Conte Sua História de São Paulo: minhas mémórias gastronômicas e auditivas da cidade

Joabedan Mariano

Ouvinte da CBN

O estádio do Palmeiras na foto de Sergio Souza

Aos cinco anos, nos longínquos anos de 1980, fiz uma viagem de três dias de Alagoas a São Paulo. Minha mãe, um primo e eu. Como era criança, não paguei passagem, e também não tive direito ao assento: dormia embaixo do banco no qual sentavam minha mãe e meu primo.

A São Paulo que vi, senti e provei era fria. Nas bandas do nordeste, não somos acostumados a temperaturas baixas. A cidade era cinza, por onde passava havia pouquíssimo verde e muito concreto; era inóspita, também. Meus familiares viviam na Favela de Heliópolis. Lá havia uma sinfonia de uma nota só: bang, bang, bang … E quase toda noite, era o que se ouvia.

Talvez por ser muito novo, eu até achava curioso e, não raro, preferia acreditar que aqueles sons eram estalos de São João. Ah, esses os conhecia muito bem.

Tive boas experiências, também! 

Gastronômicas, em especial: conheci sabores que nunca havia provado. Almeirão, sagu, groselha e uma mortadela deliciosa da qual nunca mais provei. 

Houve experiências visuais: fui ao Museu do Ipiranga, ficando em minha mente tudo o que vi: as armas do Brasil-Império e a Coroa Real; os caixões de Dom Pedro e de sua respectiva esposa; a tela de Pedro Américo, “Independência, ou Morte!”. 

E, claro, mantenho na memória as experiências auditivas. Minha tia, a que morava em Sampa, era assim que ela chamava o lugar, ouvia uma estação de rádio que transmitia um programa humorístico chamado “A Turma da Maré Mansa”. Eu adorava e me divertia!

Curiosamente, nunca mais voltei para São Paulo. Fui algumas vezes a Guarulhos, apenas para os voos em conexão. Sinto a necessidade de retornar à cidade para completar uma missão que eu mesmo me dei: conhecer o Brás, o Bexiga e a Barra Funda, lugares descritos com maestria pelo meu autor favorito, Alcântara Machado. Ah, e também realizar dois sonhos: conhecer as instalações da rádio CBN São Paulo (e, com muita sorte, conhecer Petria Chaves, da qual sou fã de carteirinha  – mas com Menção Honrosa a Milton Jung) e o Allianz Parque, palco dos shows do meu time do coração, o Palmeiras.

Joabedan Mariano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem da nossa cidade. Escreva seu texto e envie agora para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: a despedida memorável de Suárez no palco do Maracanã

Fluminense 2×3 Grêmio

Brasileiro – Maracanã, Rio de Janeiro, RJ

Suárez prestes a marcar em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Era a última dança. Assim os cronistas esportivos se referiam a partida final de Luis Suarez no futebol brasileiro. Do Grêmio e seus torcedores, Luisito despediu-se no fim de semana, na Arena. Foi uma festa muito particular, Linda e emocionante! Para nunca mais esquecer! Havia, porém, um último ato a ser realizado e este deveria ser no maior palco do futebol mundial: o Maracanã. 

É uma daquelas coincidências que somente os deuses, que interferem nos destinos deste esporte, são capazes de desenhar. O gramado em verde e bola jamais havia assistido a um gol de Suárez. E estava lá, disposto a lhe dar essa oportunidade na hora do adeus.

A música que as torcidas cantavam, a voz ao fundo dos locutores esportivos e a batucada proporcionada pela chuteira em choque com a bola estavam sintonizadas para acompanhar o ritmo imposto por Suárez. Aos 36, véspera dos 37 anos, consagrado por todos os lugares que jogou, o craque uruguaio demonstrava um desejo que somente os apaixonados pelo futebol são capazes de ter. Quase juvenil!

Era o jogo derradeiro do nosso craque, aquele que com seus pés fez poesia, que com dribles delineou sonhos no campo, que com gols escreveu história — algo que ele não se cansa de repetir a despeito de um joelho que teima em doer. Foi a superação desta dor, somente possível pelo prazer que tem em jogar, que o permitiu chegar até o espetáculo final. 

Ele não desperdiçaria as circunstâncias.

O passe que recebeu de Villasanti e a posição dos seus marcadores pareciam sincronizadas para permitir que o campo ficasse livre para Suárez correr em disparada ao gol, aos 43 minutos do primeiro tempo. Em uma jogada que há algum tempo tem evitado para não aumentar o desgaste físico, ele escapou dos marcadores e, em uma corrida cadenciada pela bola que conduzia, foi se aproximando da área. Quando todos esperavam um chute à distância, Suárez imaginava um lance ainda mais lindo. Driblou o goleiro e chutou com precisão para deixar definitivamente sua marca nas redes do Maracanã.

Ele queria mais. E os deuses voltaram a interferir. No segundo tempo, quando o Grêmio já havia virado o placar a seu favor, um novo lance para o estádio. Um pênalti! Um dos raros momentos do futebol em que todos são convocados a assistir. Como se estivesse no roteiro deste filme, o Maracanã se perfila para ver Suárez brilhar. Ele brilha e se diverte com a bola. Dá uma cavadinha, tira o goleiro de cena, e sai para beijar seus três dedos pela última vez jogando no Brasil.  

A última dança termina! Mas a memória desse momento permanecerá para sempre. No olhar de cada um de nós, torcedores e apaixonados pelo futebol, havia um brilho de lágrimas nos olhos e um sorriso de agradecimento pela jornada que compartilhamos nestes últimos 11 meses.

E se não bastasse a beleza desta dança final, Suárez antes de soltar nossa mão nos deixou um presente inesperado: o vice-campeonato brasileiro!

Quem acolhe as pessoas idosas que vivem com HIV?

Por Diego Felix Miguel

Foto de Anna Shvets

O Dia Internacional de Luta contra a AIDS, celebrado em 1º de dezembro e instituído em 1988 pela Organização das Nações Unidas, visa aumentar a visibilidade das demandas de pessoas que vivem com HIV, contribuir para a desmistificação e promover uma compreensão mais aprofundada da infecção na sociedade, tratando-a como uma questão de saúde pública.

A intersecção do idadismo, que é o preconceito e discriminação pela idade, com a sorofobia, que é a aversão contra pessoas vivendo com HIV, representa um dos grandes desafios enfrentados por profissionais que atuam com idosos e se empenham em reforçar as boas práticas em Geriatria e Gerontologia.

Quando levamos em conta aspectos diversos que formam nossa identidade, como gênero, raça, cor, orientação sexual e etnia, torna-se evidente a iniquidade no acesso a informações e orientações eficazes sobre prevenção e tratamento digno disponíveis para todos.

A desigualdade social agrava a vulnerabilidade e expõe as pessoas idosas a várias formas de violência. Entre elas, destaca-se a solidão e a falta de uma rede de apoio que permita compartilhar, com confidencialidade, desejos e práticas sexuais sem o medo de julgamento ou de exposição vexatória em redes sociais, o que perpetua a ideia ultrapassada de uma velhice assexuada, heteronormativa e conservadora.

Por isso, esclareço o título deste artigo: “Quem acolhe as pessoas idosas que vivem com HIV?”.

A palavra “acolher” aqui não deve ser entendida como um reforço do estereótipo de que pessoas com HIV sejam dependentes e necessitem de ajuda, mas sim que a ciência mostra diariamente o quanto é possível gerir a doença e manter uma vida saudável e ativa com o tratamento adequado.

Acolhimento, neste contexto, significa o quanto estamos dispostos a eliminar preconceitos. Sabemos que qualquer pessoa sexualmente ativa pode estar sujeita a Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e isso não está associado à promiscuidade, mas à necessidade de repensar os ‘juízos de valores’ baseados em visões conservadoras.

No que diz respeito a autocuidado e prevenção, o importante não é o número de parceiros(as) sexuais, mas sim como cada um cuida de si, os métodos de prevenção escolhidos e, fundamentalmente, um processo de autoconhecimento.

Devemos também atualizar nossa abordagem. O preservativo é apenas uma das várias opções de prevenção disponíveis.

Refletir sobre o impacto traumático de imagens de pessoas com infecções avançadas é crucial; abordagens que geram medo apenas reforçam estigmas e culpabilizam, perpetuando preconceitos e discriminações enraizados em nossa percepção do que é aceitável na intimidade e prazer entre pessoas.

A sorofobia cria uma desigualdade de poder ao ignorarmos a confidencialidade e ao nos fecharmos para novas realidades e práticas sexuais. Enxergar as ISTs de maneira estigmatizante apenas fortalece a noção de culpa em indivíduos que são, na realidade, vítimas de um sistema injusto.

É essencial estarmos abertos para entender a sexualidade em toda a sua complexidade, incluindo estratégias de prevenção atualizadas como a Profilaxia Pré-exposição (PrEP), Profilaxia Pós-exposição (PEP) e a Prevenção Combinada, que engloba a redução de riscos, todas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, é importante ressaltar que pessoas que vivem com HIV têm acesso a tratamentos eficazes que garantem sua qualidade de vida e, quando estão com carga viral indetectável, não transmitem o vírus através de práticas sexuais.

O debate sobre o HIV não deve ser limitado aos profissionais de saúde ou gestores de políticas públicas; é um tema pertinente a todos nós, cidadãos que formamos a sociedade, e devemos participar ativamente dessa luta, unindo-nos contra a sorofobia.

Mais informações no site da Unaids

Diego Felix Miguel é especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e membro da Diretoria da SBGG-SP, gerente do Convita – Patronato Assistencial Imigrantes Italianos, mestre em Filosofia e doutorando em Saúde Pública pela USP. Escreve a convite do blog

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: como evitar que marcas “gringas” causem a mesma decepção do Starbucks, no Brasil

Foto de Well Naves

“Saber entrar no mercado brasileiro, especialmente para essas marcas que vêm de fora, é uma mistura de entender nossa identidade e não querer forçar algo que não combina com nossa cultura”

Cecília Russo

No cenário atual de globalização, a entrada de marcas estrangeiras no Brasil se tornou um tópico de grande relevância. Entender a identidade cultural local sem forçar conceitos que não se alinham com a marca é a estratégia que pode definir o sucesso ou o fracasso de um serviço ou produto oferecido por uma empresa “gringa”. Jaime Troiano e Cecília Russo compartilharam suas percepções sobre este fenômeno no “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, do Jornal da CBN.

Um exemplo emblemático é o do Starbucks. Conhecido mundialmente, a marca americana enfrentou desafios no Brasil, apontando para uma desconexão cultural. O “cafezinho” brasileiro, mais do que uma bebida, é um símbolo de sociabilidade e afetividade, algo que o Starbucks, com suas propostas como o “Pumpkin Spice Latte”, não conseguiu replicar integralmente 

Na Itália, por exemplo, o Starbucks teve uma entrada totalmente diferente. Ao se instalar em Milão, aliou-se à Princi, uma tradicional rede de padarias italianas, com paninis e  focaccias de morrer de boas, que também servia café. Enfim, não era apenas o Tio Sam chegando na Itália e pontificando sua autoridade em café, mas ele, humildemente, ancorando numa marca local e amada para conquistar o exigente paladar dos italianos.  

Cecília Russo chama atenção para o fato de que as dificuldades enfrentadas pelo Starbucks passam por outros temas estratégicos para o funcionamento de um negócio no Brasil, mas não há como deixar de lado a discussão que interessa ao branding:

“Eu acho que eles não tiveram talvez essa mesma sabedoria de compreender a nossa cultura e trazer uma proposta que fizesse sentido. Além disso, o cafezinho na nossa padaria custa X e um café no Starbucks custa um valor muito mais alto. Então para entrar no Brasil tem que entender muito nossa origem, nosso jeito de tomar café. Eu até brinco: será que eles escreveram Brasil “s” e não com “z”?”

Cecília Russo

Casos de marcas “gringas” de sucesso

Na contramão da frustração causada pelo Starbucks, marcas como o McDonald’s e o Eataly apresentam casos de sucesso. O McDonald’s, mantendo sua essência americana, soube incorporar elementos locais, como o “pão de queijo” em seu menu, aproximando-se do consumidor brasileiro. O Eataly, por outro lado, combinou a culinária italiana com pratos brasileiros, demonstrando uma integração respeitosa e eficaz da marca no mercado local. A curiosidade é que essa marca tem, aqui no Brasil, o mesmo dono do Starbucks.

Estes casos ilustram a importância de uma abordagem cuidadosa e adaptada ao entrar no mercado brasileiro. Não se trata apenas de transplantar uma marca e seus produtos; é crucial entender e respeitar as peculiaridades culturais e econômicas do país. 

“Eu acho que não dá para entrar de salto alto no mercado brasileiro, ele não é um mercado para amadores, não pode entrar com soberba”

Jaime Troiano

Essas reflexões são cruciais para qualquer marca internacional que busca estabelecer-se no Brasil. A lição é clara: entender e valorizar a cultura local não é apenas uma questão de respeito, mas uma estratégia de negócios inteligente e necessária.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar, todos os sábados, no Jornal da CBN, logo após às 7h50 da manhã:

Dez Por Cento Mais: Diego Cordeiro e a arte de cultivar relações humanas e bem-estar

Foto de Andrea Piacquadio

No panorama atual, onde a tecnologia acelera o ritmo da vida, um aspecto essencial para a felicidade e o bem-estar social vem sendo sublinhado: a importância das relações humanas. Diego Cordeiro, preparador físico e empreendedor, abordou este tema em sua participação no programa Dez Por Cento Mais.

Cordeiro começou sua jornada como estagiário na Bodytech em 2005, alimentado por um sonho intrínseco à educação física e ao desejo de atender pessoas. Ao longo de quase duas décadas, ele testemunhou e contribuiu para a evolução da empresa, que cresceu de cinco para cem academias. Sua trajetória é um testemunho da importância de perseguir sonhos e aproveitar oportunidades.

A Importância da Saúde Física e Mental

Na entrevista com Abigail Costa e Simone Domingues, Cordeiro abordou a importância da saúde física e mental, ressaltando o papel vital da atividade física no bem-estar geral. Ele enfatiza que cuidar do corpo é tão crucial quanto cuidar da mente, uma filosofia que ele pratica e encoraja nos espaços que gerencia, destacando que na Bodytech o foco vai além do exercício físico.

O sucesso da Bodytech, segundo Cordeiro, deve-se a uma estratégia centrada no cliente, que oferece instalações de alta qualidade e experiências personalizadas. Esta abordagem transformou a Bodytech em uma das principais redes de academias do país, com atendimento diferenciado e foco no cliente.

Impacto Além da Carreira Profissional

Cordeiro se destaca não apenas por sua carreira na Bodytech, mas também pelo seu papel ativo em iniciativas sociais e na promoção do bem-estar físico e mental. Sua trajetória, marcada pela determinação e inovação, revela ideias valiosas sobre crescimento profissional e impacto social.

Ele falou sobre a construção de chalés na Bahia, um projeto pessoal que surgiu da paixão compartilhada com sua esposa pela região. Este empreendimento representa a realização de um sonho e ilustra a importância do equilíbrio entre trabalho e lazer.

Fora do âmbito profissional, Cordeiro lidera o “Projeto Remar São Paulo”, uma iniciativa social que fornece alimentos e necessidades básicas aos desabrigados, refletindo sua crença na responsabilidade social e na importância de contribuir para a comunidade.

Dica Dez Por Cento Mais: Paciência e Cuidado nas Relações

Cordeiro reforçou a necessidade de paciência e cuidado nas interações humanas, essenciais para construir relações saudáveis e felizes. Ele encoraja as pessoas a dedicarem tempo e energia nas relações humanas, considerando isso essencial para a resiliência e o bem-estar em tempos de mudança:

“Preste atenção nas pessoas. Invista seu tempo observando o comportamento das pessoas. Sem julgamento. Em um mundo cada vez mais tecnológico, eu venho percebendo que as pessoas estão mais impacientes, estão cada vez mais intolerantes. Tenha paciência. Tenha cuidado porque a gente precisa dessas relações. Gaste energia nessas relações porque são elas que vão te ajudar a superar os momentos de altos e baixos”.

Assista ao programa Dez Por Cento Mais

O Dez Por Cento Mais tem uma entrevista inédita toda quarta-feira, às oito da noite, ao vivo. Você pode participar com perguntas em tempo real e tirar suas dúvidas com os nossos entrevistados. O programa também pode ser ouvido em podcast, no Spotify. Assine (de graça) o Dez Por Cento Mais, no YouTube e no Spotify e nos ajude a levar mais à frente o conhecimento e as inspirações apresentadas por nossos convidados.

Avalanche Tricolor: Luis Suárez, o Imortal!

Grêmio 1×0 Vasco

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Luis Suárez comemora o gol na despedida da Arena, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eu vi Anchieta e Tarciso. 

Vi Iura e André Catimba.

Eu vi Danrlei e Baltazar.

Vi Jardel e Paulo Nunes.

Eu vi Renato jogar.

Vi o Grêmio campeão gaúcho de 1977. Brasileiro, em 1981 e 1996. Vi a Batalha dos Aflitos; os cinco títulos da Copa do Brasil, os três da Libertadores e o Mundial de 1983.

Quando imaginava já ter visto muito mais do que mereceria ver, eis que deparo com 2023: o Ano de Suárez! Por onze meses, me permiti sonhar assistindo a um dos maiores jogadores do futebol mundial em atividade vestindo a camisa do meu Grêmio. 

Na estreia, um hat-trike como cartão de visita. Repetiria o feito no Campeonato Brasileiro. Nas duas finais que disputou, a confirmação da nossa hegemonia regional. Em três Gre-nais, marcou duas vezes. Da primeira, um gol que ficará para sempre na nossa lembrança. O movimento do corpo, o forjar do passe que ludibriou seus marcadores e um chute à distância no ângulo do goleiro adversário. 

A cada partida, a identificação de Suárez com a torcida e com o time só se fazia maior. A luta para fazer do Grêmio o melhor que poderia ser feito, o esforço para superar as dores no joelho, a irritação com a jogada desperdiçada e o incentivo ao colega que sofria algum revés, se somaram a gols e assistências. Participou de quase metade dos gols marcados pelo Grêmio, nesta temporada. E não foram poucos. 

Nos momentos mais difíceis, Suárez chamou para si a responsabilidade. Liderou o Grêmio em algumas viradas expressivas. Arrancou gols de onde sequer se esperava que pudesse surgir. E graças a sua dedicação manteve o Grêmio competitivo por toda a temporada nos devolvendo a Libertadores.

Sempre a altura de sua história, não se contentou em apenas receber as homenagens em sua despedida da Arena do Grêmio. Queria retribuir a tudo e a todos. Como se ainda fosse preciso fazer mais.

Fez mais um gol. E um daqueles gols que os mortais não seriam capazes de fazer. Com a frente tomada de jogadores, pouco espaço para a bola passar e o ângulo fechado pelos zagueiros e goleiro. Foi lá, de fora da área, com um toque refinado, assim como seu futebol, que Suárez encontrou o caminho para mais uma vitória gremista, que nos coloca no G4 a uma rodada do fim do campeonato brasileiro.

Para todo e sempre, vamos lembrar de 2023, o Ano de Luis Suárez, o Imortal!

Mundo Corporativo: impulsionando o desenvolvimento profissional através de viagens de incentivo

Bastidor da gravação do Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti

“… tem um outro lado que é usar as viagens para preparar os executivos para os desafios que eles têm pela frente. Você vai preparar, por exemplo, um grupo de diretores. Evai ajudar esse grupo a adquirir certas competências que são necessárias para o sucesso deles”

Flávia Leão, líder da Russell Reynolds no Brasil

No ambiente corporativo contemporâneo, as viagens de incentivo assumem um papel crucial, não apenas como uma forma de recompensa, mas também como um meio de enriquecer as relações profissionais e fomentar o desenvolvimento dos colaboradores. Essas viagens, caracterizadas por Rodrigo Klas, diretor comercial da Klas Viagens de Incentivo, como “viagens de relacionamento”, são escolhidas estrategicamente pelas empresas para estreitar laços com clientes e premiar colaboradores. A seleção de destinos é meticulosa, visando ressonar com temas atuais da organização.

As informações sobre essa prática foram discutidas em uma entrevista concedida ao programa “Mundo Corporativo” da rádio CBN, onde Flávia Leão, líder da Russell Reynolds no Brasil, e Rodrigo Klas ofereceram um panorama detalhado sobre a dinâmica e os efeitos das viagens de incentivo no mundo empresarial.

Um exemplo mencionado na entrevista foi uma viagem organizada ao Butão, focada no conceito de felicidade. Esta experiência proporcionou aos participantes uma compreensão profunda de como a felicidade pode ser avaliada e cultivada, indo além dos parâmetros convencionais. A interação com líderes locais e a exploração de práticas sustentáveis e culturais diferenciadas ofereceram uma perspectiva única, destacando a importância do bem-estar e da satisfação no contexto corporativo.

Além de expandir o conhecimento e a visão de mundo dos participantes, as viagens de incentivo são fundamentais para a retenção de talentos e clientes. Como apontado por Rodrigo, essas experiências, quando bem planejadas e executadas, podem aumentar significativamente a lealdade e o comprometimento dos colaboradores e clientes para com a empresa.

“Hoje, a gente tá buscando muito mais abrir empresas e entender o que os líderes dessas empresas estão fazendo na prática porque você vivencia esse dia a dia e essa experiência acaba sendo muito mais rica”

Rodrigo Klas

O mercado de viagens de incentivo, segundo informações de Rodrigo, está em crescimento no Brasil, com São Paulo no epicentro desse desenvolvimento. Flávia Leão enfatizou a importância dessas viagens na preparação dos executivos para desafios futuros, salientando a necessidade de experiências práticas e a exposição a diferentes mercados e culturas.

Em síntese, as viagens de incentivo no setor corporativo são mais do que simples recompensas ou luxos; elas são uma ferramenta estratégica que promove o crescimento profissional, fortalece relações corporativas e influencia positivamente a cultura e a estratégia empresarial.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo. Está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Conte Sua História de São Paulo: o passeio na inauguração do Ibirapuera e o monumento que não resistiu ao tempo

Por José Carlos Vertematti

Ouvinte da CBN

Imagem de arquivo da “Aspiral”, de Oscar Niemeyer

Eram 21 de Agosto de 1954. Eu tinha apenas cinco anos de idade mas me lembro muito bem deste dia maravilhoso! Meus pais, José e Vicentina, levaram minha irmã Rosinha e eu a uma grande festa: a inauguração do Parque do Ibirapuera, em comemoração ao IV Centenário da cidade de São Paulo.

Uma área verde imensa, gramada, arborizada, com lagos, aves, chafarizes e vários prédios culturais que, para um garotinho como eu, parecia ser o mundo todo!

Passeamos muito a pé e o que mais me intrigou foi o sistema de som do parque: podia-se ouvir claramente as mensagens e as músicas, em qualquer lugar e com o mesmo volume. Eu, ainda pequenino, não entendia como isso era possível, mas hoje imagino a complexidade de se instalar um sistema de alto-falantes em árvores e prédios, ao longo de todo o parque, e garantir um som perfeito e equilibrado, naquela época!

Durante o passeio vimos um monumento lindo que tinha uns 17 metros de altura e que é difícil de descrever: algo como uma espiral com as extremidades unidas entre si por uma reta, fundeado no chão com uma inclinação de cerca de 60 graus.

Soubemos que era uma obra de arte criada pelo magnífico arquiteto Oscar Niemeyer. a “Aspiral” ou “Voluta Ascendente” era um desenho que representava o crescimento e o progresso paulista. Estava instalada próxima à entrada principal do parque. Era para ser a imagem da cidade de São Paulo, assim como o Cristo Redentor é do Rio de Janeiro.

Infelizmente, por motivos estruturais, este monumento não resistiu às forças da natureza e, em pouco tempo, veio abaixo e foi destruído! Hoje, só o vemos impresso na embalagem dos Dadinhos, aqueles chocolates com sabor de amendoim, que existem desde 1954. Aparece também na fachada de algumas casas que resistiram ao tempo. 

Outra atração marcante foi a intensa chuva de prata, feita através de triângulos de papel metalizado que refletiam a luz criando um clima mágico. Após uma longa caminhada, maravilhados com a imensidão e beleza do novo parque, descansamos e fizemos um merecido piquenique no Ibirapuera.

Conheça aqui a história da Aspiral, a estátua que desabou no parque

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

José Carlos Vertematti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: Loco por ti, América

Grêmio 2×1 Goiás

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Foto de Lucas Uebel/Gremio FBPA

Diga o que quiser. Reclame de onde vier. Lamente o quanto puder. Ah, se não fosse aquele ponto perdido ali, aquele gol desperdiçado lá, aquela defesa vazada acolá. Que me importa o que não aconteceu? Hoje, só quero sorrir e vibrar. Comemorar!  O Grêmio está de volta a Libertadores! É isso que me interessa. 

Tem quem ainda faça conta para um título quase impossível. Há quem queira as vitórias finais para a vaga direta à América. Quero, também! E quero muito conquistar tudo o que estiver ao nosso alcance. Agora, a alegria de reencontrar a coisa mais linda do mundo que é a Libertadores, essa pulsa no meu coração desde o apito estridente que sinalizou o fim da partida desta noite.

Fomos mal no primeiro tempo. Irreconhecíveis. De vaia, passíveis! Sofremos mais um gol daqueles de dar raiva. Foram 54 até agora, apenas neste campeonato. Não há goleiro que persista. Nem torcedor que resista. Que me importa todos esses reveses? Se levamos muitos, mais fizemos. Aliás, ninguém fez mais do que nós até agora: 59 gols marcados. Hoje, foram mais dois.

Se não vimos gol de Suarez, vimos Suarez ensinar o caminho do gol. No  de empate, tabelou com um toque sutil e preciso que deixou Ferreirinha, dentro da área, em condições de driblar o zagueiro, cortar para dentro e chutar sem perdão. 

No gol da virada, foi Suárez, depois de receber de Ferreira, quem lançou a bola para a entrada da área, em direção a Nathan Fernandes —- esse craque em formação. O guri com um toque provocou a trapalhada dos zagueiros e permitiu que a bola fosse cair nos pés de Franco Cristaldo. Sem deixar que a bola tocasse o gramado, o argentino mostrou porque é o segundo goleador do elenco gremista. 

O gol de Cristaldo foi o gol da vitória. O gol libertador! Que nos alçou a Libertadores! E dizer que a menos de um ano disputávamos as agruras da Série B. Um feito que só eu e você, caro e raro torcedor que lê esta Avalanche, sabemos o que significa na nossa história. Deixamos para trás o rebaixamento, mantivemos a hegemonia regional, sobrevivemos aos revéses e lutamos bravamente pelas conquistas. Fraquejamos e nos recuperamos. Mais vencemos do que perdemos. Empatamos poucas vezes. Para ao fim de tudo isso e à alegria geral da nação tricolor, cá estarmos mais uma vez a Caetanear e cantarolar: 

“Loco por ti, América

Soy loco por ti de amores

Soy loco por ti, América

Loco por ti de amores”

Inteligência Artificial na elaboração de leis não é o fim dos políticos

Imagem criada pelo Dall-E

No coração da Câmara Municipal de Porto Alegre, um marco histórico foi estabelecido com a aprovação de uma lei inteiramente redigida por uma ferramenta de inteligência artificial (IA), o ChatGPT da OpenAI. Este evento singular não apenas destaca a crescente integração da IA em várias esferas da vida pública, mas também incita um debate vital sobre as implicações éticas, legais e sociais dessa tecnologia emergente no processo legislativo.

O vereador Ramiro Rosário (PSDB) propôs um projeto de lei que isenta moradores de cobrança pela substituição de medidores de água furtados, um texto totalmente elaborado pelo ChatGPT. O vereador desafiou a IA, pedindo que criasse uma “lei municipal para a cidade de Porto Alegre, com origem legislativa e não do executivo, que verse sobre a proibição de cobrança do proprietário do imóvel pelo pagamento de novo relógio de medição de água pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) quando este for furtado”. Surpreendentemente, a IA foi além do pedido, propondo prazos e incluindo um artigo sobre a isenção de pagamento da conta de água enquanto o relógio não fosse substituído – uma ideia que não estava no projeto original.

Os colegas de Rosário e o prefeito Sebastião Melo (MDB) só tomaram conhecimento da origem do texto após sua aprovação e sanção. A revelação gerou surpresa e abriu um precedente notável na história legislativa da cidade.

As reações variaram significativamente. Enquanto Ramiro Rosário exaltou a capacidade da IA de ir além das expectativas, propondo prazos e artigos não solicitados, o presidente da Câmara, Hamilton Sossmeier (PTB), expressou preocupações. Ele reconheceu a legalidade do processo, mas alertou sobre o perigo de estabelecer um precedente para leis mais complexas, potencialmente escritas sem supervisão humana adequada.

Legalmente, não existem barreiras claras que impeçam a elaboração de leis por IA. No entanto, isso levanta questões éticas significativas. A principal preocupação gira em torno da transparência e da responsabilidade no processo legislativo. Quem é responsável por erros ou omissões em um texto legal redigido por IA? Como a sociedade pode garantir que a IA não seja manipulada para servir interesses específicos?

Este evento inaugura uma nova era de debates sobre a função e o impacto da IA na governança. A sociedade pode se beneficiar de uma legislação mais eficiente e objetiva, mas também deve estar atenta à possibilidade de desumanização do processo político. A ideia de IA substituindo tarefas humanas se estende agora ao sagrado domínio da criação de leis, um território anteriormente imune à automação.

Apesar das preocupações, o uso de IA na elaboração de leis pode trazer benefícios significativos. A eficiência e a capacidade de processar grandes volumes de informações podem levar a legislações mais abrangentes e bem-informadas. Além disso, a IA pode ajudar a identificar lacunas legais e sugerir melhorias baseadas em dados, contribuindo para um sistema legislativo mais robusto e adaptativo.

O caso de Porto Alegre é um microcosmo das vastas e multifacetadas implicações da IA na vida pública. Enquanto navegamos neste território inexplorado, é crucial manter um equilíbrio entre abraçar a inovação tecnológica e preservar os princípios fundamentais de responsabilidade, transparência e humanidade no processo legislativo.

Pessoalmente, acredito que a IA pode de fato melhorar significativamente a qualidade dos textos legislativos. A capacidade de processar e sintetizar grandes quantidades de informações pode resultar em legislações mais completas, precisas e atualizadas. No entanto, é importante enfatizar que a IA, por mais avançada que seja, não substitui a importância crítica dos políticos e do debate público no processo de tomada de decisões. A IA é uma ferramenta, uma extensão das capacidades humanas, e não um substituto para o julgamento, valores e a essência da política. Em última análise, a IA pode ser um aliado poderoso na melhoria dos processos legislativos, mas deve sempre operar sob a orientação e supervisão de líderes eleitos, garantindo que a política permaneça, fundamentalmente, uma empreitada humana.

(este texto antes de ser escrito foi “discutido” com o ChatGPT; e passou por revisão ortográfica da ferramenta )