamentais para quem aspira a uma história tão rica e duradoura.

Ouça o “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”

O “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo e a sonorização é do Paschoal Júnior:

Avalanche Tricolor: uma carta ao guri do Hepta de 68

Grêmio 3×1 Juventude

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

João Severiano entrega o troféu do Hepta a Geromel Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Meu Guri,

Vivi emoções que poucos vivenciaram, neste sábado. Comemorar o Heptacampeonato gaúcho é coisa rara de se sentir. Tu ainda eras guri de calça curta lá em Porto Alegre, tinhas cinco anos, quando ganhamos nosso primeiro Hepta. Vivias na Saldanha, pertinho do Olímpico. Não existia a perimetral nem a praça do Papa. Tu sujarias teus sapatos ortopédicos de pó e lama para passar pelo beco entre nossa casa e o estádio.

Escrevo para ti porque quando o sábado amanheceu pensava comigo aqui em São Paulo se ainda havia lembranças na sua memória daquele 1968 em que o Grêmio empatara com o mesmo adversário de agora para conquistar o título inédito. Remoí o pensamento e vasculhei o coração sem encontrar nada por lá.

Curioso é que na volta ao tempo, consegui retroagir minhas lembranças sobre ti apenas até o ano seguinte ao Hepta. E a gente sabe o motivo. Não posso dizer que só nós dois sabemos porque, desculpe-me, já confidenciei aquela história para os caros e cada vez mais raros viventes desta Avalanche. Foi quando fomos forjados gremistas pela mão disciplinadora do pai, após uma brincadeira ingrata de um dos primos que usurpou da sua ingenuidade e o induziu a tremular a bandeirinha encarnada e cantarolar uma música que não tinhas ideia do que significava — e tu pensando que era só uma homenagem ao (nosso) papai que era maior.

Alguns anos antes de morrer, o pai até disse que se arrependia daquele gesto mais ríspido. Sabendo que é nas derrotas que aprendemos, eu o agradeci em teu nome. Foi lição para a vida! Se hoje me emociono com o título conquistado da forma como me emociono tem muito a ver com aquele passado, em 1969, um ano após o Hepta inédito. 

Dos anos anteriores, porém, o vazio é preenchido pelas muitas histórias que o pai contava e pelos jogadores que ele fazia questão de te apresentar nos anos seguintes, quando a presença no estádio passou a ser  frequente. Cruzavas pelo Áureo e o pai lembrava: “foi Hepta!”. Encontravas o Altemir: “o lateral do Hepta”. Alcindo? “Goleador do Hepta”. Joãozinho, que ele fazia questão de chamar com nome e sobrenome: “esse é o João Severiano, tu tinhas que ver o que jogava  essa rapaz do Hepta!”. 

Bah, guri! E não é que o João Severiano estava em campo neste sábado?!? Que homenagem linda que o Grêmio fez ao tê-lo na cerimônia de entrega do troféu deste segundo Hepta que conquistamos na história. Chorei emocionado porque tu me fizeste lembrar de todas aquelas referências que o pai fazia desses jogadores que vestiram nossa camisa. Para coisa ficar ainda mais sentimental, Joãozinho passou a taça às mãos de Geromel. 

E aí, me dá licença guri: a partir daqui as lembranças são todas minhas.

Por amadurecido que estou, assisti à trajetória do Hepta, desde o campeonato de 2018. E essa memória levarei para sempre comigo até o dia de partir. O privilégio de ver Geromel e Kannemann erguendo cada um dos oito troféus gaúchos é incrível. Como espero aquele beijo duplo que virou clássico de nossas conquistas. Por estarem em campo desde o primeiro título da série, são o símbolo maior desse Hepta. 

Injustiça não citar outros tantos que estiveram com a gente nesses tempos recentes de vitórias. E para não esquecer nenhum deles, os torno redivivos na imagem de Luan, dos maiores craques que vestiram nossa camisa. Sem contar que seremos únicos neste Brasil todo a lembrar que na caminhada do Hepta tivemos Luiz Suárez a fazer gols decisivos.

