Mundo Corporativo: a jornada de resiliência e autodescoberta de Leonardo Simão

Nos bastidores do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“A gente não precisa controlar nada externo, basta a gente controlar a nossa reação” 

Leonardo Simão, empreendedor

No universo do empreendedorismo, a jornada de Leonardo Simão se destaca s pelo seu sucesso como empreendedor em série, mentor, investidor e autor, e também pela sua profunda compreensão da importância da resiliência mental e do autoconhecimento. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Simão compartilha ideias valiosas sobre os desafios e estratégias para prosperar em um cenário de negócios altamente competitivo.

O autor do livro “Do zero ao Exit, um manual completo do mundo da criação e captação de recursos para startups” argumenta que o cerne do sucesso empresarial não reside na ideia ou na execução, mas na capacidade do empreendedor de lidar com adversidades.

“O maior fator do sucesso de qualquer empreendedor, de qualquer empresário, não está na execução apenas, não está na ideia, não está no negócio, está na sua resiliência mental, está na sua saúde mental para lidar com todos os desafios”.

A filosofia do estoicismo, que Simão adotou após um período de intensa reflexão e busca pessoal, tornou-se uma pedra angular em sua vida e negócios. Ao abraçar conceitos como a dicotomia do controle e a importância do julgamento individual na percepção de eventos, Simão encontrou um equilíbrio que lhe permitiu enfrentar as incertezas do mundo dos negócios com uma mente mais tranquila e focada.

“Quando a gente entende o mindset positivo, a gente vê que não tem nada bom nem ruim na nossa vida. As coisas simplesmente são. E o que torna elas boas ou ruins é o nosso julgamento. Então, a partir do momento que você começa a controlar o seu julgamento, controlar a forma como você, age, como você reage, tudo muda”.

Simão compartilha sua trajetória de altos e baixos, desde o apogeu com a Bebê Store, uma líder em e-commerce, até momentos de introspecção profunda que o levaram a questionar o verdadeiro significado da felicidade e do sucesso. Esta jornada o inspirou a desenvolver o método “Calma da Mente”, visando ajudar outros empreendedores a encontrar paz e clareza em meio às pressões do ambiente de negócios.

Ao discutir a aplicação prática da filosofia estoica no empreendedorismo, Simão destaca a importância de focar no que se pode controlar e adotar uma mentalidade positiva. Ele enfatiza que, ao mudar nossa reação às circunstâncias, podemos transformar desafios em oportunidades de crescimento e aprendizado.

“Foque sempre em você, nunca foque no que está tá fora de você”.

Além disso, Simão toca em um tema de crescente relevância: o impacto da saúde mental no desempenho e sustentabilidade dos negócios. Ele argumenta que a produtividade e o bem-estar da equipe estão intrinsecamente ligados à saúde mental dos líderes e colaboradores, fazendo um apelo por uma maior atenção a este aspecto essencial do ambiente de trabalho.

Assista à entrevista com Leonardo Simão

A entrevista com Leonardo Simão serve como um lembrete oportuno da complexidade do empreendedorismo e da importância de cultivar uma mente saudável e resiliente. Suas experiências e ideias oferecem valiosas lições para empreendedores que buscam não apenas o sucesso nos negócios, mas também uma vida mais equilibrada e significativa.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Carlos Grecco, Letícia Valente, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Uma hora a gente cai

Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Josh Hild

Mal chegamos no mundo, já temos uma queda: a casa quentinha no útero da mãe dá lugar a um espaço barulhento, meio quente e meio frio, cheio de luz que irrita olhos que antes não precisavam fazer o esforço de ver…

Tudo parece fluir bem, mas uma hora a gente cai. Uma discussão no casamento, um problema no trabalho, uma dívida financeira… Um exame médico que dá um resultado suspeito, um acontecimento não planejado que muda o rumo do futuro…

Cair é inevitável.

Não, não quer dizer que temos que gostar. Aliás, ninguém “tem que” nada.

Essa constatação serve pra nos trazer pra realidade da vida e, a partir dela, decidir como viver.

O que fazer com os momentos de queda?

Dá pra chorar, gritar, se esconder.

Dá pra tirar um tempo pra pensar.

Dá pra fechar os olhos e se imaginar mudando de planeta.

Só quero que se lembre que não está sozinho.

Só quero que, nessas horas, olhe para os lados e perceba: mais cedo ou mais tarde, você verá todos que conhece caírem (e, por aí, quem você não conhece também estará indo ao chão).

Só quero que você sinta que, apesar das quedas, há momentos em que estamos em pé, caminhando, podendo apreciar o vento fresco no rosto, a luz do Sol, as belezas do mundo.

É… uma hora a gente cai.

E, ainda bem, outras horas a gente está em pé e podendo saborear momentos felizes.

Te desejo esperança na sua capacidade de se erguer, de se reerguer e de seguir em frente!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

A inteligência artificial no divã: o risco à autonomia e à critividade do profissional

Imagem criada no Dall-E

Fui surpreendido recentemente com a fala de alguns alunos de uma turma de psicologia que alegaram não conhecer o ChatGPT. Não é que nunca tenham usado. Não sabiam o que era! Menos ainda tinham ideia do potencial desta ferramenta de Inteligência Artificial. Fui rasteiro na minha “pesquisa” e, portanto, não sei com clareza os motivos que levam esses futuros profissionais a desdenhar esse conhecimento. Com o devido cuidado para não ser tomado pelo Efeito Bolha, me impressiona que pessoas que já estejam no ensino superior ainda não tenham tido contato com essa revolução tecnológica que estamos assistindo desde a popularização da IA, há pouco mais de um ano. 

Se ainda temos uma camada considerável da população sem acesso ao acessível ChatGPT e seus primos-irmãos, imagino que boa parte de nós — os da Bolha — ainda use os recursos de IA de forma infantil. A quantidade de possibilidades que essas ferramentas nos oferecem para elaboração de texto, análise de pesquisa, desenvolvimento de projetos ou criação de produtos e procedimentos é inalcançável. Todo dia, você que tenha um pouco de interesse no assunto, encontrará uma nova solução de IA.

Dos riscos que corremos, assim como acontece com todas as demais tecnologias à disposição, um deles é o deslumbramento e a hiper-dependência. As IAs generativas facilitam uma série de atividades como a elaboração de um texto sobre qualquer assunto que você se propuser a escrever (ou copiar). Porém, se você, refém desse nosso cérebro que está sempre em busca de atalhos para facilitar a sua vida, entregar apenas à IA essa tarefa, sem interferência e referências, corre perigo enorme de ver sua criatividade definhar, com a perda da capacidade de refletir e desenvolver pensamento crítico, que são as habilidades que nos oferecem vantagens competitivas. 

Um estudo recente que investiga equipes de trabalho e a Inteligência Artificial (IA), principalmente o uso do ChatGPT, esclarece realidades que tanto surpreendem quanto instruem. Este estudo, conduzido por Kian Gohar, CEO da GeoLab, e Jeremy Utley, da Universidade de Stanford, revela nuances importantes sobre a aplicação da IA em processos criativos de resolução de problemas nas organizações.

Colaboradores de quatro empresas, duas na Europa e duas nos Estados Unidos, foram divididos em equipes para enfrentar desafios empresariais específicos. Alguns grupos contaram com a assistência do ChatGPT, enquanto outros abordaram os problemas sem qualquer apoio da IA. O objetivo? Avaliar o impacto prático da IA generativa na geração de ideias e solução de problemas em equipe.

Os resultados, porém, foram modestos. Enquanto as equipes assistidas pela IA demonstraram um aumento significativo na confiança em suas habilidades de resolução de problemas – um salto de 21% –, as ideias geradas, em média, superaram apenas ligeiramente aquelas criadas pelos grupos de controle, com um modesto aumento de 8% no volume de ideias. Mais intrigante ainda foi o fato de que, embora as ideias geradas com a ajuda da IA tendessem a ser menos ruins, elas não eram necessariamente mais inovadoras ou criativas.

O foco aqui, segundo Gohar, não reside na capacidade da tecnologia, mas na abordagem e utilização desta tecnologia. A experiência demonstrou que a incorporação eficaz da IA em processos criativos requer uma redefinição do fluxo de trabalho e o desenvolvimento de novas competências. As equipes que se saíram melhor foram aquelas que trataram a IA não como um oráculo infalível, mas como um parceiro numa conversa contínua, explorando e aprofundando as ideias através de interações com a ferramenta.

Dentre as recomendações para maximizar o potencial da IA, destacam-se a necessidade de definir com precisão o problema a ser resolvido, dedicar tempo à discussão de ideias antes de consultar a IA, e treinar rigorosamente a ferramenta com informações detalhadas e específicas do contexto em questão. Além disso, a importância de manter um diálogo crítico e construtivo com a IA, desafiando-a e refinando as sugestões oferecidas, foi uma lição valiosa.

Joe Riesberg, vice-presidente sênior da EMC Insurance, uma das organizações participantes, reforça essa visão, destacando a importância de questionar e desafiar a IA para extrair respostas mais criativas e úteis. Sua experiência pessoal reflete um aprendizado crucial: a interação eficaz com a IA requer uma postura ativa, questionadora e, por vezes, crítica.

De volta a surpresa pelo desconhecimento de parcela dos estudantes de psicologia: volto a eles para lembrar que, enquanto muitos não se interessaram por essa tecnologia disruptiva, outros tantos engatinham ao explorá-la, e alguns se preocupam com a perda de autonomia ou criatividade, já temos profissionais bastante avançados nesse mercado.

Um dos usos frequentes entre os “vanguardistas do divã”  é a combinação do ChatGPT com ferramentas de análise de linguagem. A partir de textos escritos por pacientes, revelam-se aspectos significativos do estado emocional ou de processos cognitivos do paciente, auxiliando na formulação de abordagens terapêuticas mais direcionadas. 

É possível ainda criar cenários detalhados e realistas que podem ser utilizados em terapias baseadas em simulação. Isso é particularmente útil em abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), onde a exposição simulada a certas situações pode ajudar os pacientes a desenvolver estratégias de enfrentamento mais eficazes.

Entre riscos e possibilidades, minha sugestão: desdenhar das oportunidades em virtude dos perigos ou do medo do desconhecido é muito mais nocivo à sua formação profissional. Nessa encruzilhada entre a inovação tecnológica e o genuíno potencial humano, está a chave para uma nova era de descobertas e crescimento profissional: não é a ferramenta que define nosso futuro, mas a maneira como escolhemos usá-la. E a inteligência artificial será tão melhor quanto for a inteligência humana.

Foi graças ao The Shift que tive acesso ao estudo publicado na Harvard Business Review que me inspirou a escrever esse texto.

Conte Sua História de São Paulo: os caminhos que me levaram a entrar na vida adulta

Por Sergio Damião

Ouvinte da CBN

Foto de Mert Kaya

Sou profissional da área comercial há mais de 40 anos, 63 de vida. Autor do livro “Se Vira! Você não é quadrado! Surpreenda, atenda bem, venda mais”

(Livraria Books). Sou paulista de Santo André, descendente de nordestinos. Apaixonado loucamente por São Paulo.

Minhas maiores lembranças de Sampa vêm do tempo do meu início de trabalho, aos 18 anos, quando me formei em técnico em artes gráficas, na Escola Senai Theobaldo de Nigris, na rua Bresser.

Traço um paralelo direto com o clima. Como era bom saber que passaríamos três meses seguidos em um outono, com neblina — a verdadeira São Paulo da Garoa. Minha mãe, Dona Toca, acordava cedo para fazer o café e preparar minha marmita. Ela sempre recomendava:

– Serginho, não esquece da blusa, do guarda chuva. É outono!

Eu pegava o busão da CMTC azul e creme, às 5 horas, daqueles monoblocos com  motor atrás, que quando lotava dava até para sentar sobre ele, escondido do motorista e do cobrador. Fazia o trajeto  São Matheus-Praca da Sé entre cochilos e conversa com os Dinos, um grupo de amigos que conhecemos desde de 1965 e até hoje nos encontramos.

Eu atravessava da Praca da Sé, via rua Direita, viaduto do Chá, 24 de maio, cruzando o Teatro Municipal, o Mappin, a Peter, a Casa Los Angeles e aquelas vitrines bonitas. De chamar atenção. Estar com aquela gente madrugadora toda manhã era o primeiro sinal de que entrara na vida adulta.

Em um primeiro momento de estágio e depois contratado, com carteira assinada, eu seguia até o Largo Paissandu  e embarcava em outro busão, em direção a Rua do Bosque. Passava a Avenida Celestino Bourroul e a rua do Estadão, no bairro do Limão. Esse  trajeto, ida e volta, fiz durante dois anos, tempo que me fez apaixonar ainda mais pelo centro da cidade e no qual testemunhava aquela febre diária das pessoas se movimentando seja no início seja no fim do dia.

Nesse período assisti às manifestações dos bancários, à presença da Polícia Militar e seus cavalos cruzando as ruas e avenidas, aos camelôs e vendedores de calças Lee, Levis, Gledson e Soft Machine

Dar um giro no Mappin, comer um cachorro quente com salsicha viena no Largo do Café, ir no segundo MC Donalds da Libero Badaró, me deliciar com o sanduíche grego. Momentos que jamais sairão da minha memória afetiva.

Após tantos anos mudei de empresa, trabalhei com grupos de outros estados, migrei para área comercial, tive novas oportunidades para conhecer a capital e o interior. Há 20 anos, estou em uma empresa de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, a Box Print. 

Há alguns dias, vindo fazer uma visita no centro, na Brigadeiro Luiz Antonio, cruzei a Praca Duque de Caxias, a avenida Rio Branco, a Ipiranga, a  São Luis e, com saudade e tristeza, senti o que todos devem sentir ao encontrarem essa região degradada pelo crack: um enorme pesar, além de uma nostalgia do tempo que cruzávamos esses caminhos com segurança e não como hoje vendo o “avesso do avesso”, que Caetano canta no clássico Sampa.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Sérgio Damião é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Juliano Fonseca. Conte você também a sua história: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Impulso Digital: novo programa do CIEE capacitará jovens para o futuro do trabalho

Foto de Canva Studio

À medida que o avanço tecnológico redefine as fronteiras do emprego e do conhecimento, a capacitação dos jovens nesse setor se torna indispensável, não apenas como meio de inserção profissional, mas também como estratégia crucial de combate ao desemprego. No Brasil, a questão do desemprego juvenil é particularmente premente, com taxas que destacam a necessidade urgente de ação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 15% dos jovens brasileiros estão desempregados, um número que, embora menor do que nos anos anteriores, ainda representa um desafio significativo para o país e sublinha a importância de iniciativas como o Programa de Aprendizagem Impulso Digital.

Lançado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), nessa quarta-feira, em São Paulo, em parceria com Ada Tech, o Impulso Digital é um programa pioneiro com o objetivo de abrir até cinco mil vagas para jovens aprendizes no setor de tecnologia. Esse programa representa uma resposta concreta ao duplo desafio do desemprego juvenil e da demanda crescente por profissionais qualificados na economia digital.

Projetado dentro dos parâmetros da Lei da Aprendizagem, o Impulso Digital propõe uma formação integral que inclui desde competências básicas em língua inglesa até conhecimentos avançados em banco de dados e estatística, passando pela inclusão de aulas de português e matemática. Essa abordagem multifacetada não só atende às necessidades imediatas do mercado de trabalho, mas também fortalece as bases educacionais dos jovens, preparando-os para um futuro promissor no campo tecnológico.

O apoio do Movtech, uma coalizão de organizações dedicadas a fomentar investimentos sociais em educação e tecnologia, sublinha a importância de uma ação coletiva para abordar essas questões. Este grupo tem como meta mobilizar, capacitar e inserir um número cada vez maior de jovens no setor tecnológico até 2030, refletindo um compromisso com a sustentabilidade econômica e o progresso social.

Dessa forma, o Programa de Aprendizagem Impulso Digital, do CIEE, se estabelece como uma iniciativa fundamental não apenas para o enfrentamento do desemprego juvenil, mas também como um catalisador para o desenvolvimento de competências que são cruciais para o futuro do trabalho. Ao capacitar os jovens com as ferramentas necessárias para prosperar na economia digital, o programa joga uma luz de esperança sobre as estatísticas de desemprego e abre caminho para um futuro mais inclusivo e próspero para o Brasil.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a nova fronteira do “naming rights”

Foto de Denys Volpe

Naming right é tanto melhor quanto mais a marca tiver conexão com aquele espaço”

Jaime Troiano

É o fim da era dos Pereirão, Frasqueirão e Itaquerão? Ainda não! O futebol tem muito estádio espalhado Brasil a fora com nomes que serão eternamente folclóricos. Com certeza, porém, há mudanças evidentes nas oportunidades comerciais que o esporte oferece e a estratégia de naming rights chegou aos clubes e arenas movimentando valores até bilionários. Assim como também embarcou em estações de trem e metrô ou nas casas de evento. 

Considerando que a visibilidade e o reconhecimento da marca se tornam cada vez mais valiosos, o conceito de direitos de nome, emerge como uma estratégia de marketing inovadora e potencialmente lucrativa. Nesse contexto, Jaime Troiano e Cecília Russo, em “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN, mergulham nesse tema, elucidando como a prática reforça a presença da marca no mercado e, também, estabelece uma conexão mais profunda com o público. 

“Aqui no Brasil, essa é uma tendência que começou a acelerar. Não é novidade, mas tem sido muito mais aproveitada recentemente”

Jaime Troiano 

A prática de renomear espaços públicos com marcas corporativas é um dos caminhos usados com sucesso. Um exemplo é a Estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4 do Metrô, em São Paulo, que agrega o nome de um dos bairros servidos pelo modal e a faculdade que tem sede na região.  A Linha Vermelha do metrô paulistano, por sua vez, tem uma estação denominada Carrão Assaí Atacadista, que agrega o nome da popular rede de atacarejo. Para Jaime é evidente o ganho mútuo para as instituições e o público: 

“Não há dúvida de que essa nova identidade beneficia todos”

Jaime Troiano

Cecília rememora experiências nos Estados Unidos, onde a associação de estádios e arenas a marcas é uma prática comum e lucrativa, sugerindo uma crescente adoção dessa estratégia no Brasil. Um exemplo de sucesso por aqui é o Allianz Parque, arena do Palmeiras que ganhou esse nome ainda quando estava em construção pela WTorres. Um negócio de cerca de R$ 300 milhões por um período de 20 anos, assinado pela empresa alemã de seguros que já explorava essa estratégia em outras partes do mundo. 

O mais recente caso de naming rigths do futebol brasileiro foi o negócio fechado entre o São Paulo e a Mondelez, detentora da marca Bis. O tradicional estádio do bairro do Morumbi teve seu nome adaptado para MorumBis, fruto de contrato que renderá ao clube R$ 75 milhões por três anos, devendo ser renovado ainda antes do seu prazo final. 

O desafio das empresas que fazem o investimento para conectar suas marcas a uma arena esportiva é levar a opinião pública a adotar esse nome. Veja o exemplo da Arena do Corinthians, conhecida popularmente como Itaquerão, em referência ao nome do bairro em que foi construído. Apesar de ter sido entregue para a Copa do Mundo do Brasil somente há pouco mais de três anos fechou contrato de naming rights e foi rebatizado Neo Quimica Arena. O laboratório farmacêutico teria pago de R$ 300 milhões a R$ 350 milhões por 20 anos de contrato. Os meios de comunicação desde o início adotaram o novo nome. Quanto tempo será necessário para que o apelido Itaquerão caia no ostracismo?

Estratégia ainda mais apurada terá de ser a do Mercado Livre que pagará R$ 1 bilhão para explorar, por 30 anos, o nome do estádio do Pacaembu, um dos mais tradicionais do futebol brasileiro. O nome oficial será Mercado Livre Arena. Haverá necessidade de ações de marketing agressivas para que, especialmente os paulistanos, deixem de chamar o estádio que será reinaugurado em breve de Pacaembu.

“Então, eu diria o seguinte: como profissionais de branding, naming rights é um caminho muito promissor. É bem-vindo ao mercado! Mas não é só estampar a marca. Também tem de ter gestão.  Também tem que saber construir a marca”

Cecília Russo

A marca do Sua Marca

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso sinaliza três pontos cruciais na adoção dos direitos de nomeação: a importância da conexão da marca com a cidade e o espaço onde ela se insere; a necessidade de uma gestão cuidadosa e estratégica da marca; e, por fim, a observação de que estamos apenas no início de uma tendência que promete remodelar o panorama do branding e marketing nos próximos anos.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Não perca a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre as últimas tendências em branding e marketing. “O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN, com a apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo. Acompanhe esses e outros temas relevantes para manter sua marca sempre à frente no mercado.

Avalanche Tricolor: obrigado pela graça alcançada!

Grêmio 4×1 Guarany Bagé

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Geromel recebe o abraço pelo gol marcado em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Pavón, duas vezes, Geromel, de cabeça, e Diego Costa, na cobrança de falta. Duvido que eu pudesse ter pedido algo mais a Deus, nesta tarde de sábado, na partida disputada em Porto Alegre. Que se entenda o verbo poder conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo: o caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe que não costumo demandar coisas mundanas ao Chefe Superior.  A Ele cabem as grandes causas humanitárias, os pedidos de súplica e a salvação eterna. O futebol tem seus deuses próprios – assim mesmo, com letra minúscula – que evocamos quando a coisa se complica para o nosso lado. 

Diante desse fato e do cuidado com as divindades é que nada solicitei para a partida de hoje. Desejava intimamente apenas um pouco de alívio após as últimas frustrações sofridas em campo. Aquele sinal positivo que me fará olhar com mais entusiasmo a temporada de 2024. Na última partida na Arena, quando também goleamos nosso adversário, pelo Campeonato Gaúcho, o sinal veio na forma de esperança, especialmente pela estreia dos reforços recém-chegados. 

Hoje, assistir a Diego Costa marcar um gol na estreia seria um consolo diante da perda mais sentida por todos nós na última temporada com a saída de Luis Suárez. Não que eu acredite que alguém que vista aquela camisa 9 será suficiente para substituí-lo. Mas já que investimos em um centroavante experiente que ele deixe sua marca logo de cara. E vibrei muito com o fato de o gol ter saído em uma cobrança de falta — e que cobrança!?! Sinto falta (ops, sem trocadilho) desse recurso no Grêmio. A última vez que havíamos marcado assim havia sido exatamente com Luisito, no Gre-nal de outubro do ano passado.

Na Avalanche em que exaltei os sinais de esperança vindos do campo, em 17 de fevereiro, também tinha registrado a felicidade de ver o estreante Christian Pavón que entrou no segundo tempo, deu duas assistências para gol e assinalou o seu primeiro com a camisa do Grêmio. Hoje, o atacante argentino mostrou talento mais um vez. Marcou o primeiro gol, aos seis minutos de partida, consolidou a vitória com o terceiro gol do Grêmio, já no segundo tempo, e deu mais uma assistência para gol. Pavón desponta como a mais produtiva contratação feita nesta temporada seja pelos gols seja pelo dinamismo que oferece ao lado direito do time.

E ainda teve o gol de Geromel! 

Bem, aí você vai me desculpar. Depois de dez anos assistindo-o com a camisa do Grêmio, ainda não tenho maturidade para equilibrar minha paixão por esse cara. A jornada que ele está concluindo no Grêmio é incrível! Histórica! Poucos jogadores que vestiram nossa camisa foram tão marcantes quanto ele. Mesmo diante das dificuldades físicas da última temporada e após ter tido a dignidade de oferecer o que havia de melhor na campanha da Segunda Divisão, Geromel segue imponente com a braçadeira de capitão. Hoje, Geromito apareceu dentro da área adversária para, de cabeça, colocar o Grêmio na frente do placar, no início do segundo tempo. 

Se o Camarada Lá de Cima ou os deuses do futebol forem realmente justos darão a Geromel, nesse último ano como nosso zagueiro, todas as alegrias que fez por merecer. Seja nos salvando lá atrás nos momentos cruciais, seja se impondo diante dos atacantes adversários, seja, mesmo que de vez em quando, marcando gols para nos dar o prazer de vê-lo correndo de braços abertos para a torcida. Mais do que isso, só desejaria mesmo estar ali no gramado a espera desse abraço! 

Mundo Corporativo: Eduardo Carvalho, da Equinix, prevê mudanças na forma de liderar na Era da Inteligência Artificial

Bastidores da gravação do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“A liderança hoje se faz pela influência, não pelo poder.” 

Eduardo Carvalho, Equinix

O papel dos líderes se destaca por sua profundidade e relevância, nesta era dominada pela tecnologia. Está é uma das reflexões de Eduardo Carvalho, presidente da Equinix para a América Latina, entrevistado no programa Mundo Corporativo, da CBN. Ele compartilha reflexões sobre como a inteligência artificial e o desenvolvimento digital estão remodelando o mundo e as relações, transformando a essência da liderança.

Eduardo Carvalho ilumina o cenário atual dos negócios, onde os data centers e a interconexão desempenham papéis cruciais. Ele destaca a importância da hospedagem dos principais players do mercado pela Equinix, a maior empresa global do setor: 

“Tudo que está no seu celular, todos os aplicativos, eles rodam, direta ou indiretamente, dentro da Equinix”

Esta capacidade tecnológica, segundo ele, tem um impacto direto na experiência do usuário final, colocando em perspectiva a responsabilidade e a influência das decisões empresariais.

O novo papel dos líderes

No coração da discussão, Eduardo enfoca o papel evolutivo dos líderes em um ambiente influenciado pela IA. Com o declínio do poder monocrático, surge uma nova forma de liderança baseada na negociação, colaboração e, acima de tudo, influência. 

“O líder moderno não toma mais decisões isoladamente. As decisões precisam do consenso e da colaboração das diversas áreas da empresa.” 

Essa mudança de paradigma reflete a necessidade de adaptar-se, não apenas às demandas tecnológicas, mas também às humanas, promovendo um ambiente onde o capital humano e a tecnologia coexistam harmoniosamente.

Inteligência Artificial e Liderança

A influência da IA na liderança é um tema central na visão do CEO da Equinix. Ele argumenta que a inteligência artificial oferece uma base de dados e análises profundas que podem auxiliar os líderes em suas decisões. 

“A inteligência artificial tem uma colaboração fundamental em tornar os processos mais eficientes e em fornecer insights que anteriormente poderiam não ser evidentes.” 

No entanto, Carvalho enfatiza que a IA não substitui a necessidade de uma liderança humana empática, intuitiva e adaptável. Pelo contrário, ela serve como um complemento que potencializa a capacidade de liderar com mais informação e precisão.

A importância da requalificação

Outro ponto crítico abordado por Eduardo Carvalho é a requalificação dos colaboradores em face das mudanças tecnológicas. Ele destaca a importância de preparar as equipes para trabalhar com novas ferramentas e processos, um desafio que os líderes devem enfrentar. 

“A requalificação é essencial não apenas para a eficiência operacional, mas também para a satisfação e o engajamento dos colaboradores.” 

Essa perspectiva sublinha a visão de Eduardo de que os líderes devem ser facilitadores da adaptação e do crescimento, tanto tecnológico quanto pessoal.

“A inteligência artificial tem uma colaboração fundamental, mas o futuro é híbrido e diverso.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quintas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e também fica disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Esta entrevista com Eduardo Carvalho não apenas ilumina o caminho para o futuro dos negócios digitais e a importância do capital humano nesse processo, mas também reitera a necessidade de uma liderança que abrace a diversidade, a inclusão e a inovação. À medida que o mundo corporativo continua a evoluir, as palavras de Eduardo servem como um lembrete da força que reside na combinação da tecnologia com uma gestão humana e inovadora.

Conte Sua História de São Paulo: meus passos até a Escola Municipal de Bailado

Dila Roche

Ouvinte da CBN

Foto de Vitaly Gorbachev

Aos dez anos, em 1972, consegui entrar na escola municipal de bailado, escola onde minha mãe também havia estudado. A escola hoje é conhecida como Escola de Dança de São Paulo, uma das mais tradicionais escolas existentes no país. Minha mãe, por muito tempo, meu pai e depois eu, por conta própria, sempre usei o transporte público para chegar a sede, embaixo do Viaduto do Chá.

Em fevereiro de 1978, com a inauguração da Estação Sé do metrô comecei a explorar um novo trajeto para a escola. Essa mudança ocasional de percurso me proporcionava um prazeroso passeio pelo centro. Descendo na estação Sé, vestida com o abrigo esportivo da escola, eu atravessava a agitada Praça da Sé, passando ao lado de pregadores, engraxates e vendedores de moedas antigas. Meu caminho seguia pela Rua Barão de Paranapiacaba até a Chapelaria Paulista, na Rua Quintino Bocaiuva: “quem compra aqueles chapéus?”.

Virando à direita e logo após à esquerda, contornava a loja Clóvis, chegando à Rua José Bonifácio. Ali, adentrava nas Lojas Americanas, para atravessar o quarteirão até a Rua Direita. Eu me  divertia usando a Americanas e a Lojas Brasileiras de atalho. 

Acreditava que só eu conhecia aquela passagem secreta até a rua Direita, aliás um lugar abarrotado de gente e lojas com fachadas repletas de placas.

A rua era um centro de compras vibrante, com lojas como a Garbo, a Ducal, e a Riachuelo, onde tudo, desde roupas até perfumes, estava à vista. Embora meu foco fosse a pequena Modelia, no final da Rua Direita, conhecida por suas malhas de alta qualidade e vendas promocionais arrasadoras.

No trajeto, os camelôs com suas mercadorias espalhadas pelo chão eram uma constante, sempre atentos à chegada dos fiscais. A travessia da Praça do Patriarca levava ao Viaduto do Chá, outro local de comércio efervescente, onde era possível encontrar desde meias até jogos de azar — azar mesmo, porque nunca soube de ninguém que tenha ganhado. A música andina tocada por grupos locais adicionava uma atmosfera especial ao ambiente.

Ao fim do viaduto, cruzava a Rua Xavier de Toledo para chegar ao Mappin, enfrentando o desafio de atravessar a rua sob o olhar rigoroso do Guarda Luizinho, temido por sua habilidade em repreender os apressados que se colocam em rico na travessia. O Mappin, em frente ao Teatro Municipal, era quase a última etapa antes de chegar à escola de bailado, após descer as escadarias, segurar no dedo da estátua que fica bem no pé da escada, para dar sorte. e passar por mais ou menos uns 30 gatos.

Esse percurso, que levava cerca de 15 minutos, foi uma parte significativa da minha vida por oito anos. Ao refazer o trajeto, há uns dois anos, notei uma transformação drástica: o centro já não era o mesmo, com menos vendedores ambulantes e um público reduzido, reflexo da proliferação de shoppings e do comércio online. Com o viaduto do Chá agora vazio, pude chegar perto da mureta de proteção da ponte, que antes servia de apoio para os ambulantes. Mesmo naquele silêncio, confesso que eu acreditei ser a única ali que ainda ouvia o realejo… 

E  todos os sons da cidade. Da minha cidade.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Odila Vitoria Rocha da Costa, a Dila Roche, é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: o uso do cachimbo entorta a boca

São Luiz 2×0 Grêmio

Recopa Gaúcha – Estádio 19 de Outubro, Ijuí/RS

Foto de Richard Ducker/GrêmioFBPA

Existe um velho ditado popular que diz que “o uso do cachimbo entorta a boca”. Ouvia meu pai repeti-lo com frequência lá nas bandas da Saldanha Marinho. O dito serve como um lembrete da importância de observar e refletir sobre nossas ações cotidianas e os hábitos que cultivamos. Sugere que devemos estar atentos às consequências de nossas práticas habituais pois, com o tempo, podem se tornar tão enraizadas a ponto de moldar quem somos, muitas vezes de maneiras que não percebemos ou que podem não ser benéficas.

A boca torta oriunda do hábito de fumar cachimbo encerra uma lição sobre a natureza humana e a formação do caráter, enfatizando a necessidade de conscientização e escolha deliberada sobre nossas ações e comportamentos, para que possamos direcionar nossas vidas de maneira mais saudável e alinhada com nossos valores e objetivos. 

A passividade com que o Grêmio — desde sua diretoria ao jogador de menor expressão do grupo, todos eles com a cumplicidade do seu técnico — aceitou a ideia de ser apenas coadjuvante na decisão de um título regional, lembrou-me da fala do pai que estaria decepcionado diante do que assistimos na noite desta quarta-feira. Assim como estou.

É curiosa esta postura, porque em passado recente ouvíamos o discurso de que o Grêmio estava se acostumando a vencer, ideia que surgia com a Copa do Brasil, em 2016, seguida por uma sequência de conquistas significativas, como a Libertadores de 2017. 

Sob o mesmo comando técnico, hoje, admitimos a ideia de desdenhar da Recopa Gaúcha, desperdiçando a oportunidade de dar ao torcedor uma alegria, por mínima que fosse, após a derrota no clássico Gre-Nal — um resultado, que se diga, foi péssimo e para o qual elegemos o árbitro como bode expiatório para não assumir a fragilidade técnica da equipe. 

Aceitamos a derrota no clássico porque ainda é o primeiro turno do campeonato. Consideramos normal passar à próxima etapa na segunda colocação porque tem tempo para se recuperar. E vamos ao interior disputar um troféu poupando nossos principais jogadores e permitindo que o treinador aproveite seu dia de folga, porque, afinal, vencer mais uma Recopa Gaúcha não vai mudar o rumo da nossa história.

Cuidado, Grêmio, depois que a boca entorta é mais difícil abandonar o cachimbo.