Do time atual, além da dupla Geromel e Kannemann, há Villasanti, volante incontestável e incansável na arte de desarmar e de armar nossos ataques. Tem Cristaldo, com um talento que passa despercebido por muitos e se expressa de forma contundente no instante decisivo da jogada; tem Gustavo Nunes e Pavón com dribles que desconsertam a marcação; e tem Diego Costa, nosso Alcindo dos tempos modernos. 

Tem tanta outra gente que mereceria ser lembrada nestes sete anos de hegemonia, mas quero mesmo é focar na lembrança que tenho de ti, meu guri. Para te agradecer pelo que fostes e passastes naqueles anos iniciais de nossas vidas. Graças a ti sou o que sou hoje. E te agradeço, oferecendo a memória eterna deste Hepta de 2024!

Com carinho e saudades,

Mílton Jung, o ex-guri

Mundo Corporativo: se você não se reinventa todo dia, você morre, diz Janyck Daudet, do Club Med

CEO do Club Med em entrevista ao Mundo Corporativo Foto de Priscila Gubiotti

“Hoje em dia, não é mais ‘management top down’. São eles embaixo que mandam. A gente ouve muito eles. Mas a exemplaridade é essencial neste tipo de trabalho”.

Janick Doudet, CEO Club Med na América do Sul

Freundlichkeit,, gentillesse ou kindness. Seja em qual for a língua, gentileza deve fazer parte do vocabulário dos funcionários que atuam nos 26 países em que existem unidades do Club Med. Os integrantes da equipe dos resorts, não por acaso, são chamados G.O — Gentis Organizadores. Para Janyck Daudet, CEO do Club Med para a América do Sul, entrevistado no Mundo Corporativo, da CBN, exercitar a gentileza é essencial para que se ofereça a melhor experiência possível aos clientes.

“(gentileza) é importante e faz parte dos valores do Club. Como todas as empresas, o Club Med tem vários valores: responsabilidade, pioneirismo, etc, etc, etc e gentileza. Porque no final, nosso cliente quer passar férias inesquecíveis”. 

No Brasil, Janyck está à frente das operações de três resorts: em Rio das Pedras (RJ), Trancoso (BA) e Mogi das Cruzes (SP). No ano que vem, será entregue uma quarta unidade, em Gramado, na serra do Rio Grande do Sul. A convivência harmônica e produtiva entre colaboradores de cerca de 25 nacionalidades diferentes é um dos desafios do executivo. Ele enfatiza a importância de criar um ambiente de trabalho que respeite e celebre essa diversidade cultural, criando uma “família” corporativa unida não por laços sanguíneos, mas por valores compartilhados e objetivos comuns.

“A noção de respeito para mim é muito importante. Quando você dirige uma empresa, você tem de respeitar a cultura de cada um e estar sempre ouvindo as pessoas.” 

Inovação constante: a chave para o futuro

Num mundo em constante transformação, onde a inteligência artificial e a globalização redesenham os contornos do mercado de trabalho e do lazer, Janyck traz luz sobre como liderar com sucesso em um setor tão dinâmico como o turismo. Em um trecho impactante de sua fala, este francês de nascença, que está na empresa há 40 anos e no Brasil, desde 1996, sem jamais perder o sotaque de origem alerta:

“Se você não se reinventa todo dia, você vai morrer, porque o mundo já passa muito rapidamente e a inteligência artificial, hoje, faz com que a coisa acelere ainda mais. Então, você tem de se reinventar todos os dias”. 

Essa necessidade de inovação constante é particularmente crítica no turismo, um setor altamente competitivo e afetado por mudanças rápidas em tecnologia e comportamento do consumidor. A pandemia do COVID-19, por exemplo, foi um lembrete brutal da fragilidade do mercado; apenas aqueles prontos para adaptar-se e inovar poderiam esperar sobreviver e prosperar. Para Janick, adaptar-se é mais do que uma estratégia; é uma filosofia de vida que ele instila em sua equipe, garantindo que o Club Med continue a ser um líder no setor de turismo global.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Na entrevista, Janick Doudet também falou sobre o momento do turismo brasileiro, as barreiras para o crescimento do setor no Brasil, a sustentabilidade nos negócios, os novos projetos da empresa e o seu desenvolvimento na carreira